Capítulo 65 : Sem escolha

Após mais uma noite cheia de pesadelos, delírios e febre alta, Scarlett acordou se sentindo fisicamente mais forte. Totalmente enrolada nos cobertores, ela percebeu que já era de manhã, pois os raios de sol entravam pelas frestas das janelas do quarto e chegavam a iluminar a sua cama, onde também podia escutar o barulho dos pássaros que cantavam alegremente do lado de fora. Ainda deitada, ela sentiu uma sensação estranha. Seu coração bateu mais forte quase explodindo dentro do peito, quando ela respirou mais profundamente e sentiu um cheiro de perfume familiar. Um cheiro masculino, misturado com charutos e uísque, um cheiro que ela não sentia há algum tempo. Scarlett arregalou os olhos e por alguns segundos ficou paralisada." Esse cheiro...não pode ser!" ela pensou angustiada. Tremendo bastante, ela correu para sentar-se no colchão macio, aproveitando a força extra com a qual acordou naquela manhã e avistou Rhett Butler deitado na poltrona em frente a cama dela, dormindo. " Rhett? Ah, não! Droga! Como ele conseguiu me encontrar? Minha tia fofoqueira não segurou a língua dentro da boca e correu para contar pra ele onde eu estava! Também, o quê eu podia esperar de minha tia Eulalie?" Scarlett pensou com raiva. A última coisa que ela queria era que o marido a encontrasse naquele estado lastimável em que estava : doente, frágil e indefesa. "Agora, ele terá mais motivos para zombar de mim." Scarlett lamentou consigo mesma.
Olhando para o homem que ela tanto amava, segurou as lágrimas que ameaçaram cair. Por alguns segundos chegou a pensar que ele podia realmente se importar com ela, mesmo que fosse apenas um pouco, mas logo se lembrou do baile de Santa Cecília, da humilhação que passou, dele dançando alegremente com Anne Hampton na frente de todos, e chegou a triste conclusão que Rhett estava ali apenas para cumprir com o seu papel de marido. Provavelmente a senhora Eleanor tinha obrigado o filho a sair para procurá-la. Ela não queria vê-lo e não iria aceitar de jeito nenhum voltar para a mansão dos Butlers com ele. Criando uma força interior inabalável alimentada pela raiva e dor que sentia, ela gritou chamando por ele e rosnando com raiva ao mesmo tempo.
"Rhett Rhett!"
Rhett Butler acordou praticamente pulando da poltrona, assustado. Ele arregalou os olhos ao ver sua esposa nervosa olhando para ele. Os olhos verdes de Scarlett brilhavam de raiva e dor.
" Rhett! O quê você está fazendo aqui?!"
Rhett respirou profundamente, procurando manter a calma. Ele sabia que o reencontro entre os dois não iria ser fácil. Scarlett estava com muita raiva dele e com razão. Durante, alguns segundos os olhos negros de Rhett permaneceram fixados nos olhos verdes de sua esposa e ambos não conseguiram dizer uma única palavra. Ele queria correr para abraçá-la e apertá-la em seus braços fortes, mas não conseguiu se mexer. O olhar penetrante e raivoso de Scarlett o paralisou e o emudeceu.
Um acesso de tosse tomou conta de Scarlett, tirando Rhett do transe em que ele se encontrava. Ela começou a tossir forte e várias vezes, fazendo com que Rhett corresse em sua direção para ajudá-la.
" Scarlett..." ele murmurou preocupado se aproximando dela, mas Scarlett se encolheu em sua cama e antes que ele pudesse tocá-la, ela gritou procurando por ar.
" Não se atreva a encostar em mim!"
Rhett recuou quando viu sua esposa encolhida no outro canto da cama, olhando para ele com raiva e ao mesmo tempo apavorada, recusando o toque de sua mão. Ela tremia muito e se segurava para não chorar. Ela não precisava da piedade dele, apenas queria que Rhett sumisse de sua frente.
" Scarlett... não faça isso... me deixe cuidar de você..." Rhett pediu docemente ao mesmo tempo triste com a recusa de sua esposa.
