Sem Escape
7 Capítulo 7
Notas iniciais
{quarta-feira}
O cheiro de café forte e pão fresco deu boas vindas à Sasuke. Havia chego de madrugada em casa e sua cabeça doía demais. Fez um esforço grande para levantar da cama, queria ficar lá o dia todo mas sabia que isso era sinal de fraqueza.
Sasuke Uchiha não podia ser fraco.
Estava absorto em sua xícara fumegante que nem notou a presença de Itachi.
– Bom dia maninho! — o mais velho cumprimentou com um sorriso gigantesco bagunçando o cabelo do mais novo. — E aí? Dormiu bem?
– Porra Itachi... — Reclamou ajeitando as madeixas e analisando o irmão de cima a baixo . — Você esta estranho...
– Estranho? Só acordei de bom humor! — disse comendo fervorosamente sem perceber a cara inchada do irmão. — Cadê a mãe e o pai?
Sasuke que levava uma torrada à boca parou ao ver um rastro roxo no pescoço branquelo de Itachi.
Levantou em um salto e puxou a gola da blusa de rock surrada do irmão, achando não só aquela, como outras marcas.
– Me diz que isso é uma nova catapora... — Murmurou chocado. — É sério que você enfim resolveu pegar mulher?
Itachi empurrou Sasuke limpando a garganta e ficando roxo enquanto desviava o olhar pra outro lado.
– Idiota. — murmurou constrangido e tentou camuflar isso – Você não sabe nada da minha vida, pirralho. Cai fora. — empurrou Sasuke da frente e foi até seu quarto segurando o sorriso idiota no rosto.
Sasuke correu atrás do irmão entrando no quarto do mais velho.
– Vai Itachi... me dê orgulho de ser seu irmão. Quem é a garota?
Itachi olhou um ponto fixo na parede e as lembranças vieram a sua mente bem vivas.
Ela o aguardou bem mais sóbria do que antes e com um sorriso te meio tímido. As mãos dele suava e ele sentia uma sensação esquisita no abdômen.
Sem jeito, se aproximou dela e não sabia o que fazer.
– Han... Quer carona pra casa? — perguntou coçando a nuca.
– Eu moro há algumas quadras daqui... — Assentiu nervosa. Não acreditava que finalmente aquilo estava acontecendo.
– Ok. – respondeu se atrapalhando com as chaves e indo abrir a porta para ela.
– Fica tranquilo... — Konan pegou em sua mão o deixando mais nervoso. — Vai ser perfeito.
Itachi sorriu fraco olhando fixo naqueles olhos claros. Se sentiu mais tranquilo e poe-se a dirigir. Ficaram em silêncio e Konan percebeu a tensão nele, então começou a acariciar a coxa do rapaz. Itachi arregalou os olhos e respirou fundo.
Beijou o pescoço do Uchiha.
– Acelera Itachi...
O rapaz sentiu um calor subindo e nem pensou duas vezes em obedecê–la. Quando chegaram na casa, Konan nem esperou que ele trancasse o carro e já o agarrou num beijo intenso.
Abriu a porta se atrapalhando nas atividades de beijar e acertar a chave na fechadura. Quando enfim conseguiu abrir, jogou o moreno em cima de seu sofá e não perdeu tempo, tirando a própria blusa.
Itachi segurou a respiração observando.o corpo da garota. Já havia visto mulheres nuas, não era tão inocente e sabia o que fazer, mas ficou sem jeito de tocá–la tão de repente.
Assistia ela se debruçar sobre ele e recomeçar a beijá–lo. Não sabia há quanto tempo não beijava uma garota, mas não perdeu o jeito e a retribuiu com vontade.
Konan sorriu quando se separaram e percebeu que as mãos dele estavam longe de seu corpo.
– Pode pegar, Ita — sussurrou no ouvido dele e segurando uma das mãos grandes e levando até sua cintura nua.
Itachi aos poucos foi se soltando e explorando a pele macia da garota.
– Ta gostando? — perguntou maliciosa apertando uma das pernas entre as dele.
Itachi soltou o ar dos pulmões e tentou tirar a camiseta com rapidez, mas acabou se atrapalhando.
– Calma, garotão. — Konan riu sentada no quadril dele e ajudou a puxar a camiseta.
