Sem Escape
6 Capítulo 6
Notas iniciais
{noite de segunda-feira}
Nem o som do Rock pesado no último volume, saindo estridente dos fones era capaz de abafar a voz animada e esganiçada de Ino.
Pouco tempo atrás subiu até seu quarto tentando entender o que foi que aconteceu. Passou por um situação inimaginável com o pai de Sasuke e depois beijou o rapaz!
Não eram amigos, e não tinham vontade de iniciar uma amizade. Ele era bonito, isso era algo inegável, era só ter olhos pra ver a beleza estampada nele. Mas Sakura era das que se apaixona pela personalidade.
Sasuke era um indomável, sem educação e de certo modo bad boy. Ele não era seu tipo...
Então porque o beijou? e porque não se arrependia de tê-lo feito?
– Ahh ACHEI ACHEI ACHEI. — Comemorava Ino abrindo a porta do de seu quarto, como se o quarto fosse dela.
Levava em mãos um pedaço de pano e Sakura jurou que era dia de limpeza... pois era do tamanho das flanelas que usava para tirar o pó dos móveis.
– Achei o short que eu vou estrear na luta... Aiiiii eu tenho que achar um legal pra você amiga.
Sakura olhou sem entender para a amiga e tirou um dos fones. Não estava raciocinando bem. Tinha escutado: estrear na luta?
– Mas... Hein?
– Terra chamando Sakura... — Estalou os dedos em frente ao rosto da rosada. — Nosso uniforme do novo emprego.
– Ta doida? não vou entrar nisso! — resmungou tirando os tênis e deitando na cama com os braços pra cima.
– É óbvio que vai! — Retrucou irritada. — Tá na hora de mostrar esse corpitchu trabalhado na corrida matinal. E rebolar esse traseiro, pra conseguir uma grana.
Sakura cerrou os olhos e olhou num misto de indignação e divertimento para a amiga.
– Nem pensar. — disse por fim tapando os olhos com o braço e a cabeça começou a latejar
– Eu já disse que ia levar uma amiga... preciso de você. — pediu fazendo biquinho infantilmente.
– Você tem muitas amigas — Sakura disse ignorando a amiga — Umas até bem piriguetes pro cargo.
– As minhas amigas piriguetes vão querer aparecer mais que eu... Com você ao meu lado terei tudo na medida. Você não gosta de aparecer tanto.
Sakura bateu a mão no rosto e começou a rir.
– Você não existe, Ino!
– Amiga, mas eu já te disse que eu... — Foi interrompida pelo som do telefone. — Atende pra mim Sakura, e se for o Gaara, você fala que eu não estou. Odeio número restrito... Aff... Se for o Gaara inventa que eu saí acompanhada de um cara lindo e perfeito.
Sakura se arrastou até o telefone e atendeu desanimada.
– Konan? Espera que vou colocar no viva-voz.
Sakura se sentou colocando o telefone a frente das duas se divertindo com o pânico de Ino indo embora e voltando a ficar entusiasmada.
– Oi garotas. — Suspirou Konan. — Preciso de ajuda, acabei de ser mandada embora. Oh vida difícil, a gente quer ser legal e perde o emprego por isso...
– Nossa, o que aconteceu? — Sakura se ajeitou mais preocupada.
– Que depressão é essa Konan? — Reclamou Ino. — Tá velha igual a Sakura, melhora essa voz garota.
– Aaah amigas, aquele... Viado do Kabuto me mandou embora porque sou a "Madre Tereza de Calcutá" — termina afinando a voz em deboche e depois bufa — A gente tenta ajudar os outros e acaba assim... Ridículo!
– O Kabuto é um safado, mas não precisa ficar assim. Gasta o Seguro desemprego em cachaça e seja feliz. — Era o desejo de Ino.
– Ino! — Sakura ralhou balançando a cabeça ao ouvir a risada de Konan do outro lado da linha. — Você tem um ótimo currículo amiga, vai conseguir um emprego logo. Posso te indicar pra trabalhar na farmácia do asilo, o que acha?
