Semeando o Destino

1 Cap. 01 - Aqueles Olhos


Notas iniciais
Algumas considerações: — Esta fanfic foi inspirada na novela Meu Pedacinho de Chão e seus inesquecíveis personagens; — Alguns históricos de personagens serão os mesmos (até certo ponto); — Viramundo nesta fic se chama Gabriel; — A época é o final do séc. XIX para o XX; — Comentários, opiniões, críticas (positivas, negativas e construtivas) são sempre bem vindas. * Desejo a todos uma boa leitura! ;)

Ferdinando sempre foi um bom filho, obediente, acatava a todas as ordens do pai, mesmo que muitas vezes não concordasse. Contudo, por mais que tentasse satisfazer mais uma vontade estabelecida por ele, assim que desembarcou na capital para ingressar ao curso de Direito, sentiu pela primeira vez tentado e livre em seguir a vontade provinda de sua alma, e não pensando muito nas futuras conseqüências que a sua decisão poderia vir a ocasionar, concluiu sua matrícula, mas no curso de engenharia agrônoma.

Desde então, três anos já haviam se passado após o início da sua vida acadêmica, e resolvera enviar uma nova carta a sua madrasta Catarina, a quem tinha grande apresso, além da cumplicidade de suas decisões, não que sentisse arrependido pelo caminho tomado, ao contrário, estava a cada ano mais convencido que tinha decidido o que era melhor para si, pois se sentia plenamente feliz. Mas algumas vezes se pegava imaginando as possíveis reações de desgosto que o pai poderia vir a ter, quando tomasse conhecimento da sua verdadeira graduação. Por causa desses receios escrevia a Catarina, para se inteirar das novidades da Vila, embora muito raramente houvesse alguma, precisava estar a par das expectativas que o coronel vinha criando para quando o filho enfim, retornasse.

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Neste mesmo período, por muita insistência de Seu Pedro Falcão, Gina havia finalmente concluído seus estudos nas Antas, e o que ela via inicialmente como uma grande perda de tempo quando voltara a estudar, agora retornava a sua casa na Vila de Santa Fé, sentindo uma grande necessidade de continuar. Porém, a graduação que almejava fazer naquela época, infelizmente era apenas restrita e voltada apenas ao público masculino e não sentia nenhum interesse em ser tutora ou ingressar em algum curso de artesanato ou boas maneiras, assim resolvera fazer preparatórios relacionados ao melhor cultivo e cuidados com a terra, buscando se especializar na cultura de grãos. E foi essa sua rotina nos dois anos seqüentes, tendo passado o último trimestre numa cidade do interior no sudeste.

Ela se sentia realizada a cada descoberta, e sempre que concluía um preparatório, retornava ao sítio de seus pais para por em prática tudo que aprendia, deixando-os mais orgulhosos da bela moça que estava se tornando.

A cada estudo realizado e concluído ela se tornava mais dona de si, mas ainda tentava preservar a moça simples que sempre foi. Não se incomodava com os comentários que seu vestuário causava, pois não via problema em uma moça usar roupas tão pouco femininas como largas camisas de abotoaduras até o pescoço e mangas compridas, acompanhado de um colete por cima sem muitos adereços, nem tão pouco de usar calças.. que mal tinha usar calças? pois eram práticas na lida diária, e não estava alí para participar de nenhuma apresentação de moças a sociedade, embora tenha visto a necessidade de incluir alguns vestidos na bagagem de suas viagens, a princípio por uma súplica da mãe, mas mesmo estes foram feitos de acordo com suas preferências, sem muito volume na saia, cores fortes mas sóbrias, poucas ou quase nenhuma quinquilharias pregadas a eles, no máximo um singelo bordado ou um detalhe rendado que faziam harmonia com o corselet do conjunto, e eram muito poucas as ocasiões que os usava, geralmente nas suas idas e vindas do sítio dos seus pais, e usava apenas como uma maneira de agradar sua mãe.