Itachi riu sem graça. Estava sentindo tantas coisas naquele momento e uma necessidade tão maluca de tocar aquela mulher que estava até meio abobalhado.
– Foi mal — disse baixo e Konan achou fofo.
Olhando aquele rosto meio corado de desejo e embaraço lembrou-se da primeira vez que o viu. Sorriu safada e fez o que há muito queria. Abriu as calças dele num movimento só e puxou-o pela mão agarrando o pescoço dele num beijo afoito para fora do sofá.
Itachi a seguia tropeçando nas coisas e tentando beijá–la ao mesmo tempo.
Konan ia andando de costas e puxando o rapaz sem desgrudar até que Itachi tropeçou nas próprias calças e caiu no chão levando-a junto.
Ela caiu por cima dele e o olhou intensamente recebendo o mesmo olhar de volta.
Ela mordeu o lábio e juntos começaram a gargalhar, antes de Itachi tirar completamente a calça e irem sem problemas até o quarto.
Sasuke já estava aborrecido ao ver o irmão longe, preso em prováveis sonhos eróticos.
– Como é, Itachi?! — Estalou os dedos em frente ao rosto do irmão. — Fala logo... Quem é a garota?
Itachi piscou e tentou fechar a cara pro irmão indo procurar suas coisas pra sair pro trabalho.
– Não vou contar nada, Sasuke! — sentia o pescoço esquentar lembrando-se de mais cenas. Balançou a cabeça e passou pela porta do quarto com o irmão no encalço.
Sasuke correu atrás de Itachi e bateu com o peito nas costas dele que parou estático na porta de entrada da casa.
– Bom dia — a voz feminina soou baixo e Konan abaixo a mão que estava pronta para bater na porta com um sorriso meio tímido — Bem... An.. Você esqueceu seu crachá em casa ontem...
–Hummm. — Foi o som de aprovação de Sasuke ao ver as curvas da garota.
Itachi a segurou pela cintura e puxou-a para trás fechando a porta rapidamente e saindo do lugar igual um pimentão.
– Interrompi alguma coisa? — Konan mexia os pés nervosa. — Me desculpe... eu já vou. Tchau Itachi.
– Não, não. — se atrapalhou todo não sabendo como cumprimentá-la e acabou dando um beijo no rosto. — O Sasuke tava me atrasando. Obrigado por... Trazer meu crachá.
– De nada. Bem, eu tenho que ir... — Tentou se livrar da saia justa, vendo o óbvio :"Itachi não queria a sua presença ali."
Itachi olhou ao redor e passou a mão no rosto. Estava constrangido ao extremo mas não queria que ela fosse embora.
– Konan — chamou a alcançando — Foi mal, não sei muito bem o que fazer depois de ontem... Mas aceite minha carona, pelo menos!
A garota o olhou por um momento e depois gargalhou, esquecendo por um instante da inocência recentemente perdida de Itachi.
– A gente fez sexo Itachi... S-E-X-O. Não precisa ficar constrangido.
Itachi olhou para os lados nervosamente. Sentiu a mão dela em seu ombro e conseguiu relaxar vendo o sorriso dela. Deu de ombros e um sorriso de canto quando a viu se divertindo com sua reação. Respirou fundo e entregou o capacete extra pra ela.
– Carona? — perguntou mais relaxado.
– Olha Itachi, pro seu bem eu acho melhor eu explicar como acontece esse negócio de amizade colorida. — Riu subindo na garupa da moto. — É bem simples...
(...)
Sakura passou a última aula antes do intervalo pensando no que dizer a Naruto quando o encontrasse. Se sentia extremamente mal por tê-lo tratado daquele jeito, mas suas desculpas poderiam esperar se por acaso ele estivesse com um amigo...
Ela saiu da sala quando deu a hora e foi para o refeitório procurando o rapaz e acabou encontrando Hinata a espera dela com a expressão determinada.
– Hina? — Sakura parou confusa olhando para a amiga que travava uma batalha insana dentro de si.
– Saky, eu sou sua amiga, mas eu não vou admitir que... que... trate o Naruto daquela maneira. Eu.. — a morena engoliu em seco sentindo o rosto esquentar quando Sakura cruzou os braços e deu sorrisinho esperando o resto — eu quero que você se desculpe com ele.
– Nunca te vi tão determinada... — Sakura comenta contendo um sorriso. — Desculpa por segunda, sério Hina.... — mas ela se interrompeu ao ver o loiro abrindo um Cup Noodles no pátio do refeitório. — Preciso ir.
