Sem Escape
24 Capítulo 24
Notas iniciais
– Estamos prontos? — A voz da doutora tirou o casal da possível briga de menino ou menina.
Konan pulou da cadeira em direção a sala, sem nem olhar para Itachi, o moreno suspirou, a princípio Konan ficou apreensiva e com medo de não ser uma boa mãe, mas agora ela se mostrava cada dia mais disposta a encarar os desafios da maternidade, e por algumas vezes ele se sentia jogado de lado. Como nesse exato momento, enquanto ela corria para a sala de ultrassonografia sem nem ao menos o chamar para participar.
– Konan, me espera…
– Ai Itachi, vem logo! — Konan chamou já deitada na maca próxima aparelhagem médica necessária. — Ande, me dê a sua mão, vamos ver a nossa garotinha…
Itachi desistiu de reclamar com a namorada. Afinal, menino ou menina, o importante é que viesse com saúde. Mas ainda preferia um menino...
– Nossa, já ia me esquecendo. — Soltou as mãos de Itachi e buscou seu celular na bolsa. — Temos de gravar, a Ino disse que me mata se eu não gravar e enviar pra ela.
O som do gravador do celular iniciando a gravação foi ouvido e Konan lhe deu um sorriso cheio de esperanças ao Uchiha.
A doutora deixou escapar um risinho baixo, provavelmente acostumada aos resmungos de um casal de futuros pais, passou o gel na barriga da garota e anunciou que captou o som dos corações batendo freneticamente.
– Nossa, parece uma escola de samba. — Konan sussurrou com os olhos brilhantes. — É normal? Parece rápido demais.
– Está tudo bem? — Itachi se interessou, sentindo um frio na barriga.
A medica assentiu, tranquilizando os futuros papais.
– É perfeitamente normal, o batimento cardíaco dos bebês em formação tende a ser mais rápido.
– Tá ouvindo isso gente? — Konan perguntou para a câmera participando do vídeo pedido por Ino. — Meus bebês estão bem e saudáveis… Pera, doutora, você disse “bebês” no plural?
A médica se permitiu dar uma risada mais alta e confirmou com um gesto de cabeça.
– Temos dois bebês na sua barriga Konan. Parabéns, vocês serão pais de gêmeos.
Konan focalizou a imagem de Itachi, o Uchiha estava mais pálido do que o normal, os olhos negros e sedutores (herança da família Uchiha) arregalados e espantados.
– Itachi meu amor, fala alguma coisa pra câmera…
– Fudeu… — Pensou alto.
Um cálculo rápido passou pela cabeça do garoto, todo seu orçamento e planejamento teria de ser dobrado.
– Olhem o que temos aqui, uma linda menininha. — A médica anunciou para a satisfação de Konan.
– Eu sabia! Bem vinda minha filha! — Konan chorava alheia à Itachi.
– E olhem só, um garotão também vindo. Que sorte, um casal de gêmeos.
E com a palavra menino, Itachi saiu de seu estupor, puxou a câmera das mãos de Konan e gritou cheio de orgulho.
– Dois! Eu fiz dois filhos, quero ver alguém me passar! Naruto, Sasuke… Eu sou o melhor, eu fiz dois de uma vez só...Eu sou o melhor!
***
Gaara ouvia suas músicas no quarto quando a barrulheira no quarto ao lado chamou sua atenção. Temari abria seu armário e catava suas roupas com pressa, enfiando tudo nas malas.
– Veio me visitar? — O ruivo perguntou tirando os fones de ouvido.
– Não maninho, estou terminando de buscar minhas coisas. — A loira respondeu tranquila. — Morar com o Shikamaru é perfeito e ele vai chegar daqui a pouco com o carro, pra levar as minhas coisas e a propósito essa é a Matsuri, somos colegas de faculdade e ela vai me fazer companhia. — Apontou para a garota em um canto do quarto.
A primeira coisa que Gaara percebeu foi o quão bem a calça se ajustava as curvas da morena. E o fisgar de excitação tipicamente masculina crescendo lentamente dentro de si. Gaara decidiu que iria sair pra beber, não podia continuar se apegando a Ino. Ela estava viajando e ele tinha de tocar sua vida.
