Segurança Privada

14 XIII - Décimo Terceiro.


Notas iniciais
Demorei, mas cheguei. Como podem ver, fiz um capítulo gigante pra compensar meu sumiço de semana passada. Leiam as notas finais!

Combater e morrer, é pela morte derrotar a morte, mas temer e morrer é fazer-lhe homenagem com um sopro servil.
—William Shakespeare



Naruto permanecera diante da mansão com o papel em mãos. Seus olhos fitavam na direção do extenso portão de grade, e seu braço esquerdo era mantido apoiado na janela aberta do carro, deixando o cotovelo do lado de fora.

Havia mais de duas horas que o loiro estava ali, na mesma posição, com os olhos centrados no mesmo lugar, e até agora nenhuma alma saiu da casa, somente o porteiro podia ser visto trajando vestes negras.

Depois de muito esperar, finalmente pôde avistar uma mulher andar até um carro preto, parando somente para falar com um sujeito de pele clara, tão quanto à dela. Conversaram pelo o que pareceu dois minutos, e finalmente ela entrou no carro, sendo acompanhada pelo motorista, Naruto constatou, pois estava vestido a caráter.

O loiro rapidamente subiu o vidro do automóvel em que estava e ligou o motor. Assim que o carro deixou a mansão, dobrando para a direita, Naruto seguiu-o.

Sabia que o que estava fazendo ela loucura e que, além de possivelmente ser preso, poderia acabar morto. No entanto, algo dentro de si fê-lo realizar exatamente o que estava naquele bilhete.

O desgraçado escreveu o bilhete enquanto Sakura e eu estávamos dormindo”, Naruto deduziu.

Focou no carro, que estava cerca de 10 metros à frente do seu, e dirigiu fazendo o possível para não ser notado.

Seguiu o veículo preto, aproximadamente, meia hora até que finalmente o carro entrou num estacionamento subterrâneo de um shopping local. Naruto apertou as mãos ao volante, girando-o para à esquerda e adentrando ao estacionamento. O carro parou numa vaga na letra “D”, apagando os faróis, e Naruto estacionou o carro duas vagas depois.

Com um suspiro forte, destravou as portas e saiu, segurando o papel na mão destra. Bateu a porta com o mínimo de força possível e olhou para o carro onde a mulher saia, exalando sua beleza.

De perto, a moça era exuberante, e Naruto perdeu-se, por um momento, no desfilar das pernas rechonchudas.

Engolindo a seco, seguiu a mulher; disfarçadamente. Por um longo momento apenas caminharam pelos corredores abarrotados do shopping. A moça olhava pelas vitrines das lojas, vez ou outra entrando e saindo com uma sacola.

Estava ficando entediado de permanecer naquele monótono passear. Até que, por fim, ela foi em direção à praça de alimentação, onde se sentou num restaurante de comidas Japonesas.

Sem esperar mais, Naruto marchou até a mesa da jovem, se sentando de supetão, fazendo-a olhá-lo confusa.

— O que pensa que está fazendo? — ela perguntou. Sua voz denotava seu desentendimento e sua testa franziu, encarando-o.

— Uzumaki Naruto. — ergueu a mão, ignorando a pergunta direcionada à si, apresentando-se.

Naruto esperou que a mulher apertasse sua mão, o que demorou cerca de um minuto à medida que ela o analisava.

— Tudo bem, prazer. Agora me diz: o que está fazendo aqui?

— Não está esperando ninguém, certo? — novamente ele ignorara a pergunta da moça.

Ela apenas assentiu, olhando para os lados e constatando que o shopping estava cheio o suficiente para ela pedir ajuda, se necessário.

Percebendo o desfoque no olhar da mulher, Naruto pôs o bilhete sobre a mesa e o aproximou de Hinata. — Leia.

Ele próprio sabia o quão absurdo era aquilo. Ela certamente não lhe daria ideia e chamaria um segurança para retirá-lo do local. Contudo, não pôde fazer nada a não ser rezar que ela, ao menos, ouvisse-o atenta.

Hinata, lentamente, pegou o embrulho de papel, desdobrando-o e lendo o conteúdo. Seus claros olhos corriam por cada palavra, decifrando-as. Assim que terminou de ler, pôs o papel sobre a mesa e olhou diretamente nos olhos do homem que se apresentou como Naruto.

— Que palhaçada é essa? — o tom proferido fora sério, não colidindo com a expressão suave de seu rosto.

— Não é nenhuma palhaçada. Esse bilhete é de extrema importância.

Hinata bufou, revirando as íris.

— Não tenho tempo para brincadeiras.