Gina mesmo sem perceber ou talvez dar maior importância a isso, tornava-se uma linda mulher, atraente, de corpo minuciosamente escultural, cintura fina, pernas torneadas, seios graciosos, quadris largos e chamativos, rosto de pele aveludada e moldurado a não deixar a desejar nenhuma heroína de contos de fadas, com aqueles brilhantes e sinceros olhos castanhos, nariz afilado, boca pequena e desejosamente rubra e uma cacheada cabeleira ruiva que finalizava o conjunto da obra com perfeição. Estas mudanças já não eram indiferente aos olhares masculinos, alguns até alimentavam um mau pensamento ao vê-la desacompanhada e supunham uma falsa impressão de sua índole, mas nestas ocasiões, ela voltava a ser a velha Gina que foi num passado não tão distante, e repudiava aos galanteios que agora mais freqüente por ventura recebia. Lá no fundo e sem querer admitir a si mesma, sentia medo do que a mulher que se tornava provocava nos homens, ou o mais provável, por todo o conhecimento que tinha, se sentia ignorante por não saber o que fazer ou dizer aos homens que se atreviam a cortejá-la. E a melhor saída que encontrara era rechaçar a todos eles.

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Na capital, Ferdinando arrumava suas malas, pleno, realizado, por ter finalmente concluído sua graduação. Guardava com cuidado aquilo que considerava uma verdadeira relíquia, o diploma de engenheiro agrônomo. Por fim, verificou se não havia esquecido nada em seu pequeno quarto na república que vivera durante estes últimos cincos anos e dividira com mais três amigos, entre eles Renato, um grande amigo que conquistou e se graduaria em medicina no próximo semestre.

Este tempo que passara longe da Vila que nascera, trouxe grandes transformações ao homem que se tornara, por ter cursado aquilo que sempre gostou de lidar, foi um aluno muito aplicado, interessado em aprender, e obviamente formou-se como melhor graduado de sua turma. Mas outras mudanças o tornaram bem diferente do rapaz que era quando chegara ali. Ainda mantinha o corpo magro, mas agora possuía músculos bem definidos e em lugares estratégicos, como abdômen, bíceps e coxas, estas últimas faziam um belo par com as nádegas arredondadas e duras que faziam questão de impor a sua presença. O rosto afilado ainda fazia jus a um príncipe, com aqueles expressivos e cativantes olhos azuis, o nariz adunco sedutor de fazer inveja a qualquer sheik árabe, irresistíveis lábios carnudos envoltos por um fino bigode e uma desenhada barbicha que completava a moldura. Os cabelos castanhos outrora ondulados agora dividiam espaço com dreads e dava ao jovem um ar de selvagem galanteador. Era assim como as mulheres que conhecera o definia, um selvagem galanteador. Ah, as mulheres! jovens damas recatadas das sociedade, mal podiam supor as verdadeiras cortesãs que tornavam ao deitar em seu leito e satisfazer ao seu prazer. Sempre teve todas que quisera. Aprendeu muito com elas, mas não dera suma importância a nenhuma.

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Neste exato momento, o que o preocupava era saber qual a melhor maneira de dar a notícia ao pai de que retornava a sua casa não como advogado como ele desejava, e tinha plena consciência que a decepção seria certa, mas precisava pensar em argumentos relevantes que o pudesse convencer de que ter um filho engenheiro agrônomo traria mais vantagens do que se ele tivesse formado em direito.

E agora de malas prontas, breves despedidas, rumava caminho a estação, de volta ao lar.

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Algumas semanas antes, Gina havia desembarcado na Vila de Santa Fé como sempre empolgada a relatar e claro, aplicar as recém-experiências adquiridas do seu último preparatório no interior do sudeste, nas terras da família.

— Fia, que bom lhe ver de volta! — disse Seu Pedro dando um caloroso abraço e depositando um beijo na testa em sinal de respeito na filha.

— Ara pai, até que desta vez nem demorei muito. Foram apenas três meses longe docêis!

