Sem Escape
1 Capítulo 1
Notas iniciais
{Sábado}
Oitenta por cento da luta é vencida com a postura certa, foi o que meu pai me ensinou em nossa primeira aula de boxe.
A postura certa e a arrogância na medida fazem o inimigo ir ao chão, era o que ele dizia.
Por isso relaxei os ombros e analisei com certo tédio meu oponente.
Itachi nunca entendeu meu interesse pelo esporte.
"Qual a graça de levar um soco e perder os dentes no ringue" dizia ele.
A graça ao meu ver é simples.
O boxe exige sincronia com seu corpo, de modo que ele haja no piloto automático.
Esquivar... Proteger... Socar.
Uma Batalha constante pra ver quem é o melhor...Quem aguenta mais tempo.
– Cara isso vai ser demais. — Ouço a voz sempre entusiasmada de Naruto.
– É... vai ser legal.
–Cara, depois da luta vai ter uma festa na casa do Kiba. Então vê se não deixa o cara te socar na cara. Nariz quebrado não atrai as garotas.
Solto o ar preso em desagrado. Eu não quero garotas, não quero me divertir, não quero festas.
Não me entenda mal, é óbvio que sou homem e acho lindo um belo par de seios. Mas as garotas da faculdade querem flores, romances... Eu só quero transar e esquecer o nome da garota no dia seguinte. Sem amarras.
Eu não curto agitação, não curto o som alto e a música dançante das festas. Eu não sou o garanhão na puberdade.
Eu só quero lutar...
Eu amo o som das notas das apostas. Amo o fato de saber que boa parte dessas notas vão pro meu bolso.
O ringue é a minha balada.
As luvas a minha amante.
E a luta minha constante companheira, dentro e fora do ringue. Uma luta constante onde no fim de tudo o derrotado serei eu.
Pois uma outra eu também aprendi com o meu pai: Por maior que seja a quantidade de lutas invicto... Uma hora até o maior dos lutadores cai.
Ele caiu e um dia serei eu...
Tempo...
Tudo gira em volta dessa merda chamada tempo.
Então o melhor é aproveitar a maré de vitórias.
Tudo começou a cerca de oito meses atrás. Shikamaru meu colega de turma me apresentou sua ideia no mínimo mirabolante.
O "circo" foi como ele chamou.
O circo consiste em dez pessoas que mandam mensagens para outras dez e formam, assim, uma corrente.
A mensagem é simples... um anúncio sobre a luta com hora e o lugar onde será feita. Nunca fazemos lutas no mesmo local. Afinal tenha endereço fixo é um ingresso para a polícia acabar com o show. E o show tem de continuar.
Aparentemente funciona, já que fazendo um cálculo mental consigo saber que há pelo menos quinhentas pessoas aqui.
Shikamaru faz as apresentações e vejo o loiro por nome Dave se aproximar me estendendo a mão para o início da luta.
Assopro o cabelo tapando meu rosto e não faço nenhuma ação para bater no punho do garoto. Sinto a raiva emanar em seus olhos e dou um sorriso sarcástico.
A raiva faz tudo ficar mais interessante, a raiva faz o simples soco virar arma de destruição em massa e eu deixo ele dar o primeiro soco.
Sinto a adrenalina da dor cortar minha espinha e arrepiar os pelos da minha nuca.
Olá fúria... seja bem vinda.
O pensamento de que daqui a uns instantes o rosto do loiro vai virar uma mistura de sangue e suor me faz rir.
Se ele tem raiva momentânea, eu tenho o ódio habitual.
Espero que ele conheça um bom cirurgião.
Ahh, a vida é cheia de desgraças...
(...)
A vida é cheia de oportunidades!
Vejo isso a cada sorriso que ganho, a cada obrigada que recebo e a cada passo que dou em direção ao meu objetivo.
Tudo que acontece tem um porquê e tudo nos leva a uma caminho já escrito.
Eu acredito nisso, por isso faço de cada sinal uma oportunidade.
Vivendo a vida da maneira certa.