Temari saiu do quarto em busca de seus pertences e deixou os dois sozinhos no quarto. A morena o analisava com as sobrancelhas arqueadas, numa posa de desafio que o fazia lembrar de Ino e suas brigas por motivos tolos.
– Gaara não é? — Perguntou sem esperar resposta. — Óbvio que é, a Temari disse que o Kankuro é moreno, então você é o irmão mais novo, ruivo e inconsequente, Gaara.
– Vejo que a Temari falou muito bem de mim…
A morena concordou com um gesto de cabeça, seu cabelo balançando devagar com sua risada. Gaara percebeu um pouco de sotaque em sua fala e não resistiu em perguntar de onde a garota era.
– Australia… Lugar dos cangurus, Nicole Kidman e não esqueça do gatão que faz o Thor nos vingadores.
– Hei, ninguém nunca lhe disse que é feio falar que um cara é bonito na frente de outro?
A garota gargalhou, olhando sem nenhum pudor para o físico perfeito do ruivo.
– A Temari me disse que eu tenho de olhar pra você, como se você fosse um inseto. Porque ela não quer que a nossa amizade acabe… Então por mais gostoso que você pareça, por mais tentador, eu vou ter de dispensar.
A sensação tão familiar de desafio, uma sensação que ele só encontrava em Ino e que o fazia tão bem retornou com toda força ao ouvir a frase da garota.
– Eu te faço mudar de ideia… — Caminhou sutilmente de encontro à garota , sendo barrado pela mão feminina em seu peitoral.
– Não, se houver alguma coisa… Escute bem a palavra ”se”, será na hora que eu quiser e nem adianta jogar esse seu charme, não caio nessa. Tenta a sorte com outra gostosão!
Gaara perdeu a fala e se permitiu ver o caminhar sensual da garota, em direção a rota que Temari outrora havia ido, com a sensação de que sua vida estava voltando aos eixos.
***
Sakura deixou o ar sair com força e se recompôs antes de sair da salinha. Com a maleta em mãos, ela saiu pensativa e quase não percebeu a cena a sua frente.
– Hein, Sasuke… — a voz da ruiva saia arrastada e provocante. Sasuke estava de cara virada e visivelmente impaciente — Aquela garotinha não tem isso… — esfrega no braço dele e Sakura abre a boca indignada.
– Sai Karin, já deu. — ele diz entre dentes afastando o braço.
– Eu vim pra te ver, você ficou me ignorando todo esse tempo! Qual é, Sasuke? — ela insistiu tentando chamar a atenção dele.
– Karin, eu já estou com ela. Respeita… Sakura?
A garota olhou assustada para Sasuke, seu corpo já estava paralisado. A ruiva olhou para Sakura com a mesma surpresa, mas logo ficou séria cruzando os braços para acentuar o decote na camisa branca de garçonete. Sasuke passou a mão na cabeça já prevendo que Sakura pensaria errado da situação, mas ela não disse nada.
– Sasuke — ela começou olhando da ruiva para ele e depois para a maleta nas mãos. Ela pensou bem e balançou a cabeça — A gente conversa depois.
Com rapidez, Sasuke já estava a sua frente barrando seu caminho. Karin balançou a cabeça cansada. Observava se sentindo uma intrusa.
– Hey, eu preciso do seu beijo de boa sorte. — ele disse estudando bem os olhos dela.
Sakura apertou os olhos com a cara de pau dele. Sasuke sorriu de canto e puxou ela para falar em seu ouvido.
– Fica foda não te agarrar quando faz essa cara de mal…
Sakura não aguentou e riu. Sasuke a acompanhou passando a mão na bochecha dela.
– Idiota… não vai se arrebentar muito, tá? — ela provocou com um bico e ele fingiu estar ofendido.
Karin via a interação do casal e pareceu que nem estava ali. Estava incomodada. Mordeu a boca e soltou o ar sem fazer barulho, se virou quando Sasuke deu um selinho em Sakura e sorriu para ela de uma forma que a ruiva jamais vira.
Saiu de lá antes que se lembrassem que estava assistindo seu amor de infância praticamente se declarar para outra naqueles sussurros secretos que ela fez questão de não escutar.
