Segurança Privada
19 XVIII - Décimo Oitavo.
O mais importante da vida não é a situação em que estamos, mas a direção para a qual nos movemos.
— Oliver Wendell Holmes.
Sasuke me esperava encostado num conversível preto. Ignorando a súbita vontade de perguntá-lo de onde ele havia tirado aquele carro, pois tenho certeza que tal modelo não custava menos que meio milhão de libras, andei até o veículo, atônita.
Kakashi havia me ajudado a escolher algumas roupas mais cedo, contudo não eram muitos modelos dos quais usufruir. Eram roupas simples, algumas peças de shorts jeans e tactel, blusas de alças, biquíni – que em minha opinião ficara um tanto quanto despojado — e exatos dois vestidos de verão, um deles eu usava no momento visto que à noite era calorosa.
Não era um vestido elegante, muito pelo contrário, a peça era casual. Um modelo retrô preto estampado floral. Calçava rasteirinha nude com tornozeleira strass hiz. Meus cabelos estavam soltos, com a lateral presa para trás com uma presilha dourada – pertencente a Karin — caindo em grossas ondas. Não usava qualquer acessório além da presilha. A maquiagem era leve, a boca neutralizada com corretivo; uma técnica muito usada pelos profissionais, e batom rosa claro. Nos olhos, apenas máscara para cílios, alongando-os de maneira que o destaque ficou no verde-musgo das íris.
Estava satisfeita com o resultado, ainda que usar a presilha e maquiagem da Karin não tenha sido agradável, confesso.
— Boa noite. — cumprimentei, me aproximando do carro com um sorriso singelo na face.
Sasuke retribuiu o cumprimento, andando ao meu lado até o banco do passageiro.
— Você não perde o costume. — proferi assim que Sasuke abriu à porta do carro, gesticulando com a mão para que eu entrasse.
— É habitual. — defendeu-se enquanto dava a volta no carro.
Observei seu corpo mover-se rapidamente.
Sasuke trajava vestes tão simples quanto as minhas. Sua blusa azul-marinho de manga curta estava justa ao peitoral másculo, destacando fielmente a robustez. Bermuda sarja bege, e tênis casual.
Ele estava Diabolicamente lindo.
Assim que ele entrou no carro e bateu a porta, dando partida, senti meus cabelos esvoaçarem contra o vento.
Eu nunca entendi de motor, ainda que em minha residência houvesse diversos modelos distintos, inclusive Gaara tinha orgulho de sua coleção de carros importados. Com isso, pude julgar que este carro tinha um motor potente, já que Sasuke mal pisou no acelerador e o carro já passou dos 60 Km/h.
O silêncio se estabeleceu por um tempo até Sasuke notar meu desconforto para com o vento. Sim, o danado do vento insistia em bagunçar meu cabelo, chacoalhá-lo para todos os cantos, um desses era meus lábios, deixando-me desorientada tentando segurar os fios com as mãos, inutilmente.
— Quer que eu recoloque o teto? — perguntou-me, olhando-me de esguelha. Assenti rapidamente, agradecendo-o em seguida. — Se os cortasse seria mais prático.
— Os cabelos? — enquanto eu retrucava, o teto automático se estendia por todo o carro, convertendo-o em um modelo fechado. Não perdi tempo ao apertar o botão na porta, fazendo o vidro subir.
— Sim. — respondeu só quando o carro estava completamente fechado. Sasuke também havia fechado o vidro do lado esquerdo.
Mordi interiormente o lábio, analisando bem as palavras dele.
Havia acabado de me sugerir cortar meus cabelos. Nunca pensei bem na ideia, ainda que eu ache cabelos apenas... cabelos. Se um dia eu os cortasse, certamente cresceriam novamente, mas não seria qualquer incomodo para mim. Nunca fui do tipo de mulher que se importasse com coisas triviais.
Ainda assim, Sasuke acabara de sugerir, de uma hora para outra, algo assim. Será que...
— Você gosta de mulheres com cabelos curtos? — lancei a pergunta de um milhão de dólares. Após concluí-la, me arrependi totalmente de tê-la feito.
Essa minha boca que não consegue manter-se calada!