— Não há ninguém brincando aqui, Hinata. — Seu nome sendo pronunciado pelo timbre rouco fê-la enrijecer sobre o assento. Pausadamente, Hinata respirou, subindo seu olhar até o loiro.

Os olhos do homem eram de um azul cerúleo. Seu rosto lembrava-o de um adolescente na puberdade, todavia, não harmonizava com o corpo viril.

Hinata permanecera encarando-o por longos segundos. Sua mente reproduzia constantemente seu próprio nome no timbre másculo.

Como ele sabia meu nome?”

Olhando-a, percebendo a expressão sinuosa de Hinata, Naruto entendeu o que se passava na cabeça da mulher.

— Eu sei seu nome porque foi Sasuke quem escreveu esse bilhete. — esclareceu.

— Sasuke...? — sussurrou aturdida.

Naruto anuiu calmamente, enlaçando as próprias mãos sobre a mesa.

— Ele me pediu pra vir aqui pessoalmente.

Hinata, não entendia do que o homem estava falando, muito menos quem era Sasuke. Com cautela, sem deixar um segundo sequer de observar as atitudes do loiro, baixou as mãos até a bolsa, retirando seu aparelho celular.

— Preciso fazer uma ligação. — comunicou, se levantando da cadeira. Porém, fora impedida pela mão máscula que agarrou seu pulso esquerdo.

— Tenho certeza que pode fazer essa ligação depois.

Naruto tinha que ser firme. Ainda que não tivesse a mínima ideia do que estava fazendo, tinha que manter postura e suavizes.

Olhando-o, em seguida, direcionando o olhar para o aperto em seu pulso, Hinata torceu o nariz, crispando os lábios.

— Me deixe ir.

— Eu não estou te segurando. — instintivamente, Naruto a soltou, erguendo os braços para o alto e sorrindo afoito.

Hinata riu irônica, tornando a sentar-se.

— Apenas me escute, ok? Preciso dizer o que me pediram e depois você faz o que achar melhor. — não obtendo protestos, Naruto prosseguiu. — O noivo da Sakura me mandou aqui com esse bilhete. Ele confiou a mim para te entregar e eu preciso que compreenda. Não sei qual será sua decisão, mas dependendo dela, nós sairemos daqui agora.

— O noivo da Sakura pediu isso?

— Pessoalmente. — afirmou Naruto. — Eles foram assaltados, tiveram que fugir. Eu mesmo emprestei meu carro pra eles.

— Como? Sakura está fugida...? — deixou que seus lábios se entreabrissem, perplexa.

— Sim. Ele deixou apenas o número do celular. Se eu conseguir convencê-la, vou ligar pra ele e perguntar o que fazer depois.

— E como eu posso saber se isso é verdade?

— Olha aqui, Hinata, por que Diabos eu tentaria algo assim? Eu nem te conheço!

— Esse é o problema. Você me seguiu até aqui, sabia meu nome, e nem nos conhecemos. — Hinata disse num tom óbvio. Ela olhou para o lado, suspirando longamente. — Não sei se acredito.

— Precisa acreditar, seus amigos estão em apuros.

— Gaara não é meu amigo! — exclamou, convicta.

— Gaara? — o loiro não entendia quem era esse e porque Hinata o citou.

— Sim, o noivo da Sakura. Olha aqui, você disse que o noivo dela te mandou aqui, mas sequer sabe o nome dele?! — ela já se preparava para levantar, quando as palavras de Naruto a fizeram permanecer imóvel.

— O nome dele é Sasuke.

— Lá vem você com esse nome de novo.

— Eu tenho certeza. Chegaram ao meu apartamento fugindo de assaltantes e ele disse se chamar Sasuke.

— Olha aqui, Senhor Naruto, perdoe-me, mas você deve ter me confundido. Eu não conheço nenhum Sa-

— Ela tem cabelos cor-de-rosa. — Naruto disse, interrompendo-a. — Os olhos são verdes, a pele clara e parecia ser tão fina quanto você. Uma madame, se me permite dizer.

Hinata não pôde proferir nenhuma palavra após as descrições de Naruto. Claramente ele referia-se a Sakura. Porém, quem era o tal Sasuke?

Num único baque, se lembrou do segurança da sua amiga. Certamente o tal Sasuke ao qual Naruto se referia era ele.

— Esse... Sasuke. — Hinata fechou os olhos, tomou fôlego e tornou a falar. — Esse Sasuke, como ele é?

— Branco, cabelo escuro, olhos pretos. — as descrições de Naruto foram vagas, no entanto, suficientes para Hinata associar e afirmar suas conclusões. Era realmente o segurança de Sakura o homem que Naruto se referia.