Ela correu no meio das pessoas deixando Hinata sozinha no lugar.
– Naruto! — gritou passando pelas pessoas e aliviada por estar sozinho.
Os doces olhos azuis de Naruto se arregalaram e o loiro se pôs a correr em direção contrária à Sakura.
– Naruto! — Sakura se assustou mas correu atrás do garoto — Quero conversar... Pedir desculpas!
Naruto se voltou para a garota, sem escolha de saída.
– Hum... tudo bem, sei lá.
Sakura viu os alunos curiosos que observavam os dois depois daquela corrida doida e segurou-o pelo ombro levando-o para perto de uma parede e olhando fundo nos olhos tristes do rapaz.
– Naruto, por favor me desculpa por segunda. Eu tive um dia maluco e acabei bebendo mais do que devia.... — ela suspirou e continuou — você é um cara legal, não mereceu o que fiz. Perdão.
– Minha mãe sempre diz que os lábios falam do que o coração ta cheio.
Sakura deu um sorriso triste e respirou fundo e o olhou com a maior sinceridade possível.
– Eu queria ficar sozinha aquele dia e acabei sendo grossa, a única verdade é essa... Eu... Juro que teria dito aquilo pra qualquer um! Sério!
Naruto sorriu. Talvez as palavras de sua mãe fizessem algum sentido.
Será que Sakura gostava realmente dele?!
– Posso fazer algo pra me redimir? — perguntou mais feliz ao ver o brilho nos olhos dele.
– Sexta feira, as 19... — Comentou com fingido desprezo, se achando o tal na arte da sedução. — Te espero no barzinho do centro...
– Han? — Sakura não entendeu e quando caiu na real segurou o riso — Ok, posso levar uma amiga?
– Por mim tudo bem. Faça o que quiser. — Desprezou novamente.
Sakura riu e sentiu aquela sensação de estar sendo observada. Olhou para trás e viu o Uchiha observando-os. Fechou a cara fazendo uma careta e voltou-se para Naruto.
– Fechado então, até sexta. — disse rapidamente saindo de lá.
(...)
– ... daí ela olhou pra mim daquele jeito estranho e resmungou alguma coisa assim: Essa juventude tá mais maluca a cada ano...– Sakura dizia rindo para Tsunade que ria junto enquanto a garota enrolava uma mecha rosa do cabelo nos dedos.
– Esse cabelo chama muita atenção. — Tsunade disse dando as últimas risadas e tomando um gole do café fresco.
– É minha marca, dinda. A sociedade que se acostume. — riu mais uma vez se servindo de café também.
– Uchiha. Chegou cedo. — Tsunade disse olhando para as costas de Sakura e a garota quase cuspiu o café.
– Hn. Algum problema nisso? — perguntou sério e olhou diretamente para Sakura sem cumprimentá-la.
Sakura deixou a xícara com o café na mesa e respirou fundo para conseguir ficar neutra. Tsunade olhou de um para outro e reparou o clima estranho que ficou na sala. Sakura de repente ficou séria e meio.... constrangida? Sasuke não mostrava diferença, continuava com a cara de quem chupou limão azedo, mas sempre lançava olhares pra menina com certo desprezo.
Tsunade cerrou os olhos e olhou para ele não gostando de sua atitude.
– Problema nenhum, Uchiha. E veja como fala comigo moleque. Agora anda, vai fazer algo útil com a sua vida.
Sasuke cruzou os braços e ignorou Tsunade olhando firme para Sakura. A garota se sentiu incomodada e limpou a garganta.
– Vou levá-los pra fazer um pouco de ginástica, Tsunade. Qualquer coisa estarei no bloco D. — disse rapidamente tentando não olhar para o Uchiha.
– Tudo bem. — Tsunade desistiu de descobrir o que estava acontecendo e se sentou em sua mesa pegando alguns papeis. — Sasuke estará a seu dispor, qualquer problema já sabe...- ergueu os olhos para o Uchiha de forma ameaçadora e voltou-se para seus afazeres.
– Claro. — Sakura tentou mostrar-se indiferente, mas suas mãos agitada a denunciavam.
Ela passou por ele sem dizer nenhuma palavra fingindo estar ocupada com o celular e o Uchiha bufou seguindo-a pelos corredores brancos.
