Notas iniciais
espero que gostem da fanfic, boa leitura semideuses!

Capitulo dois: meu pai é deus.

Eu ate que poderia está adorando passar o dia do lado de Rick Osment, mas, cara, estamos no banco de trás de um carro que parece que vai desmontar a qualquer minuto e tendo que escutar as musicas estranhas do treinador e o pior, ele cantar junto.

Estávamos chegando no bairro onde morava. Era um condomínio de casas iguais, a única coisa que elas tinham de diferente era o tamanho e o jardim, cada pessoa decorava seu jardim como quer. A casa aonde moro é a ultima da rua, não tem decorações no jardim, apenas uma grande árvore que estava cheia de folhas verdes, no meio dessa árvore ficava uma casa de madeira onde, geralmente, meus meios-irmãos brincavam de acampamento, o carro do meu padrasto estava lá. Isso quer dizer: problemas.

Eu ate gosto do John, é um cara legal, simpático, mas, cara... ele é certinho de mais, se me visse chegando mais cedo da aula ia ser um escândalo. Tinha que evitar que ele me veja dentro de um carro velho que saiu fazendo barulho pera rua atraindo olhares dos vizinhos, aquele condomínio só tinha gente rica.

– é melhor agente voltar mais tarde – falei para os dois – vou ficar de castigo se meu padrasto me ver chegando mais cedo da aula.

– batemos na cabeça dele – falou o treinador – ele nem vai saber o que atingiu ele.

– não! – controlei minha voz para não gritar – vou tentar ligar para minha mãe para sabe aonde ela ta.

– tudo bem, vou deixar o carro aqui – falou o treinador, parando sua lata velha na frente da garagem de John, problemas e mais problemas, John ia surtar ao ver esse carro aqui.

– pode deixar perto do ginásio do condomínio, ninguém vai lá – falei. Ele ligou o carro e foi ate perto do ginásio. Eu pulei do carro e me afastei o máximo que consegui deles, peguei meu celular e liguei para minha mãe, por sorte ela atendeu.

– Debby o que foi? Você não costuma a me ligar durante o tempo de aula...

– mãe precisamos conversar – cortei ela – você pode me encontrar daqui a uns... – olhei para o carro, apesar de velho, ele era rápido – 20 minutos no restaurante de sempre?

Restaurante de sempre eram uma lanchonete simples aonde eu e minha mãe sempre almoçamos juntas todos os sábados que ela ia me buscar na escola. Era um jeito de ficarmos próximas, sempre conto tudo que aconteceu comigo na semana para ela.

– claro, mas será que pode me adiantar o problema? Você não deveria está em aula? Deuses! Não aconteceu nada não é? – perguntou preocupada, sua voz era doce e serena.

Eu sempre escuto minha mãe falar deuses, além de meu deus, como John costuma a falar quando tem problemas, comecei a desconfiar que ela sabe de tudo, tentei parecer calma.

– não foi nada mamãe – respondi – é que tem uma coisa que eu quero falar com a senhora, mas pessoalmente.

– tudo bem – suspirou – 20 minutos.

– sim – confirmei – ate mais.

– eu te amo, ate mais.

– também te amo.

Desliguei o telefone e o enfiei no bolço da minha calça jeans. Foi aí que lembrei que eu e minha mãe não temos nada de parecidas, nada mesmo. Ela era alta, corpo de modelo, magra, cabelos ruivos bem claros compridos e encaracolados, olhos verdes cintilantes, ela era elegante e sabia tudo sobre etiqueta, ela trabalha como advogada em uma empresa junto de John, foi lá que eles se conheceram por sinal.

Já eu sou baixa, bem baixa para as meninas da minha altura, meu corpo é estranho, tenho muito busto o que me atrapalha quando eu corro. Meus cabelos são loiros escuros lisos, bem lisos, nada prende neles, sempre escorrega, como mantenho ele na altura do ombro em um corte estranho, a parte de trás é mais comprida do que as da frente, minha franja cai em meus olhos, uso óculos somente quando estou na frente do PC, ate gosto quando estou com óculos, eles são quadrados e grandes o que fica legal em meu rosto.