– Chega de farmácia... eu não quero saber de emprego por enquanto, o que eu quero mesmo é beber bastante...
– Até que enfim alguém falou a minha língua. — Comemorou Ino batendo palmas.
– Não acredito — Sakura resmungou se jogando na cama novamente.
– Eu to de saco cheio de ser boazinha! — Konan disse determinada e Ino soltou um "Issaê miga" — Eu quero encher a cara e fazer besteira essa noite! E vocês vão comigo.
– Não/SIM — Sakura e Ino disseram no mesmo instante.
– Sakura, eu estou necessitada de sair pra extravasar. — Explicou Konan. -Faz um esforço... por mim.
– Mas é segunda! Amanhã tem aula... — Sakura tenta adiar aquela comemoração.
– E daí? E lá tem dia pra “bebemorar”? — Ino diz pulando na cama. — Deixa de ser chataaaa, levanta amiga! A Konan precisa de nós!
Sakura colocou o travesseiro na cara e gritou. Ino pulou comemorando.
– O que vocês não pedem sorrindo que eu não faço chorando? — Sakura choramingou jogando as pernas pra fora da cama — Vou tomar banho.
(…)
As luzes piscando eram de dar vertigem, a música alta de doer os ouvidos, a probabilidade de ganhar um hematoma no pé ao ser pisado era alta, e nessas horas Sakura se sentia uma velha.
Não curtia sair para lugares lotados, não tanto quando Ino e Konan que se balançavam ao som da música, em seus vestidos terrivelmente curtos e seus saltos altos.
– A Hinata ficou de encontrar a gente aqui. — Gritou Konan para ser escutada pelas amigas. — Está decretado... Hoje eu vou por o pé na jaca.
Sakura estremeceu ao ver a quantidade de álcool que Konan e Ino viravam de uma vez. Passou a mão pelos braços desnudos e começou a olhar a toda volta atrás de Hinata. Pelo menos uma companhia mais normal para aquele inferno.
– Para, Ino! Eu nã... — Sakura se surpreendeu quando Ino pulou em cima dela com um copo de tequila e virou na boca da amiga. — Argh! Ino!
– Relaxa amiga. — Ino pediu mais outra dose. — Hoje é dia de beber.
Sakura fechou a cara e olhou ao redor novamente. Viu um rapaz de cabelos negros passando por ali e suas lembranças de mais cedo afloraram de uma vez. Precisava beber!
– Só mais uma dose! — disse rapidamente pegando o copo da mão de Ino.
Konan gargalhou ao ver o desespero em que Sakura derramava a tequila na garganta e se animou.
– Quem sabe mais umas doses...
Sakura assentiu ao ver o garoto se aproximando. Não era Sasuke mas... mas... era tão parecido que ela virou outra dose sem dó.
– Meninas? — a vozinha suave de Hinata chamou a atenção das três e a Hyuuga se surpreendeu ao ver Sakura virando a dose de tequila. — Sakura!
– Vem Hina, bebe só um pouquinho pra eu não me sentir mal. — Sakura diz com a voz um pouco embolada.
– Isso aí Saki. — Concordou Ino. — Vamos bebemorar. Desce mais tequilaaaaaa — gritou estridente.
Ino já rebolava toda desinibida e Konan tentava fazer Hinata provar um "golinho" de seu drink, mas a morena estava decidida e choramingava atrás de Sakura a toda hora.
Sakura balançava a cabeça xingando o Uchiha mentalmente: "Quem ele pesa que é pra me rejeitar? Ele me humilhou! Desgraçado!" Ino ria das caras e bocas que a amiga ficava fazendo e começava a girar no mesmo lugar com seu copo na mão, até que um cabeleira ruiva a faz parar.
– Ah não. — Reclamou vendo Gaara entrar no barzinho seguido de alguns garotos da UFPP. — Isso é treta do capiroto pra estragar minha noite, mas ninguém vai estragar!
A loira tomou outra dose encorajadora e partiu para a pequena pista de dança. Gaara ia se arrepender pela discussão boba, se ele era ciumento.. então agora iria surtar.