Sasuke pensou e repensou, observando com os olhos estreitos a estrada à frente.
— Acho que sim.
Pensei em perguntá-lo se não gostava dos meus cabelos grandes. Lembro-me de receber um elogio vindo dele logo quando os pintei de rosa. Mas sobre o comprimento... Bem, Sasuke nunca falou sobre isso.
— Talvez eu corte-os. — murmurei mais para mim mesma.
X
Paramos em um local isolado. Do lado direito, o caminho estendia-se para à praia impecavelmente bela. Algumas pessoas divertiam-se envoltas às fogueiras.
As pedras nas margens e a água iluminavam-se refletindo o brilho da lua.
Por um momento, perdi-me naquela visão esplendida, não fosse por Sasuke atraindo minha atenção, ajudando-me a subir um mediano barranco.
Ao lado esquerdo, uma passagem abria-se para um matagal, e pelo estreito caminho cercado por galhos, deduzi ser uma trilha. Era por aquele lado que seguíamos.
Como à noite já caíra, o local estava parcialmente iluminado. O luar era nossa fonte principal de iluminação. Sasuke usava a ajuda de um lampião para nos guiar em meio à mata.
— Sabe para onde estamos indo? — me permiti perguntar, não desacelerando em momento algum.
Praguejei não ter calçado tênis. Sasuke bem que poderia ter me avisado que passaríamos por um local assim.
— Fique tranquila, Sakura, sei exatamente onde estamos. — garantiu, e, no momento seguinte, segurou em minha mão, envolvendo-a com seus dedos esguios.
Minhas pernas falharam por uma fração de segundos, e obriguei-as a continuar andando fingindo que nada aconteceu.
A verdade era que sentir a pele de Sasuke, senti-lo tão próximo a mim, era insólito. A palavra em si não denota um terço do que sinto toda vez que ele se aproxima ou me toca.
Tentei afastar esses pensamentos, focando na trilha que se abria a nossa frente; tendo sempre cuidado com os galhos e folhas secas que estalavam sob nossos pés.
— As pessoas costumam vir aqui? — a pergunta saiu sem minha permissão, uma tentativa desesperada de preencher minha mente com algo, senão a mão dele na minha.
Nossa trilha terminou assim que nos deparamos com dois lados para seguir.
Sasuke estendeu o lampião, olhando para os caminhos que se estendia a cada lado. Observou os dois lados com cautela, dando exatos cinco passos à esquerda até adentrar por uma minúscula brecha entre duas árvores robustas.
— Aqui, vem. — sua voz soou um pouco distante, um pequeno eco.
Olhei ao meu redor, sentindo o medo me invadir assim que constatei estar sozinha.
— Sasuke? — não obtive qualquer resposta, e minha reação foi recuar dois passos, abraçando-me. — Sasu-
Não terminei de chamá-lo, pois fui surpreendida com seu braço estendido entre as árvores. Arfei assustada, colocando a mão sobre o peito acelerado.
— Me assustou. — reclamei.
— Venha, passe por aqui. Tome cuidado com os galhos, são extremamente justos e pontiagudos.
Assim como ele disse, passei pelo pequeno vão, tomando todo o cuidado para não me machucar. Sasuke segurava minha mão e assim que passei, me firmei no chão.
— Você me assustou. — tornei a reclamar. Meu coração ainda batia forte no peito.
Ele ergueu o lampião até a minha face, iluminando-a. Em seguida, sorriu de canto. Um brilho divertido surgiu em seus olhos negrumes, pude vê-lo graças à aproximação da luz.
— Você é engraçada.
— Por quê?
Contudo, não obtive resposta, e só fui entender suas palavras quando ele se afastou e eu desfiz o biquinho que contorcia meus lábios.
E então, sorri assim como ele.
Andamos até nos aproximarmos do mar. Um lado oposto à praia pública onde os turistas e morados de Eivissa frequentavam. Lá, o local era mais isolado, ainda assim podia-se notar o porto a alguns metros.