— Pois pra ieu, pareceu uma eternidade. Meu coração ficava piquininhu de tanta sardade docê fia! — Dona Tê abraçava a filha, escorrendo lágrimas de emoção pelo retorno de Gina.

— Mãe para com isso que cumpri a promessa que lhe fiz, escrevendo uma carta toda semana, para que a sardade fosse menor! — encarava carinhosamente sua mãe e enxugava as lágrimas de sua face.

— Eu sei fia, mas é difícil pra uma mãe admitir que sua cria adquiriu asas e voou para fora do ninho! mas isso não importa! — Dona Tê agora se animava com a presença da filha — O importante é que ocê está de vorta!

— Sim, mas devo lhe informar que não será por muito tempo, pois já estou vendo um novo preparatório lá pelo sul do centro-oeste do país, e este devo ficar mais tempo! Daí retorno e fico mais alguns dias com vocês e parto para norte, pois soube de umas iguarias que só existem por lá, e estou interessada em conhecer!

— Poxa fia, desse jeito devo perder as esperanças de ver esta casa apinhada de netos! — a alegria que começava a aparecer no semblante de Dona Tê, agora dava lugar ao desânimo com essa nova informação de Gina.

— Ara mãe, essa conversa de novo? Eu já disse que não quero saber disso! — Gina se virava de costas para mãe cruzando os braços em sinal de desagrado com o assunto por ela abordado. — Melhor mudar o rumo dessa conversa se não quiser que lhe falte com o respeito!

— Ara Gina, isso são modos de falar com sua mãe? — Seu Pedro tomava as dores de sua mulher, pois compartilhava do mesmo anseio de ver aquela casa repleta de netos e frustrava a cada recusa da filha sobre o assunto. — Ocê sabe que eu e sua mãe só queremos o seu bem!

— Eu sei disso! Ocês me desculpem! — agora voltava a olhá-los, procurando as palavras certas para compreenderem seus propósitos — Mas quero que entendam que as escolhas que venho feito até aqui, me fazem cada vez mais realizada, com os novos conhecimentos que venho adquirindo e poder praticar tudo isso em nosso solo me trazem uma satisfação inexplicável e ocupa todos os meus pensamentos, que não me sobra espaço para pensar em matrimônio e filhos! -respirou fundo e sem dar chance aos pais de questionar, continuou suas justificativas — Mas isso não significa que não penso em tê-los, mas não agora, e sim num futuro.. "distante!"— falou a última palavra quase inaudivelmente.

— A gente só estranha que uma moça tão formosa como ocê, não tenha atraído bons pretendentes inté agora, sacumé?! — Seu Pedro falava em um tom de lamento, pela esquiva da filha com relação a casamento, mas resolvera não mais se aborrecer com isso — Mas mudando de caçarola pra frigideira, o que ocê aprendeu de novidade dessa sua úrtima viagem fia?

A cara carrancuda que Gina mantinha até o momento mudou para uma expressão animada pelo interesse do pai em saber sobre suas novas experiências.

— Foi muito bom este último, por que me fez levar em conta de o quanto pode se perder e desperdiçar alimentos na hora do cultivo mal realizado ou no tempo indevido — os olhos de Gina brilhavam com a empolgação que relatava tudo que descobrira — Sem falar da quantidade de alimentos que jogamos fora por não atingir as condições ideais para comercialização, mas que poderia alimentar a muitas famílias carentes e é sobre isso que quero conversar cocêis!

— Comassim desperdício fia? a gente sempre procurou fazer tudo certo! — dizia Seu Pedro.

— Eu sei pai! Mas mesmo com os cuidados que temos aqui no sítio, há sempre formas de melhorar a colheita. Precisamos reunir todos para ensinar! — ela falava numa alegria que era quase impossível não ser contagiado — e mãe lembra que te falei na última carta que estava com umas ideias de como usar aqueles alimentos que não seriam vendidos?! Então, andei fazendo uns cursos extras de culinária também e aprendi a fazer uns pratos nutritivos que usam até aquelas cascas que geralmente jogamos fora. Tem muitas vitaminas neles, e poderia alimentar aquelas crianças que as vezes tentam saquear as vendas das redondezas, mas a gente sabe que a maioria deles faz isso pra tentar saciar a fome. Aliás pai, conseguiu falar com aquele seu amigo 'prefeitinho' para contratar uma professora e fazer finalmente uma escola aqui na Vila?

