Notas iniciais
Este é o capítulo desta semana. Estou feliz por não ter atrasado, e não tenho muito o que dizer, somente que dividi o capítulo em dois, porque havia ficado muito grande, e que responderei os comentários do capítulo passado quando eu voltar da casa da minha avó. Ela caiu ontem, atravessando a rua, e eu fiquei bem preocupada e vou fazer uma visitinha. Graças a Deus está tudo bem, não aconteceu nada de grave, mas ralou os joelhos e levou ponto no queixo. Boa leitura!

Sábio é o ser humano que tem coragem de ir diante do espelho da sua alma para reconhecer seus erros e fracassos e utilizá-los para plantar as mais belas sementes no terreno de sua inteligência.
—Augusto Cury



Assim que seus sentidos despertaram-se, Sakura rolou para um lado e para o outro da cama. Os cantos dos lábios repuxados para cima, e a face inteiramente branda. Recusou-se a abrir os olhos, pois mantê-los fechados era mais harmonioso, ainda mais quando flashes da noite passada lhe vinham na mente.

Escondeu o rosto no travesseiro assim que se pegou pensando nos lábios suaves do Sasuke, sentindo as bochechas esquentarem.

Fora tão bom beijá-lo, tão bom sentir os lábios unidos aos dele, que Sakura, por um momento, esqueceu-se de sua atual posição. Só para contrariar todos os seus mais ocultos desejos, sua realidade lhe esfregava na cara o que mais detestava: seu noivado.

E assim, não podendo se esconder, Gaara chegaria a qualquer momento, lembrando-a que o que aconteceu, está no pretérito, e ele, o Sabaku, é o seu futuro. Infelizmente.

O semblante da jovem se fechou, esvaecendo o sorriso genuíno que há pouco lhe estampara a face.

E o que mais a intrigava era realmente não saber o que Watanabe pensaria de si, afinal, era uma mulher comprometida, de boa família, com ótimos costumes e crenças e, de uma hora para outra, deixou-se ser beijada por um homem que ao menos seu noivo é. Não que se importasse com o que os outros costumam comentar de si, muito pelo contrário; ainda assim, era difícil pensar com clareza quando a todo segundo lábios macios lhes vinham na memória.

Hesitante, levantou da cama caminhando até o armário, escolhendo uma roupa casual, nada de vestidos. Após pegar seus pertences, entrou no banheiro para tomar um banho relaxante.

No momento, olhava-se no espelho da penteadeira. O vidro havia sido reposto algum tempo atrás, e refletia-a perfeitamente.

Penteou os cabelos deixando-os soltos, e olhou para suas vestes aprovando o que via.

Calça jeans escura, justa ao corpo, blusão de seda branco, que caia a alça esquerda em seu ombro, sobretudo vermelho, na altura dos joelhos, que fez questão de mantê-lo desabotoado. Nos pés, salto agulha preto, um dos que mais gostava de sua enorme coleção. Limitou-se a usar apenas relógio dourado, se desvencilhando das bijuterias costumeiras.

Assim que aprovou o resultado, jogou os cabelos para o lado e amarrou uma fita vermelha na cabeça, deixando o laço para baixo, mantendo a franja intacta.

Pronto, estava satisfeita com o resultado.

Gaara, ainda não havia retornado de sua viagem, porém, sabia que hoje, sem falta, o homem chegaria. Seus pais informaram que estariam em casa no próximo domingo. Como se ela ligasse para isso.

Saiu do quarto, levando apenas o celular no bolso do sobretudo, e caminhou até a sala de estar onde Watanabe a esperava.

Seria mentira dizer que não sentiu nada ao fitá-lo, pois o efeito que lhe dominou foi totalmente intrigante. Seu sangue pulsou em suas veias, sem contar o coração que pulou uma batida.

— Watanabe. — obrigou-se a dizer, sentindo a voz falhar na tentativa.