Ibiza é uma ilha do arquipélago e comunidade autônoma das Ilhas Baleares. A maioria dos frequentadores eram turistas que vinham apreciar as festas e boates mundialmente conhecidas. No entanto, a parte em que estávamos era, de certa forma, propriedade particular, e pude afirmar isso assim que vi a moderna construção localizada ao pé da areia.
Ali, após sairmos da mata fechada, a lua nos saudou com sua eterna luz reluzente, transmitindo-nos sua aura serena.
Algumas tochas acesas abriam-se num espaço diretamente para a varanda da casa, cravadas na areia, e me perguntei se teria alguém ali e se não ficariam incomodados com a nossa presença.
Sasuke ignorou qualquer presença, andando calmamente até a varanda da residência. Ali, ele adentrou com o tênis, jogando-se sobre a cama de rede.
Um pouco hesitante, o segui pelo mesmo caminho, parando na soleira da varanda entre o pequeno muro que a separava da areia.
— Esse lugar é muito bonito... — entretanto, Sasuke me interrompeu, começando uma explicação díspar.
— Havia uma ponte bem ali. — ele articulou com a mão na direção da qual viemos. — a chamávamos de El camiño para cruzar la Frontera.
“Por anos, costumávamos vir aqui ajudar nosso pai na construção da casa. Fugaku não queria dar o braço a torcer enquanto erguia as paredes, ele próprio, sem ajuda de outras pessoas. Dizia que aqui seria um local somente nosso, onde poderíamos sermos nós mesmos.”
Sasuke suspirou, passando a mão pelos cabeços desgrenhados.
— Quando enfim conseguiu, passávamos grande parte do tempo aqui. Como esse pedaço de terra era parte da família, não tínhamos problemas com invasores. Não quando Fugaku pôs seguranças para tomar conta do lugar.
“No começo, achei desnecessário toda preocupação que ele tinha, mas acabei deixando esse detalhe de lado e vivendo cada dia. Itachi e eu corríamos por essas areias. Costumávamos enterrar as coisas e o outro deveria achar. Uma vez, a última vez, Itachi enterrou algo de suma importância para ele.”
Não concluindo suas palavras, ele ergueu-se da rede, andando até a areia com os pés descalços. Observei seus passos, silenciosa, moldando-o como nunca havia o feito.
Sasuke parecia alguém totalmente diferente, abrindo-se de uma forma límpida.
Mordi interiormente o lábio inferior, movendo meus pés na direção dele.
— Bem aqui, Sakura. — ele parou num local próximo a água. Seus pés traçando círculos na areia. — Ele disse que eu acharia o tesouro ao fim da tarde. Quando o crepúsculo irradiasse os céus de Ibiza, eu deveria andar quatorze passos à direita. — Sasuke fez exatamente o que seus lábios diziam; marchou quatorze passos à direita, parando estático no local.
Não precisou contar em voz alta. Minha mente fez a contagem, assim como a dele.
Deixando um sorriso triste escapar, ele virou-se para mim. — Eu nunca achei o que ele enterrou. — Sasuke pôs as mãos nos bolsos da bermuda.
Eu quis perguntar quem era Itachi, quem era Fugaku, e o que Sasuke tentava me dizer falando sobre coisas que não faziam o menor sentido.
Eu não tinha muito o que falar. A verdade era que eu nunca o vi falando tantas palavras em intervalos tão curtos. Isso havia me deixado infimamente boquiaberta.
— O que era, Sasuke? — a pergunta saiu sussurrada. Senti um nó na garganta e não entendi o porquê de estar sentindo-me assim.
Sasuke ergueu o olhar até cruzar com o meu. Ficamos naquele impasse por longos minutos, e eu juro ter esquecido da minha pergunta e a falta de resposta, até Sasuke abrir a boca e mudar aquele clima, suavizando-o.
— Acho que nosso jantar está pronto. — ele murmurou, e se não fosse por minha total atenção, não teria o escutado.
Seguindo seu olhar, me deparei com uma moça de meia idade na varanda acenando alegremente para nós. Ela murmurava algumas coisas que não entendi, pois o marulho abafava sua voz.
Sasuke, porém, acenou brevemente para ela, erguendo um braço no alto. Após, estendeu a mão para que eu a pegasse.
