Segunda Chance para Amar ( E o Vento Levou 2 )
66 Ela precisa de um tempo
Capítulo 66: Ela precisa de um tempo
Durante todo o caminho de volta para a casa de sua mãe, sentado no banco macio e estofado de sua carruagem, Rhett se lembrou da conversa que teve com o Doutor Stuart sobre a doença de Scarlett. Ele estava angustiado, desesperado e conversar com o doutor não ajudou em nada á aliviar a sua dor. O Doutor Stuart foi bem sincero com ele, em relação ao quadro clinico de sua esposa, e Rhett conseguia lembrar de suas palavras objetivas e duras com o coração totalmente moído.
" È grave, capitão Butler. Ela ainda corre risco de vida. Eu não posso esconder isso do senhor." disse o médico sem rodeios.
" Mas, minha esposa sempre foi tão forte!" Rhett exclamou inconformado.
" O fato da senhora Butler ter uma saúde boa, pode ajudar em uma recuperação, mas isso não tira a gravidade da doença. Sua esposa está fraca, com um quadro de anemia bastante acentuado e para piorar está apresentando pneumonia. O caso é realmente delicado."
" Doutor Stuart, o quê podemos fazer? Eu pago, dou tudo que tenho para o senhor salvar Scarlett! Só me diga o quê fazer e quanto o senhor quer?"
" Capitão Butler, em relação aos meus honorários, acertaremos depois. Prometo ao senhor, que sua esposa será submetida ao melhor tratamento médico dessa cidade. Tudo que estiver ao meu alcance para curá-la, eu farei, mas o senhor e sua família também precisam ajudar. A senhora Butler precisa de uma dieta rica em ferro, ela precisa tomar os remédios nos horários certos, precisa de repouso absoluto e não pode ficar passando nervoso. Vou aparecer em sua casa, três vezes por dia, para examiná-la e estou totalmente disponível para o senhor, caso ocorra alguma emergência. Durante alguns dias, sua esposa pode ainda apresentar febre alta e delírios, mas conforme o tratamento for progredindo esse quadro irá desaparecer. Ela precisa de uma alimentação correta, tomar os remédios prescritos e de bastante paciência e apoio. Com isso, tem grandes chances de ficar totalmente curada."
Rhett respirou profundamente e segurou as lágrimas. Por culpa dele, Scarlett estava naquele estado. Agora, ela achava que ele sentia pena e obrigação em relação á ela. Scarlett estava magoada e ele sabia que ela tinha toda a razão de estar. Mas, ele iria arrumar algum jeito de mostrar que não era nada daquilo. Que tudo que ele sentia por ela, era um amor profundo, desesperado e incurável.
Quando Rhett chegou em casa, desceu rapidamente da carruagem e correu para ver Scarlett. Subiu as escadas de dois em dois degraus, mas parou para respirar ao encontrar a sua mãe no corredor.
" Oi, mamãe! "
" Rhett, eu estava aqui esperando por você, meu filho."
" Scarlett! Aconteceu alguma coisa com ela?" Rhett perguntou desesperado.
" Calma, meu filho. Scarlett está bem. Ela acordou e comeu bastante." disse Eleanor tentando tranquilizá-lo.
" Eu vou vê-la." disse Rhett seguindo em frente.
" Não, filho. Nós precisamos conversar." disse Eleanor segurando o braço dele, fazendo-o parar. " Vamos para a biblioteca, temos um assunto muito sério para tratar."
Rhett olhou para a sua mãe desconfiado. Ele estranhou muito o fato de sua mãe querer conversar em privado com ele. Tinha alguma coisa errada. Mesmo assim, Rhett seguiu Eleanor sem dizer absolutamente nada.
Quando entraram na biblioteca, Eleanor correu para trancar a porta e olhou para Rhett com um olhar triste e angustiado.
" O quê aconteceu, mamãe? Diga logo!" Rhett pediu já ficando nervoso.
Eleanor olhou pra ele totalmente triste. Ela tinha um pedido á fazer. Algo que ela prometeu para Scarlett, mas que ia contra a sua vontade, pois ela sabia o quanto seu filho amava e estava preocupado com sua esposa.
" Filho, vai ser muito duro te dizer isso, mas tenho um pedido para fazer e espero que você concorde comigo, por favor."
" Diga logo, mamãe. A senhora já está me deixando nervoso. O quê aconteceu?"
" Rhett... por favor, fique longe de Scarlett."
" O quê?" Rhett perguntou, fingindo não entender o absurdo que sua mãe tinha acabado de pedir.
" Rhett, me perdoe, meu filho, mas eu preciso que você fique longe de Scarlett."
" Mamãe, a senhora tem noção do que está me pedindo? Eu nunca vou aceitar isso!" Rhett disse sem conseguir esconder sua irritação. " Ela é minha esposa, e o meu lugar é ao seu lado!"
" Rhett, ela precisa de um tempo. Scarlett está doente, magoada e nervosa. Pelo menos, por enquanto, vamos deixá-la á vontade."
