Notas iniciais
Adorei os comentários que recebi no prólogo e fiquei muito satisfeita. Esse primeiro capítulo é apenas uma introdução dos personagens principais. No próximo, saberão o motivo da Sakura estar na situação em que se encontra. Espero que gostem.

A sabedoria com as coisas da vida não consiste, ao que me parece, em saber o que é preciso fazer, mas em saber o que é preciso fazer antes e o que fazer depois.
—Leon Tolstoil



X



O ser humano costuma almejar aquilo que lhe está mais distante de possuir. Quando se consegue algo muito fácil, relativamente, se perde fácil. Uma pessoa que desprovem de riquezas, certamente acha que não há nada no mundo que o dinheiro não compre.

Errado.

Há muitas coisas que o dinheiro não pode comprar. Sakura, poderia listar inúmeros exemplos, porém diriam que uma “pobre” menina rica, que nasceu em berço de ouro e nunca sentiu como é faltar-lhe algo dentro de casa, não poderia fazer esta lista. Pessoas tendem a negar o que lhes são altamente vigorosos e abraçar o que lhes fazem crescer.

Hoje, em pleno século XXI, Sakura vive como se ainda esperasse que as pessoas à sua volta mandassem no que ela tem que fazer. Vive para elas e não para si, mas jamais viverá por elas.

A mulher suspira enquanto olha-se no espelho da penteadeira. A imagem reflete alguém que não conhece. É assim que se vê. Um desconhecido, um ser preso dentro de uma caixa sem poder sair ou gritar, apenas esperando que alguém abra e arranque-a do seu inferno particular.

Ela pega a escova e passa, meticulosamente, entre os cabelos loiros. Há um bom tempo essa cor não lhe agrada, entretanto, sua família não permite mudá-lo. Penteia os fios sedosos, que caem sob os ombros em grossas ondas até meados das costas. Distraída em pensamentos, ouve batidas na porta e logo autoriza à entrada.

Um homem de cabelos rebeldes num tom avermelhado entra em sua suíte, sua pele alva contrasta perfeitamente com seus olhos verde-água. Seus passos lentos e cautelosos param quando está posicionado bem atrás da mulher. Com a mão direita, o ruivo toca-lhe os cabelos, alisando da raiz às pontas. Sakura observa aquela cena pelo reflexo do espelho.

O rosto do homem se aproxima, parando próximo ao ouvido da moça, onde inala o ar, causando-lhe um leve arrepio. A mulher permanece olhando fixamente para o espelho.

— Continua tão linda... — sussurra ele. Os olhos de Sakura não piscam, não demonstram qualquer afeição àquela carícia. — Tão linda e tão fria...

— Continuo sendo o seu troféu. — fala friamente. Gaara a fita pelo reflexo do espelho, analisando cada feição de seu rosto, que aparenta leveza. Após percorrer com o olhar cada detalhe, cada expressão, os lábios másculos se repuxam para cima num sorriso chasco.

— Continua sendo o meu troféu mais precioso.

— Eu não quero ser um troféu. — Gaara, analisa aquelas palavras. Seu rosto sereno causa náuseas a Sakura.

— Sorria, meu amor. Vim lhe avisar que terei de viajar a negócios.

— Por que eu sorriria? Tenho motivos?

— Tão venenosa... — Ele fala com orgulho enquanto alisa a bochecha da moça com as costas dos dedos. — Olhe, visualize essa imagem; nós dois juntos... Somos o império, somos a realeza. — Ele sorri orgulhoso. Sakura continua com a mesma expressão austera. — Vamos, minha ninfa, deixe-me entrar em seu coração.

— Não quero poluir meu órgão mais promissor. — Ele a fita com aquele olhar. Olhar do qual ele transmite algidez e poder. Olhar que insiste em usar para mostrar a todos que é ele quem manda.

— Sua língua afiada ainda irá lhe causar problemas.

— Eu não tenho medo. — rebate ela, sustentando o olhar do ruivo.

— Pois deveria. Quer saber... — Um som alto a faz tremer e encolher-se na cadeira. Gaara acabara de socar o espelho. Um filete de sangue escorria de sua mão até seu braço, pingando no chão branco e reluzente. Sakura olha para o espelho que encontra-se partido em dois, alterando seu reflexo. — Eu estou cansado dessa sua palhaçada toda. Eu tento te agradar, tento lhe dar tudo do bom e do melhor, e você? O que você faz? Só sabe cuspir seu veneno.