Em todas essas semanas que o homem trabalhara para si, nunca havia o chamado apenas pelo sobrenome, pois sempre o tratou de forma culta. Agora, cá estava ela sentindo suas mãos suarem e escondendo-as nos bolsos do casaco para não ser pega em flagrante.

— Bom dia, senhorita Haruno. — ele cumprimentou cordial. Sakura lhe sorriu torto.

— Já está pronto? Se não estiver, posso te esperar aqui.

— Já estou. — afirmou, quase a interrompendo.

— Tudo bem. Então vamos.

Saíram juntos. Sasuke, dando espaço para ela passar pela porta, seguindo-a, em seguida. Sakura, fez questão de se sentar no banco do carona.

Permaneceram em silêncio por longos minutos, estes que Sakura julgou incômodo.

— Sabe para onde ir? — perguntou ela, tentando quebrar o tenso clima.

— Sei.

Sasuke não estava facilitando as coisas para si. Ainda que ela tentasse agir naturalmente, ele parecia tão tenso que chegava a ser incomodo. Suspirou algumas vezes tentando relaxar.

— Como foi sua noite, Sasuke? — perguntou, novamente tentando quebrar aquele paradigma.

— Boa, e a sua? — o jeito em que lhe perguntou mais pareceu por educação.

— Ótima. — respondeu sincera. Que se dane o jeito frio dele, ela havia gostava profundamente do beijo, e à noite foi totalmente relaxante após.

Seu olhar alternava entre a pista e Sasuke, que olhava fixamente para frente. Sakura quis perguntar o que estava o incomodando, entretanto, calou-se assim que seus lábios se abriram, tornando-os a fechá-los.

O local ficava, aproximadamente, 40 minutos da sua casa, e já estavam 20 minutos dentro do carro, o que estava sendo uma eternidade, Sakura pensava.

— Tem alguma coisa errada, Sasuke? — deixou que sua curiosidade falasse mais alto e decidiu perguntá-lo.

O moreno nada lhe respondeu, e passaram os próximos cinco minutos em silêncio, apenas as respirações eram ouvidas na quietude do interior do veículo. No entanto, quando não mais esperava por respostas, elas acabaram chegando, pegando-a de surpresa.

— O que aconteceu noite passada foi um erro. — ele disse rápido, direto. Parou o carro na sinalização vermelha.

Sakura sentiu todo o seu corpo enrijecer com as palavras que Sasuke proferiu. Ela estava vibrante com o que houvera, e ele estava dizendo que havia sido um erro? Por quê?

— Senhorita Haruno, nossa relação nada mais é que profissional. Quero me desculpar pelo que ocorreu ontem. — finalmente ele lhe fitou, deixando claro o quão estava arrependido.

E Sakura quis chorar ali mesmo, pois ela achou, por um momento, que ele pudesse estar tão feliz quanto ela.

— Tudo bem, não vai se repetir. — obrigou-se a falar, sentindo o ardor em sua garganta seca.

— Eu que lhe garanto, não vai se repetir. — ele tornou a olhar a pista, acelerando após a sinalização abrir.

O resto do caminho se passou em repleto silêncio. Sakura queria voltar para casa, todo o animo de apreciar as obras do museu se solidificaram. O que queria, no momento, era o aconchego de sua cama.

Todavia, se voltasse para casa tinha certeza que Gaara chegaria lá a qualquer momento para importuná-la ainda mais.

Maldita vida era a que vivia!

E enquanto seus pensamentos lhe condenavam ainda mais pela vida que julgava tão sofrida, Sasuke pensava no quão idiota havia sido por deixar seus desejos falarem mais alto.

Ele não deveria ter permitido o que aconteceu ontem, ele tinha plena consciência que o que ocorreu foi um erro que poderia lhe prejudicar futuramente, e quem arcaria com suas mancadas eram Kakashi e Obito.

