Sem Escape
3 Capítulo 3
Notas iniciais
{domingo}
Sakura abriu os olhos estranhando aquela escuridão. Levantou-se e tentou andar até o interruptor.
Seus pés grudavam em algo viscoso, mas ela não conseguia enxergar o que era.
Andava e não conseguia chegar até a parede.
Até que a ouviu.
– Me ajuda...
Tentou gritar, mas nenhum som saia de sua garganta. Se desesperou. Tentou correr, mas cordas começaram a enrolar em suas pernas e ela caiu.
Lágrimas de angústia e desespero saiam de seus olhos enquanto se debatia e as cordas a apertavam cada vez mais.
Tentava gritar, mas a voz dela não parava.
– Me ajude, Sakura... Preciso de você...
Sakura se debatia e sentia o chão gélido sob si. Chorava desesperada não conseguindo mais pedir ajuda.
– Preciso falar uma coisa pra você, Sá. Por favor, me escuta...
Mais lágrimas, agora de dor. Uma dor tão profunda que a dilacerava por dentro.
– Sakura, me ajude...
Sakura acordou segurando o grito na garganta. Passou as mãos no cabelo sentindo o suor em seu rosto e as lágrimas caindo pelas bochechas.
Deveria ter se acostumado com aquele pesadelo, havia anos que o tinha, mas sempre a pegava desse jeito.
Olhou para a janela e deu um sorriso triste, sabia o que teria de fazer hoje.
(...)
Sasori havia sido liberado. Sua vó pagou a fiança depois de lhe dar um sermão sobre responsabilidades.
Sermão esse que Sasuke adorou presenciar, já que o ruivo estava mais do que sem graça na presença da responsável.
Agora já haviam passado duas horas desde a saída de Sasori e nada de Itachi.
– Você é meu padrinho Kakashi, você pode pagar a fiança e assinar a minha liberação... — Comentou vendo o padrinho e técnico passar próximo as grades.
Kakashi soltou o livro de contos pornográficos que lia e deu atenção ao garoto.
– Realmente... até posso, mas não vou. É engraçado demais te ver irritadinho aí na cela.
Voltou a atenção para o livro colocando os pés na mesa em postura relaxada. Sasuke tentou a última cartada.
– Esse tempo todo dormindo nessa cama dura vai enrijecer meus músculos, vou estar péssimo para treinar e não vou render nada.
Kakashi assoprou um dos fios grisalhos que lhe caiam sobre os olhos e riu da tentativa falha de Sasuke em busca de sua liberdade.
– Teu técnico é exigente e vai fazer você dar cada gota de suor que você possui no ginásio da polícia. — Levantou em postura relaxada e se aproximou das grades. — Falemos sério agora Sasuke. Por mais bonita que seja a forma com que você defende sua família, isso tem sido seu calcanhar de Aquiles. É só alguém soltar uma piada sobre o seu pai e você se descontrola... Autocontrole é a chave do sucesso.
Sasuke fechou os olhos enquanto sentia o colchão desconfortável da cela.
– Eu sei... — soltou um tom cansado.
– Não adianta dizer que sabe, se não faz nada para mudar essa situação. — Repreendeu.
– E o que você quer que eu faça? — Questionou levantando em um rompante de frustração. — Deixar que chamem meu pai de fracassado?
– Deixar de se importar com a opinião alheia, já seria um ótimo passo.
Sasuke — suspirou.
–Não dá, eu tento... mas não dá. — confessou sincero, não aguentava mais toda àquela situação.
Kakashi entendia bem a revolta dentro do afilhado. Era o mesmo espírito justiceiro que outrora habitou em Fugaku Uchiha, seu amigo e antigo companheiro no trabalho.
– Seu problema Sasuke, é que você se importa pelos motivos errados. Você se importa se falam mal de seu pai, se importa se lhe faltam medicamentos... Mas não mostra a ele que o ama. — Explicou calmo, como um adulto fala com um bebê. — Aos outros é nítido que ama sua família, pena que o foco do seu amor não consiga ver isso. E diante disso este amor me parece um tanto quanto superficial.
Sasuke arqueou uma sobrancelha.
– Isso foi um modo classudo de me dizer que sou superficial? — disse com desdém.
