Segunda Chance

11 ♛ Correndo Pelo Amor ♛


Notas iniciais
Meninas, olá, espero que gostem de mais um capítulo rs, beijos, boa noite e boa leitura ♥

Sorrio e mordo os lábios encarando Christian com o coração ainda um pouco acelerado. Ele semicerra os olhos e cambaleia um pouco, então noto a garrafa quase vazia de vinho em cima do balcão. Aproximo-me e ele sorri de forma torta, e posso sentir o bafo de vinho vindo de seus lábios.

—Problemas Sr. Grey? —Pergunto sentando-me em uma das cadeiras.

—A empresa. —Ele diz chacoalhando o celular e eu pego de suas mãos.

—Por que tanto vinho?

—Eu não sei. —Christian fala enquanto sorri. Ele cambaleia e se apoia no balcão.

—Ei. —Levanto-me rapidamente e lhe dou apoio. —Que tal você ir deitar? Você pode deixar a empresa de lado um pouco, Sr. Grey. E nós não vamos querer que a Lis te veja assim.

—Você... tem razão.

Começamos a sair da cozinha e o máximo aonde consigo levar Christian é até o sofá, ele cambaleia e cai no sofá levando-me ao chão. Balanço a cabeça quando o vejo pegar no sono em alguns segundos. Levanto-me e começo a ajeitá-lo no sofá.

—Mamãe?

Viro-me assustada e vejo Clarissa, Ava e Gabriela, as três estão paradas na frente da escada, todas de pijamas e pantufas. Eu nem sabia que Gabriela tinha pantufas.

—O que houve com o papai? —Clarissa pergunta se aproximando.

—Ele... está com sono apenas. —Minto ajeitando a cabeça de Christian. Clarissa se aproxima e acaricia o rosto de Christian.

—Mamãe, ele está com febre. —Ela diz arregalando os olhos. Coloco minha mão na testa de Christian e confirmo, ele realmente está muito quente. Os olhos de Clarissa de enchem de lágrimas e ela me parece muito desesperada.

—Calma, querida. —Peço segurando suas mãos. —É só uma febre.

—Mas ele não fica com febre, mamãe. —Minha primogênita diz chorando.

—Calma, Lis. —Ava diz se aproximando com Gabriela. Ela segura a mão da prima e encara Christian. —O papai já ficou com febre, e a vovó cuidou dele. Nós podemos ligar para ela.

—Não vamos incomodar a vovó, garotas. —Sussurro quando Christian começa a resmungar. —Nós quatro podemos cuidar dele, não é?

—Não. —Gabriela diz indo sentar no sofá mais distante.

—Gabby, por favor. Ele é o meu papai. —Lis pede chorando e Gabriela bufa cruzando os braços. —Gabby...

—Está bom, Lis. —Gabriela diz brava e desce do sofá vindo até nós. —O que eu faço, mamãe?

—Você fica aqui de olho nele, enquanto a Ava, a Lis e eu vamos pegar umas compressas e remédios. —Falo calmamente.

—Se ele acordar eu vou embora. —Gabriela murmura enquanto estamos indo para a cozinha e eu não consigo segurar o riso.

Entro na cozinha e Clarissa me mostra onde fica a maleta de primeiros socorros. Tiro algumas faixas de gaze de dentro e molho na água fria, preparo um pouco de remédio e volto a sala com as meninas. Gabriela está parada na frente de Christian, de braços cruzados e fazendo bico. Mordo o lábio para não rir. Ela é terrível.

Ajoelho na frente de Christiane e coloco as compressas em sua testa, ele está um pouco consciente, mas a bebida e a febre não ajudam muito. Levanto sua cabeça um pouco e despejo o remédio, ele faz careta e até mesmo Clarissa acaba gargalhando.

—O que é isso? —Christian pergunta muito sonolento.

—Remédio. —Sussurro rindo.

—Por que está me dando isso?

—Você está doente, papai. —Clarissa diz sentando ao lado do pai. —A mamãe está cuidando de você.

—É mesmo? —Christian pergunta. —Ela faz isso mal.

—Ei. —Dou um tapa em seu braço e as meninas riem, menos Gabriela. Ela fica olhando tudo impaciente e vai para o sofá.

—Acho que alguém ainda não me ama. —Christian diz e Gabriela semicerra os olhos.

—Não! —Ela exclama brava.

—Tudo bem, você ainda via me amar. —Ele afirma e Gabriela numa atitude muito madura lhe mostra língua.

—Parece que você já está muito bem. —Falo semicerrando os olhos e me levanto.

—Não, por favor, eu vou morrer. —Christian brinca deixando Clarissa brava.

—Pare com isso! —Clarissa ordena realmente brava. —Que coisa mais boba de se dizer, papai!

—Desculpe. —Christian diz rindo e ela franze o nariz e começa a cheirá-lo.

—Você andou bebendo, pai?

—Desculpe. —Christian sussurra agora muito envergonhado.

—Ah, meu Deus! Que horror.

Clarissa sai de perto do pai e vai sentar ao lado de Gabriela, ela franze o cenho e cruza os braços com uma expressão nada legal. Olho para os dois e me contenho para não rir. Ninguém mandou ele sai bebendo as duas da manhã, ele que lide com as consequências.

—O que vocês fazem acordados. —Kate diz descendo as escadas com uma carinha terrível de sono. Ela senta ao meu lado e logo Ava corre para seus braços aconchegando-se.

—O Christian não está muito bem. —Murmuro e ela o encara.

—É, estou vendo. O cheiro está vindo aqui.

—Obrigada. —Christian diz revirando os olhos. —Acho que eu vou tomar o banho.

—Você deveria mesmo. —Clarissa diz chateada.

Christian suspira e sai da sala indo em direção ao seu quarto. Sigo-o com o olhar assim como Clarissa. Ela bufa frustrada e joga a cabeça para trás. Prefiro não a incomodar no momento, ela está triste e quando estivermos a sós nós podemos conversar sobre isso. Talvez eu queira entender o porquê de ela ter ficado tão chateada com o pai.

—Onde está o Pietro? —Pergunto e Kate suspira chateada.

—Com o Elliot... —Ela diz mal e eu estranho.

—Aconteceu algo?

—Não. —Minha amiga diz chorosa e aperta mais Ava em seus braços.

—Kate, me conta. —Murmuro começando a me preocupar e vejo Elliot descendo com Pietro. Ele olha para Kate e suspira, lhe entrega Pietro e vai para a cozinha.

Ava desce do colo de Kate e corre atrás do pai, podemos ouvi-los conversar, e pelo que parece, a garota está brigando com o pai e realmente muito brava. Olho preocupada para a minha amiga e vejo apenas as lágrimas escorrendo pelo seu rosto.

—‘Madlinha’, o que houve? —Gabriela pergunta preocupada.

—Nada. —Kate diz tentando enxugar as lágrimas e Pietro começa a encará-la.

—Kate, fala comigo. —Imploro. —Eu vou ligar para o meu padrinho.

—Liga. —Ela diz como se precisasse do pai. —Pede para ele vir me buscar.

—Você está me assustando. —Murmuro com lágrimas nos olhos.

—Por favor, pede para o papai vir me buscar.

—Não saiam da aqui. —Deixo Kate e as meninas na sala e vou atrás de Elliot na cozinha. Ele está fazendo uma mamadeira quando entro e Ava está sentada. Ela olha para ele muito chateada. —Querida, eu posso falar com seu pai?

—Claro, tia Ana. —Ava murmura e desço da cadeira. Ela encara o pai e balança a cabeça saindo da cozinha.

—O que você fez com a minha amiga? —Pergunto, mas Elliot evita até mesmo me olhar. Aproximo-me e o empurro. —O que você fez com ela?

—Nada! —Ele exclama.

—É mesmo? E por que ela está chorando?

—Ela está chorando? —Elliot pergunta e suspira. —Eu vou vê-la.

—Não. —Seguro seu braço. —Você não vai chegar perto dela até me dizer o que fez!

—Eu a beijei. —Elliot confessa depois de segundos em silêncio.

—Só isso? —Peço confusa.

—Não. —Ele suspira pesadamente e encara a parede. —Eu a dispensei, disse que não poderia fazer.

—Eu não acredito. Você não fez isso!

—Eu fiz, ok? Ela é uma garota muito legal, minha filha a adora, mas eu não quero isso. Eu não quero ficar com ela.

—Então você simplesmente a beija e depois a despensa? —Grito muito alterada. —Você é um grande idiota, Elliot. Fique longe da Kate e do Pietro, está ouvindo? Ela já sofreu demais para um idiota como você a magoar.

—Eu também sofri. —Elliot defende-se. —Até mesmo você.

—É, mas a diferença é que mesmo eu ou ela sofrendo, nós nunca fizemos ninguém sofrer. Se você sabe como dói, não deveria fazer o mesmo.

Empurro Elliot e saio da cozinha. Kate está sentada abraçando Pietro enquanto Ava, Clarissa e Gabriela a consolam. Isso é ridículo. Eu não pensei que ela gostasse tanto assim dele. Minha amiga é o tipo de mulher que não se abala, e se ela está chorando assim, na frente do filho, ela deve estar realmente muito magoada. Caminho até o telefone de Christian e disco o número da nossa casa. Leva alguns minutos, mas logo ouço a voz do meu padrinho do outro lado.