— Por que disse que ele era noivo da Sakura?

— Porque foi assim que ele se apresentou.

Hinata estreitou o olhar, silenciando-se e pensando internamente.

— Onde está Sakura?

— Eu não sei, ‘tá bom? Eles chegaram invadindo meu apartamento e, na manhã seguinte, saíram de lá sem dizer pra onde iam.

— Ela foi raptada... — Hinata murmurou em baixo tom, quase imperceptível.

— Raptada? Claro que não! Ela estava muito bem, tirando o fato de terem sido assaltados, é claro.

— Para de falar bobagens, é claro que ela foi raptada. Quando foi isso?

— Cinco dias atrás.

— O quê? — sua voz elevou-se ao perguntar. — Não pode estar falando sério...

— Eu não sei por que a surpresa, mas eu não brincaria com algo assim.

— A família dela precisa saber... — rapidamente, Hinata pegou o celular que deixou sobre a mesa e procurou pelo número de Gaara, ao qual tinha salvo em sua agenda.

Com o celular na orelha, aguardou a chamada até que, do outro lado da linha, Gaara atendeu.

Alô.

— Gaara?

Senhorita Hyuuga?

— Sim, sou eu. Preciso saber onde está Sakura.

Ela está viajando.

— Viajando...? — não tinha sentido aquela alegação. Sakura certamente não estava viajando, de modo que teria a avisado se estivesse.

Por que a pergunta, algo a incomoda?

— Não. — sussurrou, sentindo um nó se formar em sua garganta. Seus olhos pousaram em Naruto, que olhava atento para ela.

De qualquer modo, assim que ela voltar, eu informo que você ligou.

Hinata, apenas escutou as palavras, não conseguindo elaborar falas para responder. Seus olhos caíram até um ponto qualquer na mesa.

Hinata?

—...

Hinata?

— O que aconteceu, ele disse algo? — perguntou Naruto.

— Precisamos sair daqui. — sussurrou ela, deixando o celular escorregar de seus ouvidos até sua bochecha.

Quem está aí com você? O que está acontecendo? Droga! — Não se deixou escutar mais nada. Encerrou a ligação e encarou Naruto.

— Confia em mim agora?

— Eu não confio, mas algo me diz para segui-lo.

X

Dentro do galpão, Sakura folheava uma revista que Sasuke trouxera no dia anterior. Estava agradecida por ele ter trazido além de roupas e comidas, revistas como passatempo, e uma maleta preta um tanto misteriosa.

Suas pernas cruzadas elegantemente enquanto sentada no sofá. A postura refinada de Sakura era inegável, ainda que estivesse num lugar como aquele, seus primórdios estavam à frente.

Folheando as páginas, se atentando a uma matéria antiga sobre uma entrevista com sua mãe, Haruno Mebuki, Sakura fora interrompida por Sasuke, que pigarrou atraindo sua atenção.

— Aonde vai? — perguntou ela, percebendo as vestes do moreno. Seus olhos percorreram por todo o corpo de Sasuke, parando em seu rosto.

— Preciso resolver umas coisas, não demoro pra voltar.

— Terei que ficar sozinha novamente?

— Sakura, não vou demorar.

No entanto, aquelas palavras fizeram Sakura duvidar, pois no dia anterior ele dissera a mesma coisa e demorou mais de cinco horas.

— Por que não posso ir junto?

— Eu já falei o motivo. — ele disse firme. Fitando Sakura, que apresentou uma carranca por suas palavras, ele suspirou pesado. — Vamos sair da Inglaterra.

— Como? — ela jurou ter se enganado na compreensão das palavras de Sasuke. Olhou-o com atenção, esperando que ele repetisse a frase.

— Vamos deixar a Inglaterra nos próximos dias. — repetiu indiferente, cruzando os braços esperando a reação da moça.

— Por quê? O que você está dizendo...? — Sakura não compreendia aquelas palavras.

Mal soubera o que estava fazendo ali naquele lugar. Ainda que Sasuke tivesse recitado diversas vezes que era para a própria proteção dela, era estranho ver-se longe de todos. Não tinha saudades, longe disso, contudo estar numa situação dessas era insólito.

Deixando a revista ao seu lado no estofado, Sakura descruzou as pernas. — Não sei por que estamos fugindo...

— Sakura, só faça o que eu digo, sem questionamentos.

— Mas eu preciso saber o que está acontecendo! — rebateu, alterando o tom.

— As coisas aqui não estão nada bem. Tenho minhas suspeitas de quem nos atacou no museu. Precisamos sair daqui por um tempo, deixar as coisas esfriarem... Você precisa ser complacente.

