Segunda Chance

2 ♛ Redescobrindo a Vida ♛


Notas iniciais
Meninas, oi, oi, olha só quem está aqui de novo ♥ , quero muito agradecer a todas que estão comentando, e espero que estejam gostando. Eu não vou postar todos os dias como antes, vai ser um dia sim e um não, mas sempre que for possível posto mais. Os horários vão ser em torna das seis as sete. Capítulo dedicado as meninas que favoritaram: Abelha Tarefada, Cullen Grey, Danny Santana, Marcela Normando, Carlinha Targino, Maira Rodriguez e Taty Carvalho. Obg meus amores, boa noite e boa leitura.

(Trilha sonora https://www.youtube.com/watch?v=WJTXDCh2YiA)

Abro os olhos assustada, com o coração disparado, e novamente ouço o barulho de um disparo. Encolho-me no cantinho quando ouço passos na escada. A bile sobre a minha garganta quando começam a tentar abrir a porta. Eu não tenho noção de que horas são, acho que peguei no sono, então acordei com gritos e tiros, e agora eles estão aqui. A porta é aberta com um estrondo, e logo está ao chão.

Meu coração dispara ainda mais quando vejo George, ele está parando, pela fraca luz posso ver suas roupas sujas de sangue e a arma em sua mão. Ele se aproxima e eu me encolho fechando os olhos, mas tudo que sinto são meus pés sendo soltos.

—O que você está fazendo? Ela vai matar você. —Murmuro apavorada.

—Não. Ela vai matar você, a Mabel fugiu, e eu sugiro que você faça o mesmo. —George diz me estendendo sua mão e eu seguro me levantando.

—Eu conheço você? —Pergunto lembrando vagamente do seu rosto.

—Conhece, mas agora fuja daqui, Anastásia, ela vai voltar.

—Aonde ela foi?

—Fugiu. —George fala se virando e começa a andar, rapidamente vou atrás dele. —Ela sumiu.

—Como?

—Eu vou descobrir, e tenha certeza, eu vou acabar com ela! —George diz segurando meu braço e começa a me puxar escada a cima.

Fico horrorizada ao ver Bob caído ao chão, mas não tenho um pingo de sentimento, ele só me causou mal. Muito mal. Encaro George e ele balança a cabeça e chuta Bob que uiva de dor.

—Vá, pegue suas coisas e saia daqui. —George insiste.

—Eu não posso, eu não tenho para onde ir. —Murmuro apavorada.

—Lá, colina abaixo, alguém vai estar te esperando. Siga as instruções dela. —Ele diz. —Pegue a menina e saia daqui.

—Gabby... —Sussurro e sinto um aperto. Sem pensar duas vezes viro-me e corro para o quarto de Nana.

Empurro a porta e sinto meu coração se quebrar ao ver Nana caída no chão com o peito sangrando, aproximo-me correndo e a puxo para os meus braços.

—Menina... —Ela sussurra fraca.

—Nana, eu estou aqui, vai ficar tudo bem. —Sussurro acariciando seu rosto, agora com as minhas mãos sujas.

—Eu prometi que ia te tirar daqui. —Nana diz de forma fraca e sempre pausando. —E ela disse que me mataria, mas agora você vai ser livre, você e sua filha.

—Nana, não... —Imploro sentindo as lágrimas quentes caírem. —Por favor, não me deixa.

—A Gabby está na portinha secreta, pegue-a e a leve.

—Por favor, não faz isso comigo.

—Eu sinto muito não ter feito antes... —Nana murmura e essas são suas últimas palavras antes que seus olhos se fechem lentamente.

—Nana! Não. Não. Não. —Imploro sacudindo-a.

—Mamãe. Mamãe. —Ouço Gabby chamar e meu coração dispara.

—Minha filha. —Sussurro soltando Nana devagar e me arrasto até a portinha secreta ao lado da cama, abro-a e vejo Gabby sentada toda encolhida, ela me olha com puro medo e isso acaba comigo.

—Mamãe... —Gabby diz começando a chorar e eu a puxo para os meus braços.

Por um segundo meu coração para. Minha filha, minha pequenininha. Minha gotinha de amor. Ela está aqui, nos meus braços de novo. Ah, filha! Já faz meses que não a vejo. Mabel sempre a deixava aqui trancada com Nana para eu não vê-la. Gabriela e minha filha e de Jack, filho de Bob, aquele maldito acabou comigo, e minha mãe fez pior tomando minha filha de mim, mas agora eu vou cuidar dela, e ninguém nunca vai nos separar de novo, nunca.