Ino, minha melhor amiga, me surpreendeu com uma mensagem contendo um convite para uma luta de boxe clandestino e pedindo para ser repassado para mais 10 pessoas. Bom, não tinha o que fazer naquele dia, apesar de achar algo brutal, seria uma experiência a mais para acrescentar em minha vida.
Logo que chegamos no local fomos recepcionadas por gritos e cheiro de suor. Um deposito abandonado era o palco daquele “circo“.
Ino se divertia muito ali, mas eu sabia que eu não iria.
A primeira vez que olhei para o ringue improvisado, já me deparei com um soco monumental dado em um adversário.
Meu rosto se contorceu de dor só de imaginar.
Mas ao contrario de mim, o atingido não fez uma careta...
Ele sorriu.
Um sorriso de sangue cheio de sarcasmo.
Fiquei parada ali hipnotizada pela cena. Nem me incomodei com os encontrões que levei. Aquilo, na minha visão, era muito mais que uma simples luta, era como uma dança. Um deles rege e o outro se adapta para não cair.
Cada expressão dizia quem iria se dar bem e cada soco era uma explosão muito mais significativa, era mais que músculos.
O rapaz do sorriso de sangue devolveu o soco e começou a mestrar a dança. O oponente não ia vencer, e eu soube disso quando um sorriso de canto apareceu e o punho explodiu.
Os gritos ao meu redor aumentaram na mesma hora em que o corpo do oponente caiu inerte no chão, e mesmo sem conhecê–lo me senti mal por ele.
Mas a vida é assim, um dia a gente cai, no outro se levanta.
Ou pelo menos tenta.
Para aqueles que não conseguem se levantar....
Corro em direção ao ringue empurrando todos ate chegar ao ferido. Ele está desacordado.
Um cara grandalhão me olha feio quando o empurro para o lado e começo a fazer um exame breve. Ele pode ter tido uma contusão grave, quebrado uma vértebra com o impacto, ficar com sequelas pelos socos.
Examino as pupilas dilatadas, ele precisa ir ao hospital....
As risadas me assustam e vejo que estão todos olhando para mim. Olho para frente constrangida e me deparo com o vencedor e seu olhar superior.
(…)
Em oito meses no circulo, ou desde do começo de árduos treinamentos eu nunca me surpreendi.
O final é sempre o mesmo... O oponente no chão e eu de pé vitorioso.
Achei que só iria mudar esse panorama quando a dama chamada sorte me deixasse.
Mas cá estou eu de pé, sortudo e vitorioso. Aclamado pela multidão de pessoas com o choque da situação inusitada bem escondido sobre o sorriso sarcástico.
Abaixada prestando "Socorro" ao raivoso Dave estava uma garota de cabelo rosa. As risadas de escárnio subiram como poeira.
– Sai daí garota... — gritei silenciado as risadas. — O sangue vai sujar sua blusa.
Ele precisa de cuidados médicos e liguem para a emergência, foi o que ela disse. Não vi ninguém mover um dedo para ligar. Garota tonta...
–É óbvio que ele precisa de um médico, afinal fui eu que acabei com ele. — Respondi da forma mais arrogante que pude.
Uma outra onda de risadas encheu o ambiente e o esperado era que a garota se tocasse, ficasse com vergonha e saísse de perto do corpo desacordado de Dave.
Mais uma vez ela me surpreendeu. Em vez de vergonha. Havia desprezo e nojo.
Nojo?
Isso sim é novidade.
(…)
A voz grossa dele faz o pessoal se calar, mas ao invés de fazer algo de útil, ele debocha da minha cara.
Ignoro olhando para o homem a minha frente, um idiota chega com álcool pra acordar ele.
– Liguem pra Emergência! Ele precisa de cuidados médicos!
Somente eu penso nas consequências desses ferimentos?
Mas meu sangue ferveu quando o idiota debochou dizendo com orgulho que foi ele quem fez aquilo.
Como podem rir quando uma vida pode estar em perigo? Como podem se divertir as custas das dores de alguém?
