Segunda Chance
3 ♛ Irmãs Por Acaso ♛
Notas iniciais
Olho para Katherine e gargalho com a reação de Gabby ao tomar sorvete pela primeira vez. Ela faz uma caretinha franzindo o nariz e balança a cabeça rindo.
—Aí, mamãe é ‘gelato’. —Gabby diz me deixando boba.
—É ‘gelato’? —Digo repetindo sua palavra nova.
—Sim, tem gostinho de ‘molangos’.
—Porque é de morango, lindinha. —Kate diz acariciando seu rosto. —Nós vamos comprar todo sorvete do mundo para você.
—Sério titia?
—Sério.
Sorrio boba ao olhar as duas. É tão bom ver seu filho sendo bem tratado por alguém que você gosta e confia. Sem falar no sorriso. Ver em sorriso doce no rosto de Gabriela só me dá mais vontade para continuar lutando e enfrentar tudo isso.
—Bom, acho que agora precisamos ver o quarto de vocês. —Kate diz olhando para a loja do outro lado da rua.
—Kate... —Murmuro desconfortável.
—Ei, você escolhe, você paga. —Ela diz rindo. —Você tem alguns milhões da sua conta, lembra?
—Bom... ainda não sei lidar com isso. —Falo rindo. —Eu nunca pensei que fosse ficar com a herança dos meus pais.
—Ah, ainda tem muito mais. —Kate fala enquanto balança Pietro. —Eu esqueci de te falar, mas hoje vão chegar algumas coisas lá... o papai conversou com um advogado, agora o estado sabe que você está viva e não morta com todos pensaram. Tudo que era dos seus pais vai ser entregue a você, o advogado guardou, não tinha para onde levar, mas são seus agora.
—Do que estamos falando? —Pergunto confusa pegando Gabby no colo e nós começamos a andar em direção a loja.
—Duas casas, três apartamentos, uma cabana. Um estúdio de fotografia abandonado... hã... o dinheiro, que você já sabe. Joias, roupas, móveis. E acho que tem mais coisas.
—Kate! —Exclamo incrédula parando no meio da calçada. —Isso... é uma grande loucura. Essas coisas não podem ser minhas.
—Mas são. Seus pais deixaram para você.
—Claro... —Sussurro confusa.
—Pare de ser boba, você sofreu, mas hoje é dia de sorrir... e de compras. —Kate franze o nariz e sorri. —Aposto que a Gabby adoraria roupas novas, brinquedos... acessórios.
—Você tem razão. —Falo sorrindo. —Chega de dor. Minha filha merece o melhor do mundo, né amor?
—Sim. —Gabby diz sorrindo e nós entramos na loja.
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Estou andando pela loja com Pietro nos braços. Kate e Gabby estão a frente, atônitas comprando as coisas. Posso dizer que não consigo tirar o sorriso do meu rosto ao ver minha filha tão bem. Eu ainda estou com medo, aliás, apavorada. Eu olho para todos os lados como uma louca. Sei que não sou totalmente segura com Mabel e Bob soltos por aí, mas eles não sabem onde estou. Ninguém sabe. Katherine me contou que George conseguiu alegar minha sanidade mental e entrou com um processo contra a clínica onde fiquei. Ela também falou que Mabel não tem direitos sobre mim, e qualquer dano que ela me causará será acrescentado nas acusações contra ela.
Se bem que eu ainda estou tão confusa. Até ontem eu estava presa em um porão, e agora estou aqui, fazendo compras com a minha amiga, minha filha e esse bebezinho lindo que o Pietro é.
—Ah, como seu bebê é lindo.
Saio dos meus devaneios ao ver uma linda garotinha loira de olhos azuis, grandes olhos azuis, parada a minha frente. Sorrio confusa para ela. Ela é tão linda. Deve ter uns cinco anos eu acho. Tem a pele de porcelana, cabelos loiros e está usando um vestido florido.
—Ele não é meu. —Murmuro sorriso com algo diferente no meu coração.
—E ele é de quem? —Ela pergunta sorrindo balançando o corpo.
—Da minha amiga. —Abaixo-me em sua frente e ela acaricia o rostinho de Pietro.
—Ah, ele é tão lindo...
—Você também. —Sussurro automaticamente. —Qual o seu nome?
—Clarissa, e o seu?