(...)
Sakura quase lamentou alto ao ver Naruto se aproximar, lá vinha mais uma seção de piadas que ela não entendia.
Naruto se aproximou sorridente, encostou na bancada do bar sorrindo e iniciou o papo.
– Gata, você está linda... se você fosse um sanduíche, com certeza seria o X-Princesa.
Sakura revirou os olhos soltando o ar aos poucos.
– Se você fosse um sanduíche... ia ser um pão com ovo. Sem graça e fácil. Não tô com cabeça pra idiotice hoje. — disse ríspida virando mais uma dose de tequila.
– Sakura... — Hinata sussurrou envergonhada pela atitude da amiga.
– Hehe, você sabe que pão com ovo é o mais comido em todos os lugares... Vou encarar a frase dela porque sou desejado por todas.
Sakura revirou os olhos mais uma vez ignorando os dois e se debruçando no balcão para tentar amenizar a dor de cabeça que ameaçava explodir em segundos.
– Vai procurar sua turma, é sério, não tô com paciência pra aturar cantadinha barata e sem graça.
Naruto ficou pensativo durantes alguns instantes e soltou outra fala:
– Eu cavo, tu cavas, ele cava... Não é algo bonito, mas é profundo. — Riu da própria piada e acrescentou. — Agora o papo está profundo gata.
Hinata segurou o riso e Sakura pousou a testa contra a madeira fria do balcão. Aquela música, aquelas luzes, as vozes, a tequila, o beijo... Tudo estava fazendo sua cabeça doer ainda mais e pra piorar sabia que não estava em seu momento são, mas devido à seu dia de cão, não se importou em extravasar um pouquinho.
– Garoto, me diz qual o seu problema? — girou no banquinho e fitou o loiro sorridente atentamente — Quer me impressionar? Tá pegando o caminho contrário, não suporto gente burra e pelo visto você não é um dos mais versados em cultura. Não gosto de papinho furado e nem de ter que perder meu tempo sendo obrigada a ouvir o que não quero. Quando digo que não quero conversar, o mais sábio seria ter me deixado quieta, mas agora você passou os limites! Cai fora agora agora, antes que eu seja mais rude com você.
Naruto arregalou os olhos e baixou o olhar.
–Me... des... me desculpe Sakura. Não vai mais se repetir. — Comentou envergonhado. — Eu e a minha burrice vamos deixar você em paz.
Hinata encarou surpresa a amiga que não mostrava arrependimento algum. O garoto loiro saiu cabisbaixo e Hinata sentiu-se muito mal por ele.
– Sakura! Por que fez isso? Ele nem foi mal educado com você. — Hinata se aproximou da amiga indignada.
– Olha Hinata, você é minha amiga e por isso eu não vou te responder mal, mas eu realmente não estou com cabeça pra nada agora, tá? — Sakura se levantou do banquinho e encarou Hinata firme — Não devia ter saído de casa. — Suspirou deixando a amiga sozinha e saindo do lugar.
Hinata ficou paralisada por um instante e depois voltou-se para a direção que Naruto havia ido. Correu atrás dele. Empurrou pessoas, pisou em copos de bebidas no chão, teve que pedir desculpas algumas vezes até encontrá-lo. Estava com uma cara péssima conversando com uns garotos. Ensaiou ir até ele umas três vezes. Deu passos á diante, mas acabou desistindo e voltou com a cabeça baixa e sinal de derrota para onde estava anteriormente.
(...)
Itachi passava pelas mesas da boate com os drinks em mãos. Fazia um verdadeiro malabarismo para não derrubar a bandeja e conseguir chegar na área VIP.
Uma garota loira o observava há um tempo e deu um sorriso de canto quando o viu voltando para o bar. Sem perder tempo, ela se levantou e ajeitou a saia preta. Andou com passou certos até o rapaz que limpava uma mesa no momento.