Teve vontade de chorar, se escorou na parede e apertou os olhos com força.
– Você está passando mal?
Ergueu a cabeça e viu Sakura a olhando com preocupação. A ruiva a encarou sem entender e Sakura mordeu o lábio meio sem graça com a situação.
– Eu tô bem. — Karin respondeu seca. Ela respirou fundo e estufou o peito para sair de perto daquele garota. Os aplausos e gritos anunciavam a entrada dos últimos combatentes da noite. Karin olhou para Sakura e viu os olhos da moça brilhando ao seguir o Uchiha subindo no ringue e se aquecer com seus socos precisos.
A ruiva suspirou, desviou os olhos e começou a olhar para a multidão sem procurar ninguém em especifico.
– Você gosta dele? — a pergunta saiu sem querer, e ela arregalou os olhos ao perceber que tinha proferido aquilo em voz alta. Torceu para que Sakura não tivesse ouvido por cima daquela barulheira.
– Como?
Karin fez uma careta e se virou para Sakura com a boca franzida.
– Eu não disse nada, tá maluca menina?
– Gosto. Mais do que deveria até. — Sakura respondeu ignorando a falta de educação da ruiva. Karin torceu a boca e se virou para a sua rival. Ela tinha um sorriso triste e olhava para o ringue.
A ruiva apertou as mãos em volta do bloquinho que anotava os pedidos e sentiu que havia sido derrotada, apenas a moça a seu lado não havia reparado nisso.
Não havia como dizer que não, Sasuke estava doido por aquela menina e o sentimento era recíproco.
– Eu não ficaria com essa cara se soubesse que… — respirou fundo — ele tá apaixonado por mim.
(...)
Sasuke encarava seu oponente com seu costumeiro sorriso zombeteiro. Sasori dessa vez estava sério. As luvas batiam em socos cadenciados, punho contra punho.
Matsuri passou com a plaquinha de 1º ROUND e Shikamaru bateu as mãos dando início à luta.
Sasuke movia os punhos em frente o rosto encarando Sasori entre os punhos fechados. O ruivo fazia o mesmo, mas agora um sorriso apareceu em seu rosto. Um sorriso malicioso.
Sasuke investiu com o primeiro soco de direita que foi desviado com certa firula. Sasuke franziu o cenho e viu Sasori avançar. O soco passou por cima de sua orelha de forma proposital, parando o rosto perto da orelha do Uchiha.
– Deveria dividir a rosinha com os amigos…
Sasuke parou atônito olhando para a cara sorridente de Sasori.
– O que você disse? — perguntou sentindo sua paciência sendo escoada com maior facilidade.
Havia ido lutar para espairecer a cabeça. Seu pai estava acamado e sem lembrar seu rosto, sua mãe estava devastada e conformada com o fim, seu primo drogado sugando o pouco que eles tinham e Itachi se desdobrava para conseguir sustentar tudo nas costas.
– Disse que deveria dividir a gostosa com os…
Seu limite havia sido há muito ultrapassado.
(...)
– Apaixonado? — Sakura olhou para a ruiva que assistia a luta de forma desinteressada. — Não, eu não acredito. — riu nervosa, a ruiva balançou a cabeça torcendo a boca. — Você é a Karin, né?
A ruiva olhou para Sakura na mesma hora, surpresa.
– Ele já falou de mim?
Sakura não gostou do tom esperançoso dela, mas não havia o que recriminar. Olhou para o ringue e viu ele falar algo para Sasori, mas não deu importância.
– Ele me contou… mas, você veio por causa dele? — perguntou, agora era ela que não olhava para a ruiva e sim para a luta.
– Sim.
(...)
O primeiro soco foi certeiro na mandíbula de Sasori. O ruivo deu passou para frente e olhou assustado para a plateia que vibrava. Sasuke já vinha na direção dele com os punhos armados para um novo golpe. O ruivo conseguiu bloquear e acertou um gancho de esquerda no estômago do Uchiha.
– Estava conversando mais cedo com a rosinha, ela pareceu interessada no que eu disse a ela. Eu vou ser profissional, tem um cara aqui pra me ver… ela vai te chutar depois de ver o perdedor que você é… — Sasori sussurrou no ouvido do Uchiha que se recuperava do soco no estômago.