" Foi ela quem te pediu isso, mamãe?" Rhett perguntou irritado e magoado.
" Foi sim, meu filho. Scarlett está muito magoada e está com medo de ficar ainda mais doente se ver você na frente dela. Ela me fez prometer que te manteria longe." Eleanor confessou bastante triste.
" Como ela pode, me afastar assim!? " Rhett perguntou rosnando com raiva. " Eu quero cuidar dela, mamãe, porque eu sou louco por essa mulher e ela me afasta com suas birras infantis!"
" Calma, meu filho. Isso será por pouco tempo, é só até Scarlett se fortalecer um pouco e então vocês dois poderão conversar. Ela está magoada, por causa do baile e de tudo que ela passou, mas ela te ama, eu sei disso, consigo ver em seus olhos. Scarlett te ama tanto quanto você a ama, Rhett."
" Ela precisa de mim, mamãe e eu preciso dela! " Rhett desabafou se jogando na poltrona de frente a lareira. " Como vou aguentar estar na mesma casa que ela, preocupado, desesperado, sabendo que ela está doente, que precisa de cuidados especiais e não poder chegar perto dela? Como?"
" Eu sei que vai ser muito difícil, filho. Mas, faça esse esforço por ela. Para que Scarlett não fique nervosa e possa ficar curada mais rápido. Você não sabe o quanto está sendo duro pra mim te pedir isso, Rhett. Eu sou a pessoa que mais quer que vocês fiquem juntos e felizes, pois o amor que vocês dois sentem um pelo outro é difícil de encontrar nesse mundo."
Rhett abaixou a cabeça, totalmente desolado. Ele esperava ter uma conversa com Scarlett o mais rápido possível e explicar que ele foi um tolo ciumento durante o baile. Confessar todo o amor que ele sentia por ela, e agora, isso estava distante de acontecer. Scarlett não o queria perto dela. Ele podia negar aquele pedido de sua mãe, sair daquela biblioteca e invadir o quarto de Scarlett para obrigá-la á escutá-lo, mas logo se lembrou das palavras do doutor Stuart e percebeu que sua mãe tinha razão. Scarlett não podia passar nervoso. Ela ainda corria risco de vida e precisava de repouso absoluto e tranquilidade. Ele não tinha outra saída, senão aceitar. Por todo o amor que ele sentia por ela, tinha que aceitar.
" Rhett, eu prometo que vou cuidar dela. Scarlett é uma filha pra mim. Vou cuidar dela como se estivesse cuidando de Rosemary."
" Mamãe, me prometa que se Scarlett precisar de mim..."
" Eu vou correndo te chamar. E logo que ela melhorar, vocês vão poder conversar e tenho certeza de que tudo ficará bem." disse Eleanor com lágrimas nos olhos, por ver o sofrimento de seu filho.
" Eu quero tanto acreditar nisso, mamãe." Rhett desabafou como um menino triste e abandonado.
" Tudo vai ficar bem, meu filho. Tudo irá se resolver na hora certa."
Eleanor abraçou Rhett e deu um beijo na testa dele. Logo, ela saiu da biblioteca deixando-o sozinho. Ele não perdeu tempo e começou á beber. Ficar sem ver Scarlett, sem falar com ela, sem poder explicar sobre o baile de Santa Cecília, sem poder cuidar dela e pedir-lhe perdão iria matá-lo por dentro. Rhett abaixou a cabeça, com o copo de uísque na mão e chorou bastante, sem medo de que alguém pudesse ouvir os seus soluços altos.
Rhett Butler ficou um bom tempo trancado na biblioteca bebendo. Ele chorou tanto, que não tinha mais lágrimas para soltar. Passou horas se lembrando de Scarlett. Lembrou-se de suas tórridas e felizes noites de paixão, quando sua esposa deitava a cabeça em seu peito musculoso, após o desgaste de seus corpos, e ele acariciava seus cabelos negros e sedosos, enquanto ela arranhava carinhosamente o seu peito nu, completamente cansada e satisfeita. Naqueles momentos tão íntimos, Rhett se sentiu no céu. Ele imaginou que se o paraíso realmente existia, era ao lado de Scarlett, fazendo amor com ela, tendo-a deitada em seus braços. O jeito que aquela menina atrevida extraiu prazer do corpo dele durante aquelas noites tão quentes, deixou-o ainda mais apaixonado e doido por ela. Ter Scarlett nos braços, totalmente entregue e apaixonada, querendo matá-lo de tanto prazer era muito mais do que Rhett tinha pedido á Deus. Ele sempre soube que ela nunca foi uma dama de verdade, e sentia-se muito mais feliz por ela ser diferente. Scarlett tinha uma falsa timidez e um falso pudor. Ela na verdade, era quente, ousada, selvagem, a mulher perfeita para ele passar o resto da vida ao lado. Lembrou-se daqueles olhos verdes brilhantes, angustiados e ansiosos e daquela voz doce, perguntando se ele ainda a amava após fazerem amor. Agora, por culpa dele, Scarlett queria distância. Rhett se sentia um monstro, um verme. Ele queria tanto estar perto dela, cuidando exclusivamente dela, e estava sendo obrigado á ficar longe, ainda que estivessem na mesma casa. Perdido em meio aos seus pensamentos e lembranças, Rhett não percebeu a entrada de Rosemary na biblioteca.