Kakashi tocou a testa na grade e fez que não com a cabeça.
– Você é intenso demais pra ser superficial garoto! Só estou dizendo o que você aparenta aos outros. — Kakashi foi sincero.
– Eu não ligo pro que os outros pensam.
– Devia ligar pro que seu irmão, sua mãe e principalmente seu pai pensam...
– Pra que me preocupar? Família é isso, perdoar e esquecer. E em se tratando do meu pai, esquecer é mais fácil ainda. — terminou num quase sussurro.
(…)
Itachi tirou o capacete com força da cabeça. Sua olheiras era bem visíveis e a decepção em seu rosto acentuava o cansaço.
Adentrou a delegacia olhando tudo a volta a procura de seu irmão. O encontrou sentado de cabeça baixa e batendo os pés inquietamente dentro de uma cela.
Itachi respirou fundo antes de andar em sua direção.
– Você demorou. — Reclamou Sasuke.
Itachi mudou o peso de uma perna para outro e soltou o ar com força. Viu Kakashi olhando-os de uma mesa e foi lá assinar como responsável.
– Valeu, Kakashi. O que ele fez? — perguntou assinando seu nome e tentando manter a voz calma.
– Merda... como sempre. — Reclamou dando um soco no ombro do afilhado.
Sasuke viu os documentos serem assinados por Itachi e pode enfim sair da cela.
– Não vai me dar lição de moral? — Questionou interessado na opinião do irmão.
– Se adiantasse você não estava aqui. — Itachi disse cansado vendo as grades serem abertas. — Até mais Kakashi.
O rapaz cumprimentou o delegado cansado e saiu da delegacia sem esperar Sasuke.
– Sério mesmo que a gente vai embora nessa moto velha? — Reclamou.
Itachi parou o movimento de colocar o capacete por um momento. Seus ombros tencionaram, mas ele os relaxou montando na moto e dando partida.
– Sobe logo que ainda tenho que passar na farmacia.
Sasuke subiu a contragosto. Odiava ficar espremido na garupa da moto. Mas não tendo alternativas, optou por montar sem perder a carranca.
– Vamos acabar logo com isso.
Itachi dirigiu tentando se concentrar no trânsito, mas sua cabeça quase explodia.
Sasuke havia ido longe demais, somente aumentado os problemas que ele já tinha que pensar.
Quase caíram quando uma carro os cortou na avenida e escutou Sasuke xingando atrás de si.
Respirou fundo mais uma vez e voltou a dirigir com cuidado até chegarem na farmácia.
– Odeio esses motoristas de final de semana. — comentou o mais novo pegando uma barra de cereal e comendo no meio da loja — Só fazem merda.
Itachi continuou ignorando tirando a receita do bolso interno do casaco e indo até a atendente simpática de cabelos azuis.
– Bom dia, Konan. — cumprimenta gentil fazendo a garota se assustar e se voltar corada para ele com um sorriso no rosto.
– Oi Itachi... quer ajuda? — Questionou colocando uma mecha de cabelos atrás da orelha.
– Por favor,me vê esse remédios. — diz entregando a receita com um sorriso fraco.
Sasuke riu dos dois. Todo o mês era a mesma coisa. Afinal a única coisa de diferente nas receitas controladas eram a data de emissão. E mesmo todo o ritual de compras na farmácia, a balconista ficava fazendo as mesmas perguntas.
– Itachi. — Sussurou baixinho. — Tente arrumar algum desconto, os medicamentos são caros.
Itachi pareceu desconfortável e maneou a cabeça para o lado minimamente.
– Deixa quieto. Eu pago. — disse olhando.para o balcão de vidro.
– Deixa de ser bobo Itachi... — Resmungou olhando para Kabuto, o gerente da farmácia. — O Kabuto te vê todo o mês aqui... Vocês gastam quase mil reais em remédio todo o mês. Ele não vai querer perder a clientela de vocês... Quer saber deixa que eu falo.
Se aproximou do emburrado Kabuto e começou uma acalorada conversa. A garota gesticulava e por fim voltou para perto dos irmãos Uchiha com um sorriso no rosto.
– Vocês terão dez porcento em cima de cada medicamento. — disse sorridente.
Itachi não conseguiu conter o sorriso emocionado e Sasuke engoliu o bolo na garganta desviando os olhos com a expressão mais suave.
