Segunda Chance
28 ♛ Imprevistos ♛
Notas iniciais
Anastásia Grey
Algumas semanas mais tarde...
Desligo o telefone soltando gritinhos com Kate enquanto Christian e Elliot tentam entender nossa reação. Caio na gargalhada ao olhar a cara confusa do meu marido.
—O que houve, mamãe? —Abigail diz entrando na sala, e só agora noto que já é hora de as crianças chegarem.
Eu passei o dia com Kate, e, voltei a empresa, eu realmente não poderia estar mais feliz. Foi ótimo voltar a trabalhar. Talvez eu tenha que abrir mão de algumas coisas as vezes, pelas minhas filhas, eu sei, mas, realmente vale a pena.
—Sua tia Mia vai jantar com meu irmão.
—O que? —Elliot e Christian perguntam juntos nada contentes.
—Ah, isso é tão legal. —Aby diz batendo palmas. —Que roupa ela vai usar? Será que ela está nervosa?
—Ela vai vir aqui, para ajudarmos. —Kate diz sorrindo.
—Como assim a Mia vai jantar com Pablo? —Christian diz furioso.
—Algum problema com meu irmão? —Sussurro semicerrando os olhos e ele se cala voltando a sentar.
—Sim, eu tenho. —Elliot diz se levantando. —Ela é a minha irmãzinha.
—Sua irmãzinha já tem 23 anos, ela sabe se cuidar. —Kate diz fazendo-o bufar. —E pode parando, o Pablo é um milhão de vezes melhor que aquele namorado meia boca que ela teve.
—A Kate está certa. —Christian diz dando um sorriso a contragosto. —Sabe... ela merece.
—Sei... eu só quero ter uma conversinha com esse Pablo. —Elliot diz cruzando os braços feito criança.
—Senta aí e fica quieto. —Kate diz empurrando um Elliot empurrado.
Ouço pequenas vozes, doces e infantis e logo vejo Taylor e Gail entrando na sala com as crianças. Ava, Clarissa e Gabriela segurando suas mochilas e falando animadamente enquanto Taylor carrega Pietro e Gail carrega Melissa. Melissa me olha e sorri estendendo os braços, caminho até ela e pego-a de Gail agradecendo.
—Olá meus amores. —Sussurro vendo Kate pegar Pietro e abraçar Ava.
—Mamãe, olha só. —Clarissa diz animada entregando um desenho e eu sorrio emotiva ao ver nossa família desenhada.
—Está tão lindo, querida. —Murmuro e ela ruboriza.
Abaixo-me e dou um beijo nela e outro em Gabriela.
—Ei, e eu não ganho beijo? —Christian reclama e as duas riem correndo para o pai, coloco Melissa no chão e lhe dou um beijo, depois deixo ela ir cumprimentar o papai.
—Papai, hoje você dá banho nelas.
—Ana, não. —Christian diz apavorado e eu gargalho.
—Boa sorte, eu vou fazer o jantar, a Gail vai sair, lembra? —Sussurro franzindo o nariz e corro para a cozinha com Aby e Kate.
—O que nós vamos jantar?
—Eu pensei em frango xadrez. —Sussurro pegando as coisas e ponho em cima do balcão.
—Ah, eu amo quando você cozinha, mamãe. —Abigail diz me fazendo sorrir. Ela se senta ao balcão e já pega o celular.
—Estou vendo. —Murmuro pegando seu celular. —Vamos deixar isso de lado um pouco, você pode ir trocar de roupa, lavar as mãos e prender esses cabelinhos para nos ajudar.
—Tudo bem. —Abigail diz rindo e corre para fora da cozinha.
—Ela está terrível. —Kate diz rindo. —Efeito Jordan?
—Ah, não fale sobre ela. —Peço baixinho. —Eles brigaram, por alguma coisa, que eu não sei. E... o Christian ainda não sabe sobre eles.
—Uh, isso é ruim. —Kate murmuro. —Ela gosta mesmo dele, não é?
—Ela é louca por ele, e ficou chateada por algo, mas apenas disse que eles não estão se falando.
—Adolescentes. —Kate ri balançando a cabeça. —Acho que nós juntas... não ia prestar.
—Eu concordo plenamente. —Murmuro rindo enquanto começo a fazer as coisas.
