Segunda Chance

10 ♛ Pais e Mães ♛


Notas iniciais
Meninas, olá, queria começar já pedindo desculpas pela demora, mas eu acabei ficando com um pequeno bloqueio e não conseguia escrever, espero que entendam. E queria dizer que é muito importante vocês comentarem, por favor, não deixem a FIC morrer. Assim como vocês gostam de novos capítulos, os autores gostam de novos comentários. Capítulo dedicado a Maria Geovane e Mayaracris, obg por favoritar amor ♥ Beijos garotas, boa noite.

Dou um passo para dentro e contemplo o belo hall de entrada com portas duplas. Há uma mesa redonda com um vaso de rosas vermelhas em cima. No espaço há também quadros grandes, todos com fotos de Christian e Clarissa em algum ensaio fotográfico, imagino.

Atrás das portas duplas há uma ampla sala de estar, com um sofá grande na cor branca que dobra pequena parta da sala. Na outra parede, em frente ao hall, a uma parede toda feita de vidro, do lado direito, há uma escada, e um pouco a frente um piano preto, do lado esquerdo há um balcão vermelho que dá para a cozinha. Há mais fotos por aqui, todas de Clarissa, assim como bonecas, uma casa de bonecas, e uma mochila rosa no sofá.

Olhando tantas fotos, acho que posso entender Christian. Ele olha com tanto amor para nossa filha, e foram só eles por um bom tempo. Ele contempla a filha, e eu admiro muito isso nela.

Sinto um leve aperto na minha mão e olho para baixo. Gabriela está segurando firmemente minha mão, enquanto encara tudo, inclusive a mochila rosa. É uma mochila de escola, feita de tecido com glitter, as siglas CG estão bordadas na mochila. Imagino que tenha sido feita exclusivamente para Clarissa.

—Gostou da nossa casa, mamãe? —Clarissa pergunta despertando-me.

—Ah, sim. —Murmuro calmamente olhando-a.

—Vocês precisam ver meu quarto. —Minha filha diz super animada.

—Mamãe, nós podemos ir pla casa agola? —Gabriela pergunta com os olhinhos marejados.

—Ei. —Sussurro abaixando em sua frente. Seguro suas pequenas mãos frias e suspiro. —Querida, nós vamos ficar aqui um pouquinho, ok? Depois eu prometo que levo você para casa.

Gabriela morde o lábio nervosamente. Ela se vira e encara Christian, depois a irmã, por fim balança a cabeça negativamente. Puxo-a para meus braços consolando-a. olho nervosamente para Christian, ele suspira e passo por nós indo até o bar que eu não tinha notado ainda.

Sento-me em frente a Gabriela e cruzo as pernas, ela senta e encara Clarissa que senta também. A irmã mais velha segura sua mão consolando-a e seca algumas lágrimas.

—Por que você está triste, Gabby? —Clarissa pergunta preocupada.

—Eu não tenho uma mochila rosa. —Gabriela sussurra e isso parte meu coração. Eu sei que o problema não é a mochila. —Nem um papai. Eu quelia ter um papai, Lis.

—Ah, não fique triste. —Clarissa fala puxando a irmã para seus braços. —Nós podemos comprar uma mochila para você.

—Podemos? —Gabriela olha para a irmã já sem lágrimas.

—Claro que sim. E você tem a nossa mamãe, seu papai era um homem bobo.

—Era?

—Sim. Um homem de verdade jamais abandonaria uma irmãzinha linda como você.

Sorrio explodindo de orgulho pelas minhas filhas. Enquanto elas conversam, eu fico em silêncio. Troco alguns olhares com Christian. Se hoje, eu pudesse voltar no tempo, eu ainda teria escolhido Christian como pai de Clarissa. Saber que ela foi bem cuidada, muito bem-educada, isso não tem preço. Eu fico triste só de pensar que há tantos pais por aí, maltratando abandonando seus filhos, bebês. Pequenos bebês que precisam ser cuidados, são continuamente abortados, jogados fora, enquanto há pais e mães como Christian, que dariam a vida pelos seus filhos. Mães que querem filhos e não podem, eu acho que nunca vou entender o ser-humano.

Sou desperta dos meus devaneios quando ouço Christian falar no celular, mas tento pensar em algo para não ouvir sua conversa. Com certeza é particular.

