Segurança Privada
22 XX - Vigésimo.
A imaginação é mais importante que o conhecimento.
Albert Einstein.
O quarto tornara-se insuportável. As paredes pareciam engoli-la numa atmosfera mortífera. Os moveis lhe impregnavam a alma, enojando-a até à morte, e as luzes cegavam-na. Hinata, já não mais suportava a ausência das pessoas. Ela estava acostumada aos movimentos exercidos pelos habitantes à sua volta. No entanto, estar aprisionada naquele quarto de hotel, sufocava-a.
Como se para aliviar a tensão, passou a observar as diferentes formas das sombras dos móveis. O sol, a pino, fazia com que as sombras dos objetos se intensificassem pelo quarto, formando simetrias insignificantes, estas que Hinata, de certa forma, tentava desvendar com sua mente fértil. As cortinas dançavam conforme o vento soprava para dentro do cômodo localizado no décimo segundo andar. Ela abrira a janela mesmo com ar condicionado ligado.
Precisava sentir o vento bater-lhe para provar a si mesma que ainda vivia e que, mesmo naquele cubículo, seu corpo podia respirar.
Hinata olhava fixamente para as sombras até que um urubu atraiu-lhe àtenção. Insatisfeita, se levantou e andou até a janela. A vista era simples, agradável, uma típica visão de um dia ensolarado. As ruas estavam movimentadas e, de cima, Hinata apreciou a multidão que se aglomerava. Eles nunca paravam. Nunca. Ela podia jurar que esta cidade era ainda mais movimentada que à sua Inglaterra. Os carros ocupavam a maior parte das ruas. Hinata podia escutar as buzinas e até mesmo o ronco dos motores. Bem à direita ao prédio em que se hospedara, uma praça estampava sua graciosidade naquele local. Combinava perfeitamente. Tudo ali era minimamente detalhado, como se fosse feito exatamente para atrair a atenção dos espectadores.
Contudo, nem essas atrativas coisas eram suficientemente para ela. Estavam longe de ser.
Com um suspiro, ela deixou de apreciar a paisagem e perdeu-se em suas memórias.
O tranco na porta atraiu-lhe àtenção, fazendo-a olhar para o intruso que lhe tirara os pensamentos. Naruto passou apressado pelo batente, não se incomodando de trancar a porta. Usou apenas o braço para empurrá-la, a fazendo bater num leve ruído. Apressado, abaixou-se no chão, retirando uma mala debaixo da cama. Foi até o armário, abrindo-o, retirando as roupas, pondo-as dentro da mala de qualquer jeito.
Hinata observava os movimentos apressados dele, e só resolveu questionar quando o armário já se encontrava vazio e a mala cheia.
— O que está fazendo?
— Estamos de saída. – a resposta veio mais breve que ela imaginou. Ele falara tão natural e implacável.
— Para onde? – agora, Hinata movimentou os pés para se aproximar de Naruto, que parou de tentar fechar a mala e a encarou.
— Temos que dar o fora daqui. Sasuke entrou em contato.
Hinata teve o impulso de rir, mas segurou-o.
— Por que estamos fazendo tudo que esse cara quer? Desde quando recebemos ordens?
— Desde que ele nos dita.
Agora sim, Hinata gargalhou. Passou as mãos suadas no jeans surrado que usava. O ar condicionado não dava vazão devido às janelas abertas.
— Isso está fora de controle! – ela disse. – Não podemos ficar obedecendo esse cara. Nem sabemos quais são as intenções dele.
Por alguns segundos, Naruto pareceu analisar suas palavras. Ele até mesmo se sentou na borda da cama.
— Você quer salvar sua amiga, certo?
Isto era o ponto chave da história, ela somente estava ali por Sakura. Nada, além de Sakura, a fazia continuar com esta loucura. Até mesmo, por diversas e diferentes ocasiões, deixou seus questionamentos e se deixou ser guiada pelo desconhecido. Uma neblina densa que a fazia perder-se em seus próprios pés. Isso tudo porque queria, porque tinha que salvar sua amiga.
Com os olhos fixos no chão, anuiu lentamente.
— Quero. – sua voz nada mais que um sussurro.