Ela não responde nada, não tem o que responder ou o que argumentar. Sabia que quando ele está alterado — e nesse momento ele estava, pois seu calmo tom habitual se fora para dar passagem ao tom estridente — o melhor a se fazer é deixá-lo se acalmar.

O sangue que pingava no chão, agora formara uma pequena poça escarlate. Gaara, ainda nervoso, pega uma toalha sobre a cama e enrola em sua mão ferida.

— Responda-me, Sakura. — Ele vira a cadeira onde ela está sentada, até que fique de frente para si. — Responda-me o que tenho que fazer para ter o seu amor. — o pequeno e frágil corpo da mulher treme com aquela mudança repentina de humor que Gaara demonstra.

— E-Eu não sei... — responde quase num sussurro, sua voz oscilando entre as palavras e a respiração. Ela repreende-se mentalmente pela falha em sua voz.

— Você não sabe? — ela nega com a cabeça. — Você não sabe o que seu noivo precisa fazer para conquistar-te? — Ele passa as mãos nos próprios cabelos num ato de nervosismo. — Preciso esfriar a cabeça, se eu continuar aqui, vou acabar fazendo algo que me arrependerei depois. — diz ele. A mulher não ousou olhá-lo, porém sentiu uma ponta de ameaça em seu tom que agora estava um pouco mais controlado. Gaara, caminha até à porta, abrindo-a em seguida. — Desça em 10 minutos. — e sai, batendo a porta atrás de si.

O ar que a pouco estava prendendo é liberado de seus pulmões, enquanto as mãos pairam em seu peito esquerdo, sentindo a alteração dos batimentos cardíacos. Sakura fecha os olhos e espera alguns minutos até se acalmar. Quando finalmente sente-se mais calma, volta a fitar o espelho que se encontra rachado ao meio, dividindo seu rosto em duas partes. Exatamente como se sentia: dividida ao meio, pronta para gritar e correr dessa jaula que prende-a irrevogavelmente.

Sem opções, ajeita os cabelos, deixando-os soltos com a parte superior presa para trás, a franja cobre a testa que tanto odeia. No rosto, uma leve maquiagem, finalizando com batom vermelho. Levanta-se, olhando seu reflexo de corpo inteiro. O vestido vermelho-cereja, um palmo acima dos joelhos, destaca o busto, dando a leve impressão de serem maiores do que realmente são. Um laço preso na altura da cintura marca aquela área com precisão. O par de sapatos Stuart Weitzman Ruby Slippers completa o look.

Sakura sai pela porta com destino ao hall de entrada, onde Gaara a espera. Após chegar às escadas, puxa um longo suspiro e desce os degraus, um por um, elegantemente, até parar no enorme salão de entrada. Um lustre com cúpula bem no centro dá um ar de leveza ao local, o chão de mármore reflete as decorações impecáveis do teto. Ao lado da escada, que se encontra no canto esquerdo, uma enorme janela sem cortinas. Os vidros amplificam a paisagem de fora, mostrando um enorme jardim bem cuidado.

Gaara a olha dos pés a cabeça. Ela sente-se sendo invadida apenas com seu olhar, como se pudesse atacá-la a qualquer momento. Ele caminha até ela, erguendo o braço direito da moça e depositando seus lábios nas costas da mão fina e delicada. A mulher sente repulsa com aquele ato, porém sorri para disfarçar os reais sentimentos.

— Meu amor, a partir de hoje você terá alguém que zele vinte e quatro horas por sua segurança. — diz ele, enquanto entrelaça seu braço ao dela. Sakura arqueia a sobrancelha, confusa.

— Não entendo...

— Veja, esse é Watanabe Sasuke. Ele fará sua segurança de agora em diante. — um homem alto, bom porte, trajando um terno preto e óculos escuros, se aproxima do casal.

— Será um prazer trabalhar para a Senhorita. — fez uma leve reverência. Ela olhou para seu rosto, sua pele alva, tão quanto à dela. Voltou a fitar Gaara, que observava com atenção as atitudes do homem.

— Não posso acreditar que você contratou um guarda-costas para mim.

— É para sua segurança, meu amor. O senhor Watanabe não excederá os limites que você impor. — tentou defender-se.