—Lis, você não ia mostrar o seu quarto? —Pergunto distraindo as meninas. Clarissa sorri e se levanta ajudando Gabriela.

Levanto-me e novamente encontro o olhar de Christian. Sorrio e encolho os ombros saindo da sala com as meninas. Clarissa sobe as escadas segurando a mão da irmã o tempo todo, e eu vou atrás para ter certeza que ela não vai cair. Chegamos a um corredor bem extenso. Com portas por todos os lados.

Clarissa corre para a terceira porta do lado direito e Gabriela a segue. Reviro os olhos e vou atrás delas, mas sequer entro no quarto. Paro boquiaberta na porta do quarto. Isso é... uau! O quarto é todo rosa. Completamente, mas é tão meigo ao mesmo tempo. Há um carpete felpudo no chão, na cor rosa-bebê; uma cama de casal com quatro colunas e um mosqueteiro rosa em formato de cortinas. Um baú daquelas antigos ao lado da cama, aberto e cheio de bonecas de pano.

Em frente a cama há um banco na mesma medida com vários ursos em cima. Uma porta para o closet, outra para o banheiro. Tv. Papel de parede de flores. Há algumas prateleiras com barbies, duas janelas grandes... é... um verdadeiro quarto de menina. E por algum motivo se parece muito com o que eu tinha quando era criança.

—Gostou, mamãe? —Clarissa pergunta pulando na cama.

—É rosa. —Sussurro e ela ri.

—Sim. E eu adoro muito. —Clarissa fala sorrindo amplamente. —Vem Gabby, vamos brincar.

—Posso, mamãe? —Gabriela pergunta preocupada.

—Claro meu bem, não precisa pedir permissão. Eu vou estar lá embaixo.

Saio do quarto e encosto a porta, ainda atordoada com tanta cor de rosa. Desço as escadas balançando a cabeça; Christian não está na sala, ninguém está. Olho para os lados confusas, sem saber o que fazer. Talvez eu deva voltar ao quarto de Clarissa e ficar lá com ela. Foi gentil da parte dele ter me convidado, mas eu não me sinto nenhum pouco à vontade aqui sozinha.

—Sonhando acordada, Srta. Steele?

—Christian. —Coloco a mão sobre o peito, assustada com a aparição repentina de Christian.

—Desculpe, eu realmente não queria te assustar. —Christian diz rindo. —Sente-se, por favor, fique à vontade, eu só estava no telefone.

—Tudo bem. —Murmuro indo me sentar. Christian se senta e suspira jogando a cabeça para trás. —Você está bem?

—Cansado só. —Ele diz calmamente. —E você?

—Eu estou bem, melhor, obrigada.

—Não há de quê, Srta. Steele. —Christian sorri e joga a cabeça para o lado perdendo-se em pensamentos, e eu acho que estou sozinha nessa casa de novo.

—O que você costuma fazer? —Pergunto tentando trazê-lo para Terra. Christian me olha e apenas franze os lábios. —Christian, você está na Terra?

—Sim. Acho que sim. —Ele diz rindo e suspira. —Bem, eu tenho uma empresa e uma filha, quando não é uma, é a outra que me consome todo o tempo. Eu estou sendo envolvido no trabalho, ou envolvido com a Clarissa.

—Entendo... então é só isso que o solteiro mais cobiçado de Seattle faz? Brinca de CEO e depois do expediente brinca de boneca?

—É uma boa observação, e sim, é exatamente isso. —Reviro os olhos enquanto Christian gargalha. —Minha vida não é tão empolgante, Srta. Steele. A única coisa que ninguém sabe, e querem saber a qualquer custo, é quem é a mãe da Lis.

—Você vai dizer que sou eu? —Pergunto preocupada.

—Mas é claro. Você é a mãe dela. E eles já devem ter te visto em muitos lugares com ela, eu não sei como não saiu nenhuma matéria ainda sobre isso.

—Aposto que eles vão ficar feliz em saber que a pessoa que tem uma empresa em frente a do CEO, é mãe da filha dele.

—Ah, sem dúvidas que sim. —Christian diz sorrindo. —E você, querida Anastásia?

—Eu?

—Sim, o que você costuma fazer?

—Nada de interessante. Eu estou com a empresa agora, e cuidando da minha filha.

—Acho que nós temos vidas muito empolgantes. —Christian fala dando um sorriso de canto. —O que você quer fazer hoje?