— Então, — Naruto assentiu para si mesmo. – esta é a coisa certa a se fazer.
— E se esse cara armou tudo isto? E se a história dos perseguidores foi apenas armação?
— Não parecia armação quando adentraram ao meu apartamento em busca de refúgio. Hinata, olhe para mim. – ele se aproximou dela. Suas mãos foram de encontro aos ombros femininos. – Eu sei que parece loucura. Eu penso nisso à todo momento, mas eu preciso que confie em mim, pelo menos um pouco.
“Eu não sei explicar, só sei que eu sinto que devo ajudá-los. Eles apareceram na minha porta num momento delicado da minha vida, e eu juro pra você que se fosse antes, eu os colocaria pra fora sem me importar com o que Diabos fosse acontecer com eles. Mas agora, nesse momento, eu só posso ajudá-los do jeito que eu conseguir. Eu nunca fui um cara de me aventurar, sempre segui minha medíocre vida da maneira mais certa. Se eles apareceram na minha porta é porque eu sou capaz de fazer alguma coisa. Quando eu embarco em algo, vou de cabeça! “
O discurso do louro terminou com um sorriso genuíno é um olhar orgulhoso de si próprio.
Hinata, por outro lado, encarava-o embasbacada e até mesmo admirada. Ela sabia que era loucura tudo aquilo, mais ainda que esse homem era um louco por querer ajudar pessoas que nunca antes viu, arriscando à própria segurança. Ao mesmo tempo, sentiu uma certa admiração por Naruto. Ela sempre admirara pessoas fortes, de boa índole. Naruto era o tipo de pessoa a ser admirado, um contraste se comparado a Kiba, seu noivo.
— Vamos ajudar a Sakura e depois a gente cai fora daqui! – obrigou-se a dizer, arrancando um enorme sorriso de Naruto.
X
Sasuke caminhava pelo corredor até a sala de Obito. De um lado, as paredes e portas formavam um muro escondendo as salas de todo e qualquer intruso, e, do outro, uma extensa janela clareava o corredor imaculado. Daquele andar, a vista era privilegiada. O arranha-céu era realmente um luxo à parte, que intensificava a modernidade e requinto do prédio.
Ele dobrou à direita, seguindo até o fim do corredor. Uma mulher de aproximadamente 25 anos lhe saudou, dando autorização para que ele adentrasse a sala. Com um breve aceno de cabeça, ele passou por ela, entrando no escritório do seu tio.
O local era confortável tão quanto o lado externo. As paredes eram de um tom escuro, tabaco, e o chão amadeirado. Havia uma mesa empresarial, alguns quadros, e sofás que davam um ar de comodidade.
Sasuke andou até parar de frente para a mesa. Do outro lado, sentado no cadeira giratória, Obito gesticulou para que o sobrinho se sentasse.
— Me sorprendió por su visita, mi sobrino. (sua visita me surpreendeu, meu sobrinho).
Sasuke demorou alguns segundos para responder. Ele havia ido ali único e exclusivamente para questionar Obito. As coisas não iam como havia planejado e Kakashi vinha o alertando das demandas de Obito. Sasuke estava, de certa forma, um tanto quanto intrigado. Ele confiara em Obito – na medida do possível, é claro. Seu braço direito era apenas Kakashi. Somente ele tinha sua total confiança. Permaneceram mais longos segundos se encarando, até que Sasuke quebrou o silêncio com um tom agridoce.
— Me imagino que iba a aparecer en algún momento. (Deveria imaginar que eu apareceria em algum momento).
— Yo sabía que iba a volver a España, pero estanhei la prisa. Cuando nos conocimos ese día, me sorprendió verlo aquí, más aún en buena compañía... (Eu sabia que voltaria para a Espanha, mas estranhei a pressa. Quando nos encontramos aquele dia, fiquei surpreso por vê-lo aqui, ainda mais tão bem acompanhado...)
— Hubo algunos inesperado... (aconteceu alguns imprevistos). – seu tom deixara claro que o assunto não se prolongaria.
— Hm. – Obito apoiou os cotovelos sobre a mesa e cruzou as mãos de frente à face. – Escuché lo que sucedió en el museo... (Fiquei sabendo do ocorrido no museu...)