Sakura expirou, soltando um ligeiro sorriso irônico.

— Eu tenho uma vida aqui, se você não percebeu.

— Uma vida que você, por diversas vezes, se queixou! — ele jogara na cara dela a verdade nua e crua.

Diante das palavras de Sasuke, ela abaixou o olhar que por minutos sustentou resistente. Ele estava absolutamente certo. Não havia nada que a prendesse àquele lugar, ainda que ali fora o local que crescera.

Entretanto, ele estava dizendo que iriam para outro país. Isso era muito para si. Eles embarcariam juntos para só Deus sabe onde, e depois? O que seria dela? O que seria deles?

Sasuke estava disposto a ir tão longe para defendê-la, para mantê-la segura?

Não duvidava das intenções dele. Passara tempo suficiente com ele para saber que seu segurança era confiável e estava fazendo tudo para mantê-la segura. Eles estavam há cinco dias naquele lugar, cinco dias vivendo juntos debaixo do mesmo teto. Apesar disso, Sasuke relutava em lhe sanar as duvidas.

— Você sabe que estou certo. — ele tornou a falar, percebendo as íris trêmulas de Sakura.

— Eu estou confiando em você. — ela finalmente disse, erguendo o olhar para encará-lo e mostra-lo que confiava plenamente nele.

Sasuke anuiu, um agradecimento mudo por ela confiar em si.

— Vamos precisar disfarçar os seus cabelos. Eles chamam muita atenção.

— Se quiser eu posso pintá-los, basta arrumar tintas escuras. — Sakura sugeriu.

Ela gostava do cabelo no tom em que estava, mas o pintaria se fosse preciso.

— Não. — Sasuke disse firme. Ele analisou cautelosamente as madeixas cor-de-rosa. — Gosto dessa cor.

As palavras fizeram-na ruborizar, desviando o olhar para o canto úmido da parede.

— O-Obrigada.

Diante do agradecimento repentino e das bochechas tingidas em tons vermelhos, Sasuke sorriu de canto, deixando uma tênue covinha transparecer.

— Não demoro. Tranque a porta. — anunciou, deixando o cômodo em seguida.

Assim que Sasuke saiu, Sakura soltou todo o ar que há pouco segurava. As maçãs do seu rosto inflamaram e os cantos de seus lábios curvaram-se para cima num genuíno sorriso.

X

Sakura estava no lavabo. A água branda caia em seu rosto, lavando todo resquício de suor que aderiu ao longo do dia.

Assim que terminou de tomar banho, enrolou-se na toalha azul e saiu do banheiro, ajeitando a cortina que servia de porta.

Olhou rapidamente pelo cômodo e andou até a sacola que Sasuke trouxera as roupas. Vestiu-se com short jeans e blusa regata. A toalha que deixara sobre o sofá foi usada para secar os cabelos até deixa-los úmidos. Porém, sua atenção foi alarmada para a porta, onde escutou pequenos ruídos.

Aproximou-se cautelosamente da porta, parando ao lado esquerdo e deixando a mão erguida na direção da maçaneta, hesitante em abri-la.

Engolindo a seco, olhou para o balcão, onde encontrou uma pequena faca. Ao menos o objeto de alumínio serviria para algo.

Tornou-se a se aproximar da porta, encostando as costas na parede e levando a mão até a maçaneta, mantendo, na outra mão, a faca erguida.

— Quem está aí? — perguntou ela. A voz tremula e perspicaz.

Drop.— escutou um fio de voz dizer. Sakura fechou os olhos, soltando uma lufada de ar; em seguida abrindo a porta — Por que demorou a abrir?

— Achei que fosse outra pessoa. — confessou.

— Hm. — Sasuke analisou a faca na mão da mulher. Adentrou ao cubículo sem retirar os sapatos. — Trouxe algo pra você.

Sakura o olhou, arqueando a sobrancelha, deixando o objeto prateado sobre o mármore do balcão.

— Você vai gostar. — garantiu, acenando com a cabeça em direção a porta.

Parada próxima ao batente, Hinata a olhava com os cantos dos lábios pendidos para cima.

— Hinata. — Sakura falou, aproximando-se da amiga e a abraçando fortemente. — Que saudades.

— Sakura... — Hinata sussurrou, retribuindo o abraço tão apertado quão recebera.

Afastando-se alguns centímetros, Sakura olhou para Sasuke, que as encarava.

— O que significa isso?

— Achei que gostaria da visita.