—Eu não sei. —Murmuro olhando em volta. —Você cozinha?

—Às vezes.

—Sério? Quando eu te conheci você disse que não sabia sem fazer ovos mexidos.

—Muita coisa mudou desde aquele dia. —Christian diz e posso notar tristeza em sua voz.

—É, eu sei. —Penso alto e ele me olhando sorrindo levemente. Sorrir, ele parece fazer isso constantemente, mas... seus sorrisos não me parecem sinceros. Suspiro pesadamente e seguro sua mão. —O que você que fazer? Nós podemos fazer um almoço para as nossas filhas, ou simplesmente um filme...

—Nossas filhas. —Christian repete com um sorriso muito sincero. —Eu gosto disso.

—Sim, é porque elas são nossas filhas. —Falo rindo e ele balança a cabeça.

—A Lis adora macarrão com queijo.

—Hm, acho que a Gabby nunca comeu.

—Não? —Pergunta surpreso.

—Não. Ela... ela está se acostumando. Eu ainda conseguia sair, ela não. Ela só conheceu o mundo no último mês, e tudo é tão novo para ela.

—Deve ser por isso que ela age como uma monstrinha. —Christian provoca e eu semicerro os olhos. —Calma, brincadeira. Vamos lá cozinha, garota.

Christian se levanta e me puxa junto fazendo-me tropeçar, e não! Ele não me ajuda, apenas fica rindo quando me apoio no sofá após quase cair. Recomponho-me e o fuzilo com raiva e ele parece se divertir muito com isso. As minhas custas, é claro. Reviro os olhos e abro minha boca para xingá-lo, mas meu celular começa a tocar. Olho para a tela vendo a foto e Kate e Pietro aparecer.

—Atenda, eu te espero na cozinha. —Christian sussurra e sai andando.

—Kate. —Murmuro ao atender.

—Ana... —Ela diz e noto sua preocupação. —Aonde você está?

—Eu estou bem, Kate. —Digo ao ouvir a voz do meu pai de fundo. —Eu não vou ficar aí com ele.

—Ana, por favor, eu estou preocupada.

—Amiga, é sério. Eu estou bem. Eu acho que vou ficar em algum hotel, qualquer coisa. Amanhã nós vamos nos ver na empresa.

—Não. —Ela diz e sei que está chorando. —Essa aqui é a nossa casa, você não pode simplesmente me deixar sozinha. Seu pai que se dane, você mora aqui, ele que fique em um hotel.

—Kate. —Ouço George reprová-la.

—Kate, o que papai? Esse cara é um idiota! —Kate grita. —Você faria o mesmo? Rejeitaria o Pietro porque ele não tem pai?

—É claro que não! —George diz bravo.

—Então pronto! —Exclama Kate. —Ana, me diz onde você está.

—Kate...

—Por favor, eu estou preocupada. Você saiu sem agasalhos, a Gabby também, e está chovendo novamente, por favor, só me diz. Eu vou aí, eu levo suas roupas da minha afilhada. Por favor, Ana, por favor.

—Ok! —Exclamo já chorando. —Eu vou... eu tenho uma ideia.

—Que ideia?

—Apenas se arrume e arrume algumas coisas para mim. Por favor.

—Ok. Ana, eu te amo.

—Eu também te amo, Kate. —Sussurro e desligo. Levanto-me e vou atrás de Christian. Ele está na cozinha, ralando queijo. Encaro a cena não comum. —Eu nunca vi um homem cozinhar.

—Seu pai não cozinhava? —Ele pergunta.

—Meu pai não sabe nem requentar comida. —Falo revirando os olhos. —Ei, você pode me fazer um favor?

—Claro, o que você precisa?

Sorrio maliciosamente e começo a contar.

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Katherine Kavanagh

Entro no quarto de Gabriela e começo a colocar suas roupas na mala enquanto meu pai fica parado na porta me olhando. Olho para ele e suspiro sem dizer nada, apenas seco algumas lágrimas. É claro que eu me importo com a Ana, principalmente depois de tudo que ela passou. Ela é mais nova e eu tenho que protegê-la, e não importa em cima de quem eu tenha que passar para isso. Eu a amo.

—Kate, não fique tão brava com seu padrinho. —Papai pede.