– Nossa! Muito obrigada! Eu... Eu nem sei como te agradecer, Konan. — Itachi disse num misto de alivio e gratidão.
– Me paga um almoço qualquer dia desses e estamos quites. — Piscou marota.
Itachi soltou uma meia gargalhada e Sasuke sorriu de canto mexendo em uns produtos pra cabelo distraído.
Konan fez os procedimentos já conhecidos por usuários e compradores de remédios controlados. Pegou a identidade de Itachi e preencheu os dados na receita. Após anotar o lote da medicação no verso da receita e fazer o orçamento, já com descontos inclusos a morena se despediu dos Uchiha lhes entregando a cesta repleta de medicamentos em mãos. Sasuke se distraía olhando a seção de gel e cremes para cabelo, enquanto a operadora de caixa passava suas compras com tédio.
Itachi lhe deu seu cartão de crédito para finalizar o pagamento e pediu em tom baixo que a garota parcelasse as compras.
– Senhor seu cartão deu não autorizado. — Comentou alto o suficiente para que as pessoas atrás dele na fila ouvissem.
Itachi engoliu em seco. Odiava passar vergonha e se fosse qualquer outro produto, ele sairia da loja e nunca mais voltaria ali, tamanha a vergonha.
O problema é que eram remédios e ele precisava comprá-los não importasse a vergonha.
– Tem como você passar metade nesse . — Estendeu outro cartão a moça. — E a outra parte neste que está na sua mão? — continuou em tom baixo.
A caixa fez uma careta, mas por fim fez o solicitado e como na vez posterior, a mesma frase brilhava no pinpad.
Não autorizado...
Não autorizado...
Não autorizado...
Por fim teve de fazer o que não queria e começar a escolher quais medicamentos eram prioridade e vir buscar os outros em outra ocasião. Explicou para a caixa quais levaria e se encolheu em sua jaqueta ao ouvir a garota gritar ao gerente pedindo que cancelasse as compras. E os resmungos dos clientes que aguardavam para também pagar suas compras.
– Kabuto Cancelamento! — Gritou vendo o gerente em eterna discussão com Konan. A operadora se virou para Itachi e suspirou. — Você vai ter que voltar no balcão pro farmacêutico dar baixa na receita, já que você não vai levar... Kabuto cancelamento. — insistiu outra vez percebendo que o gerente estava entretido com Konan.
Sasuke aproximou do irmão ouvindo o grito da caixa.
– Que demora Itachi, aconteceu alguma coisa? — perguntou já impaciente, mas um pouco preocupado.
Itachi estava vermelho e suas mãos tremiam de vergonha. Tentou passar por Sasuke sem olhar, mas o irmão o parou.
– Não vai dar pra levar tudo dessa vez... — a voz saiu falha.
Sasuke compreendeu a vergonha na face do irmão e o segurou pelo pulso, impedindo sua volta para o balcão.
Do bolso da jaqueta tirou um bolo de notas de cem. Pagamento dado a ele por Shikamaru, e jogou o bolo generoso de notas para a garota.
– Não precisa cancelar... pode pagar com esse dinheiro. — usou seu tom gélido.
Itachi arregalou os olhos e lançou um olhar interrogativo enquanto a garota empacotava os medicamentos e Sasuke assistia com cara de paisagem.
– Onde você conseguiu isso? — Itachi sussurrou ignorando o sorriso da caixa ao entregar o troco á Sasuke.
Sasuke pegou as sacolas entediado. Itachi tinha o péssimo hábito de irmão mais velho e não aceitava o dinheiro de Sasuke. Por isso entrou em pacto com o irmão de irem a farmácia juntos. Era nessas horas, onde os cartões de Itachi eram recusados, que ele podia ajudar.
–Relaxa Itachi, eu paguei. O que há de demais nisso?!
Itachi segurou Sasuke pela manga da jaqueta assim que saíram da farmácia.
– Responde! De onde você tirou esse dinheiro?
– Não te interessa! — Resmungou cansado.
Itachi respirou fundo passando as mãos pelo cabelo.
– Sasuke, você está mexendo com drogas? — pergunta controlado olhando quase implorativo para o irmão mais novo.