– já falou com sua mãe? – perguntou Rick. Para ter uma noção de quanto eu sou baixa, minha cabeça bate no peitoral malhado de Rick, ele deve ser uns 20 centímetros mais alto do que eu.

– sim, temos que ir a um lugar – respondi – é melhor irmos logo.

Corri para o carro, entrei antes de Rick, ele se sentou na frente com o treinador que ligou o carro e foi em uma velocidade alta ate o café no centro da cidade. Era uma lanchonete simples, com mesas na calçada com panos de mesa quadriculados, vermelho e branco, do lado de dentro era estilo lanchonete dos anos 70, com aquelas poltronas vermelhas e mesas de mármore preto.

Escolhi uma mesa do lado de dentro a ultima perto da janela. Era um ambiente muito legal, tinha caixas de som tocando Your Body, da Christina Aguilera, as garçonetes usavam patins e uniformes rosas com avental branco, sempre sorridentes e bem maquiadas, como se aquilo ajudasse elas a ficarem mais bonitas, ou parecerem menos normais. Uma veio atender a gente com um bloco de papel preso em uma prancheta com uma canela que tirou do bolço do avental.

É difícil ver restaurantes aonde as garçonetes usam blocos de papel e caneta, hoje em dia é tudo automático, uma vez fui em um restaurante com John e seus filhos, todos os garçons tinham um tablete para anotar o pedido. Pelo fato de aqui ser meio retro, posso comer uma poção de batata frita cortada e frita na hora, acho que é por isso que gosto desse lugar.

– sua mãe vai demorar? – perguntou Rick, depois que pediu uma porção de batata frita gigante.

– falei em 20 minutos – respondi – ela deve chegar logo.

– desejam mais alguma coisa? – perguntou a garçonete.

– um copo de refrigerante e o almoço – respondi – por favor.

– claro, Coca-Cola? – perguntou.

– claro – respondi – com gelo e limão.

– é pra já.

Ela saiu deslizando sobre seu patins ate o balcão, prendeu o pedido em uma corda com um pregador cor de rosa e foi atender mais um cliente que chegou com sua namorada e sentaram do lado de fora. Não demorou muito ate que minha mãe passasse pela porta.

Ela poderia está usando roupas normais, mas não, estava usando uma saia de cintura alta preta, o seu terno no braço, usava uma camisa branca social comprida, seus cabelos estava presos em um rabo de cavalo alto, usava um batom vermelho e delineador nos olhos, de um lado segurava seu terno e de outro segurava sua enorme bolça de couro da Victor Hugo. Todos a olharam.

– Debby! – gritou ao me ver – o que aconteceu? – ela se sentou do meu lado de frente para Rick, ela teria prestado atenção nele se não estivesse tão preocupada comigo.

– mãe preciso conversar com você – respondi.

– sobre o que minha querida?

– mãe estes são Rick Osment – olhei para Rick que sorriu timidamente – ele é do segundo ano lá da escola e este – olhei para o treinador – é o treinador Hedge.

– David Hedge – falou o treinador.

– prazer – disse minha mãe sorrindo – filha o que seu treinador está fazendo aqui? Ele não é maluco?

– achava que fosse – respondi – ele é meio surtado, mas tudo bem.

– devemos chamar uma ambulância para interna-lo?

– mãe! – tentei não gritar, ela me olhou – preciso que me responda uma coisa: quem é meu pai?

Antes que ela respondesse, a garçonete colocou um prato de ovos mexidos para o treinador com uma lata de coca light, para Rick colocou uma porção de batata frita e um pedaço de pizza e um suco de laranja, para mim colocou meu prato favorito dali. Era um x-burge gigante, com alface, tomate, queijo, presunto, com batata frita e ovos mexidos, ai, ai, o cheiro era divino.