— No quiero hablar sobre eso. (Não quero falar sobre isso).
— Usted sabe que no estabas detrás de usted. (Você sabe que não estavam atrás de você). – ele ignorou Sasuke. – Debería tener más cuidado, querido sobrino. Un pequeño desliz y puede arruinar todo... (Deve ter mais cuidado, caro sobrinho. Um pequeno deslize e pode pôr tudo a perder...)
— Te dije que no quiere hablar de ello. (Já falei que não quero falar sobre isso!)
— Sólo te estoy precavendo. (Estou apenas te precavendo). – disse, irônico.
Sua voz soara nitidamente irônica na maior parte do tempo. Sasuke se perguntou por que só agora notara isso. Kakashi estava certíssimo, Obito escondia muitas coisas; suas últimas investigações para com o tio deixavam transparentes como a água.
— Necesito los documentos que etiquetan productos entrantes y salientes. Ambos de España, ya que los países suministrados. (Preciso dos documentos que rotulam as entradas e saídas de mercadorias. Tanto da Espanha, quanto dos países fornecidos).
Obito pareceu surpreso com o pedido repentino. Ele tentou relaxar em seu assento, chegando até a relaxar os ombros, adquirindo uma postura desleixada. Sasuke, porém, percebeu o desconforto do mais velho.
Ele não sabia porque Obito assumiu tal postura. Seu pedido era simples. Antes de deixar à Espanha, havia deixado a empresa nas mãos de Obito. É claro, Kakashi estava a espreita, sempre. Mas o encarregado das assinaturas para retiradas de mercadorias estava destinado a Obito. Agora, depois de toda pesquisa que havia feito e pensando racionalmente, Sasuke achara que cometeu um enorme erro deixando tal poder nas mãos do tio.
— — ¿Por qué ahora , Sasuke? Estoy muy ocupado con los bienes de esta semana , no veo ninguna razón para querer algo tan insignificante. (Por que isso agora, Sasuke? Estou extremamente ocupado com as mercadorias desta semana, não vejo motivos para querer algo tão insignificante).
— Sólo estoy pidiendo a la manera de las firmas. Usted los tiene, por casualidad, ¿no? (Só estou pedindo as vias com as assinaturas. Você as têm, por acaso, né?)
Obito pigarrou. Ele as tinha, é claro. Tinha cada via assinada a punho. No entanto, algumas coisas deveriam permanecer debaixo do tapete, como já dizia o ditado. Entregar tais documentos para Sasuke era o mesmo que admitir alguns extravios diretos. Extravios estes que continham sua assinatura, seu consentimento. De maneira alguma entregaria aqueles papéis para o sobrinho tolo.
— Me temo que tengo que enviar el abogado de la empresa traerá. Ya sabes, estas cosas son muy importantes y confidenciales. (Receio que tenho de mandar o advogado da empresa trazer. Você sabe, essas coisas são de extrema importância e confidenciais).
Sasuke ergueu a sobrancelha. Encarava o tio como se estivesse pronto para desmascará-lo. Obito percebeu isso e sua mente só conseguia pensar em livrar-se do sobrinho o mais rápido possível.
Ele já estava a par dos acontecimentos no Reino Unido. Ele até mesmo sabia que a mulher que desembarcara com Sasuke quando chegara na Espanha, era Haruno Sakura, noiva de Sabaku no Gaara. As coisas estavam tomando um rumo bastante interessante, julgara Obito, e tudo estava indo a seu favor. Não seria agora, por causa de meras notas fiscais, que decairia em seus próprios planos.
— Yo esperaré aquí por el abogado. (Esperarei aqui pelo advogado).
O moleque era insolente, Obito pensou. Teria que persuadi-lo até que seus planos se concretizassem.
— Él no puede venir hoy. (Ele não poderá vir hoje).
— Por que no?
— Está viajando! – mentiu. – día de fiesta llegó y se fue a Hawai para celebrar con la familia. Ya sabes lo que se siente al perder el tiempo, si usted sabe lo que yo. (suas férias chegaram e ele foi para o Havaí festejar com a família. Sabe como ele é, gosta de farrear, se é que me entende).
