Segunda Chance

29 ♛ A Garotinha Que Eu Amo ♛


Notas iniciais
Espero que gostem, boa leitura ♥

Anastásia Grey

—Mamãe, me ajuda. —Gabriela implora enquanto Mabel segura ela de um jeito desajeitado e lhe faz carinho no rosto com a arma.

Melissa está chorando desesperadamente ao lado de Mabel que também está sentada no sofá. Abigail e Clarissa está atrás de mim, chorando e implorando para que eu faço algo, mas tudo que eu consigo fazer é encarar o corpo de Ryan no chão, enquanto Mabel me olha sorrindo em um estado estranho.

—Ela é tão linda, não é filha? —Mabel diz me olhando e sorri.

—Eu não sou sua filha. —Murmuro sentindo as lágrimas escorrem. —Solta ela.

—Por quê? —Mabel diz sorrindo e então percebo que ela está muito fora de si. —Ah, Ana, querida, ela se parece tanto com você e o Jack... Jack, eu me sinto tanto culpada, filha, eu deixei ele te machucar.

—Para! —Grito apavorada. —Para de falar sobre isso. Para. O que você está fazendo?

—Eu sei. Eu fui uma péssima mãe.

—Você não é a minha mãe. —Grito chorando.

—Mamãe... —Melissa diz estendendo os bracinhos.

—Ela quer você, filha, venha pegar seu bebê. —Mabel diz e eu sinto meu corpo gelar.

Eu estou apavorada, com muito medo. Eu sabia que ela viria, mas eu queria que ela viesse atrás de mim, não das minhas filhas, e agora, eu estou aqui, tão impotente enquanto minhas filhas estão me chamando, chamando por mim que sou mãe delas. Eu deveria protegê-las, cuidar delas, mas eu não consigo, não consigo.

—Mamãe, faça algo. —Abigail implora chorando. —Por favor... nós precisamos de você.

Isso me faz acordar. Elas... elas precisam de mim. Minhas filhas precisam de mim, e... eu não posso falhar com elas, não como falharam comigo. Não como me deixaram sofrendo. Eu não posso fazer o mesmo. Os últimos meses que eu passei, ao lado das pessoas que eu amo, foi tentando superar tudo isso, tentando me livrar de todos os fantasmas do passado. E eu me livrei. Eu me livrei de Jack. Eu me livrei de Bob. Eu me livrei da colina, daquele porão. Eu me livrei de mim mesma, e não posso voltar mais para aquilo. Eu não posso mais ser aquela garotinha com medo. Eu sou mãe. E tudo que eu tenho que fazer é proteger minhas filhas.

—Vamos, Ana. —Mabel insiste sorrindo.

Respiro fundo e dou um passo. Encarando minhas filhas e a arma em sua mão. Eu não posso temer, não posso deixar minhas filhas com ela. Não posso. Caminho até Mabel e as meninas e me abaixo na frente delas, encaro seus olhos e não consigo encontra-la, encontrar aquela mulher que tanto me atormentou, ela parece apenas uma casca com uma alma perdida dentro.

Levanto minhas mãos com cuidado e pego Melissa, ela me abraça apavorada, mas eu logo a afasto, eu preciso tirá-las daqui.

—Aby, porque... porque você não leva as meninas para um sorvete? —Sugiro e Abigail me olha sem entender. Dou um tapinha na bunda de Melissa e ela vai até Abigail que a pega no colo.

Aproximo minha mão para pegar Gabriela, mas Mabel a puxa para o lado, abraçando-a de forma protetora.

—Mamãe. —Gabriela chama apavorada e meu coração se parte.

—Não, tudo bem, tudo bem. —Mabel sussurra balançando-a, a arma ainda encostando o rosto da minha pequena filha. —Eu cuido dela, minha netinha, eu cuido dela.

—Solte, ela, por favor. —Sussurro sentindo as lágrimas caírem.

—Ah, querida, não chore, a mamãe está aqui. —Mabel diz passando o cano da arma no meu rosto. Viro o rosto, mas ela não faz nada. —Você quer ir tomar sorvete, Gabby?

—Não. —Gabriela diz chorando. —Mamãe, mamãe me ajuda.

—Está tudo bem, querida, a mamãe está aqui. —Sussurro segurando sua mãozinha. —Fique calma, ok?

—Eu quero o papai, mamãe. —Gabriela pede e meu coração se parte.

—Eu também. —Sussurro. —Mas ele vai chegar logo. Mabel...

—Mãe. —Mabel grita assustando as meninas. —Mamãe, me chame assim.

—Mamãe. —Sussurro tentando me manter calma. —Eu... acho que nós deveríamos tomar chá, o que você acha? Enquanto as meninas fazem o dever, elas têm muita lição.

—Ah, isso é bom, elas têm que cumprir com suas obrigações. —Mabel diz sorrindo de forma estranha, talvez atormentada. Ela coloca Gabriela no chão e minha filha corre para me abraçar.

—Vamos, querida. Leve suas irmãs para o quarto. Elas precisam fazer o deve. —Digo olhando Abigail.

—Mamãe, por favor... —Aby sussurra.

—Obedeça sua mãe! —Mabel grita fazendo Abigail dar um solavanco.