—Ah, tá! —Exclamo sem paciência. —Olha papai, a Ana é a minha melhor amiga, e se você a ofendesse, eu faria o mesmo que fiz com Ray.

—Você foi para cima dele.

—Jura? —Pergunto como se não fosse óbvio.

—Filha, por favor.

—Papai, por favor você! —Digo ainda mais sem paciência. —Eu tenho um filho de seis meses. O pai dele é um desgraçado que fugiu na primeira oportunidade. Você ama o Pietro, e diz que ser um bom avô é questão de caráter, então eu sinto em lhe dizer, que além de péssimo pai e avô, o meu padrinho é um desgraçado sem caráter algum. Tudo que aconteceu de ruim na vida da Ana é culpa dele. A mãe dela estava na África fazendo uma boa ação quando aqueles malditos a pegaram para se vingar dele. E ele com dó abandonou a própria filha para salvar a mulher. A Ana tinha oito anos quando ele se foi, sabe quantos anos ele ficou por aí fazendo sabe-se lá o que? Eu sinto muito em te dizer, mas a mãe da Ana deve estar morta, e ele ainda foi dar falsas esperanças para ela.

—Ok, eu entendo, ele errou.

—Errou? Errar é gentileza perto do que ele fez. Agora se você me dá licença, eu preciso levar algumas coisas para a Ana, minha amiga que está magoada e está sabe-se lá aonde!

Papai suspira e levanta das mãos rendido, ele sai do quarto me deixando sozinha, e assim posso arrumar as coisas de Gabriela em paz. Muita paz. Porque paz é tudo que eu preciso nesse momento. Termino de arrumar as coisas da minha afilhada e vou arrumar uma bolsa para Ana, e enfim... Pietro começa a chorar. Suspiro tentando ajeirar meu coque. Eu estou horrível. Nem conseguir tomar banho ainda. Estou apenas com uma camisa de papai e um coque todo bagunçado.

Entro no quarto do meu príncipe, mas vejo que meu pai foi mais rápido. Respiro fundo e vou atrás deles, mas quando estou chegando no corredor a campainha toca, e a voz de papai me chamando não parece nada feliz.

—O que foi? —Grito parando na porta da sala, mas a presença do homem prepotente parado na minha porta, com sua doce filhinha ao lado me faz gelar.

—Tia Kate! —Ava diz sorrindo.

—Você pode me dizer quem é ele? —Papai pergunta quando Pietro começa a gritar e sorrir para Elliot. Elliot me olha de cima a baixo de sorrir maliciosamente.

—Sr. Kavanagh. —Elliot diz sorrindo. —Eu sou um amigo apenas.

—Amigo é? —Papai diz apertando a mão dele.

—Sim, a sua filha me falou muito sobre você, o famoso pescador. —Elliot chuta e acerta! Papai sorri amplamente.

—Eu adoro pescar. Você contou isso a ele?

—Claro. —Forço um sorriso e semicerro os olhos.

—Nós temos que marcar uma pesca. —Elliot diz de forma falsa. —Ela me disse que você tem alguns recordes.

—Ah, não é nada muito grande. —Papai diz dando espaço para Elliot e Ava entrarem.

Que ódio desse garoto idiota! Quem ele pensa que é para vir aqui na minha casa... espera! Como ele sabe onde eu moro? Ah, não! Se foi a Anastásia que contou a ele, eu juro que vou enforcá-la com as minhas próprias mãos!

Quando volto a Terra, Pietro já está nos braços de Elliot e ele e meu pai estão em uma conversa muito animada.

—O que você veio fazer aqui mesmo? —Falo cruzando os braços e Elliot encara as minhas pernas.

—Te buscar. —Fala simplesmente.

—Você acha que vou sair com você?

—Se você quiser ver sua amiga, acho que sim.

—Eu odeio você. —Sussurro semicerrando os olhos e Ava gargalhada quando pai assopra um beijo para mim.

—Tia Kate você está brava? —Ava pergunta rindo.

—Não querida, eu só odeio seu pai mesmo. —Falo impaciente e ela ri. —Vem, vem aqui comigo, deixe os homens conversando.

Ava se levanta e vem correndo me abraçar. Sorrio e dou um beijo em sua cabeça, levo-a para a cozinha e lhe sirvo com uma taça de sorvete.

—Tia Kate... —Ela sussurra sem me olhar. —Você não gosta mesmo do papai?

—Eu não sei. —Digo sem pensar. —Seu pai costumar ser assim sempre?

—Não, nem sempre. —Ava diz sorrindo. —Quando a mamãe estava conosco, ele era mais sério e nem brincava comigo.

—É mesmo? —Sento-me em sua frente e a encaro. —O que houve com a sua mãe?

—Ela foi embora. —Ava fala num tom triste. —Ela não gostava de mim, e um dia, quando ela me bateu, o papai a mandou ir embora, eu nem tenho o nome dela.

—Impossível. —Murmuro incrédula. —Como alguém poderia não gostar de um docinho como você. Aposto que qualquer mulher ficaria louca para ser sua mãe.

—Até você, tia Kate?

Paro por alguns segundos com sua pergunta. Eu sei o que não é ter uma mãe, minha mãe morreu quando meu irmão e eu éramos pequenos, e nosso pai cuida da gente desde então. É difícil, muito. Você sente falta de todas as formas. Fica na expectativa sempre que seu pai conhece uma nova mulher, e sempre é aquela mesma decepção quando você descobre que o relacionamento não deu certo. Mas nesse caso é diferente. Ava é a menina mais doce que eu já conheci, talvez porque nós duas somos parecidas, eu era como ela quando pequena, o mesmo jeitinho curioso..., mas eu não tenho nada com seu pai.

Sem dúvidas eu adoraria tê-la como filha.

Respiro fundo e acaricio seu rosto.

—Eu adoraria ter uma filha como você. —Falo sinceramente. —E mesmo não tendo nada com o seu pai, se você precisa de uma mãe, uma amiga, qualquer coisa, você pode me chamar.

—Mesmo? —Ela diz com os olhinhos brilhando.

—Claro que sim, meu anjo. —Sussurro.

Ava sorri amplamente e se levanta vindo me abraçar. Fecho meus olhos e sinto seu cheirinho doce. A sensação do seu abraço me traz coisas tão boas que eu não posso explicar, apenas... é tudo que sinto quando seguro Pietro, a vontade de não soltar nunca. Ela continua me apertando, e eu não quero soltá-la, mas o faço quando ouço um pigarreio. Viro-me e vejo Elliot e Pietro na porta da cozinha.

—Vamos, então? —Ele diz me dando um olhar diferente, que eu nunca vi antes. De nenhum homem.

—Claro. —Sussurro enxugando algumas lágrimas. —Eu vou me arrumar, quer vir comigo, querida?

—Sim. —Ava diz sorrindo.

Passo por Elliot sem dizer nada, vou para o meu quarto com Ava, mas no caminho encontro papai que sorri sugestivamente para. Ele só pode estar de brincadeira! Entro no quarto e peço para Ava espera sentada na cama enquanto me troco no closet. Pelo frio, coloco uma calça legging preta, botas de cano baixo, e uma blusa grande de lã. Coloco uma toca e desisto das luvas.

Saio do closet e me deparo com Ava cheirando minha blusa de lã que uso para dormir. Sorrio para ela que me olha envergonhada.

—Tem o seu cheirinho. —Ela diz passando o pano pela bochecha de forma muito meiga.

—É mesmo? —Sorrio e sento-me ao seu lado. —Você gosta?

—Muito. Você tem um cheirinho bom de mamãe. —Ava diz envergonhada e eu só consigo ficar boba.

—É sua. —Falo acariciando seu rosto.

—Mesmo?

—Claro que sim.

—Obrigada tia Kate.

Ava me dá um beijo e sorri correndo para fora do quarto com a blusa. Sorrio e me levanto, pego meu celular e minhas chaves. Passo no quarto do meu pai e o encontro conversando com meu padrinho. Apenas aviso que vou sair e sigo para o quarto de Pietro para arrumá-lo, mas... Elliot já fez isso, inclusive já arrumou uma bolsa.

Encaro-o sem dizer nada, apenas me viro e vou pegar a bolsa de e Anastásia.

—Eu levo isso. —Elliot diz tomando as bolsas da minha mão, mesmo com Pietro.

—Olha aqui bonitinho, isso pode convencer muitas garotinhas por aí, mas eu não. —Falo pegando as bolsas.

—Não custava tentar. —Ele diz rindo.

Reviro os olhos e vou em direção a porta, abro-o e dou lugar para Elliot e Ava passaram, ele sorri para mim, provocando-me. Ah, Ana, você vai pagar caro por isso.