" Por quê você veio? Vá embora, capitão Butler! Eu não quero você aqui!" Scarlett ordenou de forma ríspida. " Eu não preciso de você !"
" Scarlett, eu sou seu marido, e você precisa de mim, ainda que esteja com raiva, eu estou aqui e daqui não vou sair sem você !" Rhett disse sério, se segurando para não chorar na frente dela. " Você está doente e..."
" Eu não preciso de sua piedade! Minha tia está cuidando de mim! Vá embora e me deixe em paz! Você não precisa mais fingir ser o marido perfeito e preocupado, logo que eu melhorar, vou embora dessa cidade pra sempre! " Scarlett retrucou rosnando. Ela não podia fraquejar. Rhett não a amava e ela acreditava totalmente nisso. Ele estava ali por obrigação e pena . Scarlett empinou o nariz e segurou mais uma vez as lágrimas, ainda que estivesse com o coração destroçado, ela nunca daria o gosto de chorar na frente dele.
" Scarlett, eu não estou aqui por piedade ou obrigação...eu estou desesperado, você não consegue ver? "
" Eu vi o seu desespero durante o baile me expondo ao ridículo na frente de todos..." Scarlett zombou fracamente e tossiu forte mais uma vez.
" Sobre o baile, nós vamos conversar, mas em casa, com calma, eu sei que te devo muitas explicações e ..."
" Não quero saber de suas explicações, capitão Butler! Apenas quero que você vá embora! E se você realmente quiser me ajudar: traga os meus filhos pra cá e depois suma! " Scarlett gritou ainda mais nervosa.
" Não! Você vai voltar pra casa comigo ! Eu sou o seu marido e pela lei você me deve obediência ! " Rhett levantou a voz totalmente decidido.
" A lei...pela lei eu tenho que te obedecer, e aguentar as suas humilhações e zombarias calada..." Scarlett disse com ironia.
" Não foi isso que eu quis dizer...não foi dessa forma...eu quero cuidar de você, eu..." Rhett pela primeira vez se sentia desarmado e vulnerável perante Scarlett e não conseguia usar as palavras certas como sempre tinha feito na presença dela.
" Não preciso dos seus cuidados. Vá embora, Rhett. Você já foi muito mal pra mim...apenas vá embora..." Scarlett pediu angustiada e ao mesmo tempo conformada com aquele casamento que não tinha mais conserto.
Eulalie entrou no quarto e encontrou, Scarlett encolhida em um canto da cama e Rhett de pé do outro lado olhando para a esposa, totalmente nervoso e desesperado. Ambos, olharam para ela e Scarlett a acusou.
" Eu confiei em você, sua fofoqueira! E você só esperou eu dormir para correr atrás desse canalha, contar onde eu estava!"
" Scarlett, não foi nada disso...não foi bem assim..." Eulalie chorou desesperada.
"Scarlett! Tenha mais respeito com a sua tia! Fui eu quem descobri que você estava aqui! " Rhett disse ríspido , estufando o peito forte, tomando uma postura firme, que fez Scarlett se encolher ainda mais.
" Scarlett, eu não pude mentir pra ele...eu não consegui...ele estava tão desesperado quando apareceu aqui na noite passada..." Eulalie ainda tentava se explicar.
" Desesperado!? Tia, ele me odeia! E fez questão de mostrar isso para toda Charleston, inclusive pra você! " Scarlett retrucou chorosa como uma criança.
" Pare com essa birra infantil, Scarlett! " Rhett ordenou com raiva. " Está colocando a sua tia no meio de um problema que é só nosso! Obrigou-a a te esconder aqui e deixou a minha mãe, as crianças, a minha irmã e eu mortos de preocupação!"
" Você estava preocupado, Rhett? E espera que eu acredite nisso? Nunca fui uma tola e não será agora que irei me tornar uma!" Scarlett gritou, mas logo o ar fugiu novamente, deixando-a ofegante.
" Scarlett, querida, por favor, não fique tão nervosa, você está doente e..." Eulalie tentou acalmá-la.