Olhando assim, tão de perto, Sasuke era – sem sombra de duvidas – o homem mais belo que eu já conheci.
Em toda a minha existência, em todos os lugares que já frequentei e pessoas que conheci a partir das influências dos meus pais, nunca; nunca, eu vi um homem com tantas características marcantes.
Os olhos escuros — tão quanto à noite que pendia sobre nós. O nariz esculpido, o queixo pontiagudo, os lábios finos; o superior ligeiramente mais preenchido que o inferior, os olhos repuxados, negrume, intensos. E o cabelo... Ah, o cabelo ébano, com sutis reflexos azulados.
O cabelo era o que eu mais apreciava em sua face. Caíam em grossas mechas, preenchendo as laterais de modo tênue.
Fascinante.
Sasuke era fascinante aos meus olhos.
E eu estava compulsivamente atraída por ele.
Não havia mais como negar. Eu era tola por pensar que negar esse fato durante tanto tempo pudesse me abrir espaço para afugentar essa maldita atração que me aproxima dele.
Olhando-o nos olhos, sorrindo inepta e franzindo a testa, pus minha mão sobre a dele, e andamos juntos até o interior da residência que era ainda mais fascinante que o exterior.
Comemos a maior parte do tempo em silêncio.
A comida estava agradavelmente boa. Não só a comida, como a companhia. Esta última eu deixaria oculta para mim mesma ao tempo em que a apreciava.
Já a primeira, decidi partilhar dos meus bons agrados. Elogiei incansavelmente a Senhora Magda, que se mostrou completamente prestativa.
Pelo o que Sasuke me contou durante o jantar, Magda era empregada da família há anos. Ela acompanhou ao passo que Sasuke entrava na puberdade e, após, deixava o país para o Reino Unido.
Ela fez-me poucas perguntas, uma delas qual minha naturalidade. Sasuke servia de intermeio entre nós duas, pois Magda não falava inglês, tampouco eu falava Espanhol.
Ao término do jantar, ela nos deixou a sós.
Novamente, senti minhas bochechas esquentarem diante do olhar de Sasuke. Ele tinha esse efeito sobre mim. Bastava me encarar por mais de cinco segundos e eu sentia minha respiração falhar.
Percebi estar admitindo isso com mais frequência do que achei possível. E diante da minha constatação, acabei sorrindo e atraindo àtenção de Sasuke.
— O que foi? — perguntou-me um tanto interessado. Fechei os olhos, mordiscando levemente meus lábios antes de responder.
— Estava lembrando-me de alguns fatos. — menti.
Sasuke ponderou, arqueando a sobrancelha enquanto me fitava intensamente. Novamente, cá estava eu corando diante do seu olhar.
— Acho que a senhorita está ocultando esses fatos...
— Sasuke, eu realmente-
Todavia, fui interrompida ao toque de sua mão na minha, enlaçando-a, dedo entre dedo.
Surpresa, deixei meus lábios entreabrirem enquanto admirava o tom de sua pele junto à minha.
Segundos depois, sua boca colou nas costas da minha mão. Um sutil roçar, estes que fizeram minha respiração falhar e meus pelos eriçarem-se.
Não consegui desviar meu olhar daquela cena, esta que moldurava Sasuke num declive irradiante, me olhando enquanto apreciava minha reação diante si.
— O que achou da noite? — a pergunta veio tão logo seus lábios se afastaram do contato com minha pele cálida.
Tentei regular minha respiração antes de respondê-lo.
— Foi... Perfeita. — consegui formular.
Sasuke, no entanto, acabou sorrindo em escárnio.
— Vamos, Sakura, sei que não sou uma companhia tão boa assim.
— Claro que é! — quase o interrompi. — Quer dizer, você é uma companhia digna, Senhor Watanabe.
Ele franziu o nariz de um modo cômico; parecia analisar minhas palavras e repudiá-las, de certa forma.
— Eu nunca trouxe ninguém aqui. — mudou de assunto, atraindo minha atenção.
— Nunca?
Sasuke balançou a cabeça em negação.
— Então, acho que me sinto honrada.
— Sinta-se. — e sorrimos juntos.