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Anastásia Steele

Coloco o queijo sobre o macarrão e Christian leva ao forno para esquentar mais um pouco. Ele me entrega algumas laranjas e me ajuda a cortá-las para fazermos o suco para nossas filhas.

—Ana, por que você pediu que eu mandasse o Elliot buscar a Kate? —Christian pergunta curioso.

—Ah, você vai descobrir quando eles chegarem. —Digo rindo.

Mal termino de falar e começamos a ouvir a voz de Elliot e Kate gritando sem parar um com o outro. Christian ri e balança a cabeça, depois de me xingar de monstrinha. Gargalho e balanço a cabeça. Ele sai da cozinha e vai receber seu irmão e Kate.

—Eu vou matar você! —Kate diz entrando na cozinha. —Você não poderia simplesmente ter me passado o endereço?

—Não, assim não seria tão legal. —Digo abraçando-a e ela ri mesmo brava. —Como foi?

—Ele é um prepotente, e meu pai gosta dele! —Kate fala realmente brava. —E, eu quero a Ava para mim.

—Você odeia o pai, mas quer a filha?

—Sim. —Diz simplesmente e eu gargalho. —E me fala, por que você está aqui mesmo?

—Não é porque sou loucamente apaixonado pelo Christian. —Provoco e minha amiga revira os olhos. —Ele era a única pessoa no momento, e conseguiu me confortar.

—E como eu fico?

—Com o Elliot. —Kate fica boquiaberta e me dá um tapa fazendo-me rir.

—Não tem graça.

—Claro que não.

Enquanto conversamos, Kate me ajuda a fazer o suco e terminar o almoço, já que Christian sumiu. Depois que deixamos tudo pronto, vamos para a sala onde encontramos Elliot e Christian conversando, e as crianças brincando com bonecas. Menos Pietro, ele está gatinhando de um lado para outro, e ao ver a mamãe, começa a dar gritinhos felizes. Kate vai ao encontro do filho e eu fico parada sem saber o que fazer.

Christian me chama para sentar ao seu lado e eu acabo indo. Acabo entrando na sua conversa e de Elliot sobre filmes, e Kate logo se junta, sentando bem longe de Elliot. Em algum momento eu sinto Christian colocar o braço ao redor do meu ombro, pelo frio claro, foi um gesto de carinho que não passou despercebido por Clarissa e Gabriela.

—Nós não íamos almoçar? —Clarissa pergunta olhando o braço de Christian. Ele ri e me abraça.

—Não! —Gabriela grita assustando Pietro que começa a chorar. —Tira!

—Filha, calma. —Sussurro e ela grita novamente.

—Não. Não. Não. —Gabriela começa a chorar e gritar em desespero, como se Christian estivesse me machucando, e eu entendo.

Saio rapidamente do lado de Christian e pego-a no colo. Enquanto tento acalmá-la, Kate acalma Pietro com a ajuda de Elliot, e Christian leva Ava e Clarissa para a mesa. Depois que todos estamos mais calmos, nós vamos para a mesa almoçar. Não conversamos muito, ao menos eu e Kate não. Já Elliot e Christian tentam puxar assunto toda hora, mas o clima fica meio estranho.

Depois do almoço todas as crianças acabam dormindo. Então nós, adultos – ou quase isso – vamos para a sala de TV e colocamos um filme. Elliot e Christian ficam em um sofá e Kate e eu ficamos em outro agarradas igual duas loucas. Começo a pegar no sono, meus olhos pesam e quando dou por mim, estou em uma cama com Gabriela ao meu lado.

Olho para os lados confusa, a primeira coisa que vejo é o relógio lado da cama marcando quase uma da manhã. Levanto-me tentando lembrar de algo, e só lembro do filme chato. Deixo Gabriela dormindo e saio do quarto. Estou no andar de cima, ao lado do quarto de Clarissa.

Desço as escadas e vejo a luz da cozinha, mas também vejo que as coisas de Elliot e Kate ainda estão aqui. Caminho até a cozinha e posso ouvir a voz de Christian, mas ele está sozinho quando entro, falando ao celular. Ele me olha e sorri pedindo um minuto.

—Olá, Anastásia. —Christian sussurra com a voz rouca e eu sinto algo disparar aqui dentro.

Notas finais