– Oi — ela colocou uma mão sobre o ombro dele, fazendo-o quase saltar de surpresa. — Calma, garotão. Queria conversar um pouco com você. — disse maliciosa passando começando a passar a mão pelo braço do rapaz.
– Fiz algo de errado? — perguntou assustado.
A garota riu e se aproximou mais.
– Muito pelo contrário, está fazendo tudo certinho. Mas aqui tem muita gente, que tal irmos pra um lugar mais... particular? — terminou sussurrando no ouvido de Itachi.
Ele arregalou os olhos e olhou ao redor para ver se algum superior estava olhando.
– Olha moça, eu estou trabalhando...- ele disse se afastando acanhado.
– Não tem problema, vai ser rapidinho. Aí se gostar, a gente termina mais tarde. — Deu uma piscada tentando puxá-lo pelo braço.
– Moça, por favor. — ele puxou o braço antes que ela conseguisse pegar e olhou nervosamente para os lados dando passos para trás enquanto ela andava em sua direção como uma predadora. — Eu estou trabalhando, não posso conversar agora. — disse educado.
A loira respirou fundo não acreditando naquilo e deu as costas sem dizer nada. Itachi soltou a respiração e saiu dali o mais rápido que pôde.
(...)
Gaara estava fervilhando. Não bastasse sua garota estar se candidatando ao cargo de Ringue Girl, agora tinha de aturar seus surtos de rebeldia. Havia discutido e o motivo era válido. Será que ela não conseguia entender que ele iria ser avacalhado e chamado de trouxa por todos os lutadores do evento?
Isso era culpa da Temari. Maldita!
Fazer Ino rebolar com um shortinho, na frente de meio mundo de homens safados e cheios de testosterona, Era golpe baixo demais.
Reparou no short curto, nas botas de salto e no decote profundo de sua blusa. A loira jogou os cabelos em seu rosto ao passar por ele, como se não o conhecesse, em direção à pista de dança.
Ah, ele estava muito ferrado.
Apertou o punho até que os dedos formassem nódulos esbranquiçados ao ver a loira deixar um cara dançar com ela.
Não satisfeita com a dancinha, ela foi mais ousada e esfregou seu corpo no cara.
Gaara odiava cenas. Odiava ser o ator principal dos dramas mexicanos de Ino. Por isso ele nunca a pediu em namoro, para evitar quaisquer espetáculos que Ino quisesse protagonizar.
Se ela gostava de cenas, que as encenasse sozinha. Ele não faria parte do show.
Não, Não.
Sem chance.
Esse discurso corria sua mente.
Discurso esse que na prática não valeu de nada.
A última coisa que viu foi a confusão formada, seu punho golpeando repetidas vezes o rosto do abusado e sua expulsão do bar.
– Merda! — Socou a porta de metal da saída da balada. — Que droga....
– Gaara... — Ouviu a voz meiga de Ino. — Você está bem?
– Acho que sua visão está alterada pelo álcool. Eu soquei o cara, ele sequer me socou. — Foi rude. — Acho melhor eu ir pra casa... Divirta-se!
Andou em direção ao próprio carro frustrado. Acabou de chegar no arzinho e não ficou nem uma hora lá dentro.
Abriu o carro e se surpreendeu ao ver Ino sentar no banco do carona.
– O quê?
– Ao vencedor... o que lhe é de direito. Receba o prêmio gatinho.
A próxima coisa que sentiu foram os doces lábios da loira, e a sensação de que realmente, ele era e sempre seria o vencedor.
E como bom ganhador que era, usou e abusou de seu prêmio.
(...)
Konan via a cena pensando estar em um universo paralelo.
A loira era cheia de curvas e sonho de todo cara dotado de hormônios.
Mas as curvas dela não afetaram Itachi. Se aproximou do balcão e iniciou conversa.
– Hei, garçom santinho. — Escarneceu vendo o moreno se aproximar. — Desce uma dose de tequila.
– Ko-Konan? — se surpreendeu olhando a moça totalmente diferente do usual. Sem a blusa social do uniforme e o cabelo preso em um rabo de cavalo, estava usando uma blusa justa e pouco decotada, mas bem atraente e os cabelos soltos com uma maquiagem bem destacada. — Nossa, que surpresa te ver aqui. — ri sem graça servindo o que ela pediu.