Seguro-a firme em meus braços e me levanto. Gabby está apavorada e chorando muito. Coloco-a na cama rapidamente e pego um pano enrolando no meu corpo, coloco-a deitada e olho uma última vez para Nana, sussurro um sinto muito e saio rapidamente do quarto.

Meu mundo está completamente acabado. Nana sempre cuidou de mim, e agora ela se foi.

Um disparo me faz parar no meio do corredor, então a voz de Bob soa diabolicamente.

—Ana... querida. —Ele sussurra e eu fecho os olhos sentindo o medo de invadir. —Vamos querida, você sabe que não vai conseguir fugir. Eu vou achar você.

Dou um passo para trás, quando vejo sua sombra, mas ele não me vê... até Gabby começar a chorar. Seu rosto todo machucado e a arma em sua mão me fazem temê-lo mais. Estou em choque, mas ficar parada é tudo o que não posso fazer. Era diferente quando a vida em perigo era a minha, mas agora a minha filha está aqui, e eu não vou deixá-la sofrer na mão dela como eu sofri. Eu tive medo por anos, e está na hora de me libertar.

Caminho para trás enquanto ele se aproximar, sinto o criado atrás de mim, e o mais rápido que consigo, a ponto de confundi-lo, é pegar a escultura de cristal e jogar contra ele. Quando Bob caí, eu viro sem pensar ou esperar, e corro pela porta da cozinha a fora ouvindo-o me insultar. Corro pelo gramado e sentindo o gramado pinicar meus pés. Chego-o ao portão e o empurro causando barulhos horrendos para o meio da noite, mas não me importo, eu só quero sair daqui e salvar minha filha, minha pequenina.

Começo a correr subindo a colina, completamente tomada pela adrenalina e logo cansaço, ouço os disparos de Bob atrás de mim, mas ele não conhece esse lugar como eu, e as árvores estão ao meu favor. Chego ao alto da colina sentindo meus ombros doerem pelo peso de Gabby, que não é muito, mas pelo cansaço acaba sendo. Meus pés estão doendo, e eu acho que posso tê-los cortado, mas a voz de Bob só me faz ter mais medo. E então eu me lembro de George, será que ele está bem? Droga!

Não, eu não posso voltar, ele disse que alguém estaria me esperando. Respiro fundo e seco as lágrimas em meu rosto, aperto meus braços ao redor de Gabby e continuo correndo pela colina, apenas com a luz da lua, e logo avisto um carro parado. Eu já não ouço mais tiros, ou Bob atrás de mim. Desço o mais depressa possível e vejo uma garota loira de lindos olhos verdes descer do carro.

—Você é a Anastásia? —Ela pergunta me encarando, mas antes que eu possa responder todas as minhas forças se foram e a escuridão se apodera.

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Sou desperta por um som muito diferente do que estou acostumada. Não abro meus olhos nos primeiros momentos, apenas aprecio os cheiros e sons. Há cheiro de algum tipo de fumaça, talvez carros. Cheiro de algumas flores, comidas variadas, há vozes um pouco distante, mas posso perceber que são muitas.

Os cheiros mais próximos são de panquecas e ovos, e o som próximo ao meu ouvido é de algo batendo contra algo. Abro meus olhos confusa e vejo Gabby batendo pecinhas de lego uma na outra, ela me olha e sorri, e eu acho que estou extasiada com seu sorriso. Ela está uma graça, de maria-chiquinha e um vestidinho branco.

—Que bom que acordou. —Viro-me e vejo a garota de ontem entrando no quarto e dando mais brinquedos para minha filha que sorri apaixonada. A loira senta ao lado de Gabby e me encara. —Eu me chamo Katherine.

—Eu sou Ana. —Falo me sentando com dor no corpo inteiro. —E o George?

—Ele está bem. —Ela diz sorrindo. —O papai é um homem forte, ele está indo para Paris agora.

—Ele é seu pai? —Pergunto confusa.

—Sim. —Katherine diz afagando os cabelos de Gabriela. —Como você se sente, Ana?

—Com dor.

—Acho que um bom banho ajuda.

—Acho que sim. —Sussurro sorrindo e noto meus pés com faixas de gaze.

—Estavam bem machucados.

—Obrigada... aonde nós estamos?

—Seattle, e essa aqui é a minha casa.

—Seu pai te contou tudo?

—Sim... ele está te ajudando.

—É, acho que sim. —Murmuro. —Você acha seguro me deixar na sua casa?

—Sim, a louca da Mabel não vai nos encontrar aqui.

—Tem certeza?

—Claro. —Katherine diz de forma simpática. —Bom, eu vou levar a Gabby para comer algo. Você pode tomar um banho e depois café.

—Está bem. —Sussurro vendo-a pegar Gabby no colo. —Katherine?