—Anastásia. —Digo e confusa pelo seu nome, e ela parece ficar confusa pelo meu.
—Esse é o nome da minha mãe. —Clarissa diz sorrindo.
—Ah, ela deve ser muito bonita, você é uma garota linda.
—Lis.
Levanto-me e vejo uma garota se aproximar. Ela deve ter a minha idade, é loira, olhos verdes meio acinzentados e um belo sorriso. Ela me encara e ri confusa.
—Desculpe, minha sobrinha é um pouco levada. Ela não te incomodou, não é mesmo?
—Não, ela é um doce. —Murmuro sorrindo para Clarissa que olha brava para a mulher.
—Eu não sou levada, tia Mia. —A menina diz cruzando os braços e revira os olhos.
—Claro que não. Bom... eu sou Mia Grey.
—Anastásia Steele. —Falar pela primeira vez em muitos anos meu sobrenome me causa um alívio absurdo. Aperto a mão de Mia e ela ri de novo.
—Steele... —Mia murmura.
—Ana. —Kate diz se aproximando com Gabby.
Gabby para na frente de Clarisse e a encara com os olhos arregalados, e a menina está da mesma forma. Kate e Mia me olham incrédulas e depois encaram as duas. Então eu acabo fazendo a mesma coisa, e para o meu desespero? Elas são idênticas. Completamente iguais, mas com idades diferentes. Exceto que os olhos de Clarissa são um pouco cinzas.
—Olha, se eu soubesse que você teve outra filha, juraria que essa era ela. —Kate diz e Mia solta um riso abafado.
Mia... Mia Grey... Grey... ah, meu Deus! Encaro Mia e depois a menina, entrego Pietro rapidamente para Katherine e pego Gabby no colo tirando-a do seu transe com Clarissa.
—Kate, eu não me sinto bem. Acho melhor irmos embora.
—Tudo bem, mas o que você tem? —Kate pergunta enquanto anda atrás de mim, após eu praticamente ter saído como uma louca. Saio da loja e paro no meio da calçada fechando os olhos. —Ana, o que há? Por que você ficou assim? Foi só uma brincadeira, eu... Ana? Você teve outra filha?
Encaro Kate e balanço a cabeça tentando conter as lágrimas. Gabby me olha assustada e me abraça na tentativa de me consolar.
—Eu só tinha 16 anos, e... a Mabel disse que ela nasceu morta.
—Ah, meu Deus! E você acreditou?
—Eu era uma criança, Kate. Eu não sabia no que acreditar. Logo em seguida ela me tirou da escola, e me privou de sair. Eu só estive com o pai da minha filha duas ou três vezes.
—Como é o nome dele? —Katherine pergunta parecendo estar brava, mas eu não respondo. —Ana, me fala, qual o nome dele? Se você não me falar, eu juro que...
—Christian Grey. —Sussurro fechando meus olhos e a primeira lágrima caí.
—Ah, meu Deus... —Katherine murmura.
—Só vamos embora, por favor. —Imploro sentindo o medo me invadir.
—Ana, aquela menina pode ser a sua filha! —Katherine exclama.
—É, eu sei. E eu quero ir embora, por favor.
—Você não vai atrás dela?
O silêncio me inunda e eu apenas encaro Kate, sem dizer nada, ela balança a cabeça e se vira caminhando em direção ao carro. Olho para dentro da loja e vejo Mia no caixa, e Clarissa ao seu lado, ela me olha de longe, com curiosidade, o mesmo olhar de Gabby. As lágrimas só descem mais, mas eu faço ao contrário do que meus instintos mandam, e vou para o carro. Coloco Gabby na cadeirinha e entro ao lado de Kate.
Envolvo meus braços ao redor do meu corpo e deixo as lágrimas caírem livremente. Kate me olha magoada e arranca com o carro, sem dizer nada o caminho inteiro. Assim que chegamos ao apartamento Kate leva as crianças para dormir e eu fico sentada no sofá, completamente perdida em pensamentos.
—Nós podemos falar? —Kate pergunta despertando-me de meus devaneios. Ela senta ao meu lado e segura a minha mão. —Me conta...