— Obrigada. — sussurrou quase inaudível. Se Sasuke não tivesse olhando-a, certamente não entenderia o agradecimento.

Aquela fora à segunda vez em menos de vinte quatro horas que Sakura o agradecia.

Hinata olhava a cena a sua frente atônita. Suas íris acompanhavam cada gesto que sua amiga e o segurança dela exerciam.

— O que você está fazendo nesse lugar? Por Deus, Sakura, eu não sabia que estava num lugar desses!

— Aconteceu algumas coisas... Mas, me diz você: o que está fazendo aqui? Como nos achou? — Sakura fitou novamente Sasuke. Ela supunha que fora ele quem buscou a morena.

— Naruto a trouxe. — ele explicou.

— Ah, Naruto. Onde ele está?

— Estava esperando ser convidado. — Naruto pôs somente a cabeça a mostra entre à porta, e Sakura sorriu sem jeito.

— Eu não sabia que estava aí. Perdoe-me.

— Tudo bem. — O loiro coçou a nuca, entrando na sala. — Eu disse que estava falando a verdade, Hinata.

— Calma aí, como vocês se conhecem? — Sakura perguntou assim que viu Hinata crispar os lábios.

— Esse cara me seguiu até o shopping.

Sakura, fitou Naruto, confusa.

— Sasuke me pediu. — ele esclareceu, fazendo um gesto sutil com a cabeça na direção do moreno.

— Vocês mantiveram contato? — a pergunta da Haruno fora direcionada diretamente para Sasuke.

— Eu deixei com ele um bilhete. Confesso estar surpreendido por ele ter cumprido o que eu pedi.

— Uau. — Sakura murmurou boquiaberta.

— Eu só achei que era o certo a se fazer.

— Amiga, o que aconteceu pra você estar aqui? — Hinata perguntou, atraindo a atenção de todos, que olharam para Sakura esperando por respostas.

— A história é longa.

— Tenho todo o tempo do mundo. — A Hyuuga andou até o sofá, se sentando e olhando firmemente para a Haruno. — Gaara disse que você estava viajando.

— Ele mentiu. — Sasuke interveio. — Desgraçado!

— Por que ele mentiria?

— Porque é isso que ele faz, senhorita Haruno. Ele mente! — respondeu, contraindo os olhos. — Vou deixa-los a sós, estarei de volta mais tarde.

Sakura nada pôde fazer a não ser observar o caminho em que seu segurança seguiu. Seus olhos baixaram-se oscilantes. Respirando longamente, Sakura olhou para Hinata. — Vou te contar o que aconteceu. — disse, tentando romper a cena anterior.

Sakura trancou a porta e se sentou ao lado de Hinata, explicando exatamente tudo que acontecera até invadir o apartamento de Naruto, que escutando a verdadeira história perguntou aos berros que merda estava acontecendo.

Explicando para Hinata, e respondendo as perguntas aleatórias de Naruto, Sakura finalmente conseguiu terminar de contar, suspirando penosamente ao final.

— Então, você e Sasuke não são noivos?

— Ela já disse que não! O que esse cara tem, hem? — Hinata se questionou.

— Estou apenas tentando entender a quem eu fiz o favor de ajudar.

— Fez porque quis.

— Eu agradeço muito, Naruto. — Sakura interrompeu, olhando para o loiro e torcendo os lábios.

— Não foi nada. — ele garantiu, dando de ombros.

— Então, você irá sair do país?

— Sim, Hina. Não posso permanecer aqui nessas circunstâncias.

— E o que seus pais irão dizer?

— Eles não vão saber. Eles nem devem estar ligando para o meu sumiço. — Sakura mordeu o canto do lábio inferior. Suas mãos alisavam uma a outra impacientemente.

— Se você acha certo, então estou do seu lado. — Hinata garantiu, depositando a mão destra em cima dos delgados dedos de Sakura.

Sakura assentiu em agradecimento.

Permaneceram por cerca de uma hora e meia conversando sobre os acontecimentos recentes, até que escutaram um barulho estridente do lado de fora.

— Isso foi um tiro? — Hinata perguntou.

— Que merda. — resmungou Naruto, sobressaltando-se na direção da porta, onde alguém esmurrava a madeira.

As duas mulheres levantaram-se rapidamente do sofá. Hinata correu na direção da bancada, e Sakura na direção da porta.

— Quem é? — perguntou, obtendo como resposta outro barulho estridente, seguindo de um estrondo forte que fê-la recuar dois passos.

— Cadê o Sasuke? — Naruto perguntou alterado, correndo na direção do armário ao qual tentou arrastar.

Ouviram freadas bruscas, e novamente dois tiros.