—Está bem. —Ela diz chorando. —Gabby, vem.

Gabriela me olha por alguns segundos e depois encara Mabel, sussurro que tudo ficará bem, e ela balança a cabeça indo ficar com as irmãs. Ambas as quatro me olha com medo, muito medo, e eu entendo. Eu entendo esse medo, eu já tive também, mas eu vou fazer o que for preciso para vê-las bem.

Abigail me olha uma última vez, ela suspira e segura a mão de Gabriela enquanto tem Melissa em seu outro braço. Clarissa me olha, apavorada, os olhos vermelhos pelas lágrimas. Fico olhando elas subirem as escadas e logo desaparecerem.

Viro-me e vejo Mabel ajoelhar na minha frente, ela puxa minhas mãos segurando firme, sinto o medo me invadir. Ela está louca. Não sei do que ela é capaz, mas não posso perder a calma, eu tenho que tirar minhas filhas daqui.

—O que você fez? —Digo olhando para Ryan caído.

—Ele esta dormindo. —Mabel sussurra jogando a cabeça para o lado. Eu bati nele com a arma.

Suspiro aliviada por saber que ele não está morto.

—O que você vai fazer agora? —Pergunto chorando.

—Eu vou cuidar de você, filha, minha filha. Tão querida. —Mabel sussurra acariciando meu rosto com a arma. Ela me olha e começa a chorar. —Eu deveria ter feito isso. Cuidado de você. Mas eu deixei eles te tocarem. Deixei eles machucarem você, meu bebê.

—Isso não importa mais. —Digo abaixando sua mão com a arma.

—Não! —Ela grita e aponta a arma para mim. —Importa. Você é meu bebê. Minha filhinha. Eu vou cuidar de você, filha, na nossa casa. Nós vamos fazer piqueniques na colina. Só nós duas.

—Claro. Vamos sim. —Digo chorando.

—Você está chorando, filha?

—Sim. —Sussurro balançando a cabeça.

—Não chore menina. A mamãe está aqui com você. Eu estou aqui.

—Eu estou vendo, mas... você precisa ir. —Sussurro tentando ser firme. —Eu não quero você aqui.

—O que? —Ela diz parecendo atordoada. —Eu fiz algo de errado? Por que você não me quer? Você é minha filha, você precisar me querer.

—Não, eu não preciso. Eu não quero você. —Digo abaixando sua arma novamente. —Vá embora, Mabel. Você não deveria estar aqui.

—Não. Você não pode fazer isso comigo, por favor, não faça isso comigo, Ana, eu sou sua mãe, sua mamãe.

—Não. Você não é.

—Não fale assim! —Ela grita e me puxa para um abraço que me faz tremer. —Você precisa de mim.

—Não, eu não preciso. Por favor, me solte.

—Shii... tudo bem, eu estou aqui. —Mabel sussurra acariciando meu cabelo. —Eu sou um monstro, Ana, me perdoe.

—O que?

—Eu sou um monstro.

—Não. Pare com isso. Só vá embora.

—Você precisa me perdoar. Eu não posso ir sem você me perdoar.

—Pare com isso. —Imploro tentando me soltar, mas ela não deixa.

—Diga. Diga que me perdoa.

—Mabel...

—Diga, Ana, por favor. Diga que perdoa a mamãe.

Paro por segundos, atordoada. Tentando entender tudo o que se passa na sua mente, mas é impossível. Essa mulher que tanto me atormentou, que me feriu de todas as formas possíveis, está aqui, fora de si, pedindo meu perdão? Mas do que vale meu perdão? Do que vale tudo isso?

Levo alguns segundos a entender.

Vale muito. Eu levei um bom tempo para me perdoar, e acho que é isso que ela quer, perdoar a si mesma.

—Diga. —Ela implora entre prantos. —Diga que me perdoa, filha.

—Ah, obrigada, Anastásia, minha menina. —Mabel se afasta sorrindo, um sorriso atordoado. Nesse momento vejo Taylor, Christian e Pablo entrarem correndo. Olho para Mabel, ela ainda está sorrindo, então ela eleve a arma, aponta na minha cabeça, depois sorri e leva a arma em sua cabeça.

—Não. —Grito apavorada.

—Eu precisava tanto do seu perdão.

—Mabel, não faça isso. —Grito sentindo as lágrimas voltarem. —Mamãe, não. Não.

—Eu amo você, menina. —Ela sussurra, e então atira,

Sinto o sangue espirra no meu rosto, na minha roupa. Quando percebo estou segurando-a, implorando que seja mentira, que ela não tenha feito isso. Eu não a odeio. Não a odeio. Eu a perdoo. Perdoo por tudo. Eu não quero que ela morra. Eu nunca quis isso, não. Não.

Sou puxada de Mabel, e sei que é Christian, ele está aqui, me segurando firmemente enquanto eu grito desesperadamente, mas eu não sei por que estou gritando. Tudo dói. Eu me sinto livre, e presa, sinto os fantasmas do passado se misturando, e misturando, então... esse é o fim de tudo? É assim que nós duas acabamos? Uma de nós tinha que morrer, e foi ela?

Notas finais