O mais novo gargalhou a ponto de lágrimas se formarem em seus olhos.
–Não! É claro que...
– VAI SE FERRAR KABUTO! — Konan interrompeu a conversa, saindo porta a fora da farmácia.
Itachi e Sasuke se surpreenderam com a mulher que saiu feito um furacão com o rosto vermelho e o maxilar apertado de raiva.
– Quantas vezes eu já te falei Konan... — Comentou Kabuto limpando os óculos na blusa. — Desconto é perca de venda para a loja e só deve ser usado para não perder o cliente. Você e essa sua mania de agradar os clientes.
– Você e essa mania de querer sempre ganhar vantagem — a garota disse espumando sem perceber a presença dos irmãos que a encaravam surpresos — Não dói ajudar, Kabuto! E neste caso vale muito a pena!
– Dói no meu bolso.
Konan jogou os braços para o alto exasperada e só agora percebeu a presença dos dois irmãos. Um que olhava furioso para Kabuto e outro que engolia em seco segurando o capacete com força na mão.
Konan soltou um suspiro cansado e olhou para Itachi sentindo seu coração se apertar.
– Tem pessoas que valem a pena. — murmurou se voltando para seu gerente.
– O que vale a pena é a advertência que eu vou te dar por esse escândalo na frente da loja! — ameaçou fervendo de raiva com um dedo apontado para ela.
Konan se controlou para não proferir os xingamento que vieram a sua cabeça até que viu Itachi abrir a boca. Sabia que ele tentaria defendê-la.
– Faz o que quiser Kabuto, mas você sabe que sou a melhor desse lugar, não seria estúpido de me querer na rua. — lançou com um olhar de desafio.
Sasuke olhou satisfeito pra garota e Itachi espantado. Nem parecia a gentil e carismática atendente que conhecia.
– Posso não te querer na rua... Mas por hoje já bateu a minha cota de Konan. pode ir embora... estou te dando uma suspensão de dois dias.
– Como se eu estivesse muito mal por isso. — desdenhou vendo-o entrar na farmácia com passos irritados e gritando com os outros funcionários — Desculpem por isso. — se voltou para os irmãos Uchiha dando um tímido sorriso para Itachi.
– Você não deveria ter pedido desconto... Desculpa, foi culpa minha. — Itachi se sente envergonhado com tudo.
– Eu pedirei e mês que vem vai ter desconto de novo. — Gritou para que o gerente ouvisse. — O que falta no Kabuto é um bofe pra dar conta dele... Tu pensa que eu não sei, você e o fornecedor de medicamentos...?
Sasuke soltou uma breve risada procurando um cigarro nos bolsos da jaqueta e xingando Kakashi por ter apreendido.
Itachi olhava-a sem saber o que pensar da garota a sua frente.
– Er... Obrigado? — disse incerto e Konan ri se afastando da farmácia junto aos dois.
– Relaxa Itachi. — Comentou parando no ponto de ônibus mais próximo. — Pelo menos vou poder sair pra beber hoje.
Itachi respirou fundo ainda se sentindo culpado pelo o que aconteceu. Mexeu nos cabelos e olhou para trás vendo Sasuke olhar impaciente na direção dele com o capacete na mão perto da moto.
– Bom, eu passo na sua casa então. Vou entrar na lanchonete ás 21:00. Vou pagar o favor que te devo. — ele diz com um sorriso tímido.
Konan expressou sua surpresa e riu baixinho.
– Não está me devendo nada Itachi...
O rapaz coçou a nuca fazendo uma conta mental de quantos tinha em sua carteira. Fez uma careta inconscientemente e escutou um resmungo de Sasuke as suas costas.
O ônibus se aproximou e Konan aguardava com expectativa.
– Vamos fazer assim — Falou rápido quando o ônibus chegou — no próximo domingo é minha folga. Te busco aqui na farmácia e agente vai comer algo.
Sasuke gargalhou ao ouvir a garota xingar abertamente ao ver o ônibus passar direto.
– Não se sinta pressionado a fazer nada Itachi. Eu e o Kabuto brigamos por tudo, não foi nada demais. — diz rápido olhando para frente.
A garota viu o ônibus parar a uns bons metros a frente e não pensou em mais nada, correu em disparada, conseguindo pegar a condução e ir embora sem se despedir.
