–Acho melhor você me apresentar para os garotos de uma vez. –Desabo na cama ao lado de Greta, que continua a assistir calmamente seu seriado favorito e retocar o esmalte, alheia ao pesadelo que eu tinha acabado de viver. Eu e o garoto-insolente-da-toalha. Eu e o garoto-muito-gostoso-mas-absolutamente-insolente-de-toalha.

Fiquei tão desnorteada que voltei em seguida pro quarto, sem nem passar pelo quarto 103. E dessa vez resolvo contar para Greta exatamente o que aconteceu, deixando de lado só a parte da toalha, claro, mas sendo sincera com todo o resto.

Diferente do que pensei, Greta acaba rolando pela cama enquanto se engasgava de rir, e eu fiquei ali, parada, sem saber muito bem se aquilo era bom ou ruim (pelo menos não levei uma bronca). Depois ela pegou o telefone e ligou para os dois quartos. Ao que parece, o insolente-de-toalha é o Louis, que estava no quarto do Harry e os dois estavam bem e estavam sozinhos (quer dizer, sem nenhuma garota no quarto, apenas os dois).

–Não se preocupe, o Louis é um pouco intimidador. Ele não gosta de ser controlado, detesta o toque de recolher. Mas é um cara legal, bem engraçado.

Me jogo na cama humilhada, ainda lembrando do olhar de Louis antes dele bater a porta do quarto na minha cara. Aquilo definitivamente não tinha sido nem um pouco engraçado, e sim um pouco cruel.

–De qualquer modo, você precisa me apresentar para eles, formalmente. Não é legal receber esses olhares de dúvida, como se eu fosse uma fã maluca ou qualquer outro tipo de psicopata pronta para atacar.

–Relaxa. Amanhã, enquanto eles estiverem tomando café eu levo você lá e te apresento. Formalmente. O que quer que isso signifique.

Ficamos em silêncio por alguns minutos, até que ela se vira pra mim.

–Formalmente significa que temos que usar vestidos de gala?

Não resisti. Ainda não tínhamos intimidade, mas que se dane essas coisas. Peguei meu travesseiro e acertei Greta em cheio enquanto ela começava a rir outra vez.