Segunda Chance para Amar ( E o Vento Levou 2 )
68 De volta no bosque escuro
Capítulo 68: De volta no bosque escuro
Rhett desceu as escadas, correndo como um louco. Após, sua mãe aparecer apavorada na porta do seu quarto e informá-lo que Scarlett estava passando muito mal, ele não pensou em mais nada. Colocou seus sapatos, vestiu rapidamente um sobretudo e saiu de casa em disparada.
Scarlett estava tendo um ataque de febre muito alta. Ela se debatia, chorava e delirava, além de ter vomitado todo o café da manhã. Eleanor, Nany e Rosemary tentaram de todas as formas baixarem a temperatura alta que tomava conta de seu corpo frágil, mas tudo foi em vão. Scarlett gritava apavorada em meio aos seus delírios deixando todos de cabelo em pé.
" Não! Não! Tire suas mãos de mim! Não encoste em mim!"
Rosemary olhava assustada para Eleanor, enquanto Nany molhava mais um pano com água gelada para colocar na testa de Scarlett.
" O quê ela está falando, mama? Quem ela não quer que coloque as mãos nela?"
" Rosemary, minha filha, Scarlett está delirando! Ela não sabe nem o que está dizendo. "
Mas, Scarlett sabia. Naquele momento ela estava tendo mais um pesadelo com Ross. De volta no bosque escuro, na noite do baile, ela tentava fugir daquele homem no meio da névoa. Ross era mais rápido e por mais que ela corresse no meio da lama, ele sempre acabava alcançando-a. Ela estava sozinha novamente. Rhett não estava lá para protegê-la. Ele estava dançando com Anne Hampton, sua nova inimiga. Ele ofereceu 200 dólares em ouro para dançar com ela na frente de toda a velha guarda de Charleston. Agora, restava para Scarlett lutar contra seu irmão, sozinha. Ela estava doente , estava fraca, e aquele homem estava lá, tentando possuir o seu corpo á força. Rhett abandonou-a a própria sorte. Scarlett chorava e se debatia, como se estivesse lutando pela sua própria vida.
" Você é minha, sua prostituta. Venha, me deixe te mostrar o que é bom!"
" Não! Tire suas mãos de mim!"
Nany tentou segurar os braços de Scarlett, que estava se debatendo demais. Eleanor correu para tentar ajudar a criada que não estava tendo forças sozinha para conter Scarlett. Rosemary, olhava para a cunhada totalmente chocada. Ela parecia possuída por algum espírito maligno. Chorando, se debatendo, gritando e com a camisola e os lençóis sujos com vômito. Rosemary ficou com medo que Scarlett pudesse morrer. Ela sabia que o estado de saúde de sua cunhada era delicado, mas nunca imaginou que pudesse ser tão grave. Rosemary se ajoelhou em um canto e começou á rezar. Implorou para que Deus salvasse Scarlett. Ela era jovem, forte, admirável e Rhett amava-a tanto. Em meio as suas orações, Scarlett parou de se debater. Eleanor e Nany conseguiram controlá-la. Agora, ela só chorava e murmurava palavras desconexas, ainda ardendo em febre.
Logo, Rhett abriu a porta do quarto seguido pelo doutor Stuart. Rosemary olhou para os dois, e chorou de alivio.
" Graças á Deus! Obrigada, Senhor!" ela agradeceu olhando para o teto com as mãos juntas em forma de oração.
Eleanor e Nany se afastaram de Scarlett e o Doutor Stuart tomou conta daquela situação. Rhett estava desesperado e ficou ainda pior, quando viu o estado em que Scarlett se encontrava. Ele passou as mãos pelos cabelos, totalmente nervoso e angustiado, enquanto o médico examinava a sua esposa com calma. O médico olhou para Nany e pediu para ela correr e preparar um banho frio para Scarlett.
" Eu não vou permitir que o senhor veja a minha esposa nua, doutor. "disse Rhett morrendo de ciúmes.
" Capitão Butler, eu sou um médico. Preciso baixar a febre de sua esposa que está nas alturas. E esse é o único jeito, portanto eu peço que o senhor confie em mim e me deixe cumprir com o meu papel de médico, por favor." disse o doutor Stuart de forma rígida.