— No compreendo nada, Obito! – Sasuke estava perdendo a paciência. Sentia que Obito estava apenas caçoando de si, internamente. – Cuando regresa este maldito viaje? (Quando ele volta dessa maldita viagem?)
— Pronto, mi sobrinho, pronto! (Em breve, meu sobrinho. Em breve!) – respondeu, sorrindo de canto. Seu olhar nunca deixando o rosto de Sasuke.
— Cuando regrese , les pido que me envíe copias de las facturas de todos los bienes , ya que mi ausencia hasta el momento. (Quando ele voltar, peça para que me mande as cópias com as notas fiscais de toda mercadoria, desde a minha ausência até agora). – dito isso, Sasuke se levantou para deixar a sala.
— Puede dejar, pequeño Sasuke. (Pode deixar, pequeno Sasuke). – Obito murmurou, ainda que Sasuke já tivesse deixado a sala. – Voy a arreglar todo, incluyendo las firmas de la clínica psiquiátrica. (Irei mandar tudo, inclusive as assinaturas da clínica psiquiátrica). – completou com um sorriso macabro.
Ele estava confiante mediante aos fatos. O tempo que seu tolo sobrinho esteve na Inglaterra fora o suficiente para que pudesse por tudo em ordem. Nem mesmo a sombra do Hatake fora suficiente para acalentar seus planos.
X
Sakura estava na varanda. À sua frente, Karin descascava alguns legumes. Ela havia se oferecido para ajudá-la, de um jeito que Karin pudesse compreender, é claro. Mas a ruiva dispensara sua ajuda. “Déjame hacer... (Deixa que eu faço isso...)”, Karin dissera como desculpa. Em seguida, em baixo tom acrescentou “Si Sasuke coger usted ayudarme, me matará! (Se o Sasuke pegar você me ajudando, vai me matar!)”.
Claro, além de não ter entendido uma palavra sequer da pronúncia de Karin, entendeu que ela não queria sua ajuda. Então, sendo assim, tratou de ficar quieta observando a habilidade que a ruiva tinha com a faca. Por um momento, teve vontade de perguntar como era viver ali... Sozinha. Sakura sabia que Karin passava a maior parte do tempo só. Algumas vezes ela sumia. Kakashi dizia que ela fora vagabundar, que era o que ela fazia de melhor. Mas Sakura passou a observar que toda vez que a ruiva voltava de seus passeios misteriosos, seus olhos denotavam um brilho extra.
Sakura já havia visto aquele mesmo brilho em seus próprios olhos. Ele sempre estava presente mediante a ausência de Gaara.
Pensando por este lado, ela retorceu os lábios num sorriso melancólico.
Talvez, só talvez, pudesse estar sentindo um vestígio de saudades de sua casa.
Seus pensamentos foram interrompidos com a chegada abrupta de Sasuke. Ele passou por ambas sem se incomodar em cumprimentá-las, e Sakura ficou com o cumprimento entalado na garganta. Ela se levantou, passando as mãos sujas no short jeans.
— Já volto, Karin. – avisou sem ao menos perceber que sua companhia solitária só entendera o próprio nome.
Karin seguiu com o olhar os passos apressados de Sakura, até que ela sumiu nos fundos da casa.
No interior, Sasuke já não mais estava a vista. Ela ouviu um ruído no andar de cima e caminhou até lá, subindo os degraus um pouco apressada. Parou de frente para a porta do quarto que partilhavam e hesitou em bater. “Seria um tanto estranho bater, não é?”, pensou.
Constatando o óbvio, girou a maçaneta e adentrou. Sasuke estava sentado na borda da cama. Pelo modo que segurava a cabeça com as mãos, Sakura soube que algo acontecera.
— Posso entrar? – perguntou num sopro, aproximando-se do corpo másculo.
Com um riso em escárnio, Sasuke respondeu. – Já entrou!
Ela coçou a bochecha direita, sem graça. Logo tornou a se recompor e concluiu seus passos, se sentando ao lado dele.
— Aconteceu alguma coisa?
Ele nada respondeu. Sua cabeça permaneceu baixa e seus ombros expostos.