" Eu falei pra você, tia Eulalie, que iria morrer se encontrasse com esse homem na minha frente!"
" Scarlett, eu sinto muito, eu..." Eulalie lamentou.
" Pare de torturar a sua tia, Scarlett! Você vai pra casa comigo, e lá, nós vamos conversar e nos acertar e eu vou cuidar de você! " Rhett aumentou novamente o tom de voz nervoso.
" Nunca! Daqui eu não saio, capitão Butler!"
" Ah, mas sai, e junto comigo, senhora Butler!"
" Capitão Butler, não seria melhor, Scarlett ficar aqui por enquanto, até ela ficar melhor ou menos nervosa?" Eulalie pediu.
" Não, senhora Eulalie. O lugar de minha esposa é ao meu lado e é assim que vai ser." Rhett disse categoricamente e foi em direção de Scarlett com passos firmes, que se encolheu ainda mais, procurando uma forma de fugir.
" Venha cá. " disse Rhett segurando o braço frágil de Scarlett e puxando-a em direção dele.
" Não! Me solta, seu canalha! " Scarlett gritou se debatendo nos braços dele.
Rhett ignorou os protestos de sua esposa e pegou-a no colo, como se ela fosse uma criança. Scarlett continuou se debatendo, ainda que inutilmente, pois Rhett sempre foi muito mais forte do que ela. Eulalie assistia aquela cena completamente chocada, e por um momento se arrependeu profundamente por ter revelado onde sua sobrinha estava.

" Capitão Butler, ela está doente e está só de camisola, não é um bom momento para o senhor levá-la..."
" Não se preocupe, senhora Eulalie. Corn já está esperando por nós lá fora. Eu ordenei que ele voltasse pra cá logo que amanhecesse. Ela vai comigo, não vou deixá-la aqui, eu preciso dela! " Rhett confessou.
Após ouvir as últimas palavras de Rhett, Scarlett parou de se debater ainda tentando assimilar o que ele tinha dito. Sem forças para continuar lutando e sem escolha, ela deixou-se cair nos braços dele e não conseguiu mais segurar as lágrimas : chorou copiosamente contra o peito largo e musculoso, como uma criança. Rhett apertou-a ainda mais forte contra o seu corpo e beijou carinhosamente a testa dela e naquele momento, ele se sentiu o homem mais feliz do mundo, por ter reencontrado a sua esposa viva e por ela estar em seus braços. Rhett conseguiu sentir a dificuldade que Scarlett fazia para respirar e percebeu que tinha que levá-la rapidamente para a casa de sua mãe para que ela pudesse descansar. Eulalie, vendo que sua sobrinha estava mais calma nos braços do marido, ainda que chorando um pouco, correu para pegar um cobertor. Ela colocou-o sobre Scarlett, cobrindo-a completamente, e foi separar os remédios para que Rhett pudesse levá-los com ele.
Rhett saiu da casa de Eulalie com Scarlett nos braços, e Corn correu para abrir a porta da carruagem para o seu patrão. Ele entrou na carruagem e continuou com a esposa em seu colo e seus braços. Completamente exausto e preocupado, Rhett apertou Scarlett mais uma vez contra si e arrumou o cobertor que a envolvia, para não deixar nenhuma parte de seu corpo frágil descoberto. Eulalie foi até a janela da carruagem e entregou para Rhett um pequeno pacote, onde estavam os remédios de Scarlett. Mais uma vez, ela pediu perdão por ter escondido Scarlett e pediu também que ele cuidasse de sua sobrinha. Rhett prometeu enviar notícias sobre Scarlett para ela e ambos se despediram seguindo seus caminhos.
Scarlett chorou e chorou bastante agarrada ao marido. Ela chorou de dor, de raiva, de alivio, de medo. Chorou por se sentir tão vulnerável. Rhett não disse nada, deixou ela chorar a vontade. Uma vez ou outra, ele não aguentava e enchia a testa dela com beijos suaves. Scarlett chorou silenciosamente até dormir nos braços dele. Ela adormeceu sentindo o seu cheiro masculino de charuto com uísque, sentindo sua mão forte acariciando seus cabelos negros. Rhett murmurava palavras de conforto e carinho que ela não conseguiu entender, mas que soaram como melodias ao seu ouvido, fazendo com que ela relaxasse e abaixasse a guarda enquanto a carruagem seguia a toda velocidade em direção da mansão dos Butlers.