—Eu tinha 16 anos, Bob ainda não tinha chegada a conhecer a Mabel... —Murmuro com as lembranças dolorosas em minha cabeça. —Ela era rígida, mas me deixa estudar em uma escola perto da cidade. Eu estava para me formar, ir para o último ano, então eu saí escondia para uma festa com algumas amigas. O Christian estava lá... e nós ficamos conversando. Ele pediu para me ver de novo. Nós éramos duas crianças... ou eu era. Ele era mais velho e eu acho que fiquei fascinada, então, na terceira vez que nos vimos, na colina, acabou aconteceu. Foi a primeira vez que eu estive com alguém.
—Ah meu Deus... —Kate sussurra como se pudesse sentir minha dor.
—Eu descobri que estava grávida dias depois, e eu nem consegui falar com ele..., mas a Mabel soube logo, ela ficou louca, me tirou da escola, me fez terminar o último ano em casa. Escondeu minha gestação de todos. Então, pouco antes do nono mês, ela levou o Bob para lá, e ele tentou me agarrar, eu o cortei com uma tesoura e ele chutou minha barriga. Eu tive minha bebê nesse mesmo dia, e eu apenas lembro de não ouvir seu chorinho.
—Ana... —Katherine me puxa para os seus braços e começar a mexer em meus cabelos.
—A Nana fez meu parto, e ela levou a Clarissa. A Mabel me disse depois que ela estava morta... e eu... eu não podia fazer nada.
—Mas você pode fazer agora. —Kate diz.
—Não Kate. —Sento-me e a encaro. —Ela pode nem ser minha filha.
—Mas fugir não vai revelar isso. Você viu a forma que ela te olhou, que ela olhou para a Gabby, é claro que ela é sua filha.
—Eu não sei. —Levanto-me e começo a andar de um lado para o outro. —Eu só... não... se ela é minha filha como ela foi parar nas mãos do Christian?
—Pode ter sido a Nana.
—Ela me contaria.
—Sim, mas ela poderia estar querendo proteger a menina.
—Eu não sei. —Sussurro fungando.
—Anastásia, você precisa procurar o Christian.
—Como? Eu não tenho a menor ideia de onde ele possa estar.
Katherine revira os olhos e suspira. Ela caminha até o balcão e abre seu Mac, pesquisa algo e sai da frente do computador. Caminho até lá e paro sem palavras ao ver a foto do belo homem de olhos cinza. Há várias fotos, ele está sozinho em todas. Bem vestido e com um olhar inteiramente frio... não... esse não pode ser ele.
—Christian Grey, o CEO mais novo e provavelmente o mais rico de toda América. —Kate murmura parando atrás de mim.
—Como? —Pergunto confusa.
—É ele, Ana, esse é o Christian.
—Kate... eu preciso ficar sozinha..., por favor. Eu preciso pensar um pouco.
—Você quem sabe, mas saiba de algo.
—O que? —Pergunto enquanto caminho para o quarto.
—Você não está mais presa. A Mabel não decide sua vida agora. E se fugir, você vai estar fugindo como uma covarde. Você tem uma filha lá fora e precisa estar perto dela. Ela precisa de você, assim como a Gabby.
Não respondo nada, apenas me direciono para o quarto e me jogo na cama, as lágrimas veem borbulhando dos meus olhos. A dor está me dilacerando novamente. Eu estou com medo. Medo de que ela seja minha filha, medo de tentar me aproximar e Christian me querer longe. Medo do que vai acontecer daqui para frente, porque sinceramente, a vida só parece estar começando agora, e eu estou presa nessa encruzilhada.
Mas Kate tem razão... a forma como Clarissa me olhou... Clarissa, eu lembro de ter escolhido esse nome por Christian. Uma das poucas vezes que conversamos ele me disse que gostava do nome... Christian... como será que foi a vida dele? Ah, Deus... eu realmente não sei o que fazer.
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Alguns dias depois...
Caminho até as cortinas e abro-as deixando a luz do sol invadir o quarto de Gabriela, viro-me e vejo-a ainda deitada, segurando seu ursinho enquanto dorme tranquilamente. Isso é ótimo, já que ela me deixou a noite toda acorda por causa da sua súbita febre. Sorrio e me aproximo, curvo-me e acaricio seu rostinho redondo.
—Ei, hora do café. —Sussurro e ela resmunga.
—Mamãe?
—Sim?
—Minha cabeça está doendo.