Sasori aproveitou a oportunidade e deu um soco no queixo de Sasuke fazendo-o cambalear.
Ele não conseguia ver, mas no rosto de Sasuke havia um sorriso de canto.
(...)
– Sasukeee!! — Sakura gritou pronta para correr em direção ao ringue, mas Karin a segurou e fez que não com a cabeça. Sakura viu Sasuke se levantar e sorrir.
Ela se lembrava daquele sorriso coberto de sangue.
Se arrepiou quando o viu estralar o pescoço e olhar sério para Sasori. Ele disse algo que ela não conseguiu ouvir, mas na mesma hora Sasori correu enfurecido e fez uma sequência de socos
– Ai meu Deus… — Sakura balbuciou sentindo as pernas travarem enquanto o corpo de Sasuke era jogado para trás sem direito a defesa.
Karin soltou o braço de Sakura e olhou assustada para o ringue, onde Sasuke era massacrado.
(...)
– Você nunca vai ganhar de mim — Sasuke disse sentindo o gosto de sangue — seu filho da puta. Não é homem pra isso…
Sasori veio louco, e tudo o que Sasuke pôde fazer foi amenizar os socos que estava levando. Aquilo estava lhe abastecendo para o que viria depois.
Desviou do último soco para não quebrar seu nariz, mas caiu do mesmo jeito, jogando-se no chão e arfando com o olho roxo e um sorriso querendo escapar da cara.
Havia sido um belo espetáculo.
Um… belo.. espetáculo.
(...)
Karin nem viu a hora que Sakura havia desaparecido. Os gritos da torcida faziam o chão tremer, os apostadores vibravam com aquele nocaute e Sasori respirava fundo olhando para o Uchiha caído. Karin franziu as sobrancelhas não sentindo todo o desespero que achou que sentiria ao ver Sasuke apanhando. Sentiu dó, devia ter doído, mas nem se mexeu.
Viu Sakura entrar no ringue correndo e segurar a cabeça do Uchiha entre as mãos e chorar. Viu Sasuke levantar o braço lentamente e apertar a ponta do nariz dela e dizer algo. E viu um sorriso aparecer sem querer no seu rosto, quando um garoto do interior entrou procurando por ela.
– Eu tô aqui, cabeça de água viva.
(...)
– Eu tô bem. — Sasuke sussurrou querendo rir da cara de choro que Sakura fazia olhando para ele. — Sakura, você é pesada...
– Você não tá bem! Você caiu… você tá machucado! Vamos pro hospital…
– Não precisa, eu sei o que tô fazendo…
***
Shisui estava cansado depois da sua luta contra Kiba. Coçou a orelha sentindo o leve empecilho ali. Estava tremendo, aquilo não era um bom sinal.
Andou pelos corredores escuros sabendo muito bem para onde ia. Na última porta conseguia ver uma luz roxa saindo pelas frestas. Abriu-a e logo aquele cheiro de fumaça o embriagou, deu um passo para trás tentando achar ar puro, mas sua entrada chamou atenção dos 20 adolescentes que estavam sentados escutando uma música pesada rodeando uma imensa mesa roxa onde um tipo diferente de pó era aspirado. Outro tanto estava compartilhando um cachimbo. A música e a estranha luz roxa davam vertigem, e Shisui teve que tomar cuidado para não ser atropelado por uma horda de adolescente que se chocavam ao som do rock pesado.
No canto pode distinguir Orochimaru, ele estava sozinho, sentado dentro de uma sala com paredes de vidro, assistindo aqueles meninos consumirem seus “produtos”.
Shisui passou longe da mesa e acenou para Orochimaru. O homem saiu da sala e lhe passou um pacotinho pequeno e embrulhado num papel branco.
O rapaz pegou e assentiu com a cabeça. Coçou mais uma vez a orelha e saiu sem dizer nada. Aquele cheiro estava sufocando-o. Saiu correndo e parou na porta respirando forte.
– Já tenho tudo o que precisava… — ele fala sozinho passando a mão na testa. — Anda logo…
***
– O que Sasori te disse? — Sasuke perguntou depois de entrar na salinha onde Sakura tratava os machucados. Sakura o olhou trocando sua preocupação por surpresa.