Sasuke que via a cena entretido deu um meio sorriso.
– Itachi não sei se é impressão minha, mas acho que essa garota é maluca...
Itachi ficou encarando o ônibus partir ainda com as palavras presas na garganta. Relaxou os ombros e riu se voltando para o irmão.
– Enfim concordamos com algo. — ele pegou o capacete e colocou na cabeça — Ela foi inconsequente. E falando em inconsequente, ainda tenho uma bela conversa com você!
– Chega dessa conversa. Ao menos por hoje, Chega. — Montou na moto se recusando a estragar o cabelo com o capacete. — Já tivemos emoção demais pra um dia só.
(...)
~~ Sakura ~~
– Oi... bom desculpa. Faz tempo que não apareço. Você deve ter pensado que eu demoraria mais dessa vez, não?Mas eu não consigo ficar longe. Sabe, tenho tantas coisas pra te contar... bom, talvez não sejam tantas assim... Eu fui numa luta livre, acredita? Hahaha É eu sei! Não tem nada a ver comigo, mas foi interessante. Me ensinou a nunca mais ir em lugares estranhos com a Ino...
Falando nela, acho que se deu bem como irmão da Temari. Aquele ruivinho, lembra? Fui numa festa ontem e a achei agarrada no garoto... Ai ai, tenho pena dele. Hahaha”
Conheci uma pessoa bacana ontem, se me lembro bem se chama Itachi. Muito interessante e bom ouvinte. Acho que ainda conversaremos mais, estou precisando de pessoas daquele jeito em minha vida, sabe? Às vezes eu me sinto meio apagada... Ai lá vou eu te encher com minha lamúrias... desculpa.”
Bom, a Tsu me elogiou novamente, acho que ela vai acabar me contratando quando eu acabar a facul e quando a situação financeira de lá melhorar. É as doações estão diminuindo... o que é uma pena...”
Mas, então. Eu tive aquele pesadelo de novo... É eu sei que já deveria ter esquecido, mas sabe como é difícil superar essas coisas.”
Eu tento, juro que tento!”
Ai droga, agora começo a chorar de novo. Desculpa.”
...
Me sinto perdida.”
Minha mãe fica me encurralando, Tsunade me pressionando, minhas amigas me alugando... eu amo todas elas, mas eu não consigo suportar tudo ao mesmo tempo! O que você sugere que eu faça? Você sempre teve as melhores soluções... ou talvez nem sempre.”
Você deve estar revirando os olhos me olhando desse jeito... eu te conheço muito bem! Mas você sabe que eu explodo quando não consigo mais aguentar guardar tudo, e só me sinto bem conversando com você.”
Abro os olhos quando sinto o vento gélido da manhã me tocar no rosto. Sorrio, talvez isto fosse um sinal. Talvez um abraço dela.
Meus levanto sentindo o corpo mais leve e os joelhos úmidos da grama.
Estendo o buquê com os lírios brancos à minha frente e deposito sobre sua lápide.
– Sinto saudades, Mizumi. – sussurro e deixo o vento levar as minhas lágrimas junto com minhas palavras.
~* ~
{segunda-feira}
~~Sasuke~~
O dia anterior havia sido agitado, então tirar o domingo pra vegetar até que era uma boa opção.
Trancar a porta do meu quarto.
Ligar o som. Evitar as chamadas insistentes do Naruto.
E socar o puching ball até extravasar os socos que não pude dar no Sasori.
Tomei um banho rápido no banheiro adjacente ao meu quarto e voltei pronto à tirar mais duas horas de sono.
Infelizmente não pude concluir meus desejos. Já que a dona Mikoto Uchiha se encontrava sentada minha cama.
– Chave reserva. — Ela disse adivinhando minha pergunta silenciosa de como ela havia entrado. — Precisamos conversar...
Precisamos conversar: A frase mais clichê usada para mascarar o fato incontestável... Dona Mikoto quer se prestar ao papel de mãe exemplar.
Sentei na cama ao lado dela e não me importei de estar usando somente uma toalha como vestimenta.
– Kakashi ligou... — Ela suspirou limpando as mãos no avental a frente do corpo. — Ele me contou sobre a prisão e disse que passará após a escola pra te levar a sua primeira seção de trabalho voluntário.