– Aproveitando a liberdade fofinho. — Sorriu lambendo a borda de sal no copo de forma sensual. — Itachi, posso te fazer uma pergunta?
– Er.. claro. — disse desviando os olhos da boca dela e engolindo em seco.
– Sabe... seu trabalho não lhe impede de dar um trato na loira. — Comentou sem nenhum pingo de vergonha, o álcool agindo à seu modo. — Ela era bonita e tal. Então porque você dispensou a garota? Parecia até um virgem. — E gargalhou ouvindo a loucura que acabara de falar.
Itachi não conseguiu segurar o ataque de tosse que o acometeu. Engasgou-se e ficou vermelho na mesma hora.
– Esse... não é lugar pra falar disso. — disse se recompondo mas com o rosto quase roxo enquanto olhava para os lados.
O queixo da garota caiu.
Não...
NA-NA-NI-NA-NÃO.
Não podia... não.
– Meu Deus... — Comentou assustada. — Você é virgem... — Apontou acusativa.
Itachi abaixou o dedo dela em pânico e olhou a toda volta sentindo o pescoço e o rosto queimar de vergonha.
Balbuciou várias vezes, desviando os olhos dos dela, mas não conseguia dizer nada. Preferiu abaixar a cabeça e escutar o que já estava acostumado quando alguém descobria.
– Isso... isso. Isso é demais pra minha libido. — Comentou se abanando. — Quero outra bebida, uma forte. A mais forte que você tiver.
Itachi saltou os olhos e sentiu as mãos suarem. Aquela não parecia em nada com a atendente gentil da farmácia. Estava embriagada e totalmente desinibida.
– Konan, ninguém precisa ficar sabendo disso, e é melhor parar de beber, já está...
–Cala a boca Itachi.- Interrompeu astuta. — Nesse instante meu único pensamento coerente, ou não, é: Konan milha filha, tire a pureza do Itachi de todas as formas... papai e mamãe, de lado, de quatro, de costas...
Itachi se jogou por cima do balcão e tapou a boca da garota totalmente chocado.
– Eu vou chamar um táxi pra você, está totalmente fora de si! — disse olhando ao redor no seu típico nervosismo. Vai que alguém vê?
– Itachi... — Suspirou no ouvido do moreno. — Eu vou ser a melhor professora do mundo... Vamos lá pra casa, que eu acabo com essa virgindade num instante. — Lambeu o espaço onde a pele alva do pescoço aparecia e sugou o pequeno pedaço de pele. — Sem frescura. No dia seguinte, continuaremos amigos.
Itachi estremeceu e tentou afastar a garota de perto. Olhou direto nos olhos dela, segurou seus ombros e limpou a garganta.
– Você está bêbada, por favor esqueça isso e vai pra casa.
– Eu não estou bêbada... talvez um pouco. — Sorriu agarrando o moreno pelo pescoço e colando seu corpo ao dele. — Mas eu sei muito bem o que estou fazendo... Se você quiser, a gente dá um jeitinho no banheiro mesmo...
Itachi enrolou, mas não conseguiu dizer nada. Tentou empurrá-la com delicadeza, mas não conseguiu. Engoliu em seco várias vezes sentindo o perfume dela misturado à tequila. Não podia negar que ela era muito atraente, mas ele simplesmente não podia fazer... aquilo com ela!
– Konan, eu vou ser mandado embora, por favor.... — ele suplicou vendo um colega olhar de soslaio na direção deles.
– Itachi... eu vou ser milhões de vezes melhor que os seus lindos dedos... — Riu passando os próprios dedos na calça jeans do moreno e dando um leve apertão. — Você pode dizer que não, mas seu amiguinho aqui em baixo... concorda comigo, bebê.
"Droga" — Itachi apertou as pernas olhando apavorado para a moça que sorria descaradamente como se estivesse dizendo algo super normal para a situação.