– Boa tarde, Rosinha. — Sasori apareceu na direção deles tirando Sakura de seus devaneios.
– Meu nome é Sakura. — respondeu automaticamente. — Tsunade o espera, venha Uchiha.
Passou pelo ruivo voltando sua atenção para uma mensagem antiga e sem importância de Ino no celular e Sasuke deu um sorriso de deboche na direção de um Sasori que praguejava indo para a sala de Tsunade.
Sakura segurou as mãos na frente do corpo se xingando mentalmente pela atitude precipitada. Sabia que uma hora iria ter que encarar o rapaz, mas não estava preparada para ser confrontada.
Preferiu achar que o fato dela ter presenciado um surto do pai não o faria relembrar o que aconteceu e isso a relaxou. Um pouco.
– Olha, já estão todas aqui! — entrou sorrindo quando viu uma dúzias de idosas conversando na sala.
Sasuke entrou atrás dela sempre a observando vendo cada reação dela. Na luta, isso é algo primordial para a conquista da vitória e ele aprendeu bem. Então se deliciava com o nervosismo mal camuflado e com a inquietação. Ela estava com receio, talvez um pouco de medo.
– Oi minha netinha, como você tá querida? — uma senhora abraçou Sakura com vontade e Sasuke franziu o cenho estranhando a avó da garota estar ali.
– Oi vó, estou ótima. E a senhora? — perguntou com um sorriso gentil.
– Bem também querida. — respondeu alisando o cabelo da moça com carinho e começou a contar como foi seu dia se enrolando e recomeçando do início.
Aquilo estava deixando Sasuke impaciente, olhou para Sakura num gesto para que calasse a senhora e acabasse com aquilo rápido, mas se surpreendeu ao vê-la escutar tudo com atenção e paciência.
Respirou fundo limpando a garganta e Sakura o olhou com reprovação.
– Depois vamos tomar um chá e a senhora me conta tudinho, ok? — disse afagando o braço da senhora que assentiu feliz. — Bom todas em suas posições e.. Mei! Deixe o Uchiha quieto!
Sasuke virou-se de supetão vendo a senhora do outro dia vindo por trás dele e murchando quando viu que não o pegaria de surpresa.
– Escapou dessa vez... — disse dando uma piscada e indo para a frente.
A aula era basicamente uma hora de aquecimento simples e repetições. Sasuke tinha que ensinar de perto as que não entendiam, Mei toda hora aproveitava isso, mas Sakura ia socorrer a senhora para não dar motivos pro Uchiha ir reclamar e falar com ela. Tudo estava bem daquele jeito.
– Procurem fazer esses exercícios todos os dias, mas nada de extrapolar garotas! — Sakura disse bem humorada e as senhoras foram abraçá-la se despedindo e acenaram para o Uchiha.
Novamente ficaram sozinhos.
– O que vai fazer agora? — perguntou o rapaz enquanto Sakura guardava os CDs no lugar e desligava o rádio.
Sakura sentiu um frio na espinha ao ouvir a voz dele. Olhou para trás e o viu a encarando intensamente, como se tivesse muitas coisas escondidas naquela face inexpressiva. Desceu os olhos para a boca crispada e desviou rapidamente para o chão.
– Vou passar pelas salas para ver quem precisa de ajuda, não tenho turma de nada agora. — respondeu dando de ombros e saindo pela porta sendo seguida pelo Uchiha.
Ele andava à seu lado e transmitia algo que a incomodava, como se ele quisesse pressioná-la só com o olhar.
E estava conseguindo.
– Ok, o que eu foi? — ela perguntou um pouco impaciente olhando-o de lado.
Sasuke sorriu de lado e jogou o cabelo para trás de forma relaxada.
– Vai sair com o Naruto então? — perguntou sem rodeios e Sakura virou o corpo estranhando a pergunta.
– Como?
– Encontro duplo? — escarneceu fechando a cara rapidamente. — Já saquei a sua garota, e não vai funcionar. Usando meu amigo pra se aproximar de mim? — Sussurrou mordaz e deu um passo pra frente de forma a intimidar, mas ao contrário do que pensou, ela não recuou.
Sakura ergueu os olhos nos dele e o encarou com firmeza, indignada com o que ele estava dizendo.
