Semideuses: A coroa Perdida.
3 Adeus.
Notas iniciais
Capitulo três: adeus.
– o voo de vocês saem daqui as 20 horas – falou entregando as passagens para mim e para Rick e para o treinador – ainda são 14 horas, acho que dá tempo de ir em casa pegar umas roupas e ir, não é meninos?
Eles concordaram, voltamos para o carro, mamãe deixou Rick o treinador em suas casas, Rick morava em um prédio perto do centro da cidade, era um prédio de rico, fiquei imaginado quem seriam seus pais, já o treinador, ele morava em um prédio de quitinetes, marcamos que sete horas da noite íamos buscar eles.
Depois disso fomos para casa, John levou um susto quando me viu com minha mãe, era raro ela ir me buscar na escola, geralmente volto de ônibus, ele ficou assustado, pensou que tivesse acontecido algo comigo, mas me viu bem e sorriu, ele tinha um belo sorriso.
– já sei almoçaram juntas – adivinhou. Antes da gente sair do restaurante minha mãe comeu a mesma coisa do que eu, pagou a conta o que me deixou envergonhada, ela pagou o almoço de Rick Osment.
– claro, mudamos o dia do almoço juntas porque Debby vai para um acampamento de férias ainda hoje – falou minha mãe o beijando, o que eu achava fofo, eram um casal de meia idade que agia como adolescente, os dois eram bem bonitos. John tinha cabelos castanhos ondulados, como ele não foi trabalhar hoje, poderia dizer que é uma folga, mas como ele é filho do dono do escritório de advocacia onde ele e minha mãe trabalham, John vai quando quer, todos os dias menos sábado e domingo.
– acampamento de férias Debby? – perguntou John dirigindo seus azuis para mim.
– é, ouvi falar desse acampamento por um amigo que vai todos os anos, então resolvi experimentar – respondi sorrindo.
John é muito responsável, ele me adotou como filha, cuida de mim quando estou doente, ate não vai trabalhar para cuidar de mim, brincava e conversava. Logo no inicio tinha odiado a ideia de minha mãe ter se casado com outro cara, ate então na minha cabeça ela pertencia ao meu pai, mesmo que supostamente estivesse morto. Não queria ver aquela mulher beijando outro homem, ate gritava com John dizendo que ele nunca ia ser meu pai.
Mas quando eu tinha 10 anos e minha mãe foi hospitalizada porque teve um tumor nos ovários, eu pensei que ela fosse morrer, chorava todos os dias, foi John que cuidou de mim ate que ela saísse do hospital, foi quando comecei a vê-lo como meu pai. “vai ficar tudo bem com ela eu prometo” dissera no dia em que eu chorava em casa sozinha sentindo saudades de minha mãe.
– nunca pensei que você fosse do tipo de garota que gosta de ar livre – comentou sorrindo – vive trancada no quarto escutando aquelas musicas estranhas bem alto e cobrindo o Cody quando ele sai a noite.
– ele me paga bem por isso – falei sorrindo – além do mais, vai ser bom para mim ir passar três meses longe daqui, como você sempre manda os dois pentelhos para passar o verão com a mãe e o Cody sempre da um jeitinho de ir com os amigos para algum lugar, não vai ter ninguém aqui, aproveite bem – eu olhei para minha mãe e sorri.
Tranquei-me no meu quarto, me joguei no chão. Minha vida virou de pernas para o ar, não ia mais ver minha mãe, nem John, muito menos ia poder brigar com Gregory e Jorge, nem receber dinheiro de Cody. Era estranho eu ir para longe de casa por... Sei lá, talvez o resto da minha vida. Tentei me afastar desses pensamentos e pensar positivo, a parte boa de ir passar o verão longe de casa era que eu ia ser livre, não ia ter John para brigar comigo se eu chegar trade de uma festa (se bem que eu não costumo a ir) ou minha mãe preocupada comigo quando eu saio a noite (sempre dou uma voltinha pela cidade de noite). Ia ser só eu e eu mesma, ia poder conhecer melhor Rick, nossa, nunca pensei que fosse almoçar com ele, nunca pensei que fosse viajar com ele, nunca pensei que ia conversar com ele.
Comecei a pensar nele, meu coração começou a ficar inquieto, tudo bem, eu sou uma garota de 14 anos que nunca ligou para aparência a prova disso era como eu me vestia, calça jeans camiseta preta, as vezes branca, e muitas das vezes eu gostava de usar blusas com algum desenho, ou que tenha alguma coisa escrita. Eu nunca me apaixonei, não sei o que é amar alguém, mas Rick mexe comigo, não é pelo fato dele ser bonito, claro eu o admiro pelo fato dele ser bonito, mas tinha algo nele que me deixava inquieta.
Tentei não pensar muito nele e fui arrumar uma sacola de viagem, de acordo com Rick, lá no acampamento eles te dão uma camisa para usar durante o tempo que ficar lá, então eu não preciso levar muita coisa, então, coloquei mais uma calça jeans e vários shorts, coloquei meias e roubas intimas, mais um tênis all star, coloquei também meu moletom que usava, claro que vou usar algo melhor para viajar. Abri meu armário e peguei minha jaqueta de couro preta e joguei em cima da cama, ia usar a mesma calça e peguei uma camisa que tinha uma caveira brilhosa.