" Mas..." Rhett balbuciou nervoso.
" Rhett, meu filho, Scarlett está passando muito mal. Por favor, deixe o doutor cuidar dela. Ele sabe o que está fazendo." Eleanor implorou desesperada.
Rhett andava de um lado para o outro no quarto, enquanto Nany enchia a banheira com água fria e o doutor Stuart fazia uma sangria em Scarlett.
" Tire as mãos de mim... não encoste em mim...eu tenho nojo de você...não chega perto de mim..." Scarlett chorou baixinho ainda delirando. "Você me dá nojo...nojo..."
Rhett olhou para Scarlett com lágrimas nos olhos quando ouviu aquelas palavras, que ficaram martelando em sua cabeça, mas não disse nada. Rosemary percebeu que seu irmão ficou tocado por aquelas palavras e correu para o lado dele.
" Rhett, meu irmão, ela não sabe o que está dizendo..." ela sussurrou após ver que Rhett estava quase chorando.
" Ela sabe sim, Rosemary...ela sabe..." Rhett murmurou e abaixou a cabeça com o coração partido. Ele que esperava ser chamado por Scarlett, ser procurado por ela em meio aos seus delírios, acabava de escutar que ela o queria longe e que tinha nojo dele.
" Capitão Butler, eu já terminei de fazer a sangria em sua esposa e agora temos que dar um banho nela para baixar a febre, gostaria de saber se já está tudo pronto? " o doutor Stuart perguntou interrompendo os pensamentos de Rhett.
Eleanor saiu correndo atrás de Nany e voltou rapidamente informando que a banheira já estava cheia. Rhett pegou Scarlett nos braços e a colocou na água fria. Os dentes dela batiam e ela gemia ao sentir o contato da água em sua pele, mas não conseguiu abrir os olhos.
" Frio...está muito frio..."
Olhando para o pescoço dela, Rhett reparou na marca do arranhão. Ele olhou assustado para sua mãe e perguntou:
" O quê é essa marca que Scarlett tem no pescoço, mamãe?"
" Eu não sei , meu filho. Eu não tinha reparado."
Foi quando, ele se lembrou do colar que ela tinha perdido no bosque. O colar que ele deu de presente para ela durante a lua de mel em Nova Orleans. Rhett olhou para a sua esposa com um semblante triste, enquanto Scarlett continuava tremendo de frio dentro da banheira, mas sem conseguir abrir os olhos. Devido a febre alta, ela conseguia escutar vozes que pareciam distantes, mas não conseguia detectar quem estava falando.
" Scarlett está com tanto ódio de mim, com tanto nojo, como ela acabou de dizer, que jogou o colar de brilhantes fora de propósito. O colar que eu dei de presente pra ela com tanto carinho. Até arranhou-se para se livrar dele..." Rhett pensou arrasado.
Rhett saiu do quarto com o doutor Stuart, após a febre de Scarlett ter baixado. Agora, ela dormia profundamente, um sono tranquilo, sem delírios ou pesadelos. Os dois se trancaram na biblioteca.
" Sua esposa, teve um ataque de febre, como eu te falei que podia acontecer, capitão Butler."
" Então, ela está pior." Rhett concluiu preocupado.
" Não. Na verdade, ela está melhor. Sua esposa vomitou boa parte do catarro que estava em seus pulmões, com isso, ela já está conseguindo respirar com mais facilidade. Apesar, dela ainda estar muito fraca, está começando a reagir ao tratamento. Não está tão pálida e o amarelo de sua pele e da mucosa de seus olhos está começando á desaparecer."
Rhett respirou aliviado. Mas, ainda tinha medo que Scarlett tivesse um ataque de febre como tinha acabado de acontecer, outra vez.
" E a febre, doutor? Ela pode ter febre alta novamente?" ele perguntou preocupado
" Ainda pode, sim, mas não com tanta intensidade como foi hoje. Acredito, Capitão Butler, que ela já passou pelo pior. Agora, vamos continuar com o tratamento e logo, ela estará boa. Realmente, eu tenho que reconhecer que sua esposa é muito forte. Nem todos na situação dela teriam a mesma sorte."