– Acho que não estou entendo. Acredita que aceitei sair com seu amigo por causa de você? — perguntou sarcástica dando uma risada ácida.
Sasuke fechou a cara, se surpreendeu mas não deixou a postura de ataque.
– Quer dar uma de boa samaritana. — ele sussurra entre dentes sem desviar os olhos dos dela — Ajudar o rapaz rebelde que tem um pai doente á cuidar dele. Usar seus brilhinhos de fadinha boazinha e fazer uma boa ação pra um coitado revoltado da vida que clama por atenção, não é? Esse planinho não vai funcionar, porque eu não sou quem você pensa.
– Você acha... — Sakura começou a rir o que deixou Sasuke muito irritado — Mas é um egoísta mesmo. O universo não gira em torno de você não, garotinho rebelde. — Ela dá um passo para frente o encarando em igualdade. — Meus motivos não têm a ver com você. Para de sentir pena de você mesmo.
– Eu não...
– Sente pena? Que tipo de comportamento está tendo, então? Tudo é você? Tudo acontece com você ou por causa de você? Se enxerga, Uchiha, as pessoas tem vidas pra viver... Sobre ontem...
– Esquece o que aconteceu ontem. — respondeu meio abalado.
– Esquecer? — Sakura ergueu uma sobrancelha — É assim que resolve as coisas? Você melhor que ninguém sabe que esquecer não é a melhor coisa, não é?
Isso foi o ponto máximo. Sasuke deixou o ar escapar e seu olhos arregalaram um pouco. Sakura suavizou um pouco a expressão.
Esquecimento era o principal problema de Sasuke e a menção do problema do pai o destruiu por dentro. Olhou abobalhado para o nada e passou a mão pelo rosto sentindo uma mão pequena pousar em seu ombro de forma calorosa.
– Não adianta fugir. Infelizmente não encontramos um escape pra tudo. — ela sussurra suavemente passando conforto com seu toque — A vida é como uma luta, não é? Aprenda com o que ela tenha a ensinar e não desista. Vença.
~ * ~
{quinta-feira}
A mesa larga composta pela UFP e Estadual estava quieta. Shikamaru levava em mãos uma série de papéis.
O Nara podia ser preguiçoso, mas em se tratando de dinheiro, ele não perdia tempo.
Com as folhas e caneta em mãos começou a conversar com Deidara, E alguns minutos depois chamou a atenção para toda a mesa, que era preenchida por pelos lutadores da noite.
– Vamos Lá... Eu e o Deidara conversamos e achamos melhor termos só três lutas, pelo menos a princípio. Pensamos em Iniciar com Kankuro versus o Kiba. Saí versus Gaara e pra finalizar Sasuke versus Sasori... Acho que três lutas pra iniciar é o suficiente.
Tenten que tomava sua cerveja sossegada se agitou ao não ouvir o próprio nome no quartel de lutas.
– E quanto a mim e a Temari? — Reclamou quase cuspindo a cerveja da boca. — Por que não lutaremos na noite de abertura?
– Porque precisamos de estrutura. — Respondeu Shikamaru. — Vocês precisam de roupas sensuais. Minha ideia é no final da luta do Sasuke e do Sasori falar que no evento seguinte teremos lutas entre garotas. Assim é bem provável que um grupo maior venha no dia seguinte...
Tenten se aquietou com a resposta, não era uma ideia que curtiria, mas se as roupas ajudassem a arrecadar mais grana, então seriam muito bem vindas.
– Temos que encontrar mais lutadores. — Deidara gritou para acalmar as vozes altas na mesa. — Não vai haver tempo de recuperação suficiente. Teremos lutas as Sextas, Sábados e Domingos. Três dias lutando direto é algo cansativo... Precisamos recrutar.
Todos concordaram e Shikamaru passou para outro tópico da reunião.
– Agora vamos falar das Ring Girls. — Se virou para a loira de braço dado com Gaara e comentou. — Ino, cadê a sua amiga?
Ino secou as mãos suadas na toalha de mesa. Sakura deu pra trás, a deixando na maior saia justa. Olhou para os lados em busca de solução E quase beijou o chão do bar ao ver Konan passar pelas portas do banheiro de funcionários com o batom borrado e a saia toda amassada.
Se soltou dos braços do ruivo e foi saltitante para perto da amiga.
– Amiga me ajuda. — Pediu desesperada. — Preciso da sua ajuda pra não pagar o mico do ano.