Respirou fundo várias vezes e tentou limpar a mente mas o corpo inclinado na direção dele mostrando um pouco mais do decote não deixava que ele conseguisse arrumar mais uma desculpa para fugir dela. Vai ver que no fundo não estava com tanta vontade de resistir.
Balançou a cabeça novamente e olhou para a garota.
– Konan, você vai se arrepender de ter dito isso amanhã...
– Não Itachi... — Riu próxima dos lábios do moreno. — Você que vai ter sérios problemas... depois da primeira vez, você vai querer repetir mais e mais... eu vou te ajudar. Serei sua amiga colorida... até você arrumar uma namorada.
– A-amiga colo... Konan! Não. — ele se afastou um pouco e Konan sorriu ao ver o semblante pensativo dele. — Não é certo...
– Eu sou solteira. Você também... — Beijou os lábios do garoto, um pequeno roçar de lábios. — Vai ser divertido pra ambas as partes. Sem romance... é só sexo entre amigos.
Itachi sentiu uma coisa quente subindo por sua barriga e fazendo-o estremecer somente com aquele toque. Teve vontade de mais, mas ela se afastou marota. Itachi umedeceu os lábios e olhou para o chão, estava pensativo e Konan adorou isso.
– Eu... — ele começou incerto passando a mão pelos cabelos. Pensou demais sobre aquilo e viu que não era uma ideia tão... ruim. Soltou o ar dos pulmões e sentiu um nervosismo juvenil percorrer seu corpo. — Saio em 1 hora. — murmurou rápido e virou-se de costas passando a mão no rosto desesperadamente — Mas que merda!
(…)
– Chega Sasuke. — Gritou Kakashi pela milésima vez. — Já é uma hora da manhã. O ginásio fechou a três horas atrás.
Os dedos já estavam esgotados, lutava sem luvas, precisava sentir a própria pele socar.
Respirava pesadamente, os pés traçando a dança da esquiva. Não respondeu Kakashi, não era necessário.
Ele ficaria tempo suficiente para acalmar sua cabeça.
Pra Sasuke o que mais o afligia era saber que daqui pra frente, uma linha de anos se passaria e cada vez mais seu pai se perderia.
Seu medo não era que o pai o esquecesse.
Seu medo era que ele esquecesse de quem foi seu pai.
Pagaria o que fosse. Treinaria o quanto pudesse, pois quando lutava lembrava as instruções do pai. Do modo quase reverente como tratava as regras. Do brilho nos olhos ao ver que ele mesmo havia herdado essa paixão dele.
Por isso queria virar a noite treinando, não importasse quanto tempo passasse e se seus músculos doessem como um chute no saco no dia posterior.
– Por favor Sasuke. — Pedia Kakashi com o molho de Chaves em mãos. — Eu preciso fechar o ginásio.
– Só mais uma hora. — Pediu ofegante. — Eu tive um dia de merda, uma garota que sempre me odiou viu o meu pai e decidiu que de repente eu sou o melhor cara do mundo. Você sabe o quanto eu odeio sentimento de pena. Eu não sou um coitado. Não me importa se meu pai esquecer permanentemente de mim. Não aceito a pena de ninguém.
– Foi passageiro Sasuke... A Mikoto disse que ele ainda lembra de você.
Seu peito se encheu de um alívio que ele sabia ser passageiro.
Em breve as memórias de seu pai iriam ao fogo.
As lágrimas inundaram seu rosto se fundindo ao suor de esportista.
– Por quanto tempo Kakashi?!
~ * ~
{terça-feira}
Naruto olhava para o prato de comida com sua cara de ressaca e um bico enorme. Kushina o olhou com uma sobrancelha erguida e não aguentou mais segurar.
– Desembucha Naruto, pra te deixar sem apetite o problema deve ser seríssimo. — Comentou sentando na frente ao do filho.
– Não é nada não... — resmungou mexendo o macarrão e soltando um suspiro exagerado.
– Tu vai falar por bem ou por mal. — Sorriu calma demais, mostrando seu chinelo de madeira, lindo.