Quando Scarlett acordou, ela percebeu rapidamente que estava em sua cama no quarto da casa de Eleanor. Sua última lembrança, foi Rhett tirando-a da casa de sua tia Eulalie praticamente a força. Ela lutou bastante para sair dos braços dele, mas quando o ouviu dizer que ele precisava dela, desistiu e se rendeu, chorando muito. Ela queria acreditar que Rhett realmente precisava dela, mas após o baile de Santa Cecília, não conseguia acreditar em qualquer palavra que ele pudesse lhe dizer. Rhett devia ter dito aquilo para que sua tia Eulalie ficasse tranquila e achasse que ela iria estar bem ao lado do marido, para mostrar que era um marido dedicado ou por qualquer outra razão que Scarlett desconhecia. O que ela tinha certeza, era que aquelas palavras do marido não eram verdadeiras. Tanto, que logo, percebeu que Rhett não estava no quarto. Mais uma vez, ele tinha deixado-a sozinha e sumido.
" Mamãe? "
Scarlett ouviu a voz de seu filho Wade. Ela se esforçou para sentar-se na cama e viu Wade levantar-se da poltrona e correr para perto dela.
" Wade, meu filho." Scarlett disse com uma voz fraca.
" Mamãe, permaneça deitada, não precisa se levantar..." Wade pediu carinhosamente, sentando na cama ao lado de Scarlett. Ele queria abraçá-la, dizer que ficou preocupado e que quase enlouqueceu por ela ter sumido, mas o medo voltou a abatê-lo. Ele ainda tinha medo de mostrar seus sentimentos mais profundos para a mãe. Scarlett percebeu e estendeu os braços para ele, pedindo um abraço. Wade ainda relutou um pouco, mas correu para abraçá-la.
" Meu filho...quanta falta eu senti de você!" Scarlett confessou com sinceridade.
" Mamãe, eu fiquei tão desesperado!" Wade disse com voz chorosa, enquanto abraçava Scarlett.
" Não vá chorar! Não quero ver você chorando." Scarlett pediu impaciente. " Você tem que ser forte sempre, meu filho. Já está um rapaz! Não quero ver você chorando como uma menina."
" Mas, mamãe...e se você me deixar? "
" Não vou te deixar! Eu sempre fui forte e vou ficar bem! Agora, vá até a cozinha e me traga algo para comer, estou morrendo de fome."
Wade sorriu se soltando dos braços da mãe. Scarlett tossiu um pouco e sentiu novamente aquela falta de ar tão familiar durante aqueles dias.
" Eu já volto, mamãe. Vou trazer bastante comida pra você."
Scarlett sorriu para o menino e Wade saiu correndo do quarto, encontrando Rosemary no corredor.
" Tia, a mamãe acordou e está pedindo comida."
" Oh, Graças á Deus, Wade. Vá até a cozinha e peça para Nany trazer uma bandeja com comida para Scarlett e não esqueça de avisar a sua avó e a sua irmã que sua mãe acordou. Eu vou ficar com ela. " Rosemary disse alegremente e respirando aliviada.
Rosemary entrou no quarto calmamente, procurando manter a calma, mas logo que viu Scarlett olhar pra ela, não aguentou e começou á chorar.
" Scarlett..." ela murmurou.
" Por favor, Rosemary, não chore. Eu estou bem, eu vou ficar bem." Scarlett pediu.
Rosemary correu para abraçar a cunhada.
" Me perdoe, Scarlett, eu devia ter dado uma surra na Anne Hampton. " ela lamentou, fazendo Scarlett rir um pouco. Rosemary gostava muito dela e Scarlett sabia disso. Rosemary sentia um amor tão grande por Scarlett que fez Scarlett lamentar o fato de Rhett não sentir aquele mesmo amor que sua irmã sentia por ela.