—Está meu amor? É porque você precisa comer direitinho, você não quis comer ontem.
—Eu não tinha fome. —Ela sussurra abrindo os olhinhos.
—E agora? Você está com fome?
—Sim. —Gabriela murmura estendendo os bracinhos e eu a pego no colo levando-a para o banheiro. Coloco-a sentada na pia e pego sua escova espremendo um pouco de creme dental. —Eu não ‘quelo’.
—Você precisa. —Digo calmamente. —Abra a boquinha, ok? Vai ser rápido.
—O Pietro não escova os dentes. —Gabby diz e depois abre a boca.
—É porque ele não tem. —Digo rindo e começo a escovar seus dentes. —Prontinho.
Termino de arrumar minha filha e nós vamos para a sala onde Kate e Pietro estão. Gabby core e dá um beijo em Kate e depois Pietro, ela senta na mesa e eu sorrio enquanto me aproximo para servi-la com seu cereal. Sento-me ao lado dela e desejo bom dia a Kate.
—Já pensou o que vai fazer? —Kate pergunta.
—Hm. —Murmuro parando a colher no ar. —Eu tenho alguns planos...
—Quais? —Ela pergunta animada.
—Primeiro... eu quero algo para fazer, você me falou de um estúdio que minha mãe deixou.
—Sim, no centro de Seattle. O que você está pensando?
—Bom, eu acho que nós podemos reformá-lo, e, fazer uma editora/estúdio.
—Estúdio?
—Sim, você é uma ótima fotógrafa, e, não tem um lugar ainda.
—Ana... não, era da sua mãe.
—Nem vem com essa, ok? Você está me deixando ficar aqui, te enchendo o saco todos os dias, é o mínimo, e eu vou adorar trabalhar com você.
—Você é o máximo. —Kate diz e eu sorrio. —Mais planos?
—Sim, eu acho que vou vendar alguns imóveis, aquela casa de campo principalmente. Eu quero falar com o advogado, para ele bloquear qualquer acesso de Mabel, eu quero ela na miséria. —Falo com amargura e Kate ri. —Não ria!
—Ok. —Ela fala calmamente. —E quando quer começar tudo isso?
—Depois de arrumar uma babá. —Murmuro olhando Pietro e Gabby.
—Ok, eu acho que conheço algumas, e posso chamá-las hoje.
—Eu iria adorar.
—Então está combinado, só mais uma curiosidade.
—Qual?
—E aquela garotinha?
—Eu ainda não sei. Eu não posso simplesmente chegar no Grey e falar: olha, eu sou a mãe da Clarissa, posso conhecê-la?
—Você pode tentar.
—Engraçadinha. —Semicerro os olhos e Kate gargalha.
—Eu vou pegar minha agenda para ver as babás, já volto.
—Ok.
♛ ♛ ♛ ♛
Encaro a nova babá e suspiro, depois encaro Katherine que me dá um olhar tranquilizador. Encaro Gabby conversando com a garota que ela parece ter adorado.
—Não se preocupe Srta. Steele, eu vou adorar cuidar da sua filha. —Abigail diz sorrindo.
—Vamos Ana, a Abigail já cuidou do Pietro, ela é uma menina ótima, muito educada. —Kate diz e a menina sorri de novo.
—Eu imagino, é só que... —Suspiro profundamente. —Tudo bem, mas me ligue se for preciso.
—Pode deixar. —Ela diz sorrindo.
Aproximo-me de Gabriela e abaixo segurando seu rostinho.
—A mamãe volta logo, está bem?
—Sim, mamãe. —Ela diz segurando meu rosto. —Mamãe, eu posso tomar soverte?
—Claro que pode. —Sussurro sorrindo. —Seja uma boa garota.
—Sim.
—Eu amo você, querida.
Dou um beijo em Gabriela enquanto Katherine se despede de Pietro e explica algumas coisas para Abigail que ouve atentamente. Nós deixamos dinheiro para alguma emergência e finalmente vamos para o estúdio encontrar a arquiteta. Levo cerca de uma hora para chegar, e de longe noto dois edifícios gigantes. Um é todo espelhado por fora com vidros escuros, e o outro, onde paramos em frente, está em um estado um pouco... deplorável. Só quando descemos do carro, e eu encaro o prédio espelhado, que noto o nome... Grey House em letreiros grandes bem na frente. Fuzilo Kate que apenas ri e encolhe os ombros.