– Como... como você sabe? — ela passou uma gaze embebecida em remédio no olho machucado.
Sasuke fez uma careta de dor ao toque e olhou para ela em seguida. A intensidade daquele olhar a assustava.
Ela conseguia ver fagulhas de estresse naqueles olhos negros. Ela sabia que ele estava atormentado de tantos problemas, que precisava descontar suas frustrações, a sua dor, sua agonia em algo…
– Sasuke, não faça nada…
– Ele te desrespeitou?
– Não, ele..
– Deu em cima de você?
– N-não… Sasuke…
– Hn. — ele olhou para o nada pensativo. Ele sabia que ela estava mentindo.
Sakura observou o rosto bonito machucado de socos, soltou o ar com força e voltou sua atenção para a maleta a seu lado. Queria cuidar dele, mas esse gosto por trocar socos não ajudava em nada...
– Eu preciso limpar isso, Sasuke… onde você vai? — Sakura segurava um algodão na mão quando Sasuke se levantou rápido e lhe deu um beijo ainda mais rápido.
– Não saia daqui…
– Mas…
– Sakura, não saia daqui, eu já volto. — o tom foi baixo e meio apressado. E no instante seguinte ele estava fora da salinha de primeiros socorros.
Sua cabeça estava doendo pelos socos que não conseguiu amenizar, mas seu coração batia o mesmo ritmo que sua adrenalina bombava.
Andou a passos apressados até os fundo do lugar, onde os funcionários deixavam estacionados seus automóveis.
Sentiu o vento frio bater no olho machucado, mas não se incomodou, sorriu de canto quando viu Naruto aparecer e assentir sério para ele.
Ajeitou o casaco e esperou o dono da voz chegar. Sasori falava animado ao telefone quando apareceu no estacionamento.
– … ele disse que… — a voz animada desapareceu na hora que viu o Uchiha o encarando com o mesmo sorriso que ele havia dado dentro do ringue. — Já ligo pra você. — disse desligando o celular e olhando desconfiado para Naruto. O loiro deu de ombros e se sentou no capô do carro mais próximo. — Que merda é essa?
Sasuke aumentou o sorriso e estalou os dedos das mãos.
Sasori prendeu a respiração quando Sasuke avançou em cima dele e o prendeu na parede com o braço apertando seu pescoço.
– Gostou do show? — Sasuke perguntou retoricamente — O olheiro acreditou mesmo que você era o bonzão?
– O quê? — ele perguntou furioso tentando tirar o braço do Uchiha. Mas Sasuke bufava perto da sua cara e o encarava ameaçadoramente.
A aura que emanava dele era assustadora.
– Sabe qual foi seu erro? — O Uchiha sussurrou perto demais para fazer o ruivo sentir os pelos do pescoço arrepiarem de medo — Foi mexer no que é meu.
Sasori cuspiu sangue quando o primeiro soco acertou sua boca com força. Sasuke o soltou e deu uma volta sentindo a raiva fluir enquanto Sasori se recuperava do golpe.
– Seu maldito….
Não houve tempo para terminar, um chute certeiro no estômago fez o Akasuna bater as costas na parede onde estava preso anteriormente.
– Filho da puta… — Sasuke cuspiu a seu lado mexendo os dedos pronto para armar mais um soco.
Naruto assistia sentado no capô de um carro, se divertindo com a briga. Já sentia um pouco de dó do Sasori, bem pouca, por ter se metido logo com alguém importante para Sasuke. Ele deixou que a briga rolasse, sabia que Sasuke precisava daquilo.
Sasori se levantou com a mão na barriga e olhou com um sorriso zombeteiro para Sasuke.
– A putinha te largou?
Ele riu sem humor, somente para enfurecer Sasuke, e esse foi seu erro. Antes que pudesse erguer o braço para amparar o soco, já recebia uma sequencia mortal de dois punhos furiosos em sua cara.