—Sim?

—Por que vocês estão me ajudando.

—Anastásia... eu sei que você não vai se lembrar de mim, mas... nós éramos melhores amigas.

—Éramos? —Pergunto confusa.

—Sim. —Ela sorri e estende o braço mostrando uma pulseira colorida daquelas feitas à mão. —Você me deu isso quando tínhamos sete. Melhores amigas para sempre. Toma banho agora, depois eu explico tudo.

—Ok. —Digo um pouco confusa.

Katherine sai do quarto deixando-me sozinha. Tiro a coberta de cima de mim jogando-a de lado, coloco meus pés para fora da cama e quando eles tocam o chão sinto que não estão mais doendo. Levanto-me com cuidado e vejo que ainda estou com o mesmo vestido. Em uma das cadeiras do quarto há uma sacola com roupas, calças, camisas e peças íntimas. Calças... balanço a cabeça confusa e encaro o par de sapatilhas no chão.

Sinto um fio de medo me tomar ao lembrar de Mabel... ela está por aí, e Bob também. Eles podem me encontrar aqui. Não... Katherine disse que é seguro. Eu espero que seja. Caminho até a janela de vidro e vejo que estamos em um prédio. Há pessoas andando por todos os lados lá embaixo. Carros... vendedores. Sorrio extasiada com tudo. Faz anos que não vejo isso. Muitos anos.

Caminho até o banheiro e vejo toalhas, cremes e até mesmo remédios e pomadas. Balanço a cabeça um pouco incrédula. Isso realmente é real? Eu consegui sair de lá com a minha filha? O pensamento me deixa alegre, até me lembrar de Nana. Ela morreu... por minha causa.

Fico parada por minutos lembrando dela, e de tudo o que ela fez por mim. Ninguém nunca soube onde eu estive, então eu sei que ela deve ter falado a George, mas por que para ele? E por que sua filha, Katherine, diz que nós éramos amigas? Ah, tudo está tão confuso! Muito.

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Saio do quarto e caminho pelos corredores com cores alegres e muitos quadros espalhados, todos de Katherine, George e outro homem, talvez irmão dela, eles são parecidos. Entro na sala e vejo Gabby fazendo uma bagunça enorme com tintas de todas as cortes em uma tela.

—Ela já brincou de tinta antes? —Katherine fala e eu noto sua presença no balcão da cozinha.

—Ela ficou a vida toda presa em um quarto. Não teve nem bonecas.

—Ah... eu sinto muito.

—Sem problemas. Ela vai ter tudo agora. —Sussurro me aproximando de Gabby.

—Mamãe, olha. —Gabby diz sorrindo. —Rosa.

—É rosa meu amor. —Sussurro acariciando seu rosto. Ela sorri e volta a colorir.

—Como ficou a roupa?

—Ótima. —Murmuro sorrindo. —Obrigada. Eu amo calças.

—Mesmo?

—Sim, minha mãe não me deixa usar...

—Meu pai contou... nem sapatos... nem...

—Roupas íntimas. —Murmuro balançando a cabeça.

—Ana... —Katherine diz vindo se sentar ao meu lado. —Ela não é a sua mãe. Você não precisa chamá-la assim.

—Eu sei. —Digo sorrindo. —Eu acho que ela colocou tanto isso na minha cabeça que eu acabei acreditando nela, mas eu sei quem é a minha mãe.

—A tia Carla era tão legal.

—Era sim... —Sorrio. —Eu tinha só quatro anos quando ela sumiu. Ela estava em uma missão na África, meu pai falava que ela havia morrido na queda de um avião.

—Sinto muito.

—Tudo bem... depois... depois ele me deixou. Ele foi lutar e me deixou naquela escola interna. Poucos meses depois eu soube que ele havia morrido em batalha. Então a Mabel era a parente mais próxima, por ser minha madrasta... foi quando toda tortura começou.

—Ah, Ana... —Katherine diz segurando minhas mãos. —Tudo vai ficar bem agora, ela não vai te encontrar.

—Eu não sei, você não sabe tudo que eu sofri. Ela sumiu.

—Eu sei disso, mas há pessoas atrás dela, a polícia está atrás dela e daquele marido nojento dela.

—Eu espero que eles sejam pegos então. —Murmuro suspirando. —Melhores amigas?

—Ah. —Ela sorri. —Meu pai... o George, ele era amigo dos seus pais, ele é seu padrinho...

—Padrinho... é claro! —Exclamo sorrindo e Katherine ri. —Eu sabia que o conhecia de algum lugar. Ele vivia me dando bonecas de porcelana e eu quebrava junto com a...