" Rhett?" Rosemary chamou, encostada na porta.
Quando Rosemary viu o estado em que seu irmão estava, ela quase chorou. Ela foi muito dura com ele, quando Scarlett desapareceu. Eles brigaram e ela disse coisas horríveis para Rhett. Rosemary estava arrependida, e após a sua mãe contar a triste conversa que teve com seu irmão, ela decidiu que era o momento de ir atrás dele, pedir-lhe desculpas.
" Rhett?" Rosemary chamou novamente após seu irmão ignorá-la.
Rhett levantou a cabeça e olhou para ela, sem vergonha de mostrar o seu rosto contorcido pela dor. Rosemary ficou chocada quando viu que Rhett estava embriagado e com os olhos vermelhos de tanto chorar.
" Oh, Rhett, meu irmão!" disse Rosemary com pena fechando a porta atrás de si.
" O quê você quer, Rosemary?" perguntou Rhett virando na boca o restante do copo de uísque que tinha nas mãos.
" Rhett, por favor, me perdoe! Eu fui tão dura e incompreensível com você! Por favor, me perdoe, meu irmão." Rosemary implorou ajoelhando de frente para ele e apoiando-se delicadamente em seus joelhos.
" Esqueça, Rosemary. Eu não estou bravo com você. Na verdade, você tem toda a razão. Eu não sirvo para ser marido de ninguém..."
" Não diga isso, Rhett. Você é um bom homem e ama Scarlett de verdade. Não leve á sério as besteiras que eu disse. Fui muito cruel com você. Por favor, me perdoe!"
" Tudo bem, Rosemary. Está tudo bem. Eu sempre vou te amar, você será sempre a minha irmãzinha favorita."
" Rhett, eu sou a sua única irmã!"
" È verdade." Rhett riu fracamente e fez Rosemary rir também.
" Vim aqui também para te falar sobre Scarlett."
" Ela perguntou por mim? Me chamou? Falou alguma coisa?" Rhett perguntou ansioso.
" Não. Scarlett está dormindo. Ela teve febre alta novamente e..."
" E ninguém veio aqui me avisar!" Rhett reclamou furioso.
" Calma, Rhett. Ela está bem. Logo que a febre veio, a mamãe conseguiu baixá-la rapidamente, por isso não viemos incomodá-lo."
" Eu quero saber de tudo Rosemary! Já que não posso vê-la, entendeu?"
" Eu sei, Rhett. Acho que a mamãe iria te contar depois, ela ainda está no quarto observando Scarlett dormir. Mas, eu vim aqui, porque quero te ajudar a ver Scarlett."
" Eu não posso, Rosemary. Scarlett não quer me ver. Eu prometi para a mamãe e eu não quero que Scarlett fique pior, já basta tudo que eu fiz."
" Claro que você poderá vê-la, Rhett. E eu vou ajudar. Mamãe e Scarlett não precisam saber de nada."
" Como assim, Rosemary?"
" Eu vou te ajudar á ver Scarlett de madrugada, quando todos estiverem dormindo, inclusive ela."
" Sempre terá alguém no quarto vigiando-a, Rosemary." Rhett disse desanimado.
" Eu sei, mas já tenho um plano. Nós decidimos que vamos intercalar as noites cuidando de Scarlett. Uma noite será a mamãe quem irá ficar no quarto, na outra noite serei eu e depois Nany e assim sucessivamente. Quando for a mamãe e Nany, eu vou chamá-las no meu quarto deixando o quarto de Scarlett livre para você entrar e vê-la rapidamente. Vou fingir que tive um pesadelo, ou que preciso de água, sei lá, eu dou um jeito."
" Nossa, Rosemary. Não sabia que você era tão mentirosa." Rhett riu admirado com a inteligência de sua irmã.
" Eu não sou mentirosa, mas nesse caso vou abrir uma exceção. Mas, continuando aquilo que eu estava falando : quando for a noite em que eu estiver cuidando de Scarlett, você poderá ficar a noite toda comigo, sem ninguém saber. Você só vai sair se perceber que Scarlett está acordando. Nesse caso, eu vou fazer questão de te expulsar do quarto, tudo bem?"
" Rosemary, o quê seria de mim sem você?" Rhett disse animado, abraçando fortemente a sua irmã.
" Então estamos combinados. Ninguém vai saber de nada e você vai conseguir ver Scarlett todos os dias. Fale a verdade, Rhett: eu sou um gênio, não sou?" disse Rosemary sorrindo e feliz por ver Rhett sorrindo também.
" Você é um anjo, Rosemary! Você é um anjo!" aplaudiu Rhett dando um beijo carinhoso na testa de sua irmã.
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