Greta odiava levantar cedo. Na verdade odiava muitas coisas, mas não mortalmente. Segundo ela, só odiava o tanto odiável que tinha para ser odiado. Ninguém nunca entendeu isso ao certo, então se deram por satisfeitos quanto á isso.

Tinha cabelos bem compridos de um castanho escuro igual á muitos outros, contudo, com as pontas e mecha azul-brilhante em sua franja de lado. Um rosto pequeno porém que transmitia muita energia, juntamente com olhos castanhos quase pretos — que estavam sempre para baixo, apesar de serem lindos quando estão para cima — e boca de tamanho médio não muito carnuda, finalizados com duas bochechas macias e rosadas que deixava todo o resto mais delicado, mas não á ponto de "se quebrar".

Seus olhos abriam lentamente, e quando seu corpo percebeu isso começou a se manifestar. Primeiro pressionou os lábios levemente, depois uma pequena piscadela em conjunto dos olhos e finalmente virou a cabeça para pegar o celular que se encontrava em seu mini-criado-mudo. 5:30. Largou-o nos lençóis e ficou observando as estrelas brilhantes de vários tamanhos, erguidas á cima de sua cama dançarem devagar com o vento e a luz que entrava pela janela, algo que a fez lembrar a sorte que teve de ter Jane para medir o ângulo exato parar pendurar de modo que não encostasse nela quando levantasse de manhã.

Arrumou coragem e se levantou para ir ao banheiro lavar o rosto e escovar os dentes e, depois de feito, foi até a porta do final do minúsculo corredor e encheu Jane de empurrões e "Acordes" leves e esta mexeu o dedo indicador direito, porém ainda adormecida, sinal de que acordaria dali uns minutos.

Arrumou seus materiais entrou para o banho e, como já dito, Jane já começava a ter as mesmas reações-mornianas em sua cama grande e macia. Abriu os olhos e só conseguiu ver seu pisca-pisca velho de sua adolescência com bolinhas e flores atravessados nas mini-lâmpadas. Pegou o celular, 5:36. Esta também não gostava de acordar cedo, mas sempre se sentia bem ao acordar "de madrugada". Olhar pela janela e sentir aquele vento suave e gelado em seu rosto e cabelo, ambos amassados. Ouviu um som afetuoso e agudo. Era um pequeno Juruviara que aparecia todos os dias na varanda da dona Maria, ao qual Jane dera o nome de Min.

Ela era assim. Se apegava rápido ás coisas, e sempre as tratava com carinho. Algo que já rendeu muitas decepções em sua vida por não lhe retribuirem do mesmo jeito. Possuía um cabelo muito bagunçado e cacheado, loiro-dourado com a mesma peculiaridade que o da amiga, só que rosa. Não um loiro muito loiro, algumas pessoas até lhe diziam que era castanho-claro, mas depois acabavam concordando que era mesmo um dourado-rosa-avermelhado por causa de suas mechas. Olhos, de como sua mãe costuma chamar; de peixe-morto, sempre pergutavam se estava com sono e mandavam abri-lo mais para tirar fotos -algo que não dava muito certo — uma boca carnuda com dentes muito brancos e retos. Podia-se dizer que dispunha de um rosto com traços marcantes.

Levantou-se, depois de muito relutar e foi para a cozinha fazer o café da manhã, já que não era possível que Greta o fizesse, pois não teria nenhuma noção de cozinha. Só de entrar lá, Jane gelava lembrando de que a qualquer momento poderia haver um prato quebrado, um liquidificador emperrado ou comidas esparramadas pela mesa.

Depois do banho, as duas se sentaram para comer o misto-quente-de-todas-as-manhãs com o suco de laranja.

– Você terminou aquele desenho? — Greta começava a conversa entre mordidas e goles caprichados, agora com um roupão e os cabelos úmidos.

– Que desenho? — Ao ouvir essa frase, Greta paralisou na hora.

– Como "que desenho"? — estava desesperada — Aquele do professor Freitas que vale 1/3 da nota!!

– Ah, sim! Terminei, só faltava o brilho do batom e da pálpebra, não é? — ela assentiu com a cabeça — Ah, então já terminei, sim.

– Ótimo.

Ao final do café da manhã, Jane foi tomar banho e Greta foi dar ração ás gatinhas de estimação delas; Neve (a branca) e Noite (a preta). Vieram correndo e miando para seus potinhos na sacada do apartamento. Greta não resistiu e pegou as duas no colo e as amimou afundando a cabeça nos pelos macios, algo que foi retribuído com muito ronrono e lambidas.

Depois de tudo pronto, desceram as escadas e foram até o ponto de ônibus que sempre iam. Sempre ficavam 4 pessoas ali: Um velho mendigo com uma grande barba branca, um garoto de provavelmente 13 ou 14 anos de idade fumando baseado, uma senhorinha que vendia doces (As garotas sempre compravam uns chicletes) e um rapaz que parecia sempre bem pensativo, sempre segurando uma florzinha amarela que tinha no canteiro próximo. Parecia que ele arrancava uma todo dia, isso as deixava enfurecidas.

O ônibus chegou e elas foram para a Universidade Forheld. Que parecia diferente hoje, por alguma razão desconhecida, mas ao passar pelos corredores as coisas começaram a ficar tensas. Todo mundo olhava feio para as duas, viravam a cara... Estavam quase entrando na sala quando uma mulher um tanto quanto velha de cabelos curtos e óculos de secretária as cortaram.

– Senhoritas, venham comigo por favor. — Ela falara muito sério, o que assustou as amigas e, apreensivas, a seguiram para uma sala redonda e cinza.

– Vocês estão sendo acusadas. Verificamos e realmente, são suspeitas fortes.

– Acusadas de quê? — Jane perguntara ansiosamente.

– Roubo.

Notas finais
O.k., sei que pode ou não estar uma porcaria, calma. É a primeira vez (que posto não que faço), então sentem e relaxem. Eu vou melhorar.