— Eu posso te ajudar, Sasuke? – o silencio fora sua resposta. – Não gosto de vê-lo assim...
a mão de Sakura foi, automaticamente, parar no ombro de Sasuke. Ela afagou o local. Seus dedos acariciavam delicadamente o rapaz.
— Não sei o que aconteceu, mas, seja o que for, eu estou aqui! – afirmou com tamanha convicção, que fez Sasuke erguer o rosto para fitá-la.
A química entre os dois era nítida. Bastava um olhar para que todo o restante do mundo fosse esquecido. A presença dos dois, juntos, fazia com que certas frases viessem a ser banais. Alma gêmeas, predestinadas, uma atração inegável.
Sakura sabia disso. Ela sabia tanto disso quanto o ritmo frenético que seu coração assumiu. Ele palpitava tão veloz que ela jurou que podia abandonar sua cavidade torácica.
E sua respiração... Ah, sua respiração não mais lhe pertencia, pois se mesclava com a de seu segurança. A palavra segurança lhe fazia tanto sentido. Era vivido, onipotente e acalentador.
Seus dedos, que afagavam o ombro exposto de Sasuke, subiram delicadamente, roçando o maxilar até alcançar a curvatura da bochecha. Eles pararam ali por algum tempo, sentindo a textura incrivelmente agradável.
Em resposta, Sasuke fechou os olhos sentindo as pontas dos dedos feminil.
Assim que ele abriu os olhos, deparou-se com o par de olhos mais intensos que ele já vira em sua existência. Ainda que sua mãe, Mikoto, o olhasse de uma maneira genuína, os olhos de Sakura denotavam algo a mais.
Além da mais pura inocência, eles realçavam, até mesmo, luxuria. Fosse pelo momento ou não, Sasuke gostou daquele jeito novo que ela lhe olhara.
Sakura, entretanto, sentiu a observação do olhar másculo, e, até mesmo, a aprovação. Sasuke tinha o tom das íris tão escuras que parecia-lhe um imenso oceano banhado apenas pelo luar.
Ela não afastou suas mãos, pelo contrário, passou a acariciar a sobrancelha tão negra quantos os olhos. Assim que seus dedos passearam por alguns longos instantes nos finos pelos, Sasuke prendeu seu pulso. Um movimento repentino. Sakura chegou a franzir o cenho perguntando-se internamente se fizera algo errado.
Não. Ela não fizera exatamente nada de errado, e soube disso assim que as costas dos dedos de Sasuke tocaram a maçã do seu rosto. Tão suave era o toque, que agora fora ela quem fechou os olhos para apreciar aquela carícia. Prendeu a respiração por alguns segundos. Seu corpo todo reagia aos estímulos de um simples toque. Como Sasuke era capaz de fazê-la sentir isso?
Assim como sua mente, nublada pela luxuria, Sakura aproximou seus rostos. Ela somente abriu os olhos quando passou a sentir a respiração de Sasuke bater-lhe tão próximo. Como um pedido mudo para prosseguir, ela o olhou por mais alguns segundos antes de acariciar a boca do Sasuke com a sua.
Os lábios, de início, estavam frios. Como se ele tivesse acabado de ingerir algo congelante. Ela ignorou a sensação instigante que a tomou por breves segundos, avançando o nível, experimentando o agridoce com a língua.
Sasuke permanecera parado. Ele não fizera qualquer movimento para aprofundar ou para afastá-la. A mão que antes acariciava o rosto de Sakura, caiu até seu próprio colo.
Percebendo que não havia reciprocidade, Sakura abriu os olhos. Um questionamento mudo por parte dela.
— Eu não quero me aproveitar de você. – ele confessou. Sua declaração fez o peito de Sakuta inflar.
— Não está se aproveitando... – respondeu num fio de voz.
— Não quero que se arrependa. – ela tocou-o no rosto, como um consentimento e uma maneira de lhe dizer que ela queria tanto aquele contato físico.
— Se não fizer, aí sim me arrependerei! – falou tudo de uma vez. Ainda que a timidez estivesse presente inchando sua garganta, não adiaria aquele momento.