Depois da incrível noite, do esplêndido jantar, e da maravilhosa companhia, retornamos para a casa do Sasuke, onde Kakashi e Karin nos esperavam.
Eu tinha que admitir: estava cansada. A trilha era desgastante e eu não tinha dormido muito bem durante esses tempos.
Sasuke estacionou o carro numa baliza perfeita.
Não falamos nada até estarmos diante à soleira da porta.
Confesso estar acanhada perto dele. Eu acabara de admitir os efeitos que ele tem sobre mim e, após isso, a minha relutância em permanecer pacata estava sôfrega.
A mecha do meu cabelo que deveria estar presa de lado estava frouxa, fazendo com que a presilha quase caísse. E, num reflexo rápido, levei minha mão até o objeto, porém, fui impedida pela mão ligeira de Sasuke, que tomou lugar à frente, desprendendo os poucos fios que a presilha sustentava.
Ele depositou o objeto sobre a minha mão suspensa, apertando-a desnecessariamente no processo.
— Obrigada. — agradeci num sussurrar.
Sasuke estava próximo demais e a proximidade era perigosa demais.
Senti o ar faltar aos meus pulmões assim que ele ajeitou a mexa solta prendendo-a atrás da minha orelha.
Engoli a seco.
— Obriga-
— Você agradece demais. — sussurrou rouquenho. Entreabri a boca para me corrigir, mas Sasuke foi mais rápido em silenciar-me com seu indicador. “Sh”, o burbúrio saiu como uma sentença, e deixei as palavras morrerem em minha garganta.
No instante seguinte, apenas meu coração palpitando freneticamente pôde ser ouvido ao tempo em que Sasuke se aproximava.
Seus lábios roçaram os meus. Um toque delicado e despretensioso.
Eu não sabia como aplacar meus batimentos cardíacos, tampouco se fechava meus olhos ou deixava-os abertos fitando o rosto sereno a centímetros do meu.
Todos os meus pensamentos, até os mais racionais, esvaeceram-se subitamente, dando passagem apenas para ele e eu. Para o agora. O desejável, que ecoava em minha mente de diferentes formas:
Eu preciso de você. Eu quero você. Eu preciso de você. Eu quero você.
Quando meus braços envolveram-no pelo pescoço, eu havia acatado aos desejos libidinosos que me corroíam, e mandei para a puta que pariu a parte que insistia em me atormentar gritando "ele já te beijou outra vez e depois disse não ter significado absolutamente nada".
Essa era a parte mais racional, eu sabia. Mas ela era a que menos possuía alguma vantagem, visto que as mãos másculas desceram até minha cintura e apertaram-na como se não quisesse que eu fugisse dali.
E bastou esse movimento inesperado para que eu me entregasse completamente àquele gesto em que nós, humanos, aplacamos nossos desejos lúbricos.
A língua untuosa tocou-me a ponta da minha, enroscando-se a ela. Entreabri ainda mais meus lábios, deixando Sasuke explorar o interior da minha boca.
Ele beijava perfeitamente bem.
Suas mãos apertavam as laterais da minha cintura e seu corpo se aproximou ainda mais do meu.
Buscando mais do que ele me oferecia, juntei ainda mais nossos corpos, puxando-o pela nuca enquanto a outra mão afagava os fios rebeldes dos seus cabelos.
Sasuke separou nossas línguas, abrindo a boca e respirando profundamente. Aproveitei para também solver ar, e logo estávamos nos beijando novamente.
Não abri os olhos em momento algum, temi encontrar os seus e me acovardar. E eu não queria me sentir uma covarde. Não quando eu queria tanto e tanto beijá-lo, mais e mais.
Suas mãos escorregaram até o meu traseiro, apertando-o por cima do pano do vestido. Sustentei um gemido, abafando-o na língua áspera dele.
Minha mente se nublava ainda mais. A cada apertura, a cada atrito, a cada vez que sua língua tocava o interior da minha boca.
Dei-me conta das minhas costas chocando-se a parede ao lado do batente somente quando Sasuke me ergueu, usando as próprias pernas como auxílio. Uma entre as minhas, a outra firme ao chão, sustentando-me acima.
Lamuriei, e Sasuke soergueu a cabeça para me olhar.
