Segunda Chance

9 ♛ Verdades Passadas ♛


Notas iniciais
Meninas, olá! Primeiramente desculpas, eu sei que demorei, mas tive alguns problemas, que já foram resolvidos. Espero que gostem do capítulo rs , beijos ♥

Sou jogada para frente de forma brusca quando Kate freia o carro. A primeira coisa que fazemos é olhar para trás e ver que as crianças estão bem. Katherine me olha aflita quando vê que foi uns três ou mais carros que nos fecharam, mas seu olhar se alivia ao ver George descendo de um dos carros; ela desce correndo e vá abraçá-lo enquanto eu fico encarando tudo sem entender. O celular ainda está na minha mão, e eu já não tenho tanta certeza do que ouvi, mas... quando uma das portas do carro a nossa frente se abrem e eu o vejo descer, começo a ter certeza que a sua voz era real. Ele é real. Com cabelos grandes e castanhos, barba, seus olhos azuis fortes... papai...

Arranco meu cinto e empurro a porta do carro. Zonza. Encaro-o sem entender, mas ele está aqui, na minha frente. Me encarando da mesma forma que sempre fez quando eu era mais nova, da mesma forma que eu me lembro. Dou um passo cambaleante e sua direção, e ele não some ou foge como nos meus sonhos. Ele me encara, com dor, com pesar, pedindo desculpas com seus olhos. Mas eu não tenho que perdoá-lo. Nunca.

—Papai. —Sussurro sentindo as lágrimas escorrem.

—Oi, borboletinha. —Ele diz meu apelido e eu sorrio. Corro para seus braços e ele me recebe tirando-me do chão. Aperto meus braços com força ao redor do seu pescoço, para ter certeza que ele está aqui.

—Você está vivo. —Digo sem soltá-lo, temendo que ele se vá.

—Sim, eu estou. Eu estou. —Papai diz confortando-me.

—Como isso é possível? Ela me disse que você havia morrido em combate.

—Perdido em combate. Foi isso que aconteceu. —Papai sussurra olhando em meus olhos, então tudo faz mais sentindo.

—Você esteve fora...

—Anastásia, Ray, nós temos que sair daqui. —George diz ainda abraçando Kate.

—Tudo bem. —Papai diz olhando-me com ternura. —Katherine, leve-a para o carro, por favor.

—Tudo bem, padrinho. —Kate sussurra e eu a encaro alguns segundos confusa.

Ela se aproxima de mim e segurando meu braço. Caminho olhando para o meu pai, e ele entra em seu carro apenas quando Kate já entra. Minha amiga começa a dirigir e eles vão dando passagem, logo estamos indo em direção ao nosso apartamento.

—Desde quando meu pai é seu padrinho? —Pergunto confusa.

—Desde que eu nasci. —Ela diz como se fosse óbvio.

—Você sabia que ele estava vivo?

—Não, claro que não. Eu só sei das coisas quando tenho que fazer algo. Meu pai nunca gosto de me colocar em risco. Quando eu te encontrei, ele apenas me mandou uma mensagem dizendo que eu tinha que te pegar. Eu também pensei que você estava morta.

—Como ele sabe de todas essas coisas?

—Ana, nossos pais trabalharam juntos, você não lembra?

—Lembro, eles eram engenheiros. —Sussurro encolhendo os ombros.

—Não, pare de ser boba, eles eram agentes secretos.

—O que? —Pergunto com espanto enquanto Kate balança a cabeça.

—Eles não falavam nada porque sabiam que nós estaríamos em risco. Não faz sentindo para você? Seu pai sumir... você ter que morar com uma estranha?

—Ela sabia? A Mabel sabia? —As lágrimas começam a cair conforme tudo vai se encaixando.

—Sim. Por isso ela pegou você. Ela deveria estar chantageando seu pai, por isso ele deveria estar se fingindo de morto.

—Ah, meu Deus.

Não trocamos mais nenhuma palavra. Fico apenas em silêncio ouvindo Gabriela cantar e Pietro gungunar. Eles nem devem ter se assustado, mas eu estou apavorada. Verdadeiramente apavorada. Tudo faz sentindo agora! Meu pai morrer em combate, ele deveria estar em alguma missão. Eu me lembro do relacionamento dele e da Mabel ser bem estranho, ela agia como se mandasse nele, ela me tratava bem, mas papai não. Por isso ele se foi, por isso eu tive que ficar com ela. Ela estava chantageando meu pai. Foi isso o tempo todo. Eu pensei que ele havia me abandonado, morrido. Mas ele esteve fora. Por quê? E minha mãe? Será que ela morreu mesmo?