Não podia se permitir errar assim novamente e deixaria claro para Sakura que aquilo foi apenas algo momentâneo, sem nenhuma importância.

Distraído em seus próprios devaneios, estacionou na vaga mais próxima, saindo do carro apressadamente e abrindo à porta para sua patroa. Era exatamente isso que Sakura era, sua patroa, nada mais.

— Obrigada. — murmurou ela, e Sasuke pôde perceber o quanto sua voz soou tristonha.

Apenas murmurou um rápido “Hm”, e seguiu a jovem, que ao menos esperou por si. Pôde sentir o quanto ela o queria longe, mas deveria estar perto dela, pois lugares como estes eram onde a jovem mais precisava de escolta.

Sasuke andava, na maioria das vezes, armado. Porém essa não era uma ocasião propicia, pois estava em local privado, e caso fosse revistado estaria encrencado. Não que fosse precisar de sua arma, apenas se sentia mais seguro com ela.

É como dizem, uns oram quando precisam de ajuda, já Sasuke preferia se garantir com sua 38, amiga fiel.

Não desacreditava em Deus, mas também não o vangloriava, pois foi Deus que tirou sua família de si. Cansou de escutar ao longo da vida que Deus fez o que era certo, porém queria mesmo mandar as pessoas hipócritas que lhe diziam isso, se ferrarem!

Ficaram naquele local fechado por horas, e Sasuke queria dar o fora, pois não era nada agradável fitar os quadros com rabiscos que ele nada entendia.

Diferente de Sakura, que passava minutos, se não horas, olhando para um único quadro e apreciando sabe-se lá o quê.

Perdeu as contas de quantas vezes bufou, suspirou, revirou os olhos, apenas percebeu já passar das 17h, quando um senhor de meia idade informou a hora para algum sujeito.

Entediante.

Pediu licença para Sakura, deixando a jovem, que fitava uma escultura no interior do museu. Sasuke andou até a saída do enorme salão, agradecendo por conseguir respirar ar fresco assim que chegou ao saguão.

Levou a mão esquerda ao bolso do paletó retirando dali o isqueiro que sempre carregava consigo, e o cigarro. Acendeu, tragando-o em seguida, enquanto suas íris fitavam o crepúsculo. O arranha-céu do local deixava algumas frestas de luz invadir o saguão, e Sasuke admirou aquela paisagem. Lembrava-lhe à Espanha, ao pôr-do-sol.

Sentiu o celular vibrar no bolso de sua calça e, imediatamente, apagou o cigarro e atendeu a chamada. Do outro lado da linha, Kakashi lhe saudou.

— Como estão às coisas por aí? — Sasuke perguntou.

Tudo em perfeita ordem. Gaara retornou para à Inglaterra. — informou o Hatake.

— Sei, Sakura havia me dito.

Sakura, é? Estão bem amiguinhos? — o tom irônico não passou despercebido por Sasuke, que revirou as olhos.

— Não fale besteiras, eu apenas tento me manter informado como posso.

Sei... Mudando de assunto, tem algo que está me intrigando.

— O quê?

Obito e Gaara se encontraram num restaurante em Ibiza.

As palavras pegaram Sasuke de surpresa.

— Tem certeza que eram eles?

Absoluta. Gaara estava com aquele pau mandado do Kiba. Eles chegaram juntos e, poucos minutos depois, Obito chegou.

— O que você acha disso?

Ainda estou investigando, mas posso afirmar que coisa boa não pode ser. Fica de olho aberto, Sasuke. Aqui na Espanha, eu estou me virando como posso, mas você está em terras inimigas, precisa ficar atento.

— Você tem razão. Acho melhor ligar para o Obito e perguntar o que es-

Não, acho melhor manter isso em sigilo. Vamos esperar pra ver se o próprio Obito diz algo a respeito. Talvez ele esteja armando algo a nosso favor.

— Tem razão... Mas então, o que faço por enquanto?