" Eu queria tanto que Rhett sentisse o mesmo amor que você sente por mim, minha querida cunhada." Scarlett desabafou assim que parou de rir.
Logo, Eleanor entrou no quarto seguida por Nany que carregava uma bandeja cheia de comida.
" Solte a Scarlett, minha filha, pois eu também quero abraçá-la." Eleanor pediu impaciente.
Rosemary se afastou de Scarlett dando lugar á sua mãe, que abraçou a nora com bastante carinho.
" Minha filha, eu estou tão feliz por você estar de volta. Eu vou cuidar de você e ficará boa logo."
" Obrigada, senhora Eleanor. Me perdoe por ter me escondido, eu apenas precisava fugir dele."
" Eu sei, minha filha, eu te entendo completamente." disse Eleanor se soltando dos braços de Scarlett e passando a mão carinhosamente em seu rosto.
" Senhora Eleanor, me promete, que não vai deixar Rhett chegar perto de mim, eu não quero vê-lo. "
" Scarlett, ele está tão arrependido de tudo, ele sofreu tanto..."
" Só me promete que não vai deixá-lo chegar perto de mim. Ele já me fez muito mal, por favor!" Scarlett praticamente implorou, ignorando as últimas palavras de sua sogra.
" Scarlett, vai ser muito difícil afastar Rhett de você. Ele não vai aceitar. Rhett só não está aqui, porque ele foi até o Doutor Stuart para saber mais sobre a sua doença e o tratamento para você ficar boa. Quando ele voltar, vai querer te ver e vai querer ficar do seu lado."
" Eu não quero. Ele vai é me deixar mais doente. Por favor, senhora Eleanor..."
" Eu prometo que farei o possível para mantê-lo longe de você, minha filha." Eleanor suspirou tristemente. Ela era uma das pessoas que mais queriam que Rhett e Scarlett ficassem juntos, e agora percebeu que isso estava longe de acontecer. Os dois se amavam profundamente e não conseguiam se acertar.
Scarlett respirou aliviada. Ela estava fraca, doente e vulnerável. Não iria conseguir suportar as humilhações de Rhett, suas zombarias, ou o pior de tudo: sua piedade. Ela queria distância dele. Scarlett olhou para a bandeja com comida, completamente faminta. Mas, antes que começasse á comer, Wade e Ella apareceram na porta do quarto junto com Prissy.
" Oh, Dona Scarlett, ocê acordô e está bem meió."
" Estou bem, Prissy. Graças á Deus."
" Mamãe!" Ella gritou chorando e correu para o colo de Scarlett.
Scarlett pensou em gritar com a filha, pois seus gritos estridentes, incomodaram o seus ouvidos, mas vendo que estava rodeada pela família Butler e que a filha estava totalmente desesperada, abaixou a guarda e deixou com que a menina chorasse e viesse para o seu colo.
" Ella, não precisa gritar e chorar desse jeito. Eu estou aqui e estou bem. Assim, você me deixa nervosa." Scarlett reclamou procurando manter a calma.
" Mamãe! Mamãe! Eu tive tanto medo! " Ella disse ainda chorando e soluçando no colo de Scarlett.
" Pois não precisa mais ter medo. Eu estou aqui e estou muito melhor."
" Ella, querida, deixe a sua mãe comer um pouco, pois ela acordou com muita fome." Eleanor pediu carinhosamente.
" Vamos, Ella, vamos para o quarto! " ordenou Wade. " Depois que mamãe comer, nós voltamos aqui."
Ella soltou Scarlett e enxugou as lágrimas, seguindo o irmão e Prissy para fora do quarto.
" Ella consegue me deixar louca com todo esse escândalo que ela faz. Eu não tenho paciência." Scarlett desabafou, enquanto Nany colocava a bandeja em cima de seu colo.
" Ella é apenas uma criança, minha filha, ela vai mudar." disse Eleanor.
" Eu espero que sim, senhora Eleanor." disse Scarlett antes de dar a primeira garfada na comida que parecia saborosa.