Segurança Privada

15 XIV - Décimo Quarto.


Quando vires um homem bom, tenta imitá-lo; quando vires um homem mau, examina-te a ti mesmo.
—Confúcio



Sobre o asfalto, os pneus do automóvel preto que Naruto o emprestara avançava numa velocidade considerável. A perseguição acabara assim que os bandidos tiveram o próprio carro barrado pelo tronco de uma árvore.

Os cabelos cor-de-rosa esvoaçavam na medida em que o vento adentrava pela janela, e Sakura tentava segurá-los e impedi-los que grudassem em seus lábios.

No banco do motorista, Sasuke pressionava o volante olhando fixamente para a estrada que já dava início às ruas principais de Londres. A mescla laranja e negrume incendiava o céu, de modo que os raios solares se afugentavam dentro das nuvens opacas, irradiando em um belo crepúsculo.

Sasuke observou a partir do espelho retrovisor sua traseira, analisando a estrada que se estendia bem atrás do carro. Não havia quaisquer sinais de veículos suspeitos.

Do lado oposto à pista, duas ambulâncias avançaram sentido contrário numa ligeira velocidade. Os barulhos das sirenes ecoaram por toda a avenida e Sasuke observou o caminho que trilharam, este que dava acesso a densa mata da qual acabaram de sair. Atrás das ambulâncias, três carros da polícia avançavam, também com as sirenes em alerta.

Sasuke seguiu atento o caminho dos carros, agradecendo mentalmente por eles não terem notado os vidros quebrados do carro ao qual dirigia.

— Estão indo pro local do tiroteio... — murmurou Sakura, virando o próprio corpo para observar a partir da traseira do carro onde o vidro deveria bloquear a passagem do vento.

Sasuke apenas olhou de soslaio para a mulher, notando o estado das roupas femininas, parando o olhar certo período de segundos a mais nas coxas expostas.

— Será que Hinata e Naruto conseguiram fugir? — perguntou ela, virando-se para Sasuke e notando o olhar excessivo sobre suas pernas a mostra. Automaticamente, suas bochechas aderiram uma coloração vermelha.

Desviando o olhar, pigarrando algumas vezes, Sasuke permitiu-se focar apenas na estrada e somente nela!

— Provavelmente. — respondeu após alguns minutos pensativo. — Eles conseguiram atravessar a cancela antes do trem passar, com certeza estão mais afastados do que nós.

— Tem razão... — Sakura concordou, desviando o olhar para a pista dianteira. — Ainda sinto meu corpo tremer. — as última palavras saíram quase num sussurro.

— A de se acostumar com isso. — garantiu Sasuke, causando em Sakura, um leve arrepio na espinha.

Ouvindo as palavras do moreno, Sakura afirmou veemente que nunca se acostumaria com nada disso, tampouco permitiria que algo assim viesse a acontecer novamente.

Absurdamente acabara de sair de um tiroteio numa pacata avenida. Nunca, em toda sua vida, imaginou que algo assim pudesse acontecer. Porém aconteceu e não havia como retroceder. Agora, teria que enfrentar seus problemas de frente, sem hesitar, e para isso precisava – primeiramente – saber para onde estava indo.

— Sasuke. — chamou pelo homem, observando a expressão facial atônica dele. — Sasuke. — chamou novamente, percebendo que não obteria resposta e que se quisesse prosseguir com sua intenção de questioná-lo, teria que fazê-lo assim mesmo. — O que faremos agora?

Ela esperou que ele lhe respondesse, no entanto, não obteve qualquer resposta.

Mordendo o lábio inferior, Sakura ponderou em questioná-lo novamente. — Preciso saber o que faremos agora, para onde iremos!

— Fique quieta, Sakura! — esbravejou ele, segurando ainda mais firme ao volante.

— Não tem como ficar quieta, Sasuke. Preciso saber o que faremos agora, como vamos conseguir sair sem sermos seguidos.

— Não se preocupe com isso, eu vou dar um jeito.

— ‘Tá, você vai dar um jeito. Mas, ainda assim, preciso saber o que faremos. — ela manteve o olhar firme sobre Sasuke, sustentando aquela aura impassível.

— Vamos sair da Inglaterra.

— Você tinha dito isso, mas... como faremos?

— Já conversei com meu informante, nossas passagens já foram compradas, só tenho que pegá-las...