Olhei o rapaz a minha frente demonstrando toda a minha repulsa, meu asco por gente como ele.
Gente que não entende o valor de uma vida.
~ * ~
{segunda-feira}
Eu acho engraçado as ironias da vida. Como tudo parece mais feliz depois de ter visto o lado mais sombrio do mundo, como andar a pé fica chato depois que se aprende a voar, como os mínimos detalhes de tudo são os mais maravilhosos pontos a serem estudados.
Posso olhar milhares de rostos neste refeitório e contar nos dedos quantas pessoas entendem o que estou falando.
Hinata, pode ser que tenha um pouco desta visão, mas mais por ter uma vida cheia de “nãos“, por isso se apega ao detalhes.
Ela é muito tímida e solitária. Não consigo dizer não a ela, nem quando estou cheia de coisas para estudar. Como hoje.
– Sakura — ela me chama com sua voz delicada me tirando de meus pensamentos — estava pensando em fazer um cursinho na área artística, sabe? Algo que me ajude em arquitetura, o que você acha?
Hinata é uma das pessoas mais queridas que conheço e a mais insegura também, as vezes tenho a sensação de que todas as suas ações foram ditadas por outras pessoas, nunca teve uma escolha própria, seria medo de errar?
– Hina, se é o que você quer, vá em frente. — Digo mexendo meu suco enquanto memorizo os nomes dos ossos do corpo para a prova de amanhã.
– Mas, Sá e se não der certo? Se eu gastar dinheiro a toa?
Se tem algo que me deixa irritada com alguém é o uso da palavra “se“.
A vida é tao curta e tão imprevisível para ficar nos preocupando com isso.
– Hinata, ja te falei mil vezes, nunca vai saber como teria sido se não tentar... prefiro me arrepender do que fiz do que daquilo que pude fazer e desisti. Temos que aproveita as oportunidades...
– Oh. Concordo plenamente com você! A vida é curta... — Um loiro de aparência razoável entrou no seu campo de visão, sentando desleixado em sua mesa. — Essa é a frase que eu sempre digo antes de matar alguém.
Sakura arregalou os olhos com a maçã em sua mão congelada e a boca aberta em surpresa. Hinata riu minimamente fazendo a amiga encará-la estupefata.
– É o que eu disse para o Sasuke... Todo o matador tem de ter uma frase de efeito. — Apontou o garoto que Sakura reconheceu na hora. O garoto do sorriso de sangue. O garoto da luta. — A propósito me chamo Naruto.
Sakura se ajeitou na cadeira desconfortável com o olhar de reconhecimento e o resquício de zombaria nos olhos dele. Não conseguia desviar os olhos de qualquer maneira. Hinata se mexeu a sua frente.
– Eu sou Hinata, essa é minha amiga Sakura. — a voz de Hinata fez Sakura desviar os olhos do moreno e direcionar um sorriso gentil ao loiro.
– Muito prazer, Naruto e... Sasuke. — os olhares se encontraram novamente e ela decidiu desviar para seu lanche.
Hinata parecia bem mais a vontade que ela naquele lugar, então decidiu ignorar tudo e continuar memorizando a matéria da prova.
O loiro sorriu e Sasuke se manteve em postura arrogante.
– Ora Sasuke, não faça as meninas terem impressão errada de você, dê um oi para as garotas.
Sakura ouviu o loiro sussurrar algo como "Você disse que ia me ajudar e você me deve uma".
Sasuke bufou.
–Oi.
Sakura achou, internamente, aquilo engraçado, mas isso ela não admitiria.
Só de olhar para o jeito relaxado dele de fazer e observar já a deixava convicta de que se tratava do pior tipo de gente que ela conhecia. Os olhares ignorados que as garotas lançavam a ele e a mostra que teve de seu sorriso de sangue a fez concluir que se tratava do tipo egocêntrico, o pior de todos.
Os olhos do loiro se voltaram para ela mais uma vez e perdida em devaneios foi salva por Hinata.
