Sem luz nos seus olhos azuis
1 Prefácio
Um local frio, seus dedos moveram-se devagar enquanto conseguia devagar ter os sentidos voltando ao normal, estranhou ao fato de não estar numa caixa ou muito menos enterrada. Algo estava estranho e não era para ser ruim, assim pensava.
Só de conseguir sentar-se e se arrastar para a parede, viu que estava num local mal iluminado, a aparência do local era semelhante a um corredor, encanamentos mostravam-se velhos e descaídos e as paredes enferrujadas.
Levantando com receio, abraçou a si mesma e caminhou devagar, pensando em encontrar algo que não a fizesse se sentir tão estranha e deslocada.
Pensamentos de como poderia ter parado ali surgiram, perguntas e perguntas vinham a cada instante e o sentimento do vazio lhe deixava assustada. Era para estar com alguém ao seu lado.
O corredor estava ao fim quando uma luminosidade começava a surgir, parecido como a luz do fim do túnel e uma brisa quente lhe fez arrepiar, as bochechas começarem a corar com o recente calor convidativo.
Um salão redondo e gigantesco surpreendeu e a sua face não escondia o quão maravilhada poderia estar, era como se todos os detalhes tivessem saído de um sonho de menininha. Os detalhes em dourado e prata se circulavam entre a parede ao teto, que onde estava aberto para um enorme telescópio astronômico observar as estrelas.
— Oh, vejo que já acordou — olhou para a voz que tinha se propagado pelo salão. Assustou-se por não ter notado o ser pequeno ali — Venha! Deve estar com sede, gostaria de uma xicara de chá? — Perguntou com educação.
O dono da voz era engraçado, tinha uma pouco de cabelo levantado para o alto numa mecha estranha, um sorriso bondoso e olhos pequenos. Receosa, aproximou-se de onde ele estava devagar e sentou na cadeira, os detalhes se tinha até naquele móvel.
— Eu... Eu não deveria estar aqui, sinto como se... Como se... — buscava palavras, mas nenhuma vinha para completar.
— Se estivesse no lugar errado? — completou o homem.
— Sim... No lugar errado... Onde estamos? Quem é você? — indagou curiosa, coisa que para alguém como ela deveria ser medo, mas estranhamente sentia-se segura.
— Perguntas tão simples para respostas tão complexas... — falou em divertimento — Minha jovem, você esta em meu refugio, a lua. E eu sou o último de uma linhagem real, sou Lunar Lunanoff, mas você deve me reconhecer como o homem da lua.
Aquilo foi como uma fagulha, algo tinha se acendido dentro da garota e a familiaridade com este nome a fez ficar tonta, cobrindo o rosto com as mãos e tentando forçar a puxar alguma memória para se lembrar. Homem da lua, onde tinha ouvido falar? Onde?
— E você minha jovem, qual o seu nome? — perguntou, fazendo-a voltar sua atenção ao homenzinho.
— Eu não sei... — só agora pode notar, não tinham lembranças. Nem o seu próprio nome...
— Depois de ter salvo o guardião da diversão e espirito da neve, é de se esperar que tudo que aconteceu tenha lhe feito perder as memórias — comentou, fazendo com que ela arqueava-se o cenho em desconfiança — Por favor, não tema. Não sou seu inimigo, não lhe faria algum mal.
— O que você sabe de mim? Me conhece de algum lugar? — perguntou em voz baixa — Se você parece saber a minha falta de memória senhor, deve saber meu nome...
— De fato, eu sei seu nome — respondeu com compaixão — Como já lhe disse, perguntas simples para respostas complicadas.
— Apenas fale meu nome... — pediu em suplica.
— Seu nome é Elizabeth.
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