Eu gosto muito da noite, o que me faz pensar quem seria meu pai, Rick comentou algo sobre agente ter um pouco da personalidade do pai. Quando tomava um banho fiquei pensando em um deus que gostasse de rock e usasse preto, o único que me veio na cabeça foi Hades, será que ele é meu pai? Ele é o senhor dos mortos e eu ate curto essas coisas de caveira e morte, enquanto mais pensava nele, mais desejava que ele fosse meu pai, quer dizer, Hades é um cara legal, tipo, ele tem o poder de convocar os mortos e mandar neles, também decide quem morre e quem vide, acho que eu me identifico com ele.
Quando sai do banho terminei de arrumar minha mala, coloquei o carregador do meu Iphone dentro da sacola e a fechei. Olhei no relógio, passei muito tempo arrumando a mala, o sol já estava se pondo, já se passavam das 18 horas. Me aprecei em me arrumar, vesti minha calça, coloquei minha camisa e joguei no meu ombro a jaqueta, peguei meu óculos escuro, ah lembrei, meu óculos, peguei meu óculos e enfiei na minha mala.
Amarrei minha bota, coloquei o óculos escuro na cabeça e desci para o primeiro andar, aonde pude ver Cody implicando com Gregory, Jorge atacava o irmão mais velho pelas costas, quando me viram com uma sacola na mão toda arrumada, eles pararam de brigar e riram.
– aonde vai? – perguntou Cody. Ele tinha um estilo parecido com o meu, seus cabelos castanhos caiam no ombro, tinha furos no nariz e na boca, usava um alargador na orelha esquerda e na direita usava um brinco, ele geralmente usa calça jeans, uma camisa normal e por cima uma jaqueta jeans e na cabeça um gorro de lã preto, mas como estamos em pleno verão, ele estava sem o gorro, com metade dos seus cabelos presos, uma camiseta que tinha uma frase escrita algo como “a morte é legal”.
– viajar – respondi pegando a barra de chocolate que ele esticava para que Gregory não pegasse e comi – algum problema?
– não, nenhum, mas é que é estranho – respondeu pegando de volta a barra de chocolate.
– para onde você vai? – perguntou Gregory. Ele tinha 10 anos e como o seu irmão Jorge, tinha cabelos negros e olhos azuis, os dois eram gêmeos idênticos, se não fosse pelo fato de Jorge ter sardas no rosto eu não saberia quem é quem, viviam com as mesmas roupas e o mesmo corte de cabelo.
– New York – respondi – ou perto de lá, vou para um acampamento de férias.
– uau – Cody deu para os irmãos a barra de chocolate – você em um acampamento? Isso é novidade – ele tinha uma voz rouca e estranha, só comecei a gostar de Rock por causa dele, seu quarto é do lado do meu e sempre ficava escutando rock ate tarde da noite, de tanto escutar acabei gostando.
– é... quis fazer algo novo essas férias – respondi.
– quando você vai? – perguntou Jorge.
– daqui a pouco – respondi – alguém viu a mamãe?
– no quarto – respondeu Cody – eu também estou de viagem amanhã, acho que esse ano os dois vão ficar sozinhos, já que semana que vem os dois aqui vão para Califórnia com a mamãe.
– é melhor que o John aproveite, isso é raro – comentei abrindo a geladeira e pegando uma garra de água – Cody, aonde você vai esse ano?
– eu não sei, os caras da minha sala falaram algo sobre “pé na estrada” então não sei – respondeu sorrindo. Ele era dois anos mais velhos do que eu, é da sala de Rick Osment, os dois fazem historias juntos, mas nunca se falaram, Cody é do time de hóquei do colégio, enquanto Rick é do de basquete.
– uau, já vi que vai passar três meses viajando – comentei. Vi minha mãe passar para garagem, eu bebi a água e dei para Cody – boa sorte na sua viagem, e meninos – eu me abaixei e abracei Gregory e Jorge – boa viagem.
– boa viagem Debby – falou Gregory me abraçando com força.
– mande SMS para gente – falou Jorge me soltando.
– se cuida em New York, tampinha – falou Cody bagunçando o meu cabelo – vai que agente se veja por lá – ele sorriu, tinha o mesmo sorriso de John, perfeito.
– claro – sorri para ele – como é difícil falar com você, vou tentar te deixar mensagens pelo Facebook.
– ok.
Eu e minha mãe fomos buscar Rick e o treinador, partimos para o aeroporto, chegando lá sai do carro por ultimo, eu abracei minha mãe com força, ela tinha lagrimas nos olhos, eu as limpei com meus dedos trêmulos. Ela sorriu.
– eu quero te ver sorrindo – falei agora mesmo que comecei a chorar – eu vou ficar bem, vou te ligar todos os dias.
– não chore se não vou chorar – falou minha mãe me abraçando com força, nós duas começamos a chorar. Eu não gosto de demostrar fraqueza na frente dos outros, mas ela era minha mãe, eu não me importava em chorar na frente dela, afinal, isso era um adeus – escute filha – ela segurou no meu rosto – me prometa que não vai se meter em confusão.
– não vou, prometo – falei.
– ótimo – ela beijou minha testa – agora vá, o avião não vai esperar para sempre. Adeus filha.
– adeus mãe.
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