— Que porra. — Naruto praguejou, empurrando o móvel até a porta.

— Abre essa porta, Sakura! — Sasuke gritou, socando a porta.

Sem delongas, Sakura encaixou a chave no cadeado, girando-a. Sasuke empurrou à porta, batendo-a em seguida. Naruto empurrou o móvel até de frente para a porta, bloqueando a passagem.

— Vamos sair daqui.

— O que está acontecendo? — Sakura tentou perguntar, no entanto, teve seu braço arrastado até o corredor estreito próximo ao banheiro.

— Precisamos sair daqui!

— Sasuke, o que está havendo? — Naruto o questionou, e Sasuke finalmente pareceu ouvi-los.

— Tem três cadáveres no corredor até aqui. Vamos dar o fora agora, eles nos acharam.

— Eles quem? — Hinata se aproximou, encarando o moreno que não fez qualquer questão de olhá-la.

— Naruto, você sabe usar isso? — Sasuke abriu a mala que Sakura tanto se questionou o conteúdo, percebendo o que de fato havia ali dentro.

Eram armamentos. Aproximadamente 10 tipos de armas, com centenas de cartuchos. Suas pernas vacilaram, e Sakura teve que se apoiar na parede para manter-se de pé.

— Eu nunca usei isso na vida. — respondeu Naruto, encarando as armas prateadas. Seus olhos se sobressaltaram e sua boca se entreabriu.

— Pegue, você precisará. — Sasuke estendeu uma pistola PT 840 – Calibre restrito. Naruto, hesitante, pegou o objeto metálico, sentindo o peso em suas mãos.

— Eu não sei usar isso. — seus olhos prenderam-se à pistola, analisando cada milímetro da arma.

Sasuke retirou a arma da mão do loiro, destravando-a e mostrando o cartucho. — Está carregada. — encaixou o cartucho novamente, mostrando um pequeno atrito na parte de trás. — Você só precisa acioná-la e — O moreno mirou bem no centro da testa de Naruto, encenando um tiro. — Bang.

— Para com isso. — Naruto retirou a pistola da mão do outro. Seu coração pulara uma batida e suas mãos transpiravam.

— Acho que entendeu. Vocês dois vão na frente, Sakura e eu daremos cobertura.

— Eu? — Sakura perguntou aturdida. Não conseguia assimilar quais coberturas poderia dar, visto que ela própria precisava de cobertura.

Sasuke anuiu, olhando, em seguida, para Naruto e Hinata, respectivamente. — Vão. — apontou para um fundo falso na parede.

Aquele lugar fora arquitetado exclusivamente para ocasiões como esta. Bem no corredor de frente para o banheiro — na parte inferior — havia um pedaço de madeira pregado a parede. O que não se podia imaginar é que aquela madeira estava solta e um mini escorrego levava até a saída, em terra firme.

Hinata, ficou surpreendida quando avistou o escorrego, relutante em escorregar ou contestar.

— Vem, eu te ajudo. — Naruto ergueu a mão para a mulher, ajudando-a a se encaixar bem atrás dele. — Estamos te esperando.

— Apenas entre no carro e espere que eu saia para acelerar. — Sasuke ordenou, alternando seus olhos entre Naruto e a porta de entrada.

— Ok.

Sakura... — sussurrou Hinata, abaixando o olhar e deslizando com Naruto na frente. Sakura acompanhou os dois com os olhos, sentindo um frio incômodo no estômago.

— Sua vez. — fora tirada de seus devaneios com a voz de Sasuke.

— Como?

— Sua vez. Vamos, não temos tempo.

— Sasuke, e você?

— Eu vou distraí-los enquanto você entra no carro e liga o motor. Leve isso com você. — ele estendeu a mala e a chave do carro para ela, que as pegou tremulante.

— Não demore.

Sakura deslizou pela rampa, sentindo seus pés chorarem-se ao chão num baque forte. Olhando para os lados, vendo Naruto e Hinata dentro do automóvel azul marinho, Sakura correu até o veículo ao lado, passando pela amiga e olhando-a atrás do vidro. Entrou no carro, deixando a mala ao seu lado e encaixando a chave na ignição.

Agora, precisava se aquietar até Sasuke aparecer e tirá-la desse pesadelo.

Suas mãos alisavam uma a outra impaciente. Seu coração saltara no instante em que escutou sons de tiros. Instintivamente, se abaixou no banco, sentindo a ardência em seus olhos, frutos das lágrimas deliberantes.