— Sim! Ele me disse que contratou uma lá da capitar e que deve estar chegando pelos próximos dias! Aliás a escola ficou pronta, tá uma belezura e os úrtimos materiar escolares chegaram semana passada! — Seu Pedro comentava animado sobre finalmente ter uma escola na região.

— Que bom! Mas creio que não terei tempo para ficar e conhecer a nova professora! — ela agora pegava as malas para levar aos seus aposentos — Mas sei que vocês serão bastante hospitaleiros com ela, então não devo me preocupar com isso! — Subia a escada acompanhada pela mãe — Agora preciso de bom banho quente e depois saborear a sua comida deliciosa mãe! Pois nenhuma que experimentei se compara a sua! — e dava uma piscadela para ela.

— Ara fia que isso! Ocê sabe que a minha comida é bem simples — Dona Tê respondia a filha toda acanhada.

— Mas o tempero que a senhora coloca nela não tem em nenhum outro lugar! — depositou um beijo na testa da mãe em sinal de carinho.

E assim as duas adentraram o antigo quarto da moça.

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As semanas que Gina passou no sítio de seus pais foram muito proveitosas, pois conseguiu fazer tudo que havia planejado. Ensinou as novas técnicas de plantio e colheita aos subordinados do pai. Reuniu as amigas beatas de sua mãe e mostrou como poderiam fazer refeições mais nutritivas e organizou um mutirão para distribuir uma ou duas refeições diárias aos mais necessitados na paróquia do Padre Santo. Verificou que estava tudo encaminhado e viu que poderia partir no dia seguinte com tranquilidade, agora em direção ao sul centro-oeste. Mas antes teria que lidar com a resistência rotineira dos pais, principalmente o chororô previsível da mãe, toda vez que avisava de uma nova partida.

— Mas fia, ocê precisa ir de novo? Não acha que já aprendeu tudo que tinha pra aprender? — Dona Tê como sempre tentava argumentar, em vão — Bem que dessa veiz ocê podia ficar um tempinho mais com nóis!

— Mãe, eu também sinto uma dorzinha em ter que deixá-los de novo, mas toda essa ausência será recompensada depois, lhe garanto! — Gina intimamente até achava graça, desse demasiado apego que os pais tinham sobre ela, mas procurava disfarçar — Não fique triste, pois quando a senhora menos esperar, estarei de volta!

— Fia, ocê num pode ao menos esperar mais arguns dias, inté que a perfessora esteja devidamente acomodada por cá? — agora era Seu Pedro que tentava convencer a filha permanecer mais um tempo — Recebi um telegrama que ela chega amanhã no trem da tarde! Ocê deixaria o pai feliz se pudesse me ajudar a recebê-la, sacumé?!

— Eu lamento, mas não vou poder adiar a viagem! Soube que conseguiram acabar com as pragas que invadiram as plantações de soja na região sul-centro-oeste do país e preciso conhecer as técnicas que utilizaram por lá! — ela se sentia comovida com todas as tentativas que os pais faziam para convencê-la a adiar sua viagem, mas ela precisava ser firme e não se deixar persuadir — Quanto à professora, tenho certeza que ela não achará melhor lugar para ficar do que aqui! A tratem com o mesmo carinho que vocês cuidam de mim, e ela não vai querer ir embora nunca mais!

E para que a conversa não fosse ainda mais prolongada, ela subiu para o seu quarto com a desculpa que precisava terminar de fazer as malas.

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O trem saiu da estação das Antas no começo da tarde, rumo a Vila de Santa Fé.