Logo, que o Doutor Stuart foi embora, Rhett apesar de estar muito cansado, foi até o quarto das crianças, ver como elas estavam. Quando entrou no quarto, encontrou Wade e Ella sentados na cama, abraçados e chorando baixinho. As crianças perceberam que Scarlett estava passando muito mal, mas Prissy os obrigou a ficarem dentro do quarto.
" Tio Rhett! " Ella gritou com lágrimas nos olhos, quando viu o padrasto parado na porta olhando para eles. Ela soltou-se do braços de Wade e correu para os braços de Rhett.
Rhett pegou a menina no colo e abraçou-a bem forte com muito carinho.
" E a mamãe, tio Rhett?" Wade perguntou preocupado enxugando as lágrimas com as costas da mão.
" Calma, crianças. Ela está bem. Foi só um susto." Rhett respondeu colocando Ella de volta no chão.
" Tio Rhett, meu pai morreu com essa mesma doença que a mamãe está...eu estou com medo." Wade desabafou e abaixou a cabeça.
" Calma, meu filho. Sua mãe é muito forte e apesar do susto que ela nos deu, o doutor acabou de me dizer que sua mãe está muito melhor."
Rhett foi até o menino e balançou o cabelo dele com sua mão forte.
" Pode ficar tranquilo, meu filho. Logo, ela vai estar pronta para te dar várias broncas de novo."
Wade levantou a cabeça e ao ver seu padrasto sorrir ele sorriu timidamente sentindo um alivio dentro do coração por saber que logo, sua mãe estaria de pé novamente.
Rhett voltou para o seu quarto e viu que Rosemary estava lá, esperando por ele.
" Aconteceu alguma coisa com Scarlett, Rosemary?"
" Não, Rhett. Ela está bem. Está dormindo. Eu vim até aqui, porque a mama quer que você descanse um pouco."
" Eu estou sem sono." Rhett disse ao sentar-se na cama.
" Rhett, você não dorme direito há dias. Vai ficar doente também."
" Eu estou muito nervoso, Rosemary. Estou muito angustiado. Não consigo descansar."
" Se acontecer qualquer coisa com Scarlett, nós vamos te chamar. Pode dormir um pouco, meu irmão."
Rhett levantou-se da cama e foi atrás de uma garrafa de uísque. Rosemary percebeu que não era só o estado de saúde de Scarlett que o estava angustiando, tinha algo á mais.
" Não é somente a doença de Scarlett que está te deixando assim Rhett..."
Ele não disse nada, apenas abriu a garrafa de uísque e encheu um copo para beber.
" Você não levou á sério as palavras de Scarlett, não é?" Rosemary perguntou preocupada.
" Eu não sei. Eu esperava que ela chamasse por mim, Rosemary. E agora, ela disse que tem nojo de mim...o quê eu posso pensar de tudo isso? Além da marca que ela tem no pescoço. Ela jogou o colar fora de propósito! Aquele colar é um dos símbolos do nosso casamento, droga!" Rhett disse arrasado.
" Rhett! Scarlett estava delirando! Como você pode levar em conta as palavras dela? Em relação ao colar, ela pode ter tirado do pescoço em um momento de desespero, quando não conseguia respirar, já pensou nisso? Acabou até se arranhando."
" Quando estamos bêbados ou delirando com uma febre alta, a verdade costuma aparecer, Rosemary... " Rhett virou um longo gole de uísque na boca. " Ela tem nojo de mim e me quer longe dela..."
" Scarlett nem percebeu que você estava no quarto, Rhett!" Rosemary retrucou aborrecida. " Pare de pensar essas coisas! Espere Scarlett ficar melhor para que vocês possam conversar! Até quando você vai insistir em não enxergar que ela te ama?"
" Acabei me acostumando com isso. Fica muito difícil de me acostumar com algo de diferente após tantos anos." Rhett desabafou em voz baixa mais para si mesmo do que para a sua irmã.
" O quê você quer dizer, Rhett?" Rosemary perguntou sem entender, pois ela não sabia sobre o histórico da relação dele com Scarlett.
" Nada, Rosemary. Eu vou esperar Scarlett ficar melhor e depois vou conversar com ela. Bom, se você não se importa, eu vou terminar o meu copo de uísque e descansar um pouco. Assim, você e mamãe não ficam tão preocupadas comigo, tudo bem?"
" Tudo bem, Rhett. Vá dormir um pouco. Qualquer novidade, eu te aviso. Vou ficar com Scarlett agora. A noite, você poderá vê-la novamente. Tchau!"
" Tchau, Rosemary." disse Rhett enquanto Rosemary abria a porta do quarto para sair.
Ele trancou a porta e deitou na cama, após deixar o copo vazio em cima da mesinha de madeira ao lado da poltrona. Acabou adormecendo, após rolar na cama de um lado para o outro diversas vezes com a mente totalmente voltada para Scarlett e suas palavras duras durante seu último delírio febril.
Rhett continuou visitando a esposa durante todas as noites seguintes, sem ninguém saber de nada, contando sempre com a ajuda de sua irmã Rosemary. Durante 15 dias, Scarlett ficou confinada a cama e dormindo a maior parte do tempo por causa dos chás medicinais que davam-lhe sono. Seu tratamento foi rigoroso e seguido á risca todas as recomendações do Doutor Stuart. Ainda,teve febre alta, mais algumas vezes, mas sem tanta intensidade. Após o término da primeira semana, a febre desapareceu por completo e Scarlett começou a respirar melhor. Apesar de ainda estar fraca, seu organismo começou a reagir e sua pele ganhou uma cor saudável novamente. Aquilo era praticamente um milagre, pois nem todos naquela época, tinham a mesma sorte quando estavam com pneumonia e acabavam até falecendo. Scarlett começou a se alimentar melhor, mas por insistência de Eleanor que cuidava integralmente de sua alimentação e vigiava as suas refeições com olhos de falcão.
Quando Scarlett estava acordada e principalmente sozinha dentro do quarto, ela chorava bastante. Rhett até aquele momento não apareceu para tentar vê-la. Ela estava há dias sem noticias do marido. Scarlett fez um acordo com Eleanor de que Rhett seria mantido longe dela, mas nunca imaginou que ele aceitaria aquela imposição com tanta facilidade. Durante, todos aqueles dias, ela fez um esforço imenso para não perguntar sobre seu marido. Tinha medo de confirmar totalmente que ele não se importava, apesar dela ter certeza disso. Após o baile, Scarlett perdeu completamente a esperança de conseguir reconquistá-lo. Ela só queria ficar curada e voltar para casa, para Atlanta ou talvez ir para Tara. Scarlett sabia que sua loja estava sendo bem cuidada e que seus negócios estavam sendo administrados pelo seu tio Henry, que sempre foi muito responsável e competente. Não tinha tanta urgência para voltar á trabalhar. Podia ficar um pouco com Mammy, lamentando o fim de seu casamento durante algum tempo. De qualquer forma, conforme os dias passavam e Scarlett via que Rhett não fazia nenhum esforço para tentar vê-la e ir contra a sua vontade e o seu acordo imposto, ela tinha mais certeza de que todas aquelas noites de paixão foram uma mentira da parte dele. Ele apenas usara o seu corpo e nada mais. Ela ainda o amava muito, mesmo que machucada, traumatizada e com raiva. Mas, iria lutar para tentar esquecê-lo quando saísse daquela casa, mesmo sabendo que talvez nunca iria conseguir tirá-lo de dentro do seu coração por completo. Rhett sempre iria estar ali, vivo dentro dela. Talvez, ele nunca a tivesse amado de verdade, talvez Mellanie estivesse errada ao achar que ele a amava. Nunca Scarlett imaginou que Rhett seria capaz de agir com tanta displicência e indiferença perante a sua doença. Era para ele estar ao seu lado, mesmo contra sua vontade, mesmo que fosse para deixá-la nervosa, mesmo que ela não quisesse,mas ele simplesmente sumiu. Ela impôs uma condição e ele aceitou aliviado. Na verdade, Rhett nunca lutou verdadeiramente por ela em nada. Scarlett refletiu sobre isso com bastante frequência e se arrependeu de ter ido para Charleston atrás dele. Se não fosse por Rosemary e Eleanor, sua estadia naquela casa teria sido muito pior. Ela amava demais a sua cunhada e a sua sogra. As duas se tornaram uma família para ela, por isso Scarlett decidiu que não podia contar sobre o que passou com Ross. Isso acabaria com as duas, que amavam aquele verme. Ela teria que carregar aquele trauma pelo resto da vida, esconder aquela dor e suportar mais pesadelos sem ninguém saber a verdade. Scarlett nunca foi uma mulher verdadeiramente altruísta, mas aquelas duas mulheres acabaram conquistando o seu coração de uma tal forma, que quando percebeu já considerava-as como uma mãe e uma irmã. Imaginava a decepção de Eleanor e a tristeza de Rosemary, além da vergonha que as duas iriam sentir. Então, ela decidiu que aquilo era o certo a fazer. Saindo de Charleston, ela não corria mais o risco de encontrar com Ross por aí. De qualquer forma, Scarlett estava pensando pela primeira vez nos outros antes de si mesma. Uma mudança começava a despertar em seu interior sem que ela tivesse percebido.
Após 15 dias, Scarlett pôde levantar-se da cama e andar pelo quarto pela primeira vez. Ainda se apoiando na parede, ela estava feliz por conseguir ficar de pé. A marca em seu pescoço tinha desaparecido, mas ela sentia uma imensa falta de seu colar de brilhantes. Aquele colar passou a ter um significado especial para ela, quando descobriu que amava Rhett. Foi um dos presentes de casamento que ele deu-lhe durante a lua de mel em Nova Orleans. Agora, Scarlett acreditava ter perdido aquele colar para sempre.
Rhett passou pelo inferno durante os piores estágios da doença de Scarlett. Ele sempre estava por perto, sendo informado sobre seu estado de saúde, mesmo sem poder chegar perto dela. Desde quando escutou-a dizer que tinha nojo dele, durante um de seus ataques febris, Rhett torturou-se por dentro. Ele contava as horas, os dias intermináveis, para que ela pudesse se recuperar e eles pudessem conversar. Naquela última semana, ele voltou á ir para o banco todos os dias verificar os seus negócios, mas após o almoço já estava em casa e ficava trancado em seu quarto ou cuidando do jardim na esperança de que a qualquer momento, Scarlett chamasse por ele. Mas, ela não chamou. Mesmo assim, ele aguardava ansiosamente, todos irem dormir para vê-la escondido por alguns minutos. Durante aqueles dias, sua mãe recebeu o convite de casamento de Anne Hampton. Após o baile de Santa Cecília, sua família com medo de que ela ficasse mal vista na cidade, arrumou um casamento para ela com um primo que morava na Virginia. A família Butler não compareceu na cerimônia, e Eleanor comentou após sua última visita ao bazar beneficente, que Anne deixou a cidade após casar e foi morar definitivamente na Virginia com o marido. Rhett não se importou com aquilo, pois para ele, Anne Hampton e nada eram a mesma coisa, mas Rosemary respirou aliviada, sabendo que seu irmão e sua cunhada estavam livres daquela falsa dama e poderiam se reconciliar em breve. A familia Hampton continuou morando em Charleston, mas Anne não iria colocar os pés naquela cidade tão cedo. Mesmo assim, Eleanor e Rosemary não contaram para Scarlett que Anne tinha se casado e ido embora. Elas tinham medo de aborrecê-la e não queriam que ela passasse nervoso. Scarlett estava muito melhor, mas não estava totalmente curada e elas sabiam disso. Podiam dar aquela noticia para ela depois.
Rhett ficou sabendo que Scarlett já andava pelo quarto, e já estava aborrecida por não poder sair. Ele quis falar com ela, mas Eleanor não permitiu. Pediu para ele aguardar mais alguns dias. Após, 20 dias sem falar com Scarlett, só vendo-a escondido a noite, Rhett não aguentou mais. Rosemary conseguiu impedi-lo de invadir o quarto dela, prometendo para seu irmão que iria dar um jeito de ajudá-lo á conversar com Scarlett. Os dois combinaram que no dia seguinte, Rosemary iria levar Scarlett até o jardim após o almoço, para que ela pegasse um pouco de Sol e respirasse um ar puro, após tanto tempo dentro de casa confinada a uma cama e Rhett iria aparecer por lá, de surpresa.
No dia seguinte, após a visita do Doutor Stuart, Scarlett almoçou dentro do quarto sendo observada atentamente por Eleanor. Quando terminou sua refeição, Rosemary entrou no quarto e convidou-a para ir até o jardim.
" Eu acho que isso não é uma boa ideia, Rosemary. Scarlett ainda está fraca e ..." disse Eleanor.
" Não! Eu vou sim. Rosemary me ajuda a descer as escadas. Eu não aguento mais ficar presa nesse quarto! Estou enlouquecendo!" retrucou Scarlett querendo muito sair um pouco, mesmo que fosse só até o jardim.
" Mama, Scarlett precisa sair um pouco. Eu vou cuidar dela. Prometo! Vou colocá-la sentada no banco para pegar um pouco de Sol e respirar um ar puro. Vai ser bom para ela." Rosemary insistiu.
" Eu ainda acho que essa não é uma boa ideia, Rosemary. "
" Por favor, mama! "
" Por favor, senhora Eleanor! Deixe me ir com Rosemary!" Scarlett pediu chorosa.
Eleanor ainda permaneceu relutante em aceitar. Mas, ao olhar para sua nora e ver em seus olhos tristes, que ela estava cansada de ficar naquele quarto e que estava pedindo por tão pouco, não resistiu.
" Tudo bem, tudo bem... mas, Rosemary você vai me prometer que vai cuidar de Scarlett."
" Obrigada, Mama! Eu te prometo que vou cuidar dela. Pode deixar." Rosemary agradeceu feliz, dando um beijo no rosto de sua mãe que sorriu sem jeito.
" Obrigada! Muito obrigada, senhora Eleanor! " Scarlett praticamente pulou da cama e abraçou sua sogra com carinho.
" Prometa-me, que vai tomar cuidado, meu amor." Eleanor pediu docemente, dando um beijo na testa de Scarlett.
Rosemary correu até o armário, trouxe o roupão verde de Scarlett e ajudou-a a vesti-lo. Ambas estavam muito felizes. Saíram do quarto abraçadas e riam como duas crianças. Scarlett apoiou um dos braços no ombro de Rosemary que ajudou-a a descer as escadas. A maior alegria de Scarlett foi ver o jardim, a luz do Sol e respirar um ar puro. Ela estava viva e como gostava de viver! Mesmo sendo inverno o Sol aparecia entre as nuvens e iluminava todo o gramado verde do jardim dos fundos. De braços dados com Rosemary e com um sorriso encantado no rosto, Scarlett acompanhou a cunhada até um banco que ficava bem em baixo do Sol. Quando Scarlett sentou-se no banco e sentiu os raios solares em sua pele, não conseguiu deixar de comentar emocionada olhando para o céu com os olhos fechados.
" Que delícia! Eu estou viva! Eu me sinto viva!" E depois, olhou para Rosemary, ainda sorrindo e disse: " Você não tem noção do quanto eu senti falta do Sol, do cheiro da grama e da terra, desse ar puro que invade os meus pulmões. Me sinto em casa, em Tara."
" Eu fico feliz de ver que você está feliz, Scarlett." Rosemary disse sorrindo, mas logo seu sorriso sumiu e ela perguntou sem jeito: " Tem mais alguma coisa que você sinta falta? Alguém em especial?"
Naquele momento, Scarlett percebeu tudo e se encolheu angustiada como se sentisse muito frio.
" Então foi tudo um plano, Rosemary? Você me trouxe até aqui para que o seu irmão pudesse me humilhar?" Scarlett perguntou rosnando, apavorada e olhando para todos os lados, sem encontrar Rhett por ali.
" Não! Rhett não quer te humilhar! Acredite em mim, por favor! Eu nunca te causaria nenhum mal!" Rosemary se explicou angustiada.
" Ele não se importou comigo, durante toda a minha doença, Rosemary. Não apareceu para me ver!"
" Mas, você o proibiu, Scarlett. Você pediu para a minha mãe, lembra?"
" Mesmo assim! Rhett nunca deveria ter concordado em ficar distante de mim, em um momento em que eu estava doente e precisava dele." Scarlett disse chateada.
" Você está enganada em relação a Rhett, Scarlett. Confie em mim, por favor!" Rosemary implorou.
Scarlett sentiu um frio na espinha, um arrepio na alma e ignorando as útimas palavras de sua cunhada, olhou novamente para o lado em direção da casa. E viu Rhett Butler parado na varanda, olhando fixamente para ela. Scarlett sentiu sua boca ficar seca, seu coração bater mais forte e seus olhos se encherem de lágrimas. Rosemary, olhou na direção em que Scarlett estava olhando e respirou aliviada ao ver que seu irmão já estava lá. Ela ficou com medo de que Scarlett quisesse se levantar e voltar para o quarto, mas agora sabia que com Rhett ali, seria inevitável uma conversa entre os dois. Rhett desceu os degraus da varanda, sem tirar os olhos de Scarlett que estava paralisada, sentada no banco sem deixar de olhar para ele também. Rhett estava vindo em sua direção e ela não sabia como agir e o que fazer. Scarlett esperou por aquele momento e ao mesmo tempo evitou aquele momento com todas as suas forças. Ela sentia muita falta de Rhett, mas tinha muito medo de ser humilhada e pisada mais uma vez.
Rhett tremeu, quando ele viu Scarlett sentada naquele banco, com os raios do Sol iluminando seus cabelos negros. Ela estava usando o roupão verde que ele tanto gostava e quando seus olhares se cruzaram, os olhos dela brilharam com um verde claro tão bonito e profundo, que o coração dele se derreteu. Ela era uma deusa, ele não tinha dúvidas. Rhett respirou profundamente e desceu as escadas, sem tirar os olhos dela, com medo de que Scarlett pudesse desaparecer. Apesar de estar com o rosto sério, por dentro seu coração batia tão forte que podia explodir a qualquer momento.
" Essa mulher ainda vai ser a minha morte..." Rhett pensou quando deu o primeiro passo em cima da grama.
Ele ficara a manhã toda no Banco contando as horas para voltar e encontrar Scarlett no jardim, como tinha combinado com sua irmã. Quando o relógio deu meio-dia, ele saiu correndo de volta pra casa, sem pensar em mais nada. Não almoçou e nem estava com fome. Tudo o que ele mais queria era falar com Scarlett. Após descer da carruagem, correu para dentro de casa e viu que a porta lateral da sala principal estava aberta, deduzindo então que sua esposa já estava no jardim. Rhett saiu angustiado para encontrá-la e quando a viu, respirou aliviado , agradecendo á Deus que Scarlett estava viva e estava ali, na frente dele.
Quando chegou perto de Scarlett, ela empinou o nariz e virou o rosto para não olhar pra ele. Rhett não aguentou e sorriu, olhando para ela, parado na sua frente, segurando o seu chapéu panamá na mão.
" Oi, Rhett!" Rosemary o cumprimentou.
" Boa tarde, senhoras." ele cumprimentou curvando a cabeça para ambas com seu sorriso zombeteiro. Virou-se para Rosemary e ordenou procurando não demonstrar a impaciência que o corroía por dentro. " Obrigado por me ajudar, agora você já pode ir, pois tenho que conversar com Scarlett."
Rosemary ainda olhou para Scarlett, que evitou olhar para ela naquele momento, se sentindo traída e jogada na cova dos leões.
" Scarlett, não fique brava comigo, por favor. Vai dar tudo certo, você vai ver..." Rosemary pediu se lamentando ao mesmo tempo.
Scarlett olhou pra ela, mas não disse nada.
" Vá, Rosemary! Eu quero conversar com minha esposa. Ela não vai ficar brava com você, não se preocupe... agora, vá." Rhett pediu novamente, olhando sério para sua irmã que apenas abaixou a cabeça e se retirou de lá.
Rhett ficou olhando para Rosemary até ela entrar dentro de casa e então virou-se para Scarlett, dizendo carinhosamente com seu sorriso zombeteiro e seus olhos negros que brilhavam intensamente:
" Precisamos conversar, minha querida..."
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