—Comigo. —Katherine sussurra sorrindo.

—Ah, meu Deus! —Exclama surpresa. —É claro. Nós éramos terríveis. Vivíamos sujando os vestidos e as meias, enterrávamos coisas. Nós éramos...

—Mini terroristas. Que bom que lembrou... eu senti sua falta.

—Me desculpe. —Falo segurando suas mãos. —Eu fiquei presa por muito tempo, levei tantas surras que acabei esquecendo de muitas coisas.

—Não se desculpe. —Kate diz sorrindo. —Melhores amigas ainda são melhores amigas.

Sorrio, mas paro ao ouvir um chorinho de bebê. Katherine me encara e sorri.

—Você tem filho?

—Sim, o Pietro. —Ela fala sorrindo amplamente. —E acho que ele está com fome.

Katherine sai da sala e eu acabo ficando perdida em pensamentos, mas noto todos as fotos do bebê em cima da lareira e em outros lugares da sala. Logo ela está de volta, segurando uma bolinha de toca e chupeta marrom.

—Ah, mamãe, ele é muito fofo. —Gabby diz sorrindo.

—Ah, ele é. —Katherine diz sentando ao nosso lado e começa a amamentar Pietro enquanto Gabby alisa seu rostinho. —E muito faminto.

—Quem é o pai dele? —Pergunto e Kate ri. —Um idiota da faculdade. Ele fugiu para o exterior assim que descobriu, mas eu e o Pipi não precisamos dele.

—Eu sei como é. —Murmuro encarando Gabby.

—Meu pai me contou sobre o pai da Gabby.

—Como ele soube? Aliás, como ele soube onde eu estava.

—A Nana...

—Imaginei. —Sussurro pesadamente. —Eu preciso arrumar algo para fazer... uma casa.

—Nada disso! —Kate diz revirando os olhos. —Você e a Gabby vão ficar aqui comigo e o Pietro, e depois você vê um emprego. Eu odeio ficar sozinha e você ainda e a minha melhor amiga.

—Obrigada. —Sussurro sorrindo com os olhos marejados.

—Vocês vão se felizes agora, Ana.

—Eu espero. —Sorrio e puxo Gabby para os meus braços. —Você quer morar aqui, Gabby? Com a sua madrinha e o Pietro?

—Madrinha? —Kate pergunta e eu balanço a cabeça.

—Sim! —Gabby exclama abrindo os braços. —Tia Kate, eu posso ajudar a trocar o Pietro?

—Ah, mas é claro que você pode. —Kate fala sorrindo. —Nessa casa vocês podem tudo.

—Oba! —Gabby se joga no chão e começa a gargalhar.

Eu estou com muito medo, confesso, mas esse sorriso, aliás, esses dois sorrisos estão me dando coragem. Mabel me prendeu por muito tempo, e não foi só a prisão dela, foi a minha, interna, que eu criei e me submeti, mas agora está na hora de viver. Há muita coisa ainda que precisa ser esclarecida, sem dúvidas, mas hoje... hoje é um belo dia de liberdade, e assim serão todos os outros dias da minha vida e de Gabby, e eu não vou mais temer. Nunca mais.

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Kate me encara e eu sorrio confusa ao ver a porta aberta. Ela está com Pietro na faixa e Gabby está ao seu lado, com um belo vestido vermelho, cabelos arrumados e uma tiara com flores. A sensação é diferente. Sair... sem ter medo de voltar. A porta está aberta, e eu posso sair sem medo algum, sem ninguém atrás de mim.

Sorrio nervosa e Katherine gargalha. Encaro meus pés com botas. Botas... há anos eu não uso isso. Muito menos calça.

—Isso é muito estranho. —Digo rindo.

—Vamos logo. —Kate ri. —Nós temos que comprar algumas coisas.

—Mas... eu não tenho dinheiro Kate, e eu não...

—Ana, seu pai e sua mãe deixaram muito dinheiro para você, sabia?

—Mas eu não posso usá-lo, a Mabel controla o dinheiro.

—Não mais. O papai resolveu tudo isso, o dinheiro é todo seu. Inclusive a casa de campo...

—Aquela casa... eu só quero esquecer. —Murmuro.

—Tudo bem, você pode esquecer. Só vamos logo.

—Ok. —Digo rindo e dou um passo para fora com minhas confortáveis botas. —Pronto.

—É, um passo, agora falta uns vinte até o elevador. —Kate fala e eu acabo gargalhando. Gabby me olha surpresa e ri. —Tranque a porta.

—Tudo bem. —Falo trancando a porta com a chave e coloco no bolso da calça. —Vamos.

Balanço a cabeça rindo e lá vamos nós.

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Notas finais