–Hmm. — Resmunguei incomodado. Odiava a mania de Kakashi contar tudo para ela.
– Por que Sasuke? — Ela suspirou com lágrimas nos olhos. — Por que você é tão difícil? Por que você não pode ser calmo e compreensível como o Itachi? Por que você me parece ser um imã para confusão? Por que você não pode ser um filho bom para mim?
Me mantive neutro. As perguntas não doíam em nada. Mas as respostas que eu daria iriam machucar a ela. Não sentia o mínimo sentimento de pena.
Eu amo a minha mãe, mas ela tem um grande problema...
Ela vive em um mundo de sonhos onde a nossa família é um modelo para comerciais de margarina.
O Itachi é o filho que consola, aquele que intermedeia discussões e acalma os ânimos.
Eu sou o que pega a dona Mikoto pela mão e a tira do mundo dos sonhos, direto à avenida da realidade.
Não é um papel bonito. E em alguns momentos eu me sinto uma espécie de vilão.
Mas é necessário!
–Mãe... Qual o valor do salário de aposentado do pai? Quanto nós gastamos em compras no mercado? Qual o valor mensal de custo em farmácia?
– Deixe de mudar de assunto Sasuke... — Ela levantou da cama nervosa. -Eu não sei... Mas isso não tem nada a ver.
– Tem tudo a ver mãe... O pai gasta em remédio duas vezes o valor da aposentadoria dele. — Comentei vendo os olhos tão iguais aos meus marejarem. — Só o custo em comida, Água, Luz, Telefone e combustível leva o salário dos dois empregos do Itachi. E não daria pra se manter sem o meu dinheiro pra ajudar...
–Seu pai não está...
– Ele está doente sim! — Gritei lançando as mãos ao ar em frustração. — Agora me responde mãe: Onde eu consigo o dinheiro pra suprir o resto das dívidas?
O lábio inferior dela tremeu e eu me senti terrível. Mas a frase continuava firme em mim. Como um mantra:
"É necessário!"
– Você trabalha... você trabalha em... — Ela abriu a boca sem conseguir terminar.
– Você não sabe mãe. — Conclui. — Porque se a mesa tem carne e você pode brincar de Mary Poppins, não interessa o quanto o Itachi se acaba de trabalhar e nem o que eu faço pra conseguir dinheiro.
Ela chorava de soluçar e eu a abracei passando os dedos pelos negros cabelos dela.
– Volte a realidade mãe... Volte a realidade.
(...)
Kakashi esperava Sasuke de óculos escuros, farda de delegado e uma pose exagerada de poder que fez Sasuke revirar os olhos ao sair da faculdade e se deparar com a viatura em frente a ela.
Alunos olhavam e Sasuke queria sumir logo dali.
– Bom dia, Sasuke. Ansioso pra começar seu trabalho voluntário? — perguntou sorrindo e entrando na viatura.
– Que eu saiba, trabalho voluntário é quando a pessoa se dispõe de livre e espontânea vontade... — Resmungou. — Não é o meu caso.
Kakashi continuou rindo e Sasuke ouviu um resmungo no banco de trás. Sasori olhava para fora com os braços cruzados e mexendo a boca raivoso.
– O que esse projeto de lutador está fazendo no seu carro? — Irritou-se.
– Pergunto a mesma coisa. — Sasori resmungou sem dirigir o olhar ao Uchiha.
Kakashi ralhou com Sasuke para colocar o cinto e saiu com um meio sorriso em direção ao destino deles.
– Percebi que vocês se amam demais, gostam de ficar grudadinhos não é? Então quem sou eu para separá-los? — Kakashi se divertia com os dois rostos incrédulos olhando para ele. — Os dois trabalharão juntos.
Uma série de reclamações se sucedeu e Kakashi massageou o próprio pescoço para desestressar.
– As mocinhas terminaram as reclamações?
O tom foi mais serio e Sasuke e Sasori preferiram ficar quietos.
Os dois rapazes soltavam xingamentos em pensamentos, até Sasuke se dar conta de onde estavam indo.
– Peraí... Esse lugar. — Comentou olhando na janela. — Nós vamos limpar playground pra velho?
– Oh cara! — Sasori gemeu por fim olhando os muros do asilo e creche para idosos.