Konan alisava a própria saia, buscou na bolsa um perfume pra disfarçar o cheiro de sexo e suor da pele. Bendita hora que iniciou Itachi, aos poucos o Uchiha estava ficando mais ousado e ela não tinha do que reclamar.
Ino a puxou pela mão em direção a mesa cheia de caras musculosos e atléticos.
– Gente... essa aqui é a Konan. — Explicou rápida. — Da uma voltinha miga...
– Voltinha?
A loira não esperou a compreensão da amiga e a girou como se fosse um pedaço de carne na churrasqueira.
– Eu gostei... — Gritou o loiro de cabelo grande. — Mas pra trabalhar com a gente, você tem de passar no teste do sofá. — Sorriu malicioso.
Konan fechou a cara para o garoto das piadas maliciosas.
– Com essa sua cara de gay a única coisa que faremos no sofá é dormir.
Deidara gargalhou, nada ofendido, apenas interessando pela garota de língua atrevida.
–É... ela serve. — Concordou levantando. — Acho que é isso... Vamos comemorar pois amanhã será um longo dia.
Shikamaru levantou da ponta da mesa e se agachou próximo à Sasuke.
– Hei... Você conseguiu se acertar com o Itachi? Eu pensei que ele iria surtar, mas até que ele está calmo.
Sasuke bufou, não precisava de Shikamaru para o lembrar de seus conflitos com Itachi, a verdade é que ele havia enrolado o irmão.
Itachi odiava mentiras e se sentiria traído ao ver o irmão mais novo no ringue.
Sasuke odiava essa sensação agridoce o corroendo no estômago.
Sabia que não adiantava, em breve Itachi saberia a verdade e tentaria parar as lutas.
Mas o dinheiro das lutas era importante e por pior que fosse a opinião de Itachi sobre as isso, ele não iria parar.
Analisou o perfil de Shikamaru e tentou parecer tranquilo ao responder:
– Tudo resolvido... Vamos arrasar com a estadual.
~ * ~
{Sexta-feira}
Ele ouvia os gritos excitados dos espectadores do lado de fora.
Tentava se concentrar, mas não conseguia completamente. A ideia de saber que seu irmão estaria ali e descobrindo seu esquema estava deixando-o afoito.
Balançou a cabeça tentando limpar a mente e se concentrar em acabar com o Akasuna.
Aquela sexta-feira os dois ficaram juntos às 4 horas de serviço comunitário, fazendo limpeza no prédio e trocando farpas.
Não eram amigos, mas com essa semana que se passou não conseguiam se considerar inimigos. Eram rivais e tudo aquilo era estritamente profissional.
Sorriu de canto. Ele ia acabar com o ruivo e zoar ele a semana toda.
Respirou fundo começando seu aquecimento. Socava o ar fazendo a troca de pés para pegar o oponente de surpresa.
Já estava suando quando ouviu a última luta acabar e pelo jeito havia sido Gaara a vencer.
Seu corpo todo estremeceu e toda a confiança na vitória caiu por chão quando viu que agora era a hora de se mostrar.
Saiu do quartinho improvisado e encontrou os amigos fazendo baderna à sua presença. Gritando palavras de incentivo e ofensas contra o Akasuna, mas ele não conseguia entrar no clima.
Itachi estaria lá...
Deveria esquecer isso. Tinha que esquecer que seu irmão, o homem que sempre viu como seu segundo exemplo e que irá ficar decepcionado com ele, estaria ali.
Esquecer tudo e se concentrar na luta.
"Não adianta fugir. Infelizmente não encontramos um escape pra tudo. A vida é como uma luta, não é? Aprenda com o que ela tenha a ensinar e não desista."
"Vença."
Respirou fundo ao se lembrar do que ela disse. As portas se abriram e ele soube o que fazer.
Ergueu a cabeça e subiu no ringue puxando os gritos de seus aliados.
"SASUKE, SASUKE, SASUKE" as vozes gritavam e ele se virava no ringue para encarar cada um com seu punho estendido em vitória, até parar o movimento e olhar para um garçom surpreso lhe encarando de volta.
Ele não se abalou por fora e desviou os olhos para seu oponente.
Não iria esquecer, iria lutar por aquilo que ele achava certo e passaria por cima de tudo o que impediria.
E iria vencer.
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