—Padrinho? —Sussurro.

—Ana. —Ele diz e parece ficar tenso. —Você está bem? Aconteceu algo?

—Não, eu estou bem. —Falo tranquilizando-o. —Quem não está é a Kate.

—O que houve com a minha menina? —George grita do outro lado.

—Eu acho melhor você vir buscá-la, e aí vocês conversam. —Murmuro.

—Eu estou indo. Me passo o endereço.

—Ok.

Passo o endereço de Christian para o meu padrinho e me despeço. Christian chega a sala e olha assustado para Kate chorando. Ele me olha pedindo respostas, mas quando Elliot passa fazendo minha amiga chorar mais, acho que tudo fica claro. Elliot sobe as escadas rapidamente e Christian vai atrás do irmão. Fico no sofá sentada esperando meu padrinho chegar.

Christian chega primeiro, ele diz que não conseguiu conversar com Elliot, mas estranha a atitude do irmão, já que ele demonstra gostar de Kate. Ficamos conversando baixinho e logo o segurança vem avisar que meu padrinho está aí. Christian libera sua entrada e logo ele está na sala. Kate levanta com Pietro e vai rapidamente para os braços do pai, ele segura o neto e abraça a filha com o braço livre.

—Querida, o que houve?

—Papai, me leva para casa. —Kate pede num tom que acaba comigo. Aproximo-me dos dois e suspiro.

—Ana, o que aconteceu? —George pergunta olhando o estado da filha.

—Padrinho, eu acho melhor ela te contar. Ela não quis me falar também. —Murmuro.

—Eu vou levá-la para casa. —George diz suspirando. —Eu só espero que não tenha sido aquele idiota que foi buscá-la mais cedo. Minha menina não precisa sofrer mais por homens imprestáveis.

—Tia Kate... —Ava chama, mas Kate nem sequer a olha. Ela se encolhe no sofá e eu vejo algumas lágrimas virem.

—É melhor você levá-la. —Sussurro. —Kate, me ligue, ok?

—Ok. —Ela diz chorosa e vem me abraçar, então vai embora com o pai e o filho.

Viro-me e olho para Ava chorando. Clarissa me olha preocupada com a prima. Aproximo-me delas e abaixo na frente de Ava segurando suas pequenas mãos tremulas.

—Ei, não chore, querida. —Peço e ela aperta os olhos.

—Tia, a Kate não gosta mais de mim?

—Não é isso. —Murmuro acariciando seu rosto. —Ela só não está bem.

—Por causa do papai. —Ava afirma. —E agora ela vai me deixar, como a mamãe fez.

—Ei, não é verdade. A Kate não vai te deixar.

—Vai sim, tia Ana, ela nem quis me olhar. —Ava solta pequenos soluços e eu a puxo para meus braços na tentativa de consolá-la. —Ela não gosta mais de mim, tia.

—Está tudo bem, querida. É claro que ela gosta de você. —Digo acariciando suas costas. —Eu posso te levar para vê-la, e você verá que ela adora você.

—Mesmo? —Afasto um pouco a garotinha e seco suas lágrimas. —Você vai me levar para a tia Kate?

—Vou meu amor, só se acalme, ok? Nós podemos ir vê-la amanhã se você quiser.

—Obrigada titia. —Ava sussurra.

Para acalmar as crianças, que ainda parecem assustada com Kate chorando, Christian sugere que vejamos o filme, e nos primeiros dez minutos as três já dormiram. Fico sentada ao lado de Christian enquanto ele me abraça. Por algum motivo isso me faz esquecer tantas preocupações, tantas coisas, e por minutos, consigo sentir o que senti por ela há cinco anos. O mesmo calor, a mesma sensação de frio na barriga. Então apenas fecha os meus olhos apertando minhas mãos na sua camisa, numa tentativa estranha de provar que ele realmente está aqui, e que tudo isso não passa de um sonho.

Acabo pegando no sono, mas consigo sentir ele ainda me abraçando, e quando acordo ele ainda está presente, seu cheiro está por toda parte. Remexo-me confusa e abro meus olhos vendo que estamos na sala de TV. Christian está me apertado em seus braços e nós estamos deitados no chão, enquanto Clarissa e Gabriela dormem no sofá. Levanto com cuidado, um pouco preocupada pela ausência de Ava, saio da sala e vou atrás dela, mas não preciso procurar muito, ela está na sala de estar nos braços do pai.

Viro-me para sair. Eu não quero ter que falar com Elliot.

—Ana, espere. —Elliot pede e eu respiro fundo.

—O que? —Peço me virando.