Sasuke o segurou pelo colarinho da camisa fulminando o Akasuna com ódio. Sasori tenatava enxergar através do sangue que escorria de sua sobrancelha para seu olho esquerdo. Era difícil focalizar, mas ele conseguia sentir o bufar de raiva, a mão trêmula de ódio e os olhos…
– Eu te tive muita paciência com você… — Sasuke sussurrou perto do rosto dele ainda o segurando pelo colarinho. Sasori o encarava sentindo seu corpo dormente — Mas agora só vou te dizer uma única vez, e é melhor escutar… Nunca mais mencione Sakura com essa boca imunda — Sasori resmungou alguma coisa e Sasuke o jogou na parede apertando ainda mais contra ela — Eu faço você se arrepender, ouviu bem? Vou deixar uma marca pra te fazer lembrar todos os dias que não se mexe com um Uchiha, principalmente com a sua mulher…
Naruto pulou de cima do capô vendo que o amigo já estava quase perdendo o controle de novo.
– Hey, Sasuke. Acho que ele já entendeu… — Naruto falou manso.
– Entendeu Akasuna? — Sasuke rugiu na cara do ruivo e esse, assustado, acenou com a cabeça.
Sasuke soltou Sasori que caiu no chão, mas saiu rápido pelo estacionamento quando sentiu o chão em seus pés
– Nossa, achei que ia dar só um susto nele mas acabou me assustando junto! Caramba… isso é tudo pela Sakura? Isso é amor, amigão! — bateu nas costas de Sasuke de forma descontraída tentando aliviar os nervos do amigo. Sasuke soltou os ombros e riu brevemente com o amigo.
– É Naruto, acho que só aquela cabeça dura não entendeu…
Enquanto Naruto abria a boca pasmo, uma garota segurava as lágrimas de emoção com a mão trêmula em frente a boca. Ela deu um passo para trás e encostou as costas na parede perto da porta dos fundos.
O cabelo rosa foi colocado atrás da orelha e um sorriso gigante apareceu em seu rosto.
– Sasuke… deveria ter sido mais claro. — sussurrou em meio á um riso emocionado.
***
O bar jazia lotado, uns comemoravam e outros choravam as magoas na bebida por terem apostado todo seu dinheiro no Uchiha. Uma hora da manhã e o fluxo de clientes no bar não parecia ter fim. A quantidade maior que o permitido, tudo graças ao fim das exaustivas semanas de prova, o ano estava acabando e com ele vinha o aumento assustador de frequentadores do bar. Em um dia normal fechariam as duas da manhã, mas dado a quantidade de gente provavelmente iriam virar o dia ali.
Mesmo em meio a massa de pessoas a madrugada corria relativamente tranquila, até Orochimaru que geralmente passava só um pouco de tempo no bar, resolveu estender sua estadia no escritório aos fundos do bar.
Kakashi Hatake entrou a paisana com um boné encobrindo parcialmente seu rosto. Segurou a arma no coldre e respirou devagar, seu parceiro já estava lá dentro, agora faltava pouco, já tinham juntado todas as provas, lembrava da última missão ao lado de Fugaku, antes de sua aposentadoria precoce. Tudo dependia da prisão de Orochimaru e então poderia se sentar em sua sala com paz de espirito.
Afinal o trabalho iniciado pelas mãos competentes do Uchiha seriam enfim finalizados. Fugaku não deixou nenhuma investigação pela metade e Kakashi teria prazer em arquivar aquele caso como resolvido, pela honra de seu amigo.
Com essa determinação foi que ele chutou a porta e invadiu a sala Orochimaru com as armas em mãos.
– Todo mundo parado! — Anunciou o policial.
Orochimaru riu arrogante, sem nenhum pingo de medo.
– Bem vindo a festa Hatake! A que devo a honra de sua visita?
A pergunta não precisava de resposta, Orochimaru sabia bem o porque da visita do policial, mas sabia também que mesmo tendo alguns jovens usando drogas em sua sala, a única coisa a qual poderia ser acusado seria de traficante, mas ele pagava seus advogados bem o bastante para não se preocupar com isso, desde de que não houvessem provas ou testemunhas,tudo ficaria bem e ele tinha certeza que o Hatake também sabia disso.
– Vamos Hatake, me prenda e amanhã mesmo estarei livre, bebendo café na minha mansão; — Zombou.
– Eu não teria tanta certeza. — A voz da terceira pessoa na cena o interrompeu. A postura mudando drasticamente, de drogado, traficante iludido à policial sério e compenetrado. — Não se mexa.