—Ana, chegamos! —Kate diz e eu vejo-a já pegando Pietro. Desço do carro e pego Gabriela vendo papai e George se aproximarem.

—Quem é essa garotinha? —Papai pergunta olhando diretamente para os grandes olhos de Gabriela.

—Depois nós conversamos sobre ela. —Murmuro semicerrando os olhos. —Você tem muito o que me explicar.

—Tudo bem. —Ele sussurra.

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Coloco minha pequena no berço, ainda muito atordoada, mas deixo isso de lado. Repouso um beijo em sua cabeça e vou atrás do meu pai. Ele está na sala quando eu entro. George está ao seu lado, ambos com uma xícara de chá na mão, e Kate está no chão sentada dobrando algumas roupinhas de Pietro e Gabriela.

Encosto-me no batente da porta e cruzo os braços. Papai me olha e suspira colocando sua xícara de lado.

—Querida. —Ele sussurra e eu o encaro.

—Você mentiu. —Acuso e ele encolhe os ombros. —Eu era só uma criança quando você me deixou. Você jurou que voltaria!

—Ana, querida... ela estava com você, eu não poderia arriscar te perder.

—Você deveria ter me levado com você!

—Eu não podia. Eu pensei que você estava segura naquele orfanato. Eles iam cuidar de você.

—Mas eles não cuidaram! Eles me entregaram para ela. Me disseram que você havia morrido.

—Anastásia, me perdoe, por favor. Eu estava julgando o que era melhor, mas eu estava errado.

—Por que você não voltou? Por que não veio me salvar, papai? —Passo as costas da mão pelo rosto, secando as lágrimas frequentes.

—Eu tive medo. —Ele confesse se levantando. —Te perder, como eu perdi sua mãe.

—Você não voltou, papai. Você me deixou sozinha. Você disse que voltaria.

—Eu sinto muito. —Papai se aproxima e para na minha frente. —Não teve um dia que eu não me odiasse por ter te deixado

—Não me deixe mais, por favor. —Imploro entre soluços.

Papai suspira e me puxa para seus braços, apertando-me com força. As lágrimas saem como cascata, e por minutos eu consigo me sentir segura, como nunca me sentia durante esses anos. Desde que ele foi. Todas as torturas. Tudo o que eu passei. Eu me sentia tão insegura, e agora que ele está aqui, eu sinto que tudo está bem, que ele vai cuidar de mim.

—Eu te amo, filha. —Papai sussurra me soltando e eu vejo que estamos sozinhos.

—Eu também te amo. —Sussurro e falar isso para ele parece tão libertador. —Papai, eu preciso saber de algo.

—O que? —Ele pergunta nos conduzindo até o sofá.

—Minha mãe. O que houve com ela de verdade? Eu tinha só quatro anos, mas eu não me lembro de nenhum enterro.

—Não houve enterro. —Ele diz suspirando. —Ana, você não é mais uma criança, e eu não vou mentir. Eu não sei o que houve com a sua mãe.

—Não sabe?

—Não. Ela apenas sumiu, e eu quando eu fui embora, eu estava atrás dela, nós descobrimos uma pista, mas era falsa. E não nos levou em nada. Eu estive procurando por ela, e eu simplesmente não sei onde ela está.

—Então ela pode estar viva? —Pergunto sentindo a comporta se abrir novamente.

—Sim. —Papai sussurra. —Mas não se preocupe, se sua mãe estiver viva, eu vou achá-la!

—Vai mesmo? —Pergunto secando as lágrimas.

—Claro que sim. —Papai afirma sem a menor dúvida. —Agora me conte sobre você. Você era só uma garotinha, e se tornou uma mulher tão linda.

—Não há nada demais. —Digo com amargura. —Você se foi, eu fiquei dois anos naquela escola interna, depois a Mabel me levou. Então eu cresci normalmente até 16 anos, quando fiquei grávida.

—Você ficou o que? —Papai grita e eu semicerro os olhos para ele.

—Ah, esse não é a melhor parte. —Digo me afastando. —Eu tive uma filha linda, que ela tirou de mim, dizendo estar morta. E depois disso, ele me torturou até o dia da minha fuga.

—Você só pode estar de brincadeira.

—Não, não estou. —Sorrio com escarnio e me levanto. —Sabe, você deve saber, claro! O Bob, ele tem um filho, chamado Jack, sabe o que ele fez enquanto você se fingia de morto, papai? Ele me estuprou, sem dó, e eu tive outra filha linda.

—Pare com isso! —Papai grita se levantando. —Aquela criança é sua filha?