— Não é isso, Gaara. Eu apenas não quero ter alguém atrás de mim o tempo todo. Nossa, isso é ridículo. — soltou-se do braço de Gaara e andou até o centro do hall. — Deveria ter me comunicado sobre isso antes de contratá-lo.

— Eu decido as coisas por aqui. Watanabe fará sua segurança e ponto final!

Limitou-se a bufar, irritada.

Gaara, odiava essas atitudes que ela tinha, dizia que uma dama como ela não deveria agir assim em público. Toda vez que ele lhe dava esses sermões, queria mandá-lo para aquele lugar, no entanto, controlava-se ao máximo e guardava aquilo dentro de si. O homem chamado Sasuke, observava tudo em silêncio. Após alguns segundos, Sakura decide sair daquele local e respirar ar fresco.

— Preciso de ar. — vira-se e caminha para sair pela porta dos fundos até o jardim. Ouve Gaara murmurar um rápido “siga-a”. Revira os olhos enquanto caminha sem olhar para trás. Somente para quando está de frente para o enorme chafariz, e fica a observar a água abundante e cristalina que espirra do centro. Não soube quanto tempo permaneceu assim, pois sai de seus devaneios com o som de passos se aproximando. Vira-se e o tal segurança está ali, parado, observando-a. Volta a fitar o chafariz, ignorando a outra presença.

— Desculpe-me pelo ocorrido. — parou as palavras por alguns segundos e tornou a falar. — Eu não sabia que a senhorita não fazia ideia da minha presença.

— Tudo bem. — Ela cruzou os braços no peito e continuou vislumbrando o chafariz.

— Vou tentar ficar o mais afastado possível.

— Acho que está fazendo isso errado, senhor Watanabe. — virou-se para olhá-lo. O homem deixou um sorriso de cantor escapar diante de sua ironia.

— Me chame apenas de Sasuke.

— Tudo bem. Voltando a dizer, acho que está fazendo isso errado, Sasuke. — Ele nada respondeu, permaneceu olhando-a, curioso.

— Preciso saber o seu nome. — diz após alguns minutos. Nesse momento, a mulher se dá conta de que não havia se apresentado, tampouco seu noivo o fizera. “Logo ele que diz ser tão educado...”.

— Sakura. Haruno Sakura. — aproxima-se e estende a mão para um aperto amigável. Sasuke franziu a testa. — O que foi? — pergunta em confusão.

— Não imaginei que me cumprimentaria dessa maneira.

— Você... Ah... — Mordeu o lábio inferior enquanto fingia pensar em algo. — Quer um beijo na bochecha e um tapinha no ombro?

— Não foi isso que eu quis di-

— Então não reclame. — o interrompeu. — Preciso que leve-me em um lugar. — ele assentiu.

Andaram até o carro. Antes de sair, Sakura informou a uma das empregadas para que comunicasse seu querido noivo que só chegaria mais tarde. Sasuke, dirigiu até o salão de beleza do centro, que foi onde Sakura pediu que a levasse. E após a moça descer do carro, pediu que ele a esperasse por ali até que ela voltasse.

"Gaara acha que tem total poder sobre mim, mas agora mostrarei que ele está passando dos limites. Minha família é tão rica quanto a dele, só estou nesse noivado porque meu pai obrigou-me, a negócios. Ele que ouse pensar que acatarei suas ordens de cabeça baixa. Hoje, ele passou dos limites contratando esse segurança esquisito." — pensava a mulher, enquanto rumava até o salão a passos firmes e elegantes.

Enquanto a mulher de cabelos loiros caminhou até o salão de beleza, sentado no banco do motorista do veículo importado e vidros blindados, Sasuke digitava um número em seu aparelho celular. Após a terceira chamada, uma voz máscula atendeu do outro lado da linha.

E então?

— ‘Tô dentro! — respondeu com um sorriso de canto que deixava uma exígua covinha se formar no canto dos lábios.

Perfeito. — Sasuke encerrou a chamada e guardou o aparelho no bolso interno do paletó.

Notas finais
Watanabe? WTF? Bem, vocês vão entender isso mais pra frente. Sentiram como Gaara é dominante, né? Não queria fazê-lo assim, mas realmente era necessário. Kissus e espero receber comentários *-*