Os olhos de Orochimaru se arregalaram ao perceber que atrás do cano do revolver, Shisui lhe sorria astuto.
– É sempre a mesma cara de idiota quando eles percebem que foram pegos. — Comentou em conversa com Kakashi. — Mas tenho de tirar o chapéu para você Orochi… posso usar esse apelido? Afinal eu sou seu empregado nesse tão renomado mercado de trabalho.
– Orochi? — Kakashi gargalhou para a raiva do traficante. — Combina com ele, vai ser o nome de guerra dele no presidio.
Os dois policiais assentiram, vendo os dois seguranças de Orochimaru colocarem a mão nas armas em defesa do patrão.
O primeiro disparo foi dado e o som agudo gerou os primeiros gritos por parte dos jovens na parte de fora do bar, logo a noticia de que havia alguém armado no bar tomou conta da pista de dança e a correria se sucedeu.
Um dos seguranças urrava de dor, o ombro ensanguentado pelo tiro de Kakashi.
– Meu filho, abaixa a arma ou o titio vai ter de atirar e o próximo tiro vai ser no peito. — Anunciou sarcástico. — Eu falo que foi um … um descuido na mira.
– Ou uma troca de tiros. — Completou Shisui.- Há sempre uma desculpa boba para uma morte sem sentido.
O segurança largou a arma no chão e o segundo de distração foi o suficiente para Orochimaru empunhar sua própria arma contra os policiais.
– Eu vou te matar Shisui. Eu vou retalhar a sua cara e te dar de comida pros meus peixes. Ninguém ferra comigo e sai ileso, tá me ouvindo bem? — Gritou insano, recebendo o bocejo do Uchiha. — Mesmo se eu for preso, eu tenho contatos… Eu vou acabar com você.
– Sabe Kakashi, os falastrões geralmente são feitos de mocinha no presídio. — A voz do Uchiha lotada de um falso pesar. — Vou pedir um suprimento de lubrificante para você meu amigo. Fique tranquilo.
O tiro no peito de Shisui seguido do tiro da arma de Kakashi no joelho de Orochimaru o desarmando foram as próximas ações na sala. O Uchiha gargalhou tirando a bala de seu colete a prova de balas.
– Porra Kakashi a gente combinou que eu daria o primeiro tiro!
O tira de cabelos grisalhos revirou os olhos entediado, tirando a arma de Orochimaru de perto de sua mão e dando uma coronhada em sua cabeça ao ver o traficante tentar recuperar a arma.
– Eu estou na cola desse safado a tempos, o primeiro tiro é meu e ponto final!
– Primeiro tiro? — Orochimaru engasgou. — Eu estou rendido, não há necessidade de outro tiro…
– Aí ta vendo...Agora eu vou ficar na vontade, fui eu o mais prejudicado, ficar aturando picada de agulha pra passar de viciado, ficar puxando o saco da cobra albina... Colocar escuta na farmácia do tal Kabuto e o pior, ainda ouvir cantada dele…
Kakashi gargalhou vendo o sobrinho de Fugaku contar suas histórias.
– Vamos fazer o seguinte Shisui, eu deixo você dar duas pancadas nele… Pra compensar os imprevistos da missão, satisfeito?
– Olha eu queria mesmo um tiro…
– Vai logo garoto, não tenho todo o tempo do mundo.
Shisui largou a arma na mesa do escritório e fez sua melhor pose de lutador, a satisfação o preenchendo.
– Isso é pelo meu tio, é pra dar um fim ao que ele começou...Ninguém foge das mãos de um Uchiha… e de um Hatake também. — Chutou o meio das pernas do traficante com força. — Agora eu vou dar um chute no mesmo lugar, só pra garantir que você não consiga procriar…
– NÃO! JÁ CHEGA! — Pediu temeroso.
– Deixa de ser frouxo! — Reclamou Kakashi. — Seja homem ao menos uma vez na vida.
O grito de dor de Orochimaru foi ouvido por todo o bar,agora vazio e os policiais gargalharam mais e mais alto. Se sentindo livres e com a sensação de dever cumprido.
Fale com o autor