—Eu sinto muito. —Ele fala e eu posso ver que está sendo sincero, mas nenhuma sinceridade vale agora, foi a minha amiga que ele machucou.

Fico encarando-o sem ter o que dizer. Eu só quero gritar com ele para ele perceber a burrada que fez. Aquela garota maravilhosa que vive a vida intensamente está completamente apaixonada por ele e ele a rejeita depois de beijá-la. Como ele pode fazer isso? É imaturo até para um adolescente. O pior de tudo é Kate gostar dele. Ela já gostou, amou o pai do Pietro, e ele fugiu, ele não queria nada com ela, e ele a abandonou com um bebê lindo, o mesmo bebê que adora Elliot. Como ele pode? Como ele acha que pode entrar na vida das pessoas e brincarem assim com elas.

Suspiro e encaro Ava, ela encolhe os ombros e sai da sala rapidamente.

—Eu não entendo, ok? —Falo levantando os braços. —Ela vai ser, provavelmente, a garota mais incrível que você vai conhecer, e você simplesmente brinca com os sentimentos dela?

—Eu não brinquei com os sentimentos dela. —Elliot diz ofendido.

—Não? E por que ela estava chorando? Você não pensa, Elliot? Se você não quisesse ficar com ela, tudo bem! Eu sei que ela entenderia, ela iria aceitar, mas beijá-la sabendo que ela gosta de você, e depois dizer que não quer nada? Você não machuca só ela. Há o Pietro, e a Ava.

—Eu sei, eu sei. —Elliot enterra o rosto entre as mãos e suspira. Sento-me no outro sofá e tomo folego.

—Eu só quero entender. Me diga. Você gosta dela, deu para ver isso.

—Eu gosto. —Ele afirma. —Ontem, quando eu fui buscá-la e a vi com minha filha, aquilo foi a coisa que mais mexeu comigo. Ela é tão linda e inteligente e tem um gênio tão forte. É decidida e super mandona.

—Ela é, sem dúvidas. —Digo sorrindo.

—Eu quero estar com ela, mas eu não sei fazer isso funcionar, Ana. —Elliot confessa. —Ela é incrível, sem dúvidas a mulher mais incrível que vou encontrar, como você mesma disse, e esse é o problema.

—Ela ser incrível ou você não conseguir ter outras mulheres? —Pergunto e Elliot me encara semicerrando os olhos. —Continua.

—Tudo que eu conheci sobre as mulheres, tirando minha mãe e irmã, era como elas poderiam destruir sua vida. A mãe da Ava acabou comigo, e eu não quero me aproximar da Kate e machucá-la com o idiota que eu me tornei.

—Olha, que você é um completo idiota, eu sei. —Murmuro e ele revira os olhos. —Mas se ela é pessoa mais incrível que você conhece, por que deixá-la escapar? Elliot, ela adora você, e fim. Você quer se livrar do passado? Se livre, de um passo, deixe o que passou lá atrás. Está na cara que você precisa dela, e vai ser bom, para os dois. Se abra com ela. Fala que você quer tentar, e se der certo, deu, se não der, você ao menos tentou.

—Você acha?

—Eu tenho certeza, e eu acho que você deveria ir agora.

—Eu não sei. —Elliot fala se levantando.

—Elliot, pare de ser idiota, você vai ficar aí sentando esperando outro ir conquistá-la? Porque olha, pretendentes não faltam.

Elliot me olha por alguns segundos e pega a chave do carro.

—Ava! —Ele chama e logo Ava aparece. —Nós temos que ir.

—Aonde? —Ava pergunta preocupada.

—Vamos ver a tia Kate. —Elliot diz sorrindo e Ava sorri correndo para abraçá-lo.

—Boa sorte. —Murmuro.

—Se não der certo eu vou te culpar para o resto da vida. —Elliot diz e sai com Ava.

Sorrio e balança a cabeça. Viro-me quando sinto alguém me olhar. Christian está parado na porta, encostado no batendo com os braços cruzados. Ele me olha e sorri.

—Gostei disso.

—Você ouviu?

—Claro. —Ela fala sorrindo e se aproxima sentando ao meu lado. —Você é uma ótima garota, sabia? Exatamente como eu me lembrava.

Sorrio e sinto novamente meu coração disparar com seu olhar. Ele me dá um sorriso torto e me puxa para os seus braços beijando minha cabeça. Aconchego-me automaticamente e ficamos assim, em silêncio, por minutos. Christian às vezes mexe no celular respondendo e-mails, mas continua me segurando, firmemente, e de uma forma inexplicável, esse é o melhor lugar que eu já estive, novamente.

Notas finais
Beijos ♥ ♥ ♥