Um mini furacão de cabeços loiros entra na cozinha correndo em minha direção, e eu tenho que parar Clarissa por causa do fogão.
—O que foi, querida? —Pergunto vendo sua expressão preocupada.
—Olha, mamãe, está mole. —Ela diz mexendo no dentinho e meu coração para, voltando a bater com um orgulho e um medo desconhecido.
—Ah, querida, está tudo bem. —Sussurro quando ela me deixa ver. Toco o dentinho e vejo que ele ainda vai demorar a cair.
—Está mesmo, mamãe? Eu não quero perder meus dentes. —Clarissa diz com medo.
—Você vai perde-los. —Sussurro rindo. —Mas... você vai ganhar novos, mais fortes.
—É mesmo? —Ela diz surpresa. —Você também perdeu os seus?
—Ah sim, e seus tios, o papai, a Abigail também. —Murmuro e ela fica pensativa. —Não se preocupe tanto, vai demorar um pouco, mas quando cair, nós podemos colocar para Fada do Dente.
—A Fada do Dente? —Clarissa diz sorrindo amplamente. —Eu mal posso esperar!
Ela me dá um abraço apertado e corre para fora da cozinha gritando por Ava e Gabriela. Sorrio abobalhada e me levanto encarando Kate.
—Elas... crescem. —Murmuro e Kate ri.
—Eu sei... estou apavorada com Pietro e Ava. Às vezes eu só queria congelar os dois.
—Isso é loucura. —Digo rindo.
Abigail entra na cozinha e logo está nos ajudando com as coisas. Deixo ela Kate e Abigail cortando os legumes da salada enquanto preparo o frango e macarrão. Depois do jantar pronto, Abigail vai pôr a mesa, Kate vai ajudar Ava e Pietro a lavarem as mãos, e eu vou atrás de Christian e minhas mais novas.
Depois de todos prontos, nós descemos e jantamos todos juntos, logo Mia chega, e Kate, Abigail e eu corremos para o quarto para ajudá-la a escolher a roupa, cabelo e maquiagem.
—Vocês estão mais empolgadas do que eu. —Mia diz rindo enquanto decidimos o vestido.
—É claro que estamos. —Kate murmura revirando os olhos. —Agora vê esse aqui.
—Chatas. —Mia diz rindo e pega o vestido indo para o closet.
—Ah, meu Deus! —Abigail grita animada quando Mia sai do closet. —Está perfeito.
Sorrio olhando para Mia, ela realmente está linda, num vestido de Seda azul e dourado. Ela sorri vergonhosa e ajeita os cabelos.

—O que vocês acharam? —Mia pergunta insegura.
—Está lindo, Mia. —Sussurra Kate.
—Ah, eu estou tão nervosa. —Mia diz sentando-se na pontinha da cama. —Seu irmão é legal, não me entende mal, mas...
—Experiências ruins. —Suspiro sorrindo levemente. —Eu entendo, mas... seu irmão fez o mesmo comigo.
—É verdade. —Mia sorri e suspira quando a campainha toca. —Eu espero que dê tudo certo.
—Vai dar, Mia, você vai ver. —Murmuro segurando suas mãos. —Apenas não tenha medo, não deixe suas experiências ruins estragarem seu futuro, aquilo tudo não define você. Você escolhe. Entendeu?
—Sim, ah, Ana, obrigada. —Mia me abraça por alguns segundos e logo se levanta. Super determinada. —Vamos lá.
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Desço na frente com Kate e Abigail e sorrio animadamente ao ver a cara de bobo do meu irmão quando Mia começar a descer as escadas. Ele se levanta e corre para recebe-la, dando um beijo em sua mão. Mia me olha nervosa e sorri depois para Pablo, ela se aproxima e me agradece mais uma vez, depois se despede e sai com Pablo.
—Eu espero que dê tudo certo. —Christian murmura e eu me viro para ele sorrindo.
—Vai dar. —Digo calmamente.
Eu estou confiante, de uma certa forma, estou muito confiante. Todos nós temos marcas ruins do passado, e agora, é como se cada um estivesse encontrando a fonte da cura, a pessoa certa. Kate... foi abandonada pelo pai de Pietro, Elliot teve uma filha com uma mulher que não era muito boa, e agora... ambos estão juntos e curados.
