Seis palavras, seis atitudes.
2 A Bolsa Laranja
As garotas chegaram em casa excessivamente cansadas, principalmente depois de receberem aquela notícia.
– Como assim, "cara"? — Jane mal abrira a porta de casa e já estava reclamando,e Greta não ficava atrás — Não roubamos NADA!
– Eu sei, mas como sempre "Ana" conseguiu o que queria. — Disse, fazendo um rabo de cavalo alto ao mesmo tempo que Jane realizava uma trança — Odeio essa garota.
– É, ela vem pegando no nosso pé desde que a professora Stitz escolheu a nossa tese para expor e não a dela.Parece até que voltamos pro colégio.
– A gente têm que dar um jeito. Como aquele colar foi parar no seu armário? — Já trocada, falava agora da cozinha enquanto pegava dois bolinho e ia em direção á sala.
– Eu não sei, eu não peguei nada! Pra falar a verdade, a diretora nem tinha o direito de mexer nos nossos armários! — Ao perceber a cabeça longe de Greta, Jane desconfiou — Acredita em mim, certo?
– Claro que sim! Mas acho que devido ás circunstâncias ela teve que fazer isso, apesar de ser meio invasão de privacidade e sem ter falado com a gente. — Falou frustrada — Aposto que foi a Ana que colocou lá. É a cara dela.
– Também pensei nisso, mas será que ela ia ser tão má assim? — não houve resposta, então continuou — Nossa "cara"! Só eu que me ferro, né?
– Tá falando do que? Eu também me ferrei, ela também me acusou.
– Pois é, mas a corrente estava no MEU armário.
– Mesmo assim! Até porquê, o anel ainda está sumido, podem me incriminar a qualquer hora. O que será que vão fazer com a gente? Expulsar?
– NÃO! — tremeu só de pensar — Não lembra como nos matamos para conseguir essa bolsa?! Eu não vou perdê-la tão fácil, não vou mesmo! Principalmente se não sou a culpada! Me surpreendi de eles não terem nos culpado pelo anel também.
Greta começou o trabalho de introdução á fotografia e Jane foi fazer o jantar;
– O que quer comer? — gritou da cozinha.
– Ah, eu queria comer espaguete com almôndegas igual á ontem! — Ela abriu um grande sorriso que mostrou perfeitamente suas covinhas profundas.
– Ah, de novo? Sério? — ela assentiu animada com a cabeça — Tá bom...
Comeram e, agora, Greta lavava a louça e Jane fazia seu dever de nível 4 de Arquitetura. Elas faziam esses cursos adicionais para contar mais pontos no currículo, afinal não faria mal nenhum já que se interessavam pelos assuntos.
Eram 10:48 quando o telefone de parede tocou. Greta sabia que Jane nem sonhava que o telefone estaria tocando, então levantou da cama e foi atender.
– Olá, bom dia! Poderia falar com a senhorita Greta Brant ou Jane Vielmont?
– Sim, é ela. — respondeu sonolenta — Greta Brant.
– Olá, meu nome é Marcelo da Universidade Forheld, vim lhes informar sobre o roubo das jóias da senhorita Ana Plazz.
– Nós não roubamos nada. — De repente Greta parecida ter acordado e mais tensa do que nunca.
– Bom, me orientaram para passar a punição de vocês.
– Mas não fizemos nada! — Ele fingiu que não escutara — Vão nos expulsar, é isso?
– Não será expulsas. Ana prometeu não contatar a polícia se pedisse desculpas á ela, e a diretora Mors sabe que são boas alunas, ótimas para o histórico da Forheld, então propôs um acordo: Vocês virão toda sexta e sábado durante 2 meses e meio para ajudar nos serviços gerais, como limpeza, organização, contabilidade, etc.
– Não vamos pedir desculpas! Armaram pra cima da gente!- estava quase berrando com o aparelho — Isso é injusto!
– Então eu lamento, mas vamos ter que comunicar a polícia e fazer um B.O. Você tem certeza de que quer isso? — Greta pensou muito antes de responder, o que fez com que a linha ficasse alguns minutos em silêncio. "Não". Foi o que respondeu, muito contrariada. Dando passos muito rígidos foi em rota de Jane e lhe inteirou de tudo, esta ficou completamente revoltada. Mas era isso ou irem presas, até que tiveram sorte. Apesar de nunca terem roubado nada (exceto em sua adolescência, quando "roubaram" um protetor solar enquanto estavam perdidas numa praia havia algumas horas e torrando debaixo de um sol escaldante, mas elas preferiam dizer que pegaram emprestado).
Quando chegou o dia seguinte, — que por acaso era uma sexta — não saíram da faculdade ás oito, ao desfecho das aulas entraram em um tipo de vestiário e colocaram uma roupa que lhes tinham dado; era toda branca, camiseta e calças com botinas e luvas amarelas de borracha, vassoura, balde e rodo. O primeiro lugar que teriam que limpar seria os banheiros. O feminino não foi tão ruim, levaram basicamente 40 mín., limpar o masculino é que foi um desprazer total; vasos sujos, descargas entupidas, papéis jogados no chão... Provavelmente, o pessoal de lá sabia que seria ruim porque colocaram outra pessoa pra ajudar. Uma garota que aparentava ter a mesma idade que Jane e Greta, porém muito mais miúda que as duas, cabelos curtos e lisos castanho-claro. Tinha um rosto assustado e grandes olhos cor-de-mel, estava com a mesma roupa que elas já limpando um dos mictórios.
– Oi? — manifestou-se Jane — Viemos limpar os banheiros também.
– Ah, sim... Só faltam as pias e três cabines.
– Poxa, você limpou todo o resto sozinha? — Greta se impressionara
– É.. Tudo bem, já estou acostumada! — ao expor isso, a menina demonstrou uma pequena aversão á frase e voltou a limpar.
– Greta. — O fez em gesto de apresentação e sua amiga fez o mesmo. "Lia", correspondeu a garota. Quando terminaram a parte da limpeza (o que não demorou muito já que Lia fez uma grande parte), foram para a Sala de Mestres organizar a documentação dos professores, mas antes voltaram aos vestiários para se trocarem.
– Gre, olha isso! — Jane arregalava os olhos para a amigas enquanto segurava um anel de ouro na mão esquerda com luvas que pegou de uma bolsa laranja aberta que achava-se no chão. Gre retribuíra do mesmo jeito.
– Isso é..?
– Acho que sim. A Ana usava esse anel todo dia, e hoje ela não estava com ele. Ou seja...
– É, eu sei, acho que é também. — Olhou para os lados verificando se vinha alguém — De quem é essa bolsa? — Jane mal abrira a boca pra dizer que não sabia quando ouviram alguém chegando. Rapidamente guardou o anel no bolso e disfarçaram fingindo que estavam se trocando.
– Tchau meninas! — era Lia, ela pegou a bolsa laranja e foi embora.
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