—Você é uma cretina. —Murmuro balançando a cabeça. —Você sabia disso?
—Claro que não. —Ela diz revirando os olhos. —Mas é uma grande coincidência.
—Coincidência, Katherine? Eu vou matar você!
—Para de drama, ele nem vai ver você.
—Claro, aposto que o maior empresário de Seattle, vai ver um prédio, bem em frente ao seu sendo reformado, e não vai achar nada disso.
—Não sei, mas o que importa?
—Eu vou te matar.
—Depois você faz isso, a Srta. Matteo está vindo. —Katherine diz e eu me viro vendo uma loira, de terninho cinza descer de um carro, ela se aproxima sorrindo e eu confesso que não vou nenhum pouco com a sua cara.
—Srta. Steele, Srta. Kavanagh, estão prontas? —Ela pergunta sorrindo, mas não me convence.
—Sim. —Kate diz animada e eu forço um sorriso.
—Vamos ver no que vai dar. —Murmuro.
♛ ♛ ♛ ♛
Gia se despede e vai embora, desfilando pelo piso barulhento do estúdio, que logo se tornará um grande prédio comercial. Encaro Kate e para minha surpresa ela também faz uma careta.
—Não gostei dela. —Dizemos juntas e começamos a rir.
—Bom, ela é a melhor de Seattle.
—Espero que seja. —Murmuro olhando em volta. —Está tudo caindo aos pedaços.
—Meu pai falou que sua mãe adorava isso... —Kate diz olhando em volta e eu acabo sorrindo. —Ela ficava horas aqui, fotografando, ela também expos muitas fotos nesse lugar.
—Será que sobrou algo?
—Eu acho que pode ter sobrado. —Katherine fala e por um segundo sinto uma pontada de felicidade por poder ter algo que minha mãe fez. —As coisas que sobraram estão a dois andares a cima.
—Acho que vou lá. —Murmuro olhando para as escadas. —Você me espera aqui?
—Sim, eu vou aproveitar para falar com o engenheiro.
—Ok. —Sorrio e me viro indo em direção as escadas.
—Ana, não demore. —Kate pede. —Esse lugar está dando arrepios.
—Não vou demorar. —Digo rindo.
Chego ao segundo andar e encaro o extenso corredor que forma um L. Não há lâmpadas, o carpete está soltando, mas as portas estão todas trancadas, talvez sem chaves. Começo a caminhar ouvindo o piso de madeira ranger embaixo do carpete. Viro o corredor e vejo um balcão, um pouco a frente há portas duplas supergrandes, caminho até elas e as empurro. Elas abrem sem fazer barulhos. Quando a porta se abre, por um segundo, consigo visualizar minha mãe, ela está tirando fotos de papai, então logo a sala, toda empoeirada está de volta, e eles não estão aqui. Eu não lembro se já estive aqui antes, talvez sim, mas eu não consigo ter tantas lembranças.
Caminho pela grande sala, um grande estúdio, aliás. Paro em frente à mesa e sorrio ao ver alguns quadros ainda inteiros. A maioria das fotos são minhas, e em algumas eu estou com a minha mãe. Acho que eu deveria ter uns dois anos, não sei ao certo. Dou a volta na mesa e abro as gavetas, há papéis empoeirados, todos documentos. Começo a checar todas as gavetas, e quando abro a última, encontro apenas um medalhão em forma de coração.
As lágrimas tomam meus olhos quando vejo as fotos dentro, de um lado está mamãe e papai, e do outro eu quando era bebê. Como eu sinto falta deles. Balanço a cabeça afastando o pensamento. Não, eu não posso mais chorar. Guardo o colar no meu bolso e pego um dos quadros onde estou com meus pais. Procuro pela chave e quando saio tranco a porta. Caminho rapidamente pelo corredor ouvindo o piso ranger, desço as escadas, mas quando estou prestes a virar para encontrar Kate, ouço algo que me faz parar no lugar. Encosto na parede rapidamente e fecho meus olhos.
—Srta. Kavanagh, eu sou Christian Grey. —Ele diz e posso ouvir Kate ri.
Maldita seja Katherine Kavanagh!
♛♛♛♛
Clarissa

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