E eu... bom, eu passei por coisas horríveis, mas em meio a tudo isso, Deus colocou na minha vida, o homem que me mudou, e tem mudado a cada dia mais. Sei que entender o plano de Deus nem sempre é fácil, mas tudo que Ele faz é extraordinariamente perfeito.
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Olho no relógio novamente, já são três horas da tarde. Christian teve que ir para Nova Iorque hoje, e a noite será só minha e das meninas, infelizmente eu não poderia ir buscá-las, Taylor e Gail farão isso..., mas por algum motivo algo está me incomodando. Muito. Eu não sei o que é ainda, mas desde que a deixei na escola sinto que tem algo de errado.
Suspiro pesadamente e tento me concentrar no trabalho, o que é difícil. Suspiro novamente esfregando o rosto. Pego meu celular e disco o número de Abigail, ela atende logo, e fica preocupada quando pergunto se está tudo bem, mas diz que sim, que vai sair mais cedo e está apenas esperando Taylor. Desligo e ligo para Taylor, e ele diz que já está na esquina da escola. Desligo e encaro o relógio... nervosamente.
Coloco meu celular sobre a mesa, pego-o e checo e vejo uma mensagem de Christian, dizendo que chegou bem. Respondo-o e novamente deixo o celular de lado, mas a concentração não vem. Deixo tudo de lado as quatro horas e decido ir para casa ficar com as meninas.
Chego em casa logo, e suspiro ao ver todas as minhas pequenininhas sentadinhas no sofá assistindo desenhos, junto com Abigail. Junto-me a elas, e ficamos assim por horas. Juntinhas. Depois do banho, eu dou jantar, elas escovam os dentes e vão direto para a cama, no meu quarto, é claro, quando Christian não está elas costumam me fazer companhia.
São duas da manhã quando acordo com Christian me ligando.
—Meu bem, aconteceu algo? —Pergunto preocupada.
—Baby, onde você está? —Ele pergunta parecendo preocupada.
—No quarto. —Sussurro olhando todas as meninas aqui. —Com as meninas, elas estão dormindo.
—Certo. Ana... eu não vou conseguir chegar no horário combinado. Eu... está chovendo muito, e nós não podemos voar. —Christian explica. —Taylor vai ficar aqui, o tempo todo, por favor, Anastásia, não saia de casa, em hipótese alguma. Não leve as meninas a aula também.
—Christian... —Levanto-me e saio do quarto. —O que houve?
—Ana, querida, fique calma. —Christian pede. —A Mabel, ela foi vista perto do seu trabalho.
—O que? —Sussurro apavorada.
—Ela estava com o maldito do Robin Adams, eles conseguiram prendê-lo, mas ela ainda está a solta. —Christian para por alguns segundos e suspira. —Ana, ele disse que ela não está nada bem.
—O que isso significa?
—Ela não está bem mentalmente. Robin jogou a culpa toda sobre ela, claro, mas eu já garanti que ele pegue alguns bons anos de cadeia, mas ele contou tudo, ele disse que ela anda tendo distúrbios. Ela atacou crianças no parque, querida, por favor. Fique aí até eu voltar.
—Tudo bem, eu não vou sair. —Sussurro com lágrimas nos olhos. —Só venha para casa.
—Eu vou assim que o tempo melhorar. Mas, querida, se cuide, por favor, não saia. Seu irmão e Mia irão ficar aí com você até eu voltar.
—Tudo bem, Christian.
—Eu amo você, Anastásia.
—Eu também te amo, mais que tudo. —Sussurro.
A ligação logo é encerrada, e eu fico em estado de choque. Sento-me no corredor, atordoada. Me encolho trazendo minhas pernas contra o peito e abraço-as. Isso é loucura. Eu não acredito que pegaram Bob. Por um lado, eu me sinto tão confortável sabendo que ele e Jack estão na cadeia, juntamente com o pai de Abigail, mas ela ainda está solta. E eu sei do que ela é capaz estando sã, mas... o que ela poderá fazer estando num estado de loucura?
—Mamãe?
Viro-me assustada e vejo Abigail parada a porta do quarto.
—Você não estava na cama quando eu acordei, aconteceu algo? Por que você está chorando?