Sustentou o grito em sua garganta ao ouvir esmurro no vidro do carro, olhando para fora e avistando Sasuke desesperado. Sakura abriu a porta, dando passagem para o moreno se sentar no banco do motorista. Assim que olhou em sua volta, pôde ver o carro em que Naruto e Hinata estava, cantar pneu.

Sasuke acelerou, derrapando na primeira curva. O barulho da freada brusca fê-la encolher-se ao banco, buscando desesperadamente pelo cinto de segurança.

O moreno atingiu 100 Km/h em segundos. A pista era reta, o que facilitava na fuga, no entanto, os perseguidores já estavam na sua cola.

O primeiro tiro fez Sakura espremer-se ainda mais no banco, prendendo a respiração e pressionando os olhos ao máximo.

Sasuke trocou de marcha, fazendo o carro dar um tranco forte, e mudou de pista, do lado direito para o esquerdo.

Os tiros perduraram, um deles atravessou a janela traseira do veículo. O som do vidro se quebrando fora alto, desesperador aos ouvidos de Sakura, que gritou em pânico.

— Preciso de cobertura. — falou Sasuke.

— O que eu faço? — Sakura gritou, levando as mãos aos ouvidos, tapando-os.

Outra vez um tiro atingiu o carro, dessa vez bem no retrovisor direito.

— Mais que caralhos! — amaldiçoou Sasuke, olhando no único retrovisor interno do carro.

Os desgraçados estavam colados em si, aproximando-se cada vez mais. E a vantagem era que podiam atirar a vontade. Sasuke apertou as mãos ao volante, jogando o carro para a direita, travando um zig zag na pista.

— Sakura, preciso que dirija pra mim.

— Como?

— Você pode? — ignorou a pergunta dela, soltando um longo suspiro e olhando-a rapidamente.

— P-Posso. — gaguejou ao responder, retirando as mãos, que antes apertavam com pressão o cinto de segurança, soltando-o.

— Venha, meu pé está no acelerador. Tente colocar seu pé aqui, não diminua a velocidade em hipótese alguma.

Com cuidado e desespero (da parte de Sakura), tentavam se conciliar no banco, de modo que Sakura pudesse alcançar o pedal do carro sem que Sasuke necessitasse soltá-lo.

O moreno alternava o olhar entre a pista e Sakura; vez ou outra olhando pelo retrovisor somente para constatar a aproximação dos perseguidores.

— Malditos!

— Eu não consigo. Não dá pra alcançar. — Sakura murmurou embargada pelo choro. Sasuke observou que o carro do Naruto também estava marcado pelas balas.

— Você consegue, só estenda mais a perna. Isso, não solte o acelerador. — aos poucos, Sasuke tirou o pé do acelerador, deixando Sakura no comando.

A mulher se instabilizou, sentando-se no banco do motorista e mantendo as mãos coladas ao volante.

Agora que Sakura estava dirigindo, Sasuke poderia acabar com os homens ele mesmo. Abriu a maleta que Sakura trouxera para si, retirando uma submetralhadora SMT 40 C – Calibre Restrito.

Sakura olhou de soslaio, percebendo as intenções de Sasuke ao pedi-la para assumir o controle do volante.

— Você vai atirar neles?

— Sim. — afirmou ele.

— Tome cuidado.

— Precisa dizer isso a eles. — disse, um sorriso de canto brotando em seu rosto alvo.

Sakura assentiu para si mesma, fixando o olhar na pista, que agora era asfaltada. Aos arredores, já se podia ver a densa floresta. A vantagem era a via de mão única, não tendo que desviar de carros em sua direção.

O automóvel do Naruto estava cerca de 100 metros à sua frente, e olhando pelo retrovisor interno, pôde deduzir que os perseguidores estavam cerca de 50 metros atrás de si.

— Mantenha o carro reto. — Sasuke ordenou, enquanto abriu a janela e se colocou para fora, de modo que pudesse ficar sentado na janela com o tronco para fora do veículo.

Não precisou de muito esforço para se concentrar e disparar o primeiro tiro, seguido de outros. Quisera ele poder usar uma de suas metralhadoras potentes, que sustentassem vários cartuchos. Sua submetralhadora era relevante, o suficiente para ser manejada facilmente; diferente da metralhadora que o impediria de atirar na posição em que estava. Porém, a desvantagem era a porcentagem dos tiros, visto que teria de trocar o cartucho com grande frequência.

Assim que começou a atirar, os perseguidores aumentaram fogo, atirando ainda mais em suas direções.

— Eles vão nos matar... — sussurrou Sakura, sentindo a camada grossa de lágrimas vazarem de seus olhos embaçando sua visão.