Uma exclamação estava presente em sua face. Logo, ele tornou a me beijar, fazendo-nos esquecermos o meu pequeno protesto.
Suas mãos apalpavam cada pequeno canto do meu corpo onde o vestido não tapava.
Eu precisava de ar novamente, precisava solver ar e precisava do Sasuke, tanto quanto do ar.
Eu já não conseguia mais pensar em nada, senão nas mãos que passeavam pelos meus braços, meu pescoço, minha cintura, pernas...
Sasuke subia meu vestido e só me dei conta quando o pano da minha calcinha tocou sua perna enquanto ele pressionava a coxa ali, onde o tecido encobria minha intimidade, fazendo-me estremecer ainda mais, se é que era possível.
No momento, pensei em afastá-lo. Assim que me dei conta do que acabaríamos fazendo bem ali, num lugar impróprio, tentei formular algo em minha mente, algo que não fosse às mãos másculas me tocando libidinosamente.
A boca de Sasuke trilhou pelos cantos dos meus lábios até meu queixo, depositando um beijo demorado ali. Sasuke lambeu a ponta do meu queixo, e arfei quando ele continuou descendo até meu pescoço. Ergui minha cabeça para que ele pudesse deleitar-se e me satisfazer com sua língua deslizando por sobre a tez do meu pescoço.
Uma corrente elétrica percorria todo o meu corpo, saindo pela minha boca em forma de gemido. Abafado, rouco e tímido.
Ergui a cabeça de Sasuke a fim de beijá-lo novamente e antes pude ver seus olhos nublados pelo esplendor do momento. Luxúria, júbilo, deleite, satisfação.
Selamos nossos lábios num beijo estrito, onde tornei a envolver o pescoço viril, puxando-o mais e mais para mim.
Sasuke gostou da minha atitude, sorrindo entre o beijo. Com a mão livre, apertou minha coxa direita, usando a unha enquanto acariciava a pele desnuda abaixo do vestido.
— Sasuke... — gemi seu nome em alto tom, apoiando minha cabeça na parede enquanto sentia Sasuke depositar beijos em meu pescoço. — Sasu-
Não pude completar o gemido tímido que soou de minha garganta, pois a porta se abriu num rompante, revelando a figura do Kakashi.
Rapidamente, Sasuke e eu nos afastamos.
Sasuke pigarrou por diversas vezes, tentando manter a compostura.
Eu, por outro lado, tentei endireitar meu vestido, abaixando o pano para cobrir minhas pernas novamente.
— Atrapalhei alguma coisa? — perguntou Kakashi num inglês quase perfeito.
Neguei veemente, ainda aturdida.
— N-Não. Não a-atrapalhou nada! O que poderia ter a-atrapalhado?!
Eu sentia a quentura em minha face e pude jurar que Kakashi sorriu atrás da maldita máscara.
— Está tudo bem, Sasuke? — o tom irônico não passou-me despercebido, nem a Sasuke, que tornou a pigarrar.
— Vá pro inferno, Hatake! — cuspiu Sasuke, passando por Kakashi, antes usando a mão para afastar o corpo do mais velho, que gargalhou diante da atitude do moreno.
— Te estressei, foi? Eu não sabia que estavam se pegando aqui na porta.
— Cale a- — Kakashi o interrompeu.
— Ainda ouvi gemidos. “Sasuke, Sasuke”, mas minha curiosidade falou mais alto.
— Você é um pervertido mesmo! Venha, Sakura. — Sasuke chamou-me, e não esperei nem um segundo para segui-lo porta adentro.
— Sasuke, Sasuke. — repetiu Kakashi, em zombaria, imitando gemidos femininos.
A essa altura eu queria correr e me esconder. E foi exatamente o que fiz. Corri pelas escadas, tropeçando na última, ignorando a pancada na canela que levei do degrau, e me tranquei no quarto.
Aqui, eu estaria segura das provocações do homem que eu mal conhecia.
Apoiei minhas costas na porta e só quando olhei para a cama é que lembrei: Sasuke dorme nesse mesmo quarto... Comigo!
Oh meu Deus!
Fale com o autor