—Está tudo bem, querida. —Sussurro. Ela se aproxima e senta ao meu lado. —Não, não está, me diga, por favor. Foi algo com o papai?
—Não. —Murmuro. —Abigail, seu pai me ligou, ele... ele não vai conseguir voltar amanhã, porque está chovendo muito.
—Mas não é por isso que você está chorando, é?
—Não.
—O que mais ele disse?
—A Mabel... ela... ela está solta por aí. Ela estava perto do meu trabalho hoje e conseguiram pegar o Bob, mas ela fugiu. E ela não está bem mentalmente.
—Ah, meu Deus. —Abigail sussurra preocupada. —E agora?
—Eu... eu não sei ao certo. —Sussurro preocupada. —Mas, vocês não irão a aula amanhã, nós não podemos sair de casa até o papai voltar.
—Tudo bem, mamãe, ela vai ser pega. —Abigail diz me abraçando e eu me sinto mais confortável. —Você vai ver, o papai vai cuidar de nós.
—É, ele vai. —Murmuro sorrindo.
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Na manhã seguinte...
O dia amanheceu bem chuvoso, Clarissa, Gabriela e Melissa estão apavoradas com os trovões, eles estão alto, e até mesmo eu estou um pouco assustada, mas não imagino que seja por isso. Ainda estamos na cama. Abigail está lendo um livro ao meu lado, Melissa está deitada sobre o meu peito, e Clarissa e Gabriela está do outro lado, me abraçando firmemente.
—Ei, meninas, que tal marshmallow com chocolate? —Aby sugere tentando acalmar o clima.
—Eu amo marshmallow. —Clarissa diz dando um leve sorriso.
—Ótimo, vem me ajudar, Lis?
—Está bem. —Clarissa sorri e desce da cama, levando outro susto com um trovão. Ela encara a janela, e depois suspira saindo do quarto com a irmã mais velha.
—Mamãe, por que nós não fomos a aula hoje? —Gabriela pergunta encarando a janela.
—Porque... está chovendo muito. —Sussurro tentando convencê-la.
—Certo. —Gabriela diz nada convencida e encara Melissa. Ela suspira e olha para a porta. —Posso ir pegar minha mantinha?
—Claro que pode, querida. —Sussurro. Ela balança a cabeça e desce da cama.
Ouço Abigail me chamar, perguntando algo, mas me levanto e vou até ela, deixo Melissa na sala vendo desenhos e vou até a cozinha.
—Eu não acho o chocolate. —Abigail diz fazendo beicinho.
—No segundo armário, lá em cima. —Murmuro e ela ri.
—Obrigada, mamãe.
—De nada, e tome cuidado com o forno, não deixe sua irmã perto.
—Está bem.
Semicerro os olhos para as duas mocinhas e saio da cozinha, entro na sala e vejo Taylor entrar ao mesmo tempo.
—Sra. Grey. —Ele diz e eu o encaro. —A Srta. Grey e seu irmão estão com problemas no carro.
—Onde eles estão? —Pergunto preocupada.
—Na estrada principal. Próximo a ponte.
—Certo.
—Eu vou ir busca-los.
—Você vai me deixar sozinha?
—Não senhora. —Taylor diz rindo. —Há seguranças lá embaixo. Eu codifiquei o interfone, só você poderá permitir a entrada. Não deixei ninguém entrar. Todos da família têm o código de acesso. O Ryan está na sala de segurança. Qualquer coisa há a sala de pânico.
—Está bem, Taylor. —Sussurro nervosa.
Taylor pede licença e sai, mas antes coloca o código ao lado do interfone. Olho para Melissa que ela sorri, por algum motivo isso me tranquiliza. Tudo vai ficar bem, eu espero, eu não posso passar nervosismo para as meninas, não posso.
—Mamãe, eu preciso de você. —Abigail grita da cozinha.
Suspiro e olho para Gabriela descendo as escadas.
—Não saiam daqui. —Ordeno e ela balança a cabeça.
Entro na cozinha e pego um recipiente e os biscoitos para Abigail, ajudo-a a colocar tudo e ajeitar para as meninas. Acabo me distraindo, mas tudo para quando ouço o grito de Gabriela. Meu coração gela e eu juro que tenho medo de me mover.
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