Sasuke ignorou qualquer pessimismo de Sakura, permanecendo centrado em acabar com os filhos da puta que estavam tentando mata-los.

A estrada que se perdurava na calmaria integra, deu-se passagem para uma enxurrada de tiros.

Os pássaros voavam dos galhos assustados pelos agudos estridentes. O eco podia ser ouvido a metros de distância do real local do tiroteio.

Sasuke sorriu por ter acertado bem no braço direito de um dos perseguidores, fazendo com que o corpo do infeliz fosse lançado pela janela do carro e colidisse ao asfalto, rolando por metros.

— Menos um. — ciciou.

Mirando no outro, Sasuke disparou o tiro, acertando em cheio a cabeça do criminoso, que caiu do carro num baque forte, rolando no asfalto assim como o primeiro.

— Só faltam mais dois.

— Tem que ser rápido, Sasuke. Estamos nos aproximando da fronteira da cidade, que é dividida pela ferrovia.

Maldição, pensou Sasuke, voltando para dentro do carro e observando sua dianteira. Sakura estava certa. Bem à frente, já podia-se ver a passagem do trem, que coincidentemente alertava a vinda dos vagões.

— Porra! — praguejou em alto tom. — Acelera esse carro, Sakura.

— Não dá, estamos na velocidade máxima que essa lata velha permite.

— Estamos fodidos! — aquelas duas palavras fez toda a esperança de Sakura se esvaecer, sendo substituída pelo pânico.

Respirando em arfadas curtas, a Haruno fixou o olhar na pista, rezando para todos os Deuses possíveis que os permitissem conseguir atravessar a tempo.

A cada segundo o carro se aproximava dos trilhos, e já podiam ouvir a buzina do trem em disparada.

— Não vai dar tempo. Droga, droga, droga.

Sasuke nada pôde fazer, apenas encarar a partir da pista a frente, escutando o trem buzinar repetidas vezes. Suas mãos agarraram o banco ao qual estava sentado.

— Eles vão conseguir passar. — sussurrou mais para si próprio, observando o carro que Naruto dirigia excepcionalmente bem.

— Mas nós não. — Sakura trincou os dentes.

Assim que o carro de Naruto atravessou os trilhos, Sasuke — num movimento bruto e repentino — levou os pés até o freio do carro, fazendo com que Sakura soltasse o acelerador e o carro derrapasse na pista pela freada brusca. O moreno virou o volante para a direita, e o carro derrapou num cavalo de pau magistral. O trem passou no exato momento, levantando poeira ao redor.

Sakura gritou afoita, fechando os olhos e sentindo o corpo ser lançado na direção da porta. Segundos depois, o carro estava imóvel, e os dois passageiros intactos, enquanto o trem passava a centímetros do veículo.

Sem perder tempo, Sasuke pisou fundo no acelerador. Sakura estava espremida entre a porta do motorista e Sasuke. Porém, o moreno não se incomodou, fixando o olhar no carro que vinha em sua direção.

— O que está fazendo? — agora Sakura se dera conta do absurdo que Sasuke estava fazendo. Ele estava acelerando o carro na mesma pista que os perseguidores vinham, e se nenhum dos dois parasse, a colisão seria inevitável — Para esse carro. Sasuke, pelo amor de Deus, para o carro!

Sem dar à devida atenção a mulher ao seu lado, Sasuke enrijeceu a expressão facial, focando no automóvel que vinha a mais de 150 km/h.

Assim que os dois carros se aproximaram, o segundo desviou, jogando o carro para o canto direito, freando bruscamente e batendo numa árvore. O automóvel colidiu com o tronco, levantando fumaça da parte dianteira da lataria.

Com os músculos rijos e o pé fincado no acelerador, Sasuke não desacelerou, cantando pneu pelo mesmo caminho em que vieram.

X

Do outro lado da linha do trem, Naruto e Hinata olhavam para trás, constatando que nada acontecera com o carro de Sasuke e Sakura.

— Eles vão ficar bem? — perguntou Hinata. Sua voz era nada mais que um sussurro instável.

— Eu não sei. — respondeu o loiro, focando sua atenção na estrada à frente. Precisavam sair dali o quanto antes.

Notas finais
Bom, um dia desses uma leitora recomendou a fic e acabou dando problema. Ela teve que recomendar de novo. Por sorte ela me perguntou se eu havia gostado da recomendação e eu disse: que recomendação? O que eu quero dizer é que caso recomendem, fiquem de olho pra ver se a recomendação realmente vai chegar, ou me perguntem nos comentários: Mei, a recomendação chegou? Porque o nyah, às vezes, acaba não aprovando a recomendação.