– sua Coca-Cola com gelo e limão – falou a garçonete colocando em cima da mesa na minha frente um copo de vidros com gelo e pedaços de limão.

– obrigada – falei sorrindo para ela.

– se desejarem mais alguma coisa, meu nome é Cindy – ela se foi os deixando sozinhos.

Começamos a comer, depois no fim, terminamos de comer e o treinador começou a comer sua lata de Coca e o guardanapo da mesa, o que achei estranho, mas aí me lembrei que ele era metade bode, suspirei e olhei para a mamãe.

– vai me responder?

– filha – percebi que suas mãos tremiam, sua testa tinha gotas de suor e sua voz não era firme como sempre – porque pergunta isso?

– porque eu tenho 14 anos e quero saber quem é meu pai.

– precisa ter o treinador e seu amigo por perto?

– sabe o que aconteceu hoje? – perguntei para ela – vou te contar – ela me olhou meio perdida, mas logo sorriu.

– pode me contar, vou escutar tudo.

– eu estava indo para minha aula de educação física, aí minha professora, a senhorita Rachel me chamou, achei estranho, mas fui lá com ela foi quando ela me atacou, virou um monstro na minha frente e partiu para cima de mim, consegui fugir e corri ate o ginásio onde o treinador e Rick me salvaram, depois apareceu mais uma criatura, como é o nome mesmo? – olhei para Rick.

– fúria – respondeu.

– fúria – repeti – obrigada Rick, enfim, e depois disso sabe o que o Rick me falou? que eu sou uma semideusa, mãe!

– que dia maluco – comentou minha mãe se esforçando para sorrir – acho que deveria ligar para um medico, você deve ter tido um surto na escola.

– mãe eu não sou doente – falei serrando os punhos – você sabe do que eu estou falando não sabe?

– filha, acho melhor eu ligar para seu medico – ela remexeu na bolça, eu segurei na sua mão e a encarei.

– fale a verdade pelo menos desta vez – ela me olhou – você me disse que quando eu tinha menos de um ano, o meu pai morreu em um acidente de avião, você mentiu, não foi?

– filha... eu... eu não tive escolha... – respondeu, seus olhos se encheram de lagrimas – eu não sabia! Eu era tão jovem, tinha acabado de entrar na faculdade! – ela levou as mãos ao rosto e começou a chorar – estava tão feliz em ter sido aceita em uma faculdade daqui... estava triste porque teria de deixar meus amigos, fomos as praias de Miami, quando eu o conheci...

– meu pai? – perguntei segurando no ombro dela, geralmente eu chorava em seu colo e ela me segurava assim – você o conheceu lá?

– sim – respondeu limpando as lagrimas, incrível como não borrou sua maquiagem – ele era lindo, talentoso, nossa, meu apaixonei por ele – pude ver os olhos dela brilharem, deve ter se lembrado da imagem do homem que conheceu, tentei imaginar como ele era – foi amor a primeira vista. Começamos a namorar durante aquele verão, ate que... bem você sabe... – seu rosto ficou levemente vermelho, acho que o meu também, nunca imaginei que minha mãe fosse fazer essas coisas, mas bem, eu estava aqui, então, quer dizer que ela fez – o verão acabou e ele disse que tinha que ir embora para New York, aonde morava. Bem depois disso nunca mais o vi.

– caso típico – comentou o treinador – um deus faz que uma mortal se apaixone por ele, depois de tudo, eles se vão.

– que terrível – comentei – como é que eles podem?

– meu bem – o treinador me apontou um canudinho verde – você não acha que é a única filha de seu pai? Eles tem vários filhos, acho que andou dormindo nas aulas de historia não foi?

– mais ou menos – respondi olhando para minha mãe, senti pena dela, pois quão terrível deve ter sido passar anos da vida sem nunca mais encontrar o cara que ate hoje tem seu coração – e depois disso?

