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Caminhamos todos juntos até o final da rua, entramos em um beco qualquer e sentamos encima de sacos de lixo. Ryan gemia baixinho, deixando escapar uma lágrima, Daniel tirou a camisa, enrolou ela e prendeu ao ferimento, com certeza tinha feito aquilo para chamar a atenção das meninas. O mais estranho era que ele não demonstrava ou protestava dor. Ben comentou:
– Acho que agora vocês entendem o que passei ontem junto com os outros. Foram pessoas assim como aquele cara que nos atacou. Meu Deus... Devemos fazer alguma coisa.
– Ele está certo. – murmurou Jessie. – Teremos que ir ao supermercado e no hospital. Poderemos no separar em dois grupos, o primeiro ficará encarregado de pegar a quantidade possível e ilimitada de comida que conseguir, e o segundo grupo levará Ryan para cuidar dessa mordida horrorosa, tentem procurar algum remédio ou medicamento útil para sarar isso logo, está sangrando demais.
Ela estava correta, concordei subitamente, Suzan reclamou da proposta concedia, mas se rendeu as opiniões finais. Em poucos minutos nos preparamos, os grupos ficaram organizados da seguinte maneira.
Hospital: Eu, Ryan e Suzan.
Supermercado: Jessie, Ben, Beatrice e Daniel.
Dobramos a esquina e seguimos reto sucessivamente, os prédios das ruas eram altos, o muro ao nosso lado era enorme, algo naquele aço transmitia uma energia ruim para mim, como se alguém nos vigiasse o dia inteiro. Ouvimos um grito de uma criança, o som se propagou instantaneamente pela cidade, levando ódio e rancor por onde passava, ficamos encostados na parede por um momento esperando alguma coisa aparecer ou acontecer.
Minha mente estava confusa, tanto quanto pensar sobre minha antiga vida, família ou amigos. Retomamos a coragem e continuamos a caminhar, nos aproximamos do centro e logo ao lado havia uma torre, não tão alta quanto o muro, talvez para o ocupante não souber ou finalmente compreender o que há do outro lado, um farol estava incluso na torre e eu já tinha percebido sua existência algum tempo antes.
A rua era larga e comprida, mas antes que eu percebesse ou focasse em mais detalhes , Ryan se jogou no chão, seu rosto era pura dor, a mordida em seu braço começou a ficar verde e cascas de podridão a sair pra fora.
– Calma, não grite! Tenta relaxar – disse Suzan – estamos quase lá cara.
De algum modo, aquela garota tinha o dom de fazer as pessoas se calarem, Ryan botou a mão na boca e trancou a respiração, como se aquele ato o fizesse parar de berrar. De repente uma mulher saiu do esgoto, tirando a tampa do meio da rua e erguendo suas mãos sujas em nossa direção. Arregalei meus olhos, meus músculos travaram, minhas pernas não se moviam, era como se meu corpo quisesse morrer por vontade própria, quando me dei conta, Suzan e Ryan já estavam correndo pro outro lado da rua, entrando na torre desesperadamente.