E vê-la daquela forma, com as bochechas em tons vermelhos e as íris dilatadas, fizera Sasuke apreciar ainda mais a mulher à sua frente. Sem mais hesitar, selou os lábios nos de Sakura.
Agora o movimento não era nem um pouco delicado. As bocas moviam-se em puro êxtase. As frágeis mãos agarraram os fios negros, cravando os dedos na própria palma enquanto puxava-os.
Ele levou uma mão até a cintura delgada, conduzindo-a até que estivesse acima de si com as pernas rodeando cada lado de seu corpo. Abandonou a cintura para apalpar as nádegas de Sakura, que movimentou os quadris, instintivamente, sentindo a ereção de Sasuke crescer.
Aquilo a levava a loucura. Ela estava perdida em seus próprios deleites. Ela queria muito mais, precisava de muito mais dele.
Sentiu as mãos afagarem com certo desespero suas pernas, e um escasso gemido escapou de seus lábios.
— Porra. – ele xingou, e Sakura não soube o porquê.
Ela movimentou a língua em cada canto que pôde. Algumas vezes, mordeu o lábio inferior dele, arriscando olhá-lo só para constatar o quão perdido ele estava. Ela sentia que ele queria mais, ela mesma queria muito mais e seu corpo não hesitava em se esfregar desesperadamente nele.
— Sasuke. – sussurrou num gemido rouco. Ele acabara de descer os beijos por seu pescoço. A sensação da boca acariciando sua pele era a mais pura euforia. Quando os lábios chegaram ao vale dos seios, ela tornou a chamá-lo, dessa vez, mais alto. Sua cabeça tombara para trás e seus olhos se fecharam.
Sasuke usou uma mão para descer a blusa que Sakura usava. Era uma simples regata, e não precisou tirá-la do corpo dela para poder apreciar o sutiã de renda que ela usava. Ele apoiou o queixo na curvatura dos seios e olhou para a face dela. Uma pergunta muda se poderia avançar, se ela queria que ele avançasse aquele espaço. Um espaço íntimo e carnal.
Sakura anuiu, porém, ele permanecera lhe encarando. Ele precisava ouvir de seus lábios o consentimento.
— Pode. – consentiu. – Pode. – reforçou em alto tom.
E no instante seguinte, Kakashi invadiu o quarto como o inconveniente que era.
— Mais que porra! – Sasuke praguejou, afastando o corpo de Sakura de cima do seu.
O constrangimento passou nítido na face da Haruno, que parecia um tomate.
— Que merda está fazendo aqui? – Sasuke perguntou, o tom de voz nada amigável.
— Interrompi algo?
Se não bastasse ser inconveniente, também era cara de pau. O pior é que Kakashi parecia gostar de estar causando tal constrangimento.
— Acho melhor eu sair... – Sakura mal esperou por respostas. Passou pelo mais velho, de cabeça baixa, e deixou o cômodo com o pingo de dignidade que ainda lhe restava.
— Você é um grande filho da mãe, sabia?
Kakashi gargalhou. Ele estivera batendo na porta por longos minutos e assim que perguntou se poderia entrar, escutou a mocinha dizer “Pode”. Que culpa ele tinha se ela havia autorizado sua entrada?
— Foi a própria Sakura quem me autorizou a entrar. Não reclame!
Sasuke revirou os olhos. Estava irritado e com a ereção, que logo foi percebida por Kakashi.
— Acho que atrapalhei uma boa transa.
— Você apenas acha? – retrucou Sasuke. – Vou tomar um banho. – sem esperar por respostas, deixou o quarto, esbarrando no ombro do Hatake assim que passou por ele.
No momento, o que precisava era de um banho gelado, urgente.
X
À noite chegara depressa. Ninguém mais tocara no ocorrido mais cedo. Parecia um tabu aquele assunto, e Sakura agradecia a discrição dos homens.
Karin não estava em casa, havia saído assim que o sol se escondera. Ela não se arrumou, apenas usou mais uma de suas peças de roupas casuais. Por outro lado, Sakura notou a ausência de bijuterias na moça. Até mesmo em casa, Karin usava brincos, mas para sair ela dispensara esses acessórios. Nada que levasse a um ponto chave, é claro, mas como a ruiva saiu com os cabelos presos num rabo de cavalo alto, Sakura pôde notar tal ausência.