Kakashi ignorou os dois saindo do carro.
– Andem logo moças, não tenho o dia todo.
Os dois saem do carro maldizendo ao entrarem pelos portões.
Vários idosos estavam cumprimentavam os "visitantes" mas somente Kakashi devolvia a gentileza.
Seguiram por um corredor cheio de fotografias e frases sobre a terceira idade.
Muitas enfermeiras viravam o pescoço acompanhando os três, mas nem Sasuke nem Sasori pareceram perceber. Estavam fulos da vida.
– Entrem — Kakashi disse parado em frente a uma porta aberta e dando passagem a eles. — Boa tarde Tsunade. Carne nova. — Kakashi disse assim que os dois garotos entraram e ele fechou a porta.
A quarentona parecia embebida em formol, era loira e de ótima aparência, Sasuke ousaria dizer gostosa, mas, desistiu ao ver a careta diabólica com que a loira os olhou.
– Então Kakashi... — Começou estalando o pescoço. — Em que eles me serão úteis?
– No que precisar — o delegado disse com um sorriso travesso — são fortes, jovens e estão dispostos a fazer qualquer coisa para ajudar. Não é rapazes?
Sasori olhou de esguelha para Sasuke e viu o rapaz olhando desafiante para frente. O ruivo engoliu em seco e acenou positivamente com a cabeça.
Tsunade analisou o porte dos garotos.
– O que vocês sabem fazer? Além de passar horas na academia...
Sasori olhou o grande gramado pela janela e pensou rápido. Faria de tudo pra não ter que cortar tudo aquilo, ou pior, trocar fraldas.
– Eu faço esculturas em argila. — disse quase afobado — Faço curso de artes. Posso dar aulas.
– Humm, interessante. — Concordou a diretora se voltando para Sasuke — E você garoto? Algum dom artístico.
– Não. — foi sua resposta monossilábica.
Kakashi deu um tapa na nunca de Sasuke fazendo-o resmungar segurando o xingamento.
– O Sasuke aqui, lava, passa e cozinha. Ele faz qualquer coisa sem reclamar. Um excelente garoto. — Kakashi disse olhando diretamente para o afilhado em tom de aviso.
A loira torceu o nariz para o arrogante rapaz.
– Ótimo, há muita grama pra cortar. — Sorriu ferina.
–Não.. — Gritou calculando o tamanho do Jardim.
– Como? — Kakashi cruzou os braços sério.
– Grama.. capim,ele vai cortar até ficar tudo lindo e impecável. — Explicou devagar.
Kakashi olhou feio para a loira que sustentava um sorriso mordaz depois de tirar uma com a cara dele.
Sasori tentou segurar o riso, mas Sasuke ouviu e grunhiu fechando os punhos e crispando a boca.
– Isso não é justo. — Afirmou Sasuke. — Enquanto eu corto grama no sol quente, o Sasori faz modelagem numa sala com ar condicionado?
Kakashi olhou para o ruivo que aparentava estar relaxado e se divertindo.
– Tenho que concordar. Serão quatro horas de serviços, você poderia dividir duas horas para aulas e duas para serviços braçais, não Tsunade? Os dois erraram em igual teor, então acho justo serem punidos em igualdade também.
Tsunade bufou e pediu que chamassem uma de suas coordenadoras.
– Tudo bem Sr. Uchiha.. você venceu. Trabalhará ao lado da minha afilhada, será como o serviçal dela.
Sasori não escondeu a decepção e Sasuke não sabia se ficava aliviado ou temeroso depois do sorriso estranho que Tsunade deu ao chamar a garota à sala.
– Com licença. — a voz feminina se faz presente e todos a olham. — Me chamou Tsuna...
Sakura parou a frase no meio ao ver o moreno encarando-a incrédulo.
Esperava qualquer pessoa que fosse e do jeito que fosse. Não era preconceituoso aceitaria qualquer um mesmo...
Menos obviamente a pessoa a sua frente.
– Essa é minha afilhada que irá te ajudar. — Apresentou Tsunade. — Esses são Sasori e este o Sasuke, quem irá irá te ajudar. Garotos esta é...
Sasuke soltou o ar pelo nariz e interrompeu com desdém.
– Sakura.
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