– bem, eu descobri que estava gravida de você – respondeu – durante minha faculdade tive que trabalhar e estudar para conseguir pelo menos pagar um aluguel em um apartamento para poder criar você, foi terrível, nove meses sofrendo, trabalhando e estudando para passar nas provas.

– você pensou em me abortar? – perguntei mesmo não querendo ouvir a resposta, ela me olhou tristonha e sorriu.

– sim, varias vezes – respondeu – mas em umas das minhas tentativas eu o vi.

– meu pai?

– sim – respondeu – ele me disse para parar de fazer o que eu estava fazendo e me ter, ele disse para mim que você ia ter um grande futuro de gloria. Eu fiquei furiosa e gritei com ele, dizendo que ele deveria pelo menos me ajudar a criar você... mas ele disse que seria impossível, pois havia regras, e essas regras eu também não posso quebrar.

– ah sim – falou o treinador – claro, que besta minha! Me senti um cocô de Pégaso! Sua mãe não pode dizer quem é seu pai, você terá se seguir sozinha – ele olhou para mim – são regras.

– como assim? – perguntei – eu não posso saber quem é meu pai?

– ele vai te proclamar como filha quando achar que é a hora certa – falou minha mãe – ele me explicou tudo isso, me ajudou a pagar um apartamento, aquele onde morávamos antes de...

– John – completei – quer dizer, meu pai resolveu ser generoso e te ajudou comprando um apartamento pequeno e velho.

– Debby foi o melhor que ele pode fazer.

– deuses não podem ajudar na vida dos filhos e das famílias mortais – informou Rick – eles tem que seguir seu próprio caminho.

– isso é injusto! Se não fosse por mim... – eu olhei para minha mãe e entendi sua dor – você não teria sofrido tanto, já posso me matar agora.

– que isso filha? – ela segurou no meu rosto – se não fosse você eu não saberia o que era ser mãe, eu não saberia o que é amar, não saberia o que é sacrifico. Queria você é meu tesouro.

Eu ia começar a chorar agora, mas me contive, não queria que Rick ou o treinador me visse chorando como uma garotinha, depois que tivesse sozinha poderia chorar um rio, eu olhei para minha mãe e sorri, claro ela também foi a melhor coisa da minha vida, tenho poucas lembranças da minha infância, mas as quais me lembro, ela sempre me contava a historia de como uma plebeia conheceu um príncipe na praia e os dois não puderam ficar juntos, hoje me pergunto se era a historia dela que ela me contava.

Engoli o choro e olhei para os meninos, o treinador comia mais um guardanapo, Rick olhava para o lado de fora, eles estavam nos dando privacidade mesmo estando escutando tudo, contive meu riso, estava feliz por eles serem tão legais.

– enfim – falei – meninos, aonde é mesmo aquele lugar que é seguro para meio sangues?

– fica perto de New York – respondeu o treinador – é um acampamento de verão, mas se quiser poder ficar o ano todo.

– é mesmo seguro lá? – perguntou minha mãe – quer dizer nenhum monstro? Nada?

– nada – respondeu o homem bode – ela está segura lá.

– ah – minha mãe suspirou triste – creio que tenha que ir logo – ela colocou minha franja atrás da orelha, mas não adiantou, voltou a cair em meu rosto – queria poder passar mais tempo com você, mas já vi que é impossível, vou levar você ate o aeroporto.

Entramos no carro de minha mãe, bem melhor, mais confortável e não fazia barulho toda vez que acelerava. Quando chegamos no aeroporto senti meu peito se espremer, vi minha mãe comprando passagens para hoje a noite. Queria gritar e fazer ela parar de comprar aquelas passagens. Parte de mim não estava pronta para dizer adeus, mas senti que outros monstros podem me atacar, ou pior, atacar minha família.

Notas finais
o que acharam da fanfic? comente aqui em baixo!