Milo despertou com os raios de sol queimando seu rosto, era possível sua cabeça estivesse pesando facilmente uma tonelada. Se levantou a muito custo arrastando-se para o banheiro, mirou sua imagem no espelho, hoje seria um novo dia o primeiro do resto de sua vida, iria esquecer tudo que acontecera, e mudar tudo que deveria ser mudado, o que acontecera na casa de aquário na noite anterior fora o fim de tudo, era o que precisava para cair a ficha de que sua situação estava beirando a lama.

Ligara para Camus, não foi capaz de evitar mesmo depois de tudo precisa ouvir aquela voz de gelo, mais quem atendera fora a tal noiva, que fizera questão de tripudiar em cima dele, claro Camus havia contado tudo a ela, como ele tinha sido capaz de fazer isso, aquela era a historia em ambos ele contara para uma completa desconhecida.

–Voce Camus de aquário não me merece- disse para seu reflexo iria seguir em frente e começaria pela própria pessoa, iria desaparecer com tudo que lembrasse o francês, abriu a gaveta do armário que ficava abaixo da pia e pegou a tesoura junto com uma maquina de cortar cabelo, Camus sempre dissera que amava seus longos fios loiros o deixavam mais feminino, ah patético ele fora. Pegou a tesoura e segurou a mecha cortando rente ao couro cabeludo, olhou os fios com desprezo depois voltou para seu trabalho, foi impossível não se formar um sorriso sádico em seus lábios enquanto realizava a tarefa, Camus não queria alguém que se impusesse agora seria alguém assim, por anos se dedicara de corpo e alma aquela relação para que, para terminar descartado como lixo, não, não era assim que as coisas iria ocorrer, ele era Milo de Escorpião orgulhoso e poderoso e voltaria a ser assim, tinha lutado a vinda inteira para ser um cavaleiro nem sequer tinha infância, isso era tudo o que ele mais queria, e por muito tempo esteve disposto a lagar tudo por Camus, uma vida inteira por amor, estava completamente cego, ele era aquela armadura de escopião, era seu corpo e sua alma ,e não o que sentia. Pousou a tesoura no mármore, ligando em seguida a pequena maquina, colocou um pente e passou nas laterais da cabeça e na parte de tras, sorriu passando a mão pelo cabelo a laterais curtas e na parte da frente um franjão comprido , ficara bom, mesmo depois de todos esses anos ainda sabia fazer esse tipo de coisa, porem como não saberia, passara a parte mais feliz de sua infância na barbearia do pai no interior Atenas, era a única vida civil da qual se lembrava. Bom era passado e quem vive passado é museu, agora seria um novo homem.

Milo pegou os fios de cabelo no chão e jogou no lixeiro, agora daria uma exorcizada na sua vida, pegou a caixa de papelão que havia preparado na noite anterior, e colocou sobre a cama. Foi até o guarda roupas e catou tudo que pertencia ao ruivo, e eram realmente muitas coisas tinha que admitir, despejou tudo na caixa, catou os porta retratos, livros, CDs, DVDs, tudo que estava na sua vista. Em pouco tempo a caixa estava cheia de sua lembranças outrora agradáveis, mais daquele homem nem isso queria guardar, por fim ainda receoso pegou o pequeno baú que estava guardo no fundo guarda roupas, dentro havia mais Camus, cartas trocadas, muitas fotografias, pequenos presentes, lembranças de viagens, jogou tudo dentro da caixa, Camus iria queimar. Pegou a caixa e caminhou na direção da saída, passou pela sala cantando o que ainda faltava, era isso, caminhou até saída de seu templo e jogou a caixa na chão, pegou o isqueiro e o álcool que já também havia deixado reservada e jogou sobre os objetos, olhou uma ultima vez para a aquilo e jogou o fogo, as chamas crepitaram altas consumindo o passado feliz, que agora só o entristecia, sacudiu a cabeça sentindo falta dos fios longos.


Notas finais
eu tinha que cortar o cabelo do miluxo me desculpem por isso