– Ramem é realmente uma delícia Naruto, concordo com você e a Sakura também gosta.
Oh, então era isso. Ele havia perguntado sobre comida.
– Engraçado. — cortou a voz de Sasuke. — Estava tão falante na luta. Agora teve de ter ajuda para uma simples resposta... O gato comeu sua língua?
Sakura se surpreendeu com a voz grossa e ergueu a cabeça em sua direção, estava encabulada por estar se esquivando da conversa com aqueles dois, mas fez de tudo para não transparecer. Viu Hinata lhe lançando um olhar de ajuda, não entendeu o porquê, mas respirou fundo tentando formular uma resposta educada para aquele sorriso sarcástico.
– Tenho prova amanhã, preciso memorizar a matéria. — respondeu evasiva voltando sua atenção para a comida.
Preferiu ignorar a parte da luta para não prejudicar Hinata no que quer que fosse e abrisse a boca para dizer umas verdades para o idiota a sua frente.
– Cara. Provas são um pé no saco. — Respondeu Naruto sensibilizado. — Sabe o que eu mais gosto na escola...
–Fugindo de novo? — Sasuke interrompeu a narrativa de Naruto. -Está decidido, você é chata... Foge de uma luta, não se defende. Definitivamente entediante.
Sakura tentou se segurar, mas as palavras ja iam deslizando por sua boca antes de se repreender.
– Fugindo? Não estou fugindo, só não tenho vontade e nem interesse de tentar ser gentil com um panaca narcisista que vê divertimento em violência. Pode me achar chata, não me importo. Mas prefiro ser assim à um maldito egocêntrico que se acha o maioral por pensar que derrubando um homem pode ser algo importante. Você é ridículo.
A voz ácida seguida do olhar gélido de Sakura surpreendeu até mesmo Hinata. O silêncio na mesa foi quase palpável, mas o choque geral não tirou o sorrisinho de Sasuke.
– Engraçado... — Começou a falar mascando um chiclete preguiçosamente. — Um discurso cheio de palavras bonitas, pra mostrar o que está estampado nessa testa grande, escrito em vermelho sangue... Perdedora.
Sakura apertou os lábios para não responder. Contou até 10 respirando fundo em cada numero.
“ Não responda, é isso o que ele quer... Não responda....“
– Hina, vou... — já ia se levantando quando sentiu a mão de Hinata em seu braço.
– Me espere comer Sá, por favor.
Aquele pedido tinha algo mais e os olhos da amiga brilhavam tanto que Sakura não conseguiu sair.
Se sentou pesadamente e voltou a comer sua maçã sem olhar para ninguém na mesa.
“ Glabela, sutura coronal, osso parietal, vomer... er... droga!“
– Não fale assim com a Sakura, por favor.
Sakura riu internamente da forma doce que Hinata fez o pedido, mas agradeceu de qualquer forma por ter o apoio dela. Isso tornou o lugar menos irritante.
Sasuke se levantou de forma ágil, fazendo um ruído do som de cadeira contra o piso.
– Eu chamo sua "amiga" de perdedora e o máximo que você faz é continuar comendo? — Riu em escárnio. — Além de perdedora tem péssimas amigas. Vou indo nessa Naruto, te vejo mais tarde.
Hinata fitou o moreno chocada demais para dizer algo. Sakura ficou surpresa e também o viu se distanciado ignorado todos a sua volta enquanto estalava o pescoço desaparecendo pelo corredor.
Sakura se sentiu mal por Hinata, ela conhecia a amiga, sabia que ela não comprava brigas, era recatada demais e por isso não se importou, conseguia lidar com os próprios problemas.
Olhou para a amiga e a viu sem reação. Viu o loiro vermelho parecendo muito constrangido.
– Seu “amigo“ é um verdadeiro idiota. — Sakura tentou ser mais suave, mas a acidez estava ainda em sua língua. — Vamos Hina?
Começaram a se afastar e ouviram os passos apressados de Naruto as seguindo.
