Já faziam dois dias, mas ainda não parava de se surpreender com o tanto de coisas maravilhosas que ali estavam e ainda eram desconhecidas. Como por exemplo uma replica em miniatura da Terra, mas em forma oval. Dizia Lunar ou homem da lua que era um presente do coelho da pascoa, um coelho do tamanho de um humano adulto e que morava no centro da Terra, viajante do tempo e guardião da esperança.

Outro que era um pequeno globo de neve, mas ao invés da neve havia uma areia tão dourada que era como ouro, no meio da pequena esfera de vidro tinha um pequeno casal de mãos dadas. Seria romântico se não fosse tão familiar.

Não havia muitos quarto ali, e sim camas flutuantes e que eram sustentadas por algo semelhante a nuvens, o teto ficava iluminado quando as luzes eram apagadas e o dourado das paredes e teto se destacavam diversas vezes.

Já sabia seu nome e era Elizabeth, mas do que adiantava saber esse detalhe se faltava quase um livro para descobrir sobre si? Valia muita coisa para Elizabeth, ter como ser chamada por pequenas criaturinhas vivas naquela nave e que por acaso era a lua.

Você acreditaria que a lua que ficava longe aos céus da Terra, era na verdade uma nave de um homem que lutava para manter crianças salvas do seu antigo inimigo e vilão do império da qual era herdeiro? Talvez não, talvez sim. Mas Elizabeth ficou maravilhada com o mundo novo que lhe era apresentado, que não pensava se tinha alguém lhe esperando ou se a falta de memória lhe faria esquecer da alguém importante, pois era assim que se sentia, que alguém estava faltando, só que a pergunta certa era "quem"?

Deveria temer ou ficar receosa com um estranho e nem ter lembranças, mas aquele que se denominava agia como um pai, mas um pai distante, com seu rosto em algum livro sempre buscando algo, relembrando e fortalecendo o que já sabia.

Eliza, como Lunar a chamava, adorava olhar pelo telescópio gigantesco e ver felicidade que tentava entender, queria tê-la. Poder pisar num chão real e com um multidão indo lá e de volta outra vez a sua rotina costumeira. Queria uma rotina, queria ter amigos como aquela crianças, mas gostaria de verdade se lembrar, mesmo que só uma memória.

— Você falou quando nos conhecemos que eu salvei um garoto guardião, um dos escolhidos para proteger as crianças — começou, atraindo a atenção de Lunar que bebericava seu chá — Qual o nome dele? Você poderia contar?

— Sua curiosidade é um perigo — comentou sério, mas lançando um sorriso bondoso — Pessoas curiosas são imãs para o perigo, que foi o que ocorreu no seu caso, Eliza. Mas... — Levantou-se e deixou a xicara e o pires na pequena mesinha — O nome dele é Jack Frost.

— ... — Elizabeth franzi-o o cenho, a fagulha de que algo era familiar voltou a ficar acessa e dessa vez causar um pequena dor de cabeça.

— Se lembra de quem ele é? Como ele é?

— Não... Mas sinto que deveria, parece ser alguém importante... Eu o salvei? — Indagou, tentando manter a calma e a dor sobre controle.

— O salvou de si mesmo, da escuridão que o dominava e que acabaria atraindo apenas o terror para cada canto que fosse — explicou Lunar — Tem uma maneira de conseguir falar com os guardiões, mas é um recurso não tão usado. Dificilmente pode dar certo.

— E você ira se comunicar com eles?

— No momento certo.

— Vou conhecer o coelho que viaja no tempo? — indagou curiosa, Lunar riu com isso.

— Ele viajava, mas perdeu essa habilidade com o tempo — respondeu.

Para uma conversa boa como aquela, o momento foi quebrado quando um vulto de uma sombra passou pela porta que levava aos corredores do coração da máquina, alguém parecia ter passado por lá, mas logo essa impressão de alguém ter surgido foi-se embora quando um alarme ressoou pelo salão e as luzes piscavam ameaçando se apagar.

Uma feição preocupada tomou conta de Lunar, que andou rapidamente até um painel que ficava ao lado do telescópio e passou a mão por alguns botões.

— Isso parece um filme...

— Seria um filme ruim, pois as noticias são péssimas... — falou num tom baixo e preocupado.

— O que aconteceu?

— Uma ameaça, uma nova ameaça estar para vir e afetara não só a Terra, mas como a lua — Explicou.