Entre seus poucos passageiros, estava Ferdinando perdido em seus pensamentos, mais uma vez ensaiando mentalmente o discurso que faria ao pai na tentativa de convencê-lo a aceitar sua nova formação e isso o deixava cada vez mais tenso, pois seria uma batalha muito árdua pelo caminho, e pelas expressões caricatas que fazia sem notar, estava perdendo todas as argumentações de barganha. Mas não queria se dar por vencido antes mesmo da guerra começar. E mesmo que desse tudo errado, ele tinha escondida na manga uma saída alternativa, mas se recusava a aceitar que pudesse precisar se agarrar a ela. Para ele esse seria o último dos últimos casos. Não que o convite do amigo Gabriel tivesse interesse algum para ele, e não despertasse nem sequer curiosidade de explorar as plantações de soja das terras do colega localizado no sul do centro-oeste do país, principalmente saber as soluções que encontraram para exterminar as pragas que açoitaram os grãos por lá. Mas via esta alternativa como uma visita remota ao amigo, para gabar das bem-feitorias que faria nas terras do seu pai. Não. A visita que faria num futuro não tão breve ao amigo-colega de profissão, seria de cunho profissional, um encontro para troca de experiências. Não valia a pena se preocupar com isso agora.

Sua atenção neste entremeio era outra no momento. Não pode deixar de notar uma adorável jovem sentada à outra extremidade do mesmo vagão que viajava. Uma bela distração por sinal, entretida ao que ele pode supor, num livro de romance. A moça era jovem, de pele alva, lábios rosados e carnudos, olhos azuis da cor do céu. Tinha a silhueta pequena, mas possuía seios fartos que pareciam querer se libertar a qualquer momento daquele provocante decote. Os cabelos cacheados num tom de rosa chá que harmonizavam a perfeição da face de boneca.

Ele pensava curioso, o que exatamente ela devia ler naquelas linhas que involuntariamente a fazia ter expressões tão sedutoras e o deixava cada vez mais afoito. Também pensava o que uma moça tão formosa como ela estaria indo fazer numa Vila tão comum como era Santa Fé. Por certo, deveria ser parente de alguém e estaria indo visitá-los. Mas com certeza lembraria de alguém com semelhantes características.. talvez não.

Mas a vila era pequena, as notícias corriam mais que água em correnteza, e não demoraria muito a descobrir quem era a linda moça que chamava sua atenção. Sim, teria uma boa distração, pensava animado.

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Havia adormecido sem perceber quando o trem enfim chegou à estação de Santa Fé. Ferdinando notou que a jovem que paquerou quase a viagem toda não se encontrava mais no assento que a avistara, aliás, em nenhum lugar que seus olhos poderiam alcançar. Apressou-se a pegar todos os seus pertences na pequena esperança que pudesse, mesmo de esguelha, observá-la e descobrir alguma informação sobre o destino da moça.

Ajeitou o casaco, endireitou a gravata, aprumou a cartola azul nos bem trançados dreads, pegou sua bagagem e rumou à saída do trem.

Mal sabia ele a armadilha que o destino o reservaria naquele momento.

Ao descer do trem e virar-se para tentar ver a moça do trem, seu olhar foi instantaneamente fisgado por brilhantes olhos castanhos de uma ruiva que aguardava pacientemente o trem para embarcar.

Assim como o rapaz, Gina foi submergida por aquele mar de olhos cristalinamente azulados, que a envolveram inesperadamente. E naquele momento, não se ouvia outro som naquela estação que não fosse as batidas aceleradas daqueles dois corações.

A multidão desaparecera como por encanto, e só se via o trem, um homem, uma mulher , uma ponte imaginária entre aqueles olhos e enfim, o início dessa história.

Notas finais
Inspirações:Música: "Aqueles Olhos" - Dom M (para os 3 parágrafos finais) Romances: livros e filmes de época Fanfics: #Ginando e #Zeliana * Dedicado a uma autora que me incentivou, me deu algumas dicas, ricas referências e me apoiou a dar este primeiro passo. A você (? sabe quem me refiro) Muito Obrigado! E aí gostaram? esta história deve ter uma continuação?