– Peço desculpas Pelo comportamento do Sasuke. — Começou ofegante. — Ele é meio grosso a princípio, mas é só a capa, por dentro ele é um cara incrível.
Sakura parou sentindo o braço de Hinata, grudado ao seu, parar também.
Olhou o loiro que exibia um sorriso tímido de desculpa e descobriu que, talvez, ali estava uma das melhores pessoas na visão dela, uma pessoa empática e preocupada.
Um sorriso genuinamente gentil apareceu no rosto de Sakura, não deveria descontar sua frustração em alguém que não tinha nada a ver com a personalidade difícil de outra pessoa.
– Tudo bem Naruto. Foi um prazer conhecer você.
O sorriso do loiro se alargou de felicidade e alivio. Sakura gostou disso e sorriu também.
– Fo-foi realmente um prazer. — Hinata gaguejou e Sakura compreendeu tudo ao ver o rosto corada da amiga.
(...)
Entrei na aula de ciências do esporte sabendo que em alguns segundos Naruto sentaria ao meu lado.
Ele e Itachi são os únicos que eu posso chamar de amigos. Eu prometi ao Naruto que o ajudaria a pegar a garota dos cabelos rosa. Eu disse que seria, digamos, cordial com ela. E dado ao acontecido tenho sorte de estar dentro de uma sala de aula, ou teria de ouvir os costumeiros berros dele.
–Merda! Sasuke você prometeu! — Naruto se jogou na cadeira ao lado cochichando.
– Estamos em um auditório babaca, a professora está uma distância razoável, não precisa falar igualzinho a uma garota fazendo confidências à melhor amiga.
Naruto me lançou outra série de xingamentos, os quais foram devidamente ignorados.
– Ao menos com você do meu lado, um exemplo de cara mal educado ela soube me valorizar... Essa ta no papo. — Naruto relaxou na cadeira e esboçou um sorriso. — Hei... eu tô até agora tentando entender o teu ataque de TPM.
Era bem simples de se entender. A garota do Naruto era um exemplo de altruísmo.
E pessoas altruísta me irritam.
Por quê?
Porque altruísmo em tese é algo maravilhoso. Mas na realidade de um mundo onde o mais forte vence e o fraco é "gentilmente" descartado, botar o interesse alheio na frente dos seus é uma tremenda babaquice.
Pessoas assim me irritam e somente isso. Mas que seja... ela é problema do Naruto, não meu.
~ * ~
Sasuke saiu da aula sentindo-se exausto. A aula e a tagarelice de Naruto o fizeram criar uma dor de cabeça incômoda, mas ela foi esquecida ao ver o gol 95 preto de Itachi parado perto do ponto de ônibus.
Itachi abriu um sorrisão esperando seu irmão. A pergunta estava estampada no rosto de Sasuke e as vantagens de serem irmãos é que não precisavam de tantas palavras pra se entenderem.
– Sasuke! Consegui fazer todas as entregas antes do tempo e vou conseguir almoçar com vocês!
O entusiasmo de Itachi seria empolgante para qualquer um, menos para Sasuke. Entrou no carro sentindo o cheiro de gasolina em todo o carro.
– Pra que toda essa animação Itachi? É só um almoço.
Itachi soltou uma risada entusiasmada prendendo o cinto com pressa por cima da camisa azul desbotada da companhia que fazia entregas durante o dia.
– Cara, faz quase duas semanas que não almoçamos juntos! Pra você pode parecer besteira agora, mas quando estiver no mercado de trabalho vai me entender! — todas as palavras foram ditas num sorriso brilhante.
– Sai dessa! — Resmungou o mais novo ouvindo os conselhos de Itachi sobre o futuro. — Ainda não consigo entender o porquê de tanta alegria. Tem certeza de que somos irmãos? Em seu lugar eu faria de tudo para fugir desse almoço.
Itachi soltou uma sonora gargalhada.
