Segunda Chance

23 ♛ Compreendendo o Amor e a Amizade ♛


Notas iniciais
Meeeninas, olá, olá, olá. Desculpem minha demora para postar hoje, mas estava resolvendo umas coisinhas aqui, enfim, espero que gostem. Beijos.

Abigail

Ando pelos corredores da escola, tentando evitar os olhares dos grupinhos de vadias júnior. Ah, como eu queria poder sumir desse lugar. Depois que aquele idiota do Jordan postou a minha foto, todos estão me zoando, e me chamando de garota raposa. Isso é ridículo. Eu tenho que ouvir piadinhas todos os dias, graças a ele.

Tudo ficar pior em casa, com Ana e Christian, eles estão cada vez mais distantes, eu sinto falta deles. Anastásia está sempre brava e na correria para o casamento. Hoje nós teremos um ensaio para a cerimônia. Acho que vai divertido, ao menos se não tiver alguém gritando.

Sinto algo se chocar contra mim e volta a terra vendo meus livros cair e Jordan abaixar rapidamente para pegá-los. Reviro meus olhos e abaixo recolhendo alguns.

—Aqui. —Ele diz me entregando o resto.

Pego os livros e me levanto sem dizer, dou-lhe as costas e continuo meu caminho para a aula de artes.

—Ei, ruiva, você não pode estar chateada ainda. —Jordan diz vindo atrás de mim.

—Olha só, eu não quero falar com você. —Digo entrando na sala que está vazia. Coloco minhas coisas na mesa e me viro para Jordan. —Você não cansa? Eu estava ótima antes de ser notada, então você se aproximou e todas as coisas ruins começaram a acontecer.

—Ninguém fica ótimo sendo ignorado. —Jordan fala com desdém. —E eu não tenho culpa do que houve. Eu sinto muito pela foto, eu só... gostei dela.

—Gostou? Olha, você já me causou problemas o suficiente. —Digo sentindo as lágrimas tomarem meus olhos. —Problemas aqui, problemas em casa. A Ana está super brava comigo, por sua causa.

—Ana? Sua mãe?

—Não se faça de sonso, você sabe que ela não é minha mãe. —Murmuro frustrada. Sento-me e escondo o rosto entre as mãos.

—Eu sei que ela não é sua mãe... —Jordan sussurra e sei que sentou na cadeira ao lado. —Eu só pensei que você a visse como tal... já que ela cuida de você desde que seu pai...

—Como você sabe disso? —Levanto a cabeça e encaro-o, Jordan apenas encolhe os ombros.

—Nós éramos vizinhos. Eu morava no 108. —Ele diz e então eu me toco.

—Eu nunca vi você lá.

—Eu gosto de ficar em casa. Nós só nunca nos vimos fora da escola, aliás, você não me via, mas nós pegávamos o elevador juntos, eu até pensava que você me ignorava.

—Eu não te ignorava. —Digo ofendida. —Não... fora da escola. Eu só nunca te notei.

—Sei, você estava é me ignorando e se fazendo desentendia. —Jordan de um jeito que me faz sorrir. —Ah, tão linda.

—Não comece. —Murmuro revirando os olhos e abaixo a cabeça novamente.

—Abigail, me responda algo. Por que você me odeia?

—Eu não te odeio. —Suspiro e fecho os olhos. —É só que... você é o garoto popular, você tem os melhores amigos, ruins ou não, você sempre é o centro das atenções. E eu sou só uma garota normal. Toda vez que você chega do meu lado, alguém inventa algo sobre isso, e não é justo. Não é justo quando alguém inventa uma mentira e você não faz nada para mudar isso.

—Você não tem nada de comum. —Jordan fala. —Você pode até tentar ser invisível, mas você nunca vai conseguir, Abigail, me desculpa, mas você é tão linda. Eu não deixo as pessoas falarem mal de você. Eu sempre te defendi, você vendo ou não. As garotas falam mal de você por puro despeito, porque a maioria delas não tem um por cento da sua beleza, e não é só beleza externa.

—Você acha isso? —Pergunto agora encarando-o.

—Claro que sim. Você é toda linda, meiga, sempre ajuda, e bom disso, é que nem mesmo você percebe como é linda. Você não sai por aí exibindo o que faz de bom para as pessoas, você guarda para si, e se torna feliz com isso. As meninas da aula de química de adoram, elas sempre correm para você quando precisam de algo. Você tem as melhores notas. Você tem uma família que te adora. Eu vi como suas irmãzinhas te olham, elas te admiram. E seus pais? Eles simplesmente amam você.

—Eu não acho que eles... veem tudo isso. —Sussurro enrolando uma mecha de cabelo com os dedos.

—O que te faria pensar isso? —Jordan se vira um pouco ficando de frente para mim.

—Eles... eles se afastaram de mim. —Murmuro sentindo as lágrimas voltarem com mais força. —Eu sei que pode ser bobo para alguém que tem 16 anos, mas... eu adoro conversar com a Ana, adoro quando o Christian vem me cobrir e conversar comigo. Adoro quando eles perguntam sobre o meu dia, mas... eles simplesmente deixaram de fazer isso.

—Por quê?

—Por causa Das meninas... na verdade começou quando a Mel chegou, a Ana passou muito tempo se adaptando a ela, depois teve os tribunais, e agora o casamento. Eu fiquei meio de lado depois disso tudo.

—Mas... você contou isso para eles?

—Não, eu não posso.

—Por que não?

—Porque eles já fizeram muito por mim. Eu não posso cobrar nada deles.

—Aby, você não vai estar cobrando nada deles se dizer que sente falta. Eles cuidam de você. E eu aposto que eles também querem saber porque você está estranha.

—Você acha? —Pergunto insegura.

—Claro que sim. Faz um teste, tenta conversar com a sua mãe hoje, fala o que você sente. Eu aposto que as coisas vão ficar melhores.

—Você acha?

—Eu tenho certeza. —Jordan murmura. O sinal toca e ele sorri se levantando. Os alunos começam a entrar na sala e Jordan vai em direção a porta, mas para e me olha. —Ei, Abigail.

—O que? —Pergunto semicerrando os olhos.

—Você me odeia?

—Não. —Digo rindo e todos começam a olhar.

—Que bom, porque você é tão linda. —Jordan fala com um sorriso gigante e depois sai da sala correndo, me deixo com um sorriso igual.

Balanço a cabeça ignorando os olhares e sorrindo, e durante uma aula inteira, consigo não me concentrar e só pensar nesse garoto idiota e a esperança que ele me trouxe.

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Depois da Aula...

Taylor está me esperando na porta do colégio quando saio, enquanto caminho em sua direção, sinto algo se chocar contra meu ombro, é Jordan, ele pisca quando paro, depois beija minha bochecha deixando-me desconsertada e sai correndo. Taylor me lança um olhar sugestivo quando entro no carro, mas apenas balanço a cabeça rindo e fico ansiosa para chegarmos em casa.

Entro em casa correndo e vejo Clarissa e Gabriela virem correndo me abraçar. Solto a mochila no chão e abraço as duas. Melissa vem logo atrás, dando seus passos desengonçados. Ela é a criaturinha mais preguiçosa que eu conheