De onde estava Aioros observou Afrodite deslisar pelo salão apinhado de pessoas, o cabelo estava preso em diversas tranças elaboradas, deixando alguns fios ondulados moldando o rosto delicado, as mechas compridas também presas em um intricado de fios, sua roupa consistia em uma túnica fluida e branca, com duas alças largas presas por broxes de ouro na forma do símbolo da casa de peixes, na cintura uma delicada corda de seda dourada marcava o corpo esguio, apartir do quadril o tecido se estendia comprido em branco e vermelho, do lado esquerdo com uma fenda até o meio da coxa avidenciando a pele branca e impecável do cavaleiro, com o braço direito Afrodite levava o restante do tecido da túnica. Essa era a típica roupa grega, poucos dos cavaleiros utilizavam esta vestimenta, mais o pisciano sempre fora adeptos dos trajes grego, talvez por que estes lhe caiam impecavelmente bem. O modo como o tecido balançava a sua volta enquanto o homem caminhava felino era hipnotizante ao mesmo tempo em que se mantinha desviando com maestria das outras pessoas o que era impressionante ao contar com a quantidade de pessoas que estavam no local. Os lábios generosos, e rosados em uma curva de sorriso de gato Cheshire* , os olhos azuis lindamente repuxados para os lados...

–Aioros, Aioros

A voz de Marin soou longe, quase inaldivel, no entanto a cotovelada que amazona deu em suas costelas foi o suficiente para acorda-lo de seus pensamentos. O leonino encarou a namorada, e não foi surpresa ver seu rosto distorcido em uma carranca ciumenta, ele resistiu a a girar os olhos na orbitas, não queria um escândalo, e Marin quando chateada tendia a ser uma barraqueira.

–Algum problema Marin?

–Algum problema claro que há um problema, você estava secando aquela bixa na cara de pau, nem sequer tentou disfarçar.

–Eu não estava secando ninguém Marin, você é quem esta ficando louca, vendo demais.

–Todos tem razão não é?!

–Razão sobre o que?

–Quando dizem que toda essa raiva que voce tem dele, é frustração sexual reprimida, você que fode-lo não é. Voce é mais uma dessas bixas, do santuário, so que a diferença entre eles e você é que você é covarde demais pra admitir.

–Voce não sabe do que esta falando...

–Ah eu não sei, você anda como um cavaleiro de Atena, fala como um cavaleiro de Atena, age como um cavaleiro de Atena, mais você não é nada Aioria. Eu estou aqui do seu lado, mais você so pode ver aquela fadinha traidora, você pensa nele quando esta me fodendo?

–Chega, quem você pensa que é para falar comigo assim? Acima de tudo você me deve respeito amazona de águia, nos não estamos aqui como amantes, estamos aqui como cavaleiros de Atena, então feche sua boca e respeite esse lugar, pare de ser essa cobra venenosa e possessiva.

Aioria fechou os lhos um momento depois quando a mão da amazona estalou seu rosto, alguns cavaleiros em volta se voltaram para ele com os olhos chocados

–Voce agradeça por eu não parti-la em dois nesse momento, mais nunca mais ouse tocar em mim novamente entendeu?

Marin apertou a a boca com as mãos, sabendo que tinha ido longe demais dessa vez

–Eu...eu Oria

–Esta tudo acabado, eu não irei conceber esse seu desrespeito a mim Marin, não diante de todos os convidados da deusa, você não é bem vinda na casa de leão, agora se retire

Os olhos da mulher começaram a lagrimar, a maquiagem impecável derretendo de seus olhos

–Eu disse se retire Amazona de águia é uma ordem.

–Aioria...

A amazona de cobra surgiu atras de Marin o rosto complacente, ela posou a mão sobre o ombro da companheira.

–Vamos Marin, já é o suficiente.

Aioria trincou os dentes enquanto observava as duas amazonas saírem do salão.

–Esta tudo bem cara?

O leonino soltou o ar e se voltou para Ikki, o cavaleiro não conseguiu distinguir nenhuma emoção no rosto do mais jovem.

–Voce ouviu o que ela falou, ele foi longe demais.

Ikki sorriu com graça, enquanto observando o rosto de mais velho

–E me diga, você não ficou ofendido por que era verdade?

O olhar chocado no rosto de Aioria, não foi surpresa para Ikki, ele tinha certeza quem nem o próprio homem sabia de seus pensamentos.

–Não, não foi.

–Se você diz.

Ikki sorriu tomando um gole de eu vinho.

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Afrodite caminhou alheio a tudo o que acontecia ao seu redor. Sim ele estava sem companhia mais que se importava, ele estava tão, mais tão feliz, sim não que alguém nesse momento não viesse a calhar, mais que iria querer se relacionar com o traidor. Ah as velhas magoas nunca se vão, ele tinha penas desses obres coitados cheios de rancor, grandes santos eles eram.

Shun andou apressado pelo salão desviando do Maximo de pessoas que podia, ele apenas queria chegar ao alojamento cair na cama e chorar até não poder mais, ele imaginou que podia com isso, que agüentaria, mais ver Hyoga agarrado com Erin foi demais pra ele, a dor da traição e do abando voltaram tão densas que pareciam nunca ter ido embora.

Ele sempre tinha sido apaixonado pelo russo, ele se sacrificou por ele, e tinha ficado tão feliz quando o loiro retribuíra seu amor, eles ficaram juntos por mais de um ano, foi quando Hyoga começou a querer mais que beijos e amassos quentes, ele acreditou que o russo entenderia que ele não estava pronto, não que ele não confiasse no namorado, mais ele simplesmente não se sentia preparado para sexo, na sua cabecinha ingênua ele acreditou que o amor que eles sentiam um pelo outro seria o suficiente. Que idiota que ele tinha sido. Hyoga não era quem ele pensava, e tantas vezes Ikki tentara lhe avisar, mais ele não pode ver estava apaixonado, cego, achando que o loiro tinha parado de lhe importunar por causa do sexo, devido ao fato de ter entendido que ele ainda não se sentia preparado. Isso até ele pegar o russo transando com Erin, a loira estava de quatro na cama e Hyoga por trás, as mãos nos quadris segurando firme enquanto a estocava com força, o cabelo loiro colado nos ombros suados, os lábios entreabertos ofegante, céus foi a coisa mais dura que lhe tinha acontecido na vida, sua ilusão todas quebradas, ele sai dali imediatamente, nunca tinha contado a ninguém o que tinha visto, não suportaria os olhares de pena e nem Hyoga tinha tocado no assunto, mais ele tinha certeza que o loiro sabia o que ele havia visto. Ele não queria ser visto como um fraco.

Shun apressou mais ainda seu passo vendo a saia a alguns metros de distancia mais infelizmente muitos corpo entre e ele e o ar puro ateniense.

Afrodite suspirou cansado do calor intenso e do amontoado de corpos e variedade cheiros presentes, ele precisava de uma bebida para se refrescar. O pisciano se inclinou levemente em direção as pernas juntando todo o tecido em volta de seus tornozelos para suspende-los ao Maximo possível, quando do nada alguém se chocou contra ele fazendo seu corpo recuar alguns passos.

–Mais que merda voce não olha por onde anda?

Shun mordeu o lábio, as lagrimas se formando em seus olhos, por baio da cabeleira castanhas ele viu Afrodite de peixes segurar o tecido de sua túnica comprida, para em depois encará-lo com o olhar chateado.

Afrodite bufou olhando para o individua espatifado no chão, ele encarou por alguns segundos antes de seu cérebro assimilar a pessoa no chão a um nome, Shun de Andrômeda, ele queria brigar com o garoto, mais quando viu seu corpo tremer no inicio de um choro, ficou desesperado.

–Não, não por favor não chore não foi nade demais não tem problema eu estou bem.

O loiro se aproximou do outro falando baixinho

–Eu não estou com raiva Shun, por favor, não assa isso comigo.

Shun olhou para o mais velho, o rosto bonito estava distorcido em uma expressão comicamente desesperada.

–Por favor na chore, se seu irmão souber que eu te fiz chorar ele vai me matar, e eu não posso ter essa pele linda e esses cabelos de seda no reino de Hades...

Shun soltou uma risadinha e engoliu o choro

–Eu não estou chorando.

Afrodite pensou que ia desmaiar de tanto alivio

–Uhum se você diz.

Shun quase sorriu pegando a mão que o loiro estendeu pra ele

–Obrigado Afrodite

O loiro sorriu sem deixar de olhar para o menor, era mais que obvio que ele estava a beira das lagrimas. O pisciano sorriu triste passando a mão pelo cabelos castanho do mais novo, e entrelaçando sua cintura com um do braços

–Sabe ele não merece você.

–O...oque.

–Quem está te fazendo chorar não te merece.

Shun mordeu o lábio enquanto acompanhava os passos do cavaleiro

–Não é assim...

–Escuta o que eu vou te dizer Shun, é algo que você não vai ouvir de ninguém, por que todos ao seu redor acreditam que voce não é forte o suficiente para ouvi ou lhe dar com isso. Mia seu vou te dizer por que eu não quero que você sofra mais do que está sofrendo.

Shun olhou para Afrodite, rosto o outro ainda era suave fluido, não condizendo com a gravidade na sua voz.

–Esqueça esse seu sentimentalismo tolo, ou ele vai te destruir, aqui no santuário não há lugar para os fracos, os emocionais, para os piedosos, o para os que são como você. Esse não é seu lugar, você não serve para ser um cavaleiro de Atena, você tem um coração grande demais, e isso te faz fraco, te faz vulnerável. Todos aqui nesse salão estão dispostos a deixar qualquer um para trás por causa de sua deus, seja amigo, irmão ou amante, você não está. Isso é um mundo de feras e elas vão te devorar. E quem não o fizer está com pena de você.

Apague o garoto de gelo do seu coração essa paixonite não vai te levar para lugar nenhum, nenhum amor vai te levar para lugar nenhum, os homens não tem pena de nós, ele so querem nos mostrar como troféus, e foder nossas bundas, eles não querem nos amar. Nenhum deles é digno de nos.

Mais se você quer um amor eu lhe dou um conselho. Nunca os ame mais do que eles o amaram. Nunca ame um homem de mente e coração fraco. Por que esse homem vai partir seu coração cedo ou tarde.

Afrodite interrompeu a caminhada e encarou o mais novo, seu rosto estava confuso

–Eu não digo isso para o seu mal acredite, é justamente ao contrario. Se eu não soubesse do seu amor por sua deusa, eu lhe diria para ir embora sem olhar para traz para ser feliz, mais não é assim certo?

–Certo

Afrodite sorriu e aproximou o rosto do mais jovem, tocando seus lábios nos do outro se demorando alguns instantes e em seguida se afastou.

–Tenha uma boa noite, e nao esqueça das minhas palavras.

Shun ficou parado no lugar o rubor no seu rosto enquanto observava o loiro desaparecer entre as pessoas. O cavaleiro de Andrômeda tocou os lábios com a ponta dos dedos, completamente alheio a presença que lhe observava.

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Afrodite desceu as escadas de Star Hill na direção de seu templo, a túnica deslizando suavemente sobre as pétalas de rodas espalhadas pela pedra, o cheiro doce e suave invadindo seus sentidos, ele fechou os olhos apreciando a brisa de veraneio, lentamente ele continuou o seu caminho na direção do seu tempo, tinha sido um longo dia

–Afrodite

O loiro parou na entrada do seu templo observando a silhueta oculta pelas sombras, mais ele não precisava enxergar para saber de quem se tratava

–Eu estou muito cansado essa noite, e sinceramente não disposto a uma discussão com você Aioria.

Afrodite suspirou desejando sinceramente que o outro fosse embora e o deixasse em paz, ele fez seu caminho na direção dos seus aposentos, no entanto a mão de Aioria em seu pulso o deteve

–O que você quer Aioria?

–Eu...

O loiro largou o pulso delgado de Afrodite, se odiando por não ser capaz de pronunciar simples palavras.

–Nada esqueça.

O leonino deu as costas ao pisciano, e tomou o seu caminho tentando esquecer o que havia acontecido. No entanto o calor da pele de Afrodite jamais deixando seus dedos.