—Sim. Ela é tão linda, papai. Como a irmã dela. Eu achei a irmã dela. Ela vive com o pai dela.

—Quem é o pai dela?

—Christian Grey. —Digo sorrindo. —Ele cuida tão bem da nossa filha. Ela é tão linda.

—Pare de falar. —Papai ordena.

—Por quê? É demais ouvir? É demais saber que enquanto você andava livremente, eu estava sendo torturada? Privada do mundo e das minhas próprias filhas.

—Já chega! —Ele grita então eu me calo, sentindo a raiva me subir. —Eu não aceito aquela menina!

—Você não tem que aceitar! —Sorrio e seco minhas lágrimas calmamente. —Ela é minha filha. Ninguém tem que aceitá-la. Ela não precisa disso. Ela não precisa da aceitação nem do próprio pai, você acha que vai precisar da sua?

—Eu não vou admitir que você fique com ela perto de mim. —Papai diz com amargura.

—Por quê? É demais para você sabe que o fato de você ter me abandonado gerou mais coisas do que você pensaria? —Balanço a cabeça e sorrio. —Eu pensava que você era tão diferente. Eu achava que você era meu herói. Mas você é um monstro!

—Não fale assim comigo! Eu não sou um monstro. Eu só não admito que minha filha tenha uma bastarda como filha!

—Não repita isso! —Grito batendo em seu rosto.

Meu peito sobe e desce. E não há rancor dentro de mim. Ele pode ser meu pai, pode ser quem for. Mas ele nunca vai falar das minhas filhas quando ele foi um péssimo exemplo. Meu próprio pai me deixou nas mãos de uma louca, durante anos. Sabendo que eu sofreria, e agora ele acha que pode voltar e me dizer o que ele admite ou não que eu faça.

—Mamãe?

Viro-me e vejo Gabriela parada na porta. Os olhinhos assustados, pijama amassado e cabelos bagunçados. Ela olha de mim para papai e começa a chorar. Viro-me e encaro meu pai.

—Nunca mais abra sua boca para falar da minha filha! —Grito secando minhas lágrimas enquanto ele passa o dedo sobre seu novo corte no lábio. —Você escolheu ir. O que eu sou hoje é graças as suas escolhas. Eu não sou uma criança para fazer só aquilo que você admitir. Então não venha me tratar como criança. Meu maior arrependimento é não ter fugido com as minhas filhas antes. E agora que elas estão perto de mim, não vai ser você que vai tomá-las.

Caminho até Gabriela e a pego em meus braços, pego a chave do meu carro e saio batendo a porta, mas não antes de ouvir Kate me chamar. Corro para o elevador com minha filha nos braços e vou direto para a garagem.

—Mamãe, o que foi? —Gabriela pergunta enquanto chora e tenta secar minhas lágrimas. —Não ‘chola’.

—Tudo bem, querida. —Murmuro tentando parecer calma. —A mamãe está bem.

Coloco Gabriela no carro e entro. Não tenho ideia para onde ir, então sigo para o primeiro lugar que me vem na cabeça. Entro pelos fundos na empresa, eu realmente não quero ver ninguém. Quando passo pela recepção em frente a minha sala, vejo olhar preocupado de Márcia, Penélope e Júlia.

—Srta. Steele, você está bem? —Márcia pergunta preocupada.

—Sim. —Digo acariciando as costas de Gabriela.

—Você precisa de algo? —Penélope pergunta.

—Não. Apenas... se alguém perguntar, digam que não estou.

Entro na minha sala e coloco minha filha no sofá, entrego o IPAD para ela brincar, ou sei lá, e vou para a minha cadeira, sento-me e abaixo minha cabeça apoiando nos braços. Logo as lágrimas voltam. As coisas não podem ficar mais confusas. Tudo isso... é demais para assimilar. Ele não pode voltar assim do nada, dizer que me deixou, que minha mãe pode estar viva, e ainda por cima querer falar da minha filha. Que direito ele tem, quando ele escolheu ir? Eu sofri tantos anos, achando que ele havia morrido, ele e só me deixou. Fingiu que estava morto. Mentiu sobre ser um agente. Ele deveria me contar tudo. Eu sou a filha dele. Ele deveria confiar em mim.

Mas tudo que ele fez por mim, foi me esconder a verdade, me deixar aqui sofrendo. Mandar seu melhor amigo me salvar, e agora me dizer que não aceita minha filha! Ah, isso não. Ele nunca mais vai falar da minha filha daquela forma. Nunca.

Ouço a porta abrir, e penso que alguém entrou, mas quando vejo é apenas Gabriela saindo. Ela volta depois de alguns minutos, segurando um desenho de um coração, onde eu ela estamos dentro. Pego minha filha e coloco-a sentada na mesa, a minha frente.

—Eu te amo, muito sabia? —Pergunto e ela sorri balançando a cabeça.

—Eu também te amo, mamãe. —Gabriela diz acariciando seu rosto. —Mamãe... o vovô... ele não gosta de mim? Como o meu papai?

—Seu papai, e seu vovô são dois grandes idiotas. —Falo ajeitando seus cabelos.

—Nós não precisamos deles, mamãe?

—Não, nenhum pouco. —Digo sorrindo. —Você é a melhor filha do mundo.

—A Lis sabe disso? —Solto uma gargalhada e a abraço.

—Vocês duas são.

—Tudo bem. —Gabriela diz e dá um beijinho nos meus lábios.

O telefone começa a tocar e quando vou pegar, Gabriela é mais rápida e o atende, ela autoriza a entrada de alguém e eu a encaro confusa. Minutos depois vejo Clarissa e Christian invadirem minha sala. Olho horrorizada para essa pequena monstrinha na minha frente e ela apenas ri.

—Mamãe. —Clarissa diz triste ao ver meu rosto todo molhado. —Você estava chorando.

—Claro que não. —Digo tentando sorrir e ela revira os olhos.

—Mamãe levada. —Clarissa diz fazendo Christian rir. —Você é uma má mentirosa.

—Lis, que tal levar sua irmã para brincar? —Christian sugere.

—Está bem. —Minha filha mais velha anda até eu, ela me abraça apertado e sussurra um eu te amo depois pega a irmã e sai da sala fechando a porta.

—Ei... —Christian se aproxima e abaixa a meu lado, virando minha cadeira para ele. Encaro-o e acabo sorrindo e ele faz o mesmo. —Você vai me contar o porquê da sua filha que não foi muito com a minha cara, me obrigar a sair do trabalhar e correr para cá dizendo que você não estava bem, e que se eu não viesse, eu teria sérios problemas?

—Ela não fez isso. —Digo horrorizada.

—Sim, ela fez. —Christian se sentando-se no chão e encaro minhas roupas. —Jeans não é muito a cara de uma CEO.

—E o que você recomenda? —Pergunto sorrindo.

—Sei lá, calça social talvez?

—Ah, acho que sim. —Digo mais calma. —Obrigada por vir. Mesmo sob ameaça.

—Eu viria de qualquer forma.

—Muito gentil, Sr. Grey.

—Obrigada, agora me conte.

Respiro fundo tomando coragem e então começo a contar tudo o que aconteceu para Christian, todas as minhas descobertas sobre meus pais, e o fato do meu pai não aceitar muito bem as minhas filhas.

—Ele só pode ser um idiota. —Christian diz parecendo realmente estar bravo, enquanto faz carinho na minha perna que está apoiada na sua coxa. —Que tipo de homem não iria gostar da Gabby? Ela é tão fofa, e monstrinha, mas fofa.

—Não chame minha filha de monstrinha. —Digo sorrindo.

—Ela tem dois anos, e me ameaçou, ela é uma monstrinha.

—Eu bati no meu pai, acha que eu não te bateria? —Ameaço, as ele apenas gargalha.

—Eu jamais iria ofender sua filha. —Christian sorri e suspira. —Ana, querida. Desde o primeiro dia, eu soube a garota forte que você era, e agora mulher. Você passou por coisas horrível, e ao invés de se entregar a tudo isso, você está aqui, firme lutando, por si mesma, pela sua filha, então não vai ser um homem que te abandonou a mudar isso.

—Você realmente acha isso de mim?

—Querida, eu não tenho dúvidas. —Um sorriso torto brota em seus lábios e eu sorrio. —Não ligue tanto para isso. Uma vez você me disse que sua mãe era uma mulher incrível.

—Ela era.

—Então, pense nela, se ela está viva você pode encontrá-la.

—Eu não sei como.

—Não vamos dar um jeito. —Christian diz segurando minhas mãos. —Agora eu acho melhor você ir para sua casa, descansar. Comer algo.

—Não. Eu não quero ficar lá, não enquanto ele estiver lá. —Murmuro dengosa e Christian rir.

—E que tal minha casa?

—Eu não quero te incomodar.

—Ah, Ana, nós somos amigos, e temos uma filha, você nunca vai incomodar.

—Obrigada. Por tudo. —Sussurro olhando em seus olhos.

—Não agradeça, eu sempre vou estar aqui por você, querida. Sempre.

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George (sem camisa), Ray (de terno)