Ela estava no sofá vendo um filme americano. Ao menos a tv a cabo colaborava com sua conduta.
Descendo às escadas, Kakashi pôs as mãos nos bolsos a procura da chave do carro. Não a encontrou em nenhum dos bolsos e tornou a subir as escadas. Devia tê-las deixado em seu quartinho.
Assim que achou as chaves, que estavam em cima do criado-mudo, virou-se dando de cara com Sasuke parado na porta.
— Ainda ressentido?
— Sem ressentimentos. – o mais novo respondeu.
— Vou até o galpão, creio que alguns de nossos homens estão ficando desleixados. – Kakashi brincou com a chave, jogando-a para o alto até que a mesma caísse em sua palma aberta.
— Fui até a empresa hoje cedo.
— E?
— Pedi que meu tio me entregasse os documentos com as notas e assinaturas impressas.
Kakashi guardou a chave no bolso.
— Ele te entregou?
— Não, mas disse que me entregará assim que o advogado da família retornar da viagem.
Com a sobrancelha arqueada, Kakashi olhou-o confuso.
— Que viagem?
— A da família.
— Mas o advogado não foi viajar, Sasuke. Falei com ele hoje cedo sobre o pacote que ficou preso no Brasil. Ele até mesmo me garantiu que não teremos problemas quanto a isso, pois, se tratando do Brasil, não teríamos problemas com a justiça.
— Tem certeza disso?
Kakashi somente assentiu. Sasuke, por outro lado, deixou o quarto com passos largos.
Ele estava enfurecido com o tio. O maldito, além de estar desviando as mercadorias, fato comprovado mediante investigações, também estava mentindo. O que Obito ganhava com toda essa mentira?
Ele sabia que as notas fiscais impressas acusariam-no, mas ele podia alegar que fizera tal coisa para proteger o nome dos Uchiha. Qualquer indivíduo alegaria isso quando estivesse sendo acusado de tal forma, pois as mercadorias, de certa forma, envolviam a família. Sasuke mesmo já pensou em tirar o nome da família da reta, caso fossem descoberto, mas Obito garantiu que as mercadorias estavam de vento em popa.
Para que mentir tão descaradamente? O que ele estava ganhando com isso?
Agora, cabia a Sasuke descobrir quais as intenções de seu tio, homem que ele confiou até meses atrás.
Com um longo suspiro, desceu até a sala. Sakura estava entretida com algum filme americano.
Ele passou a observar a mulher. Os contornos faciais eram suaves, o corpo delgado era como de uma adolescente em formação. Os cabelos cor-de-rosa deixavam-na ainda mais jovial. Ele podia notar a raiz crescendo, revelando a cor dos fios naturais, louro.
— vista-se, vamos sair. – disse num impulso, atraindo àtenção da mulher.
— Para onde vamos, Watanabe? – ele franziu o nariz ao ser chamado por aquele nome. Gostava muito mais quando ela o chamava por Sasuke. Apenas Sasuke.
— Apenas troque de roupa, você tem cinco minutos. – ele olhou em seu relógio de pulso. Eram 20h:57min.
— Já volto. – Sakura subiu apressada. Ela já havia tomado banho, então apenas trocou de roupa, pôs algo confortável. Ia deixando o quarto quando seus olhos prenderam-se em algo na cabeceira da cama. A câmera que comprara de presente de aniversário para Sasuke.
Seus pés a guiaram até o objeto, pegando-o e admirando-o.
Sua mente rapidamente lhe trouxe lembranças de uma vida não tão passada.
"— Mal posso esperar para usá-la.
— Eu posso ser sua modelo. – ofereceu-se sem pensar, corando em seguida.
— Adoraria. – fora a resposta de Sasuke naquela época."
Com um sorriso de canto, pegou uma bolsa de franja e pôs a câmera ali dentro, junto com os acessórios. Não demorou mais que dez minutos para retornar a sala e encontrar Sasuke esperando-a.
— Está atrasada.
— Vai valer a pena! – garantiu, vendo-o soerguer a sobrancelha em desentendimento. Ele permaneceria assim até o momento certo.
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