Naruto engoliu em seco e ponderou se deveria ou não contar. Estava com medo de ser zoado pela própria mãe, infelizmente não sabia como ele iria reagir.
Kushina nunca foi uma mãe normal.
– Então mãe. — ele começou decidindo contar e apostar em uma atitude materna — Eu tô afim de um garota, só que..... mãe, eu sou burro? — perguntou com os olhos brilhando na direção da ruiva.
Kushina quase bateu no filho tamanha aberração que ouvia da boca dele.
–Eu não pari filho burro! — Disse irritadiça. — Porque uma pergunta dessas Naruto? Aconteceu alguma coisa?
Naruto fez o maio bico que pôde e olhou com olhinhos tristes para a mãe.
– Uma garota me chamou de burro, mãe. Ela me deu um fora que me deixou até sem graça. EU fiquei sem graça! — repetiu exasperado.
Kushina trocou a posição na mesa e sentou ao lado do filho, acariciando seus cabelos rebeldes.
– Filho, eu vou te contar um segredo. Quando eu tinha a sua idade... seu pai e eu éramos como cão e gato. Eu adorava dar foras nele, era meu divertimento.
Naruto ergueu a cabeça surpreso e se sentou com uma criança para ouvir mais.
– Mas, nossa... vocês sempre pareceram apaixonados. — comentou curioso.
A ruiva gargalhou, seus longos cabelos balançando em meio a gargalhada.
– Filho... Eu era líder de torcida e o seu pai era uma mistura de nerd corredor. Ele era da equipe de corrida, o mais rápido. As pessoas o apelidaram de relâmpago. Mas por azar dele, eu odiava caras muito magros. Seu pai era um magrelo que corria e suava. É você sabe que eu odeio suor.
Naruto escutava admirado cada palavra da mãe. Quem visse o pai hoje jamais imaginaria uma coisa dessas. Minato até sofria por causa do ciúmes de Kushina por chamar atenção na rua.
– Mas.. mas, e aí? O que aconteceu? — pediu ansioso.
– Aconteceu que o seu pai vivia me provocando. Ele me chamava de palito de fósforo... fogaréu... cabelo de menstruação. Aiii que ódio que tinha dele. — Riu ao relembrar. — Eu também chamava ele é Forest Gump depois do atropelamento... vários apelidos. A escola ficava pequena para nós dois.
– Nossa!! — ele riu divertido imaginando a coragem do pai naquele tempo — Mas o que aconteceu? — Insistiu curioso e pulando na cadeira.
– Aconteceu que eu e o seu pai descobrimos que a provocação era só algo que nos fazia passar mais tempo juntos. — Gargalhou. — A gente se gostava e não sabia.
– Hahahhahaha sério? Será que ela faz isso pra ficar perto de mim então? — perguntou esperançoso.
– Bem... — Começou pensativa. — Não digo nem que sim e nem que não. O que eu digo é que qualquer garota nesse mundo seria super sortuda em te ter como namorado filho. — Beijou as faces do filho satisfeita. — Minha nora será uma mulher de sorte...
Naruto enrubesceu constrangido pelo carinho da mãe.
– Valeu mãe. Mas, então? Acha que eu tenho que tentar de novo?
– Eu acho que você tem de esquecer o namoro e se concentrar nos estudos. — Suspirou saindo do modo mamãe romântica. — Porque se você tirar notas baixas...Seus encontros serão com a minha chinela.
Naruto arregalou os olhos e deu um sorriso amarelo.
– Pode deixar mãe! — bateu continência e tentou sair da cozinha rapidamente, mas deu de encontro com o pai.
– Ai Minato... — Riu vendo o marido adentrar a cozinha. — Dê conselhos ao seu filho... Ele está apaixonado – disse rindo e saindo do cômodo para deixá-los conversarem.
Minato deu uma gaguejada ao ser pego em flagrante escutando a conversa e limpou a garganta vendo os olhos esperançosos do filho.
– Apaixonado? — perguntou com seu sorriso gentil — Venha, me conte isso com calma.