Apenas continue atuando como está. Assim que eu tiver boas novas, te comunico.

— Tudo bem.

Por enquanto, vamos ser discretos em nossas conversas. Estou investigando sobre quem barrou as mercadorias do ruivo por aqui. Falei com Obito esses dias e ele disse que também não está sabendo de nada.

— Obito nunca sabe de nada, às vezes o acho tão inútil quanto o pai dele.

Calma, menino, você sabe que ele evita falar muitas coisas. Eu já te disse, todos trabalhamos juntos, mas temos propósitos distintos, isso também serve para Obito.

— Eu sei. Você nunca me deixa esquecer.

Então apenas relaxe e aproveite a gostosinha enquanto pode. — novamente, Sasuke bufou. Queria que o Hatake estivesse por aqui, pois esmurraria a cara dele se ousasse falar sobre isso novamente.

— Você é irritante.

E você tenta me enganar, mas não consegue! — o tom zombeteiro era o que mais irritava Sasuke.

Se Kakashi ao menos soubesse do beijo que partilharam noite passada, o perturbaria pelo resto de seus dias.

Sorriu de si mesmo, descartando qualquer possibilidade de contar o que acontecera e, nesse momento, se deu conta do aglomeramento que se formara no interior do museu.

Seus olhos percorreram cada individuo tentando compreender o que acontecia.

— Kakashi, tenho que desligar.

O que está acontecen- — e o Hatake não pôde concluir sua pergunta, pois o barulho estridente invadiu o salão.

Sasuke guardou o aparelho celular no bolso, correndo para dentro do salão que se encontrava um caos. Todos corriam desesperadamente buscando amparo, e Sasuke não sabia o que estava acontecendo, apenas precisava encontrar Sakura.

Passou pelo corredor principal, ignorando os esbarros em si. O tumulto estava se intensificando à medida que o tempo avançava, e as pessoas gritavam procurando por saída e conhecidos.

“Droga”, praguejou em baixo tom, correndo para encontrar Sakura.

Novamente o barulho estridente foi ouvido, e Sasuke pressionou o corpo contra a parede tentando se esconder do tiro. Não sabia ao certo de onde vinha ou por que vinha, apenas tinha a simples missão de se proteger e proteger Sakura. E estava falhando na segunda.

Correu em direção à multidão e sentiu seu paletó ser puxado.

Por um momento, todo o seu corpo relaxou ao avistar Sakura encolhida numa pilastra.

— Sasuke, o que está acontecendo? — ela lhe perguntou, extremamente assustada.

Não sabia o que responder e optou pela verdade. — Eu não sei. — sussurrou. Tentou analisar a situação agora que boa parte das pessoas abandonaram o local.

Tinha algo muito errado nisso.

Quem fora o idiota que atirou em público?

— Eu estava admirando um quadro e, de repente, um homem se aproximou me encarando de forma estranha... — Sakura começou a se explicar, se embolando em suas próprias palavras. — Ele sinalizou para alguém assim que me viu, e a pessoa entrou atirando. — ela deu uma pausa. — Sasuke, eles estão atrás de mim? — perguntou, mirando-o nos olhos.

O desespero era nítido ao fitar as íris verdes, e Sasuke não soube o que responder, pois estava tão perdido quanto ela. Deduzindo pelo o que Sakura acabara de contar, os sujeitos estavam à sua procura e ele teria que protegê-la. Para início, precisava tirá-la daqui, urgentemente.

— Precisamos sair daqui.

— Como? — perguntou ela, esperando que ele esclarecesse boa parte dessa confusão

— Deve haver uma porta nos fundos, vamos. — e sequer esperou que ela respondesse algo. A puxou pelo braço, fazendo a jovem o seguir.

Sakura ainda não compreendia absolutamente nada, apenas deixou-se ser guiada por seu segurança.

Correram até os fundos, descendo algumas escadarias e encontrando, finalmente, a porta da saída de emergência.