— Como vamos embarcar sem um visto?

Soltando uma grande lufada de ar, Sasuke fez uma curva à esquerda, esta que fez com que o corpo de Sakura se prensasse à porta do carro. Ela não pôde deixar de soltar em “ah!” em exclamação.

— Está tudo sob controle! — afirmou Sasuke, ignorando o resmungo dela.

— Como conseguiu isso?

— Já está tudo sob controle! — garantiu novamente, sentindo sua paciência se esvaecer.

— Não entendo como pode estar tudo sob controle. — Sakura movimentou os dedos no ar em sinais de aspas, enquanto endireitava-se no banco do passageiro.

Sasuke coçou a cabeça num movimento impaciente, deixando apenas uma mão sobre o volante. Sua vontade era de amarrar um pano na boca da mulher ao seu lado e fazê-la calar-se nem que fosse por alguns minutos.

Esperando por mais alguma explicação, olhando perplexa para ele, Sakura bufou antes de virar o rosto em direção à calçada, olhando a paisagem avançar num borrão.

O segurança permanecera dirigindo pacato o restante do trajeto.

X

Após estacionar o veículo em um dos cinco terminais do aeroporto Heathrow, este que era o terminal de embarque do voo LB 7068 com destino à Espanha, Sasuke abriu a porta do carro.

— Vamos. — ele disse assim que pôs os pés para fora, fazendo com que Sakura o olhasse antes de entender que haviam chegado.

A mulher havia se auto-desligado assim que o moreno lhe foi grosseiro, deixando os pensamentos nublados durante a maior parte do percurso. “Oh”, foi o som emitido por ela ao deixar seus devaneios.

Ela seguiu Sasuke, andando alguns passos atrás dele. O moreno caminhou até os armários do aeroporto, parando de frente para uma fileira entre os números 65 a 70. Antes de pôr a mão no bolso da calça, Sasuke olhou atentamente para ambos os lados. Após, encaixou a pequena chave prateada na fechadura, girando-a. Um pequeno rugido fora ouvido assim que a porta se destrancou, revelando um embrulho de 10 cm.

Sasuke retirou o embrulho do armário e fechou a pequena porta, apertando o cadeado e virando-se para Sakura, que o encarava atentamente.

— O que é isso? — perguntou ela, fitando o embrulho marrom nas mãos pálidas de Sasuke.

Ignorando a pergunta que lhe fora direcionada, Sasuke colocou o embrulho dentro do paletó.

— Vamos. — a simples e inofensiva palavra estava causando náuseas em Sakura. Parecia que era a única palavra que ele sabia proferir. Quando não a usava, era para lhe direcionar palavras rudes, estas que Sakura sentia algo dentro de si crescer, uma enorme vontade de manda-lo para o inferno.

Ela era uma dama, oras, e deveria ser tratada como tal!

Ainda que Gaara fosse um maldito soberbo, ele sabia ser galanteador e qualquer mulher apreciava isso; Sakura não era diferente. Apreciara o jeito galante e afável de Gaara. Contudo, sua arrogância e prepotência eram absurdamente elevadas, de modo que fazia com que seus outros adjetivos, para Sakura, se esvaecessem.

Ela se deixou ser puxada pelo braço direito, acompanhando o ritmo dos passos largos de Sasuke.

Aproximaram-se de uma mesa redonda de mármore, onde um pequeno estabelecimento comercial se encontrava. Um simples restaurante. Ao redor do mármore, quatro cadeiras complementava o espaço.

Sasuke se sentou, movendo a cabeça na direção da cadeira à sua frente para que Sakura também se sentasse. Assim que ela o fez, reparou na quantidade de pessoas que caminhavam no local. Algumas que acabaram de desembarcar, outras – assim como eles — que ainda embarcariam.

— Não tem problema meu cabelo à mostra? — perguntou num tom provocativo, uma pitada de deboche ao final pôde ser notada. Ela ergueu uma madeixa rosa enquanto esperava pela resposta dele, que não tardou em vir.

— Quando nos encontrarem, já estaremos distantes o suficiente! — respondeu ele, ignorando a provocação de Sakura.

Remexendo no paletó, Sasuke retirou o embrulho, abrindo-o e depositando o conteúdo sobre a mesa. Havia duas passagens, identidades, vistos, um bolo de dólares e um papel branco dobrado em quatro partes.

As íris verdes fitaram aquilo pasmada. Não pôde evitar ficar boquiaberta.

— Co-Como conseguiu tu-tudo isso...?

Sasuke deixou de analisar os papeis sobre a mesa, erguendo o rosto para fita-la. Seu sorriso de canto transpareceu assim que notou o desentendimento na face nívea.

— Eu disse que tinha tudo sob controle! — gabou-se, alargando ainda mais o sorriso.

— E-Eu... — ela não conseguia formular uma única frase em concreto. Sua atenção estava voltada exclusivamente aos papeis sobre a mesa.

Confusa, embasbacada, chocada, abismada, era pouco para se descrever, pois Sakura não conseguia imaginar como, no mundo, Sasuke pôde conseguir tal feito.

— Uau. — fora a única coisa que conseguiu dizer com firmeza.

Levantando a mão e pegando o envelope onde os papeis foram entregues, Sakura analisou quem fora o remente, decepcionando-se assim que notou não haver nomes. Virou o embrulho e notou o pequeno símbolo na parte inferior, quase oculto.

Um pequeno símbolo pintado de branco e vermelho escarlate.

— O que é isso? — perguntou, passando o dedo indicador sobre o minúsculo desenho. Não obteve resposta de imediato, então, Sakura ergueu o olhar para fitar Sasuke, que encarava o embrulho fixamente. — Sasuke...

— Não é nada que você precise se preocupar.

E, novamente, cá estava ele respondendo-a de modo grosseiro.

Mordendo fortemente o lábio inferior, Sakura jogou o embrulho sobre a mesa, bufando em seguida.

— Não acredito que depois de tudo ainda tenho que ouvir isso! — murmurou quase num sussurro.

O moreno apenas absorveu aquelas palavras, fitando o espaço onde Sakura jogara o embrulho. Seus olhos negros fitaram aquele envelope, em específico o brasão de sua família. Aquilo ainda lhe doía à alma e não importava quanto tempo passasse. Pensar em tudo lhe corroía, enviando-o a um mundo utópico onde ele certamente julgava ser a única maneira de permanecer sóbrio.

Fora tirado dos seus pesadelos com a chamada de seu voo.

— Vamos. — Levantou-se de supetão, reunindo os papeis e andando sem esperar por ser seguido.

Ainda sentada, Sakura ponderou em segui-lo. Olhou as costas largas de seu segurança, o andar fugas, a maneira como ele parecia lhe esconder o mundo quando ela apenas queria transparência. Sentindo-se derrotada e com medo de voltar atrás, levantou-se, seguindo-o.

Ela não podia voltar atrás e sabia disso no momento em que aceitou fugir com ele. No começo era por emergência, contudo, desde que a manhã chegara no apartamento de Naruto, seguiu-o por livre e espontânea vontade. Era a sua tão sonhada liberdade e Sasuke parecia lhe oferecer de bom grado.

X

Inglaterra, 19h30min

Do outro lado da cidade, em contraste com os movimentos exercidos por Sasuke e Sakura, Gaara andava de um lado para o outro com o aparelho celular em mãos. A pequena sala de reuniões usada apenas para calamidades, era ocupada por cinco homens. O momento propício exigia pacatez, apesar disso, Gaara demonstrara exatamente o contrário.

Sua aura irrequieta denunciava sua apreensão, de modo que seus passos contínuos registravam um pequeno batuque ao chão.

Sentado na cadeira à parede, ao lado do pequeno basculante, Kiba batia os dedos no tecido da parte superior da sua calça formal.

Os outros três homens apenas observavam os movimentos repetitivos de Gaara — encostados à parede — um deles com as mãos no bolso da calça bege.

— Quanto tempo vai ficar assim andando de um lado pro outro? — perguntou Kiba, mostrando seu sorriso irônico onde a fileira de dentes superiores ficava a mostra.

Gaara ponderou em responder, optando por permanecer quieto.

Os próximos minutos passaram-se estendidos. Kiba olhava incansavelmente para seu relógio de pulso.

A pequena sala se tornara insuportável, sustentando a aura sombria dos cinco homens. Um deles chegou a bocejar duas vezes antes de receber um olhar mortal de Gaara, fechando a boca e não mais a abrindo.

Os passos repisados pararam somente ao som de batidas na porta. Do outro lado, Rock Lee, agente especializado em rastreamentos, esperava a autorização de sua entrada.

Kiba se levantou, abrindo a porta e erguendo a sobrancelha direita ao avistar a face impaciente e o cabelo de cuia.

— Só entre nessa sala se tiver informações importantes. — avisou Kiba, sentindo certo receio por Lee. Se por um acaso Lee não tivesse informações válidas, Gaara certamente o fuzilaria.

— Descobri onde ela está. — bastou ouvir essas palavras para Gaara ordenar que o magricela entrasse.

Rock Lee era um homem, na linguagem atual, nerd. Tinha corpo raquítico, com longas pernas delgadas e a cintura alta. Com a postura dúbia e os ombros baixos, emanava um ar cômico. Seu rosto era no formato esférico, proporcional ao seu corte incomum; como cuia na cor negra. Seus olhos esbugalhados lhe deixavam com aparência espantosa, e seus polegares alisavam os restantes dos dedos, uma mania adquirida nos tempos escolares.

Assim que se dirigiu ao centro da sala, Lee olhou para os homens encostados à parede e engoliu a seco. Todos eles tinham uma protuberância na cintura, e Lee soube que estavam armados.

— Diga, Lee, quais informações importantes você tem? — perguntou Kiba, sentando-se novamente na cadeira após trancar a porta.

Ignorando a pergunta de Kiba, Gaara elevou o tom. — Onde ela está, Rock Lee? — fora direto ao perguntar. Lee, novamente engoliu em seco, temendo por ser chamado desta forma.

Acostumara-se ao apelido adquirido nos tempos maternais. Somente Gaara tinha o costume de chama-lo assim, fazendo-o se sentir acanhado – de certa forma.

— E-Ela em-bar-bar. — as palavras saíram desconexas, revelando seu nervosismo. Uma súbita gagueira provocada sempre que Rock Lee era interrogado diretamente.

— Diga de uma vez!

Lee trincou os dentes ao som da voz elevada de Gaara, apertando os olhos como se estivesse prestes a levar um soco.

— M-Me desculpe. — pediu, esperando que fosse receber qualquer repreensão física. No entanto, Gaara mandou que prosseguisse sem pestanejar. Abrindo os olhos novamente, observando Gaara lhe encarar com as sobrancelhas arqueadas, Lee suspirou profundamente antes de continuar. — Ela esta-tava no aeroporto de He-Heathrow... — conseguiu dizer com muito custo.

— O que ela estava fazendo lá?

— Embar-barcou no voo LB 7068 direto pr-pra Espanha, senhor.

— Espanha...? — sussurrou Gaara numa pergunta retórica, solvendo das palavras de seu capanga.

— Seu acompa-pa-panhante, Uchiha Sasuke, recebeu as pa-passagens por correio.

— Como disse?

— Que ele re-recebeu as- — Lee fora interrompido.

— O que disse antes disso, idiota! Qual é o nome do acompanhante dela?

— Uchiha Sasuke, senhor. — Lee respondeu, imediatamente retirando do bolso da calça um papel dobrado. — To-tome. — estendeu-o para Gaara.

Desdobrando a folha, o Sabaku leu todo o conteúdo, não acreditando que fora tão irresponsável e otário a ponto de contratar Uchiha Sasuke, sujeito inoportuno que deveria estar enterrado a sete palmos do chão.

Sentindo-se, de certa forma, divertido, Gaara releu as palavras, deixando escapar um sorriso por sua estupidez.

— O que tem de tão engraçado nesse papel?

— Leia você mesmo, Kiba. — estendeu o papel para Kiba, que passou a ler o conteúdo.

— Não posso acreditar... — era a ficha completa de Sasuke. Desde a data de nascimento, até os quilos atuais, seguido da foto dele. — Esse não é aquele segurança que você contratou pra sua noiva?

— Hm. Esse mesmo!

Kiba não aguentou a ânsia de sorrir, explodindo em gargalhadas que ecoaram por todo o cômodo.

— Ele te passou a perna, Gaara. Além de se infiltrar em suas residências, ainda tomou a sua mulher! — Kiba disse entre risos. A eclosão era tanta, que lágrimas transbordavam de seus olhos contentos.

— Cale a boca, maldito!

— Não posso acreditar que Sabaku no Gaara foi enganado dessa forma. — debochou Kiba, ainda em risos. Ele usava as costas das mãos para secar as lágrimas.

— Eu mandei você calar essa maldita boca! — explodiu Gaara, jogando o celular que estava em sua mão na parede ao lado de Kiba. Com o movimento repentino e o barulho estridente, Kiba tremeu, cessando as gargalhadas numa fração de segundos.

Gaara virou-se de costas, olhando para a parede mofada à sua frente. Passou as mãos pelos fios rubros, bagunçando-os ainda mais num movimento contrário. Respirando fundo, fechou os olhos contando mentalmente até dez antes de abri-los.

— Quando e em qual aeroporto o voo desembarca?

Lee, que estava no canto esquerdo da sala com os ombros encolhidos e os polegares alisando freneticamente os outros dedos, ergueu o olhar até as costas de Gaara.

— Eles emba-barcaram a cerca de uma hora. Su-suponho que vão chegar à Espanha em uma hora e cin-cinquenta minutos.

— Qual aeroporto?

— Barajas. — respondeu num Espanhol quase perfeito.

X

Espanha/Madrid. Aeroporto de Barajas, 21h18min

Dentro do avião, Sasuke se preparava para a aterrissagem. Ele, que havia perdido os pais num acidente de avião, sentia-se ansioso sempre que anunciavam o pouso. O buraco no estômago sempre presente ao toque no chão, e as vistas escuras ao sentir que estavam parando, tornando a clareá-las assim que finalmente estivessem paralisados.

O voo havia sido tranquilo, de maneira que ambos, Sasuke e Sakura, permaneceram calados por todo o trajeto.

Desceram do avião. Nenhum deles tinha malas, o que facilitou seus movimentos pelo aeroporto.

— Para onde vamos? — perguntou Sakura. Sua voz soou fria tão quão o vento gélido que lhe bateu no rosto.

— Ibiza. — Sasuke respondeu, se virando para olhá-la melhor. A mulher andava com os braços cruzados ao peito.

— Onde vamos ficar?

— Na minha casa. — respondeu monótono, esbarrando com o ombro direito num senhor de meia idade.

— Sua casa?

— Sim, Sakura, minha casa. — Sasuke tornou a olhar para frente, evitando assim esbarrar nas pessoas que circulavam ao seu redor.

Com a resposta levemente grosseira, Sakura decidiu ficar quieta e esperar chegarem a tal casa para começar o interrogatório que pretendia há tempos.

Circundaram por meados do aeroporto até estarem na dianteira. Assim que cruzaram os portões em direção ao Barajas Express, Sasuke notou dois homens seguindo-os.

Apressando os passos fazendo com que Sakura estranhasse sua repentina inquietação, Sasuke confirmou estarem sendo seguidos logo que virou o primeiro corredor à esquerda, onde a roleta de ferro os separava de cruzarem o espaço que permitiria chegarem às plataformas e embarcarem.

Sasuke suspirou, olhando por cima do ombro calculando a distância dos sujeitos.

— Ande mais rápido. — disse, pegando na mão de Sakura, fazendo com que ela o acompanhasse numa ligeira corrida.

Assim que os dois homens avistaram o casal acelerar os passos até que finalmente estivessem correndo, passaram a correr atrás deles.

Sasuke desviou de um grupo que estava em cascata, chegando a esbarrar em alguns deles. Sakura se desculpou enquanto era puxada pelo segurança.

Eles não haviam comprado passagens, entretanto, ficar na fila para dois bilhetes não era uma opção. Sasuke, solvendo folego, expirou numa lufada só, jogando os cabelos para trás e puxando Sakura até que ela fosse de encontro à roleta, erguendo o corpo esguio com facilidade. Assim que a pôs no chão, ele próprio pulou a roleta, sendo avistado por um guarda que chamou sua atenção.

Ignorando os chamados do guarda, Sasuke tornou a correr, levando Sakura consigo.

O segurança do Barajas Express avisou pelo rádio comunicador a presença de dois indivíduos suspeitos que atravessaram a roleta sem pagar passagem.

Agora não eram somente os dois homens mal encarados que os seguiam, e sim toda a segurança do local.

Continuaram correndo, recebendo insultos das pessoas durante o percurso até a plataforma. Olhando novamente sobre o ombro, Sasuke notou que estavam relativamente afastados dos homens. O problema agora era um segurança que estava bem à sua frente.

— Malditos! — praguejou, parando subitamente e envolvendo-se junto a Sakura numa multidão de pessoas.

As pessoas estavam conversando distraidamente, deixando as malas ao chão. Sem hesitar, Sasuke pegou uma mochila preta e um sobretudo pendurado na cadeira.

Tornou a puxar Sakura para um canto, ignorando a olhada de uma senhora, desconfiada.

— Vista isso. — ordenou assim que pararam atrás de uma pilastra de concreto.

Sakura obedeceu, vestindo o sobretudo marrom.

— Use o capuz pra esconder seus cabelos.

Novamente obedecendo Sasuke, Sakura amarrou os cabelos num coque apertado e os escondeu com o capuz.

Vasculhando a mochila, Sasuke encontrou algumas peças de bermudas, um lençol branco, guarda-chuva, um par de chinelos e boné.

Ele retirou o blazer do próprio corpo, deixando apenas a blusa branca de gola alta. Desabotoou os dois primeiros botões e colocou o boné, ajeitando os fios rebeldes sob o tecido azul.

Sakura o olhou, notando o quão ágil ele era.

Ainda que estivessem na situação atual, onde ela própria sentia sua testa transpirar e seu coração pulsar acelerado no peito, Sasuke parecia extremamente sábio e impassível. A única coisa que não contrastava com sua aura plácida, era sua respiração ofegante.

Assim que estavam devidamente vestidos, deixaram a mochila por lá junto ao blazer do moreno. Juntos, tornaram a percorrer até a plataforma mais perto. No caminho, cruzaram com um dos homens que estavam seguindo-os, no entanto, ele não percebeu serem suas “vítimas” e passou direto por ele. Sakura, contudo, sentiu-se perder o fio da meada assim que o homem cruzou seu caminho, passando a centímetros do seu corpo. Seguiu-o com o olhar baixo, chegando a virar o rosto levemente para trás.

Ele passara direto. Por Deus, ele não percebeu nada e ela soltou um longo suspiro por isso.

Sasuke segurava sua mão esquerda fortemente, e ela sentiu a escassa transpiração entre elas, seguido da quentura que acalentava sua alma.

Chegaram à plataforma, onde um segurança dialogava ao rádio comunicador. Havia alguns passageiros esperando o trem para embarcarem.

— Sasuke, estou com medo. — murmurou Sakura, apertando a mão do moreno, transmitindo sua apreensão a partir daquele gesto espontâneo.

— Vai ficar tudo bem. — garantiu ele, pressionando os dedos ainda mais forte entre os dedos femininos.

— Mas... e se nos pegarem? — ela virou o rosto para ele ao questioná-lo, olhando firmemente para as íris ônix. Sasuke, no entanto, pôde ver alguns riscos negros misturados ao verde aspargo de seus olhos.

— Eu não vou deixar te pegarem, Sakura. Confie em mim!

E bastou àquelas palavras para ela aquietar o coração, confiando plenamente no homem que segurava fortemente sua mão.

X

Inglaterra, 21h45min

Olhando através do vidro da enorme janela do amplo cômodo, Gaara balançava em sua mão o copo com whisky, observando o pequeno trinque do gelo ao vidro.

— Como está, querido? — perguntou a mulher, colocando a mão direita sobre o ombro do Sabaku.

— Estou bem.

— Me sinto envergonhada pelo o que aconteceu. Não posso acreditar que Sakura teve uma atitude dessas.

Gaara levou o copo até a boca, solvendo o líquido, barrando o gelo com os dentes dianteiros. — Ela voltará, pode ter certeza. — afirmou ele.

— Confio que você trará a minha menina de volta.

— Eu deveria puni-la por me fazer passar por isso. Mas eu a amo e vou trazê-la de volta. — ela usou a palma da mão para alisar o ombro viril antes de se virar a caminhar até meados do cômodo. O som do salto chocando-se ao chão atraiu a atenção de Gaara, que olhou a silhueta feminina se afastar.

— Sakura é como uma leoa selvagem e precisa ser domada.

Mebuki sorriu, agraciada com as palavras do genro.

— Basta você domesticá-la que ela será toda sua! — acrescentou ela, recebendo em troca um sorriso libidinoso.

Notas finais
Heathrow e Bajaras são aeroportos reais. Espero que tenham gostado. Nos vemos em breve s2