Naruto gaguejou algumas vezes e depois de um gole demorado de suco conseguiu falar.
– A garota me deu um fora do tamanho do mundo..
Minato continuou com sua expressão terna, algo que relaxou o filho.
– Você esta mal pelo o que ela falou ou por ter sido ela a falar?
– Eu não sei... — Falou de boca cheia ao se sentar pra comer finalmente. — A mamãe me disse que fazia a mesma coisa com você, pai.
Minato riu se lembrando do passado. Colocou a mão sobre o ombro do filho e o olhou nos olhos.
– Desde o dia em que vi sua mãe eu soube que sentia algo por ela. Tentei me aproximar, mas ela sempre me chutava então eu decidi que irritá-la faria ela prestar atenção em mim e mesmo que ela gritasse e brigasse comigo eu ficava feliz só por ter sua atenção. Nunca desisti dela e nunca senti algo parecido por outra garota. Sabe filho, eu dei sorte de encontrar ela de primeira. Você tem certeza que essa garota vale tanto a pena?
– Pai... — Deixou a vergonha de lado. — Como eu consigo ter certeza? O que eu preciso fazer?
Minato sorriu.
– Você não precisa fazer nada. Só precisa sentir. — terminou apontando o peito esquerdo do filho e dando uma piscada.
As palavras de seu pai até eram muito bonitas.
Mas como ter essa certeza?
Talvez Sakura tivesse razão.
– Acho que sou burro demais para amar.
(…)
Naquela tarde caía uma chuva fina que molhava a garota agachada em frente ao túmulo da amiga.
Os joelhos estavam sujos pregados há horas na grama molhada.
Ela chorava. Soluçava em frente à foto da garota de 17 anos que sorria em sua imagem imutável pregada no túmulo de mármore.
– Estou com noje de mim – Sakura disse com a voz embargada – Me sinto decepcionada comigo mesmo... Você sabe, Mizumi! Você sabe o que estou sentindo agora! Prometi a mim mesma que nunca mais iria beber daquela maneira e acabei me parecendo com uma... imbecil!
Sakura respirou fundo e passou as mãos para enxugar o rosto molhado de lágrimas e chuva.
– Meu dia foi conturbado... foi muito... — ela olhava para a foto procurando as palavras e sentindo um amargo em sua boca. — eu sou fraca! Não deveria ter ido. Não deveria me importar tanto assim com que aconteceu! Me surpreendi com o pai do lutador? Sim! Isso vejo sempre, mas era o pai dele! Eu o julguei mal, sim. — passou as mãos pelo cabelo totalmente perdida em pensamentos e palavras. Verbalizar aquilo estava mais difícil do que pensava.
Respirou fundo mais uma vez tentando se acalmar mais.
– Eu o beijei. — disse por fim engolindo em seco – ele achou que foi por pena, mas eu duvido... — terminou olhando para os pés e suspirou – fazia tempo que eu não fazia isso... — riu baixo e voltou o olhar pra foto – só me senti atraída e quando vi... Acredita que ele me empurrou? — comentou rindo de sua desgraça e secando o rosto mais uma vez – que coisa, não? Ele se sentiu usado, como se eu estivesse fazendo aquilo por pena e aproveitando a fragilidade dele.
Ficou séria novamente. Colocou as mãos no joelho e apertou os lábios.
– Eu não estava preparada pra tanta coisa num dia só... eu piro, você sabe que sim... lembra daquele dia? Acho que você estava me vendo, não é?
A chuva começa a engrossar e Sakura se levanta sentindo os músculos reclamarem. Arrumou os cabelos e deu tapinhas no rosto ar espantar a cara de choro.
– Melhor eu ir. Acabei voltando a ser aquela mesma de antes ontem e descontei em pessoas que não mereciam – suspirou passando a mão pelo mármore em despedida – Tenho que ir me desculpar. — ficou em silêncio fitando o rosto do amiga e sentiu aquele mesmo aperto no peito — É melhor morrer sem arrependimentos né?
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