— Continue correndo. — Sasuke ordenou, e não se importou em seguir o ritmo da mulher, apenas a puxava fazendo com que ela seguisse seu próprio ritmo.

Estavam totalmente desprotegidos. Sasuke estava desarmado, e os sujeitos estavam armados.

1x0 para eles.

Deixaram o local correndo pela calçada, e Sasuke observou que a rua estava um tanto deserta para aquela região tão bem localizada.

Seus passos estavam desacelerando na medida em que corriam e ao virar a segunda esquina, ouviram um carro se aproximar. Sasuke praguejou mentalmente a todos os Deuses, e pressionou ainda mais seu aperto ao braço de Sakura, puxando-a para acelerar os passos novamente.

— Estou cansada. — reclamou ela. A respiração tão descompassada que Sasuke quase a deu ouvidos. Entretanto, a situação era delicada e não podiam marcar bobeira.

O carro que virou, acendeu o farol e acelerou assim que os avistou. — Droga. — Sasuke acelerou ainda mais os passos, virando no primeiro beco à esquerda.

Suas mãos entrelaçadas apertavam uma à outra em busca de refúgio enquanto corriam perante àquela rua escura. Sakura, que antes usava um de seus saltos agulha favoritos, agora sentia o solo úmido e gélido tocar-lhe os pés. Suas pernas tentavam, inutilmente, acompanhar o ritmo do homem que lhe puxava pela mão. Era inevitável não se atrapalhar em seus próprios pés, estes que lhe traiam miseravelmente mostrando que ali, diante de ambos, era ela quem retardava à fuga. Viraram à primeira esquina, fazendo-a tropeçar numa caçamba que estava bem ao lado da curva.

O homem olhou para trás tentando averiguar que nada de grave acontecera a ela. Sakura suspirou alto, alisando o calcanhar e olhando, em seguida, para Sasuke, que lhe ergueu a mão novamente. Voltaram a correr.

Volta e meia o moreno olhava para trás constatando que ninguém os seguiam.

Pararam num beco escuro, sucumbido pelos mofos que a umidade lhe causara. Sasuke se inclinou para frente, uma mão em cada joelho respirando pesadamente. Sakura, ignorou o gélido contato da parede em suas costas, queria apenas descansar e apagar tudo que havia acontecido minutos antes.

Suas respirações saíam em arfadas curtas, demonstrando o quanto ambos estavam exaustos. Não havia nada, não havia ninguém no local além dos dois fugitivos que permaneceram calados tentando apenas regularizar suas respirações. Um som alto se fez presente assustando o casal, que olharam para a mesma direção em que o barulho se fez.

— Precisamos sair daqui. Rápido! — disse Sasuke. Sakura, que agora se encontrava de olhos fechados e a boca levemente aberta, olhou-o de soslaio.

— E-Eu ainda estou sem ar.

— Vamos, precisamos ir. — ele ergueu a mão para a mulher pegar. Assim que ela o fez, voltaram a correr, dessa vez num ritmo mais lento.

Sakura não entendia o que estava acontecendo. Era loucura pensar que minutos antes estava admirando os quadros de um museu e, no instante seguinte, estava correndo, incoercivelmente, de mãos dadas com seu segurança.

Não sabia o motivo de estarem sendo seguidos, tampouco imaginara que aqueles homens estavam ali, única e exclusivamente, para executá-la. Ainda correndo sem rumo, saíram dos becos à procura de um local seguro. A mulher deixou-se ser guiada por ele; nada fazia sentido. Esperava que o homem a quem entregou sua segurança soubesse o que estava fazendo, pois ela estava mais perdida que cego na mata. Não soube quando, mas em algum momento, Sasuke havia trazido seu corpo para si, tapando sua boca com a mão enquanto a outra mão lhe segurava pela cintura.

Estava de costas para ele e podia sentir seu corpo prensado ao corpo do moreno. Ficaram assim por algum tempo. Sakura queria argumentar, perguntar o que havia acontecido, entretanto, quando olhou para trás, Sasuke lhe lançou um olhar que dizia para calar-se e confiar nele. Assim o fez.

— Precisamos sair daqui. — ele sussurrou quase inaudível em seu ouvido. Sakura, apenas assentiu sem tirar os olhos dos dele.

Voltaram a correr, dessa vez num ritmo onde ambos puderam acompanhar. As pequenas pedras no chão estavam machucando seus pés, e Sakura queria parar, respirar, e enfiar o pé em águas mornas.

A todo instante olhava para trás, no entanto, ninguém os seguia, e ela estava quase pedindo para Sasuke parar, avisando-o que não mais estavam atrás deles. Entretanto, Sasuke estava tão concentrado em correr e procurar um abrigo que Sakura preferiu manter-se quieta.

Assim que dobraram a rua principal, Sasuke avistou alguém abrindo os portões de um pequeno prédio. Sem ao menos cogitar segundas intenções, correu para o local, arrastando Sakura consigo.

Chegou próximo ao homem que trancava os portões e empurrou o corpo do sujeito, que era poucos centímetros mais baixo que ele. Sua respiração estava tão descompassada que julgou poderem ouvi-las a quilômetros.

— Que porra é essa? — o homem balbuciou assim que o próprio corpo foi empurrado. Olhou para o casal um tanto suspeitos.

Sasuke ignorou a pergunta. Abriu o portão e puxou Sakura para dentro. O homem, dono da propriedade, entrou junto.

— Dá pra me devolver a chave e cair fora daqui? — estendeu a mão, esperando receber seu pertence e ser esclarecido quanto a tudo isso, mas apenas teve como resposta a mão máscula pressionada a sua boca.

— Cala a boca, maldito. Se continuar falando alto desse jeito vão nos achar e você vai se ferrar junto.

Diante das palavras do desconhecido, o homem pareceu pensar antes de sussurrar — O que querem?

— Apenas nos mostre onde fica seu apartamento. Precisamos passar à noite.

Ambos falavam em sussurros, e Sakura tremia, constatando o que acabara de acontecer. Todo o seu corpo suava, e em sua garganta se formava um nó.

— Eu não quero confusões.

— Você já está numa. — Sasuke afirmou. Era verdade, se os pegassem, esse cara estaria tão ferrado quanto eles.

— Droga, sempre me fodo! — resmungou. — Venham, vamos subir.

Seguiram o sujeito, que subiu os degraus até o quarto e último andar. Abriu a porta do simples apartamento e deixou espaço para o casal adentrar.

Sakura observou o local e observou o proprietário. Ele era alto, pele bronzeada e cabelos loiros. Seus olhos, que a fitavam curiosos, eram cerúleos.

— Obrigada. — ela agradeceu um tanto sem graça.

— Apenas me expliquem o que está acontecendo. Preciso saber quem estou “hospedando”. — o loiro fez aspas com os dedos ao dizer a última palavra.

— Meu nome é Sakura, e este é o Sasuke, meu-

— Noivo. — Sasuke a interrompeu. A jovem, intrigada, o fitou com o cenho franzido e as bochechas rubras.

— Vocês são noivos?

— Sim, e acabamos de ser assaltados.

— Nossa, esse bairro está mesmo muito perigoso. Ah, meu nome é Naruto. — ele estendeu a mão para Sasuke, que, relutante, apertou. Sakura apenas sorriu. O constrangimento sempre presente em sua face.

— Naruto, certo? — Sasuke perguntou. O loiro anuiu rapidamente. — Preciso de um celular.

Situações desesperadas pedem medidas desesperadas, e essa era uma dessas. Não se arriscaria em usar seu número privado, pois poderia ser rastreado facilmente a qualquer momento. Naruto, no entanto, não era problema, e o aparelho dele serviria perfeitamente.

[CONTINUA]