– Esse teu humor ácido me diverte, Sasuke! Tenho que aproveitar esse momentos, quando eu receber minha promoção pode ser que tenha menos tempo ainda. Acredita que hoje eu fui entregar uns documentos num escritório de contabilidade e tive que esperar o cara quase 1 hora! Se fosse outro teria ido embora, mas fui firme. Recebi ótimos elogios do cara pela paciência. — Itachi comenta batucando uma musica que sai chiada pelo rádio.
Sasuke tinha de admitir, Itachi era o tipo de pessoa mais otimista da face da terra. Mantinha dois empregos que não pagavam nada bem e ainda mantinha um sorriso no rosto.
–Hmm. — Resmungou sem saber sobre o que falar.
O silêncio perturbador continuou e vez ou outra Itachi tentava puxar assunto.
– Então, o cara do xerox conseguiu passar no concurso público, sortudo né? Vai abrir vaga, quer que eu te indique? — perguntou com uma ponta de esperança olhando o irmão de esguelha.
– Er... Talvez, pode ser. — Comentou para não magoar.
Era certo que não iria trabalhar como um simples entregador quando conseguia três vezes o salário sofrido de Itachi em uma noite de luta. Sem chance, isso não era vida para ele.
Conversas aleatórias sobre assunto nenhum eram jogadas para tentarem um dialogo decente. Sasuke respirou aliviado ao parar do lado de fora do pequeno sobrado no subúrbio. Não que não gostasse da companhia de seu irmão, mas as vezes se pareciam com dois estranhos e o silêncio, que era sempre bem vindo, se tornava constrangedor.
– Que fome! — Itachi diz pulando os degraus e abrindo a porta aspirando fundo o cheiro de comida de mãe feita na hora.
– Meus meninos vieram juntos! — Mikoto apareceu dando um sorriso acolhedor enquanto secava as mãos num guardanapo. — Ainda bem que hoje eu caprichei! Vão lavar as mãos, o pai de vocês já está na mesa.
O sorriso de Mikoto foi compartilhado por Itachi, que deu um beijo no topo da cabeça da mãe.
Sasuke deu um meio sorriso bagunçando os próprios cabelos.
Pratos e talheres já estavam postos e Sasuke riu baixo ao ver todos fecharem os olhos em oração de agradecimento pela comida. Pegou pedaço de pão e esnobou na sopa de tomate. Comia relaxado ouvindo o som da televisão da sala. Ouviu o som da voz de sua mãe, mas preferia mil vezes continuar ouvindo a televisão.
– Hoje é dia de treinamento não é, Sasuke? — Mikoto perguntou docemente recebendo somente um olhar do filho.
Fugaku se mantinha calado e Itachi comia fervorosamente.
– É... – Assentiu concentrando-se no ato de comer.
Mikoto respirou fundo umedecendo os lábios e colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Itachi parou o garfo no meio do caminho reconhecendo os sinais de nervosismo da mãe.
– Bom. E as provas começam quando, querido? — a voz já estava audivelmente forçada.
Itachi deu um olhar de aviso ao irmão, mas isso não o impediu de dar uma bufada e soltar o garfo com força no prato fazendo o barulho estridente romper os limites de Mikoto.
– Sasuke Uchiha! Faço de tudo para que possamos viver em paz e você não consegue...
– Mikoto, deixe o garoto em paz. — a voz baixa e grave de Fugaku foi o suficiente para que a mulher voltasse um sorriso ao marido e os ânimos se acalmassem.
– Você já sabe todas as respostas das perguntas que fez. — Comentou de boca cheia. — Então me poupe ta bom...
O lábio inferior de sua mãe tremeu e Itachi o olhou decepcionado.
– Me desculpem por estragar o almoço, vou para o meu quarto.
Itachi engoliu com dificuldade vendo os olhos da mãe marejarem. Fugaku continuou impassível.
– Não força ele, mãe. — Itachi sussurrou segurando a mão da mãe por cima da mesa. — Você sabe como ele é.
Mikoto se recompôs da melhor forma e assentiu com um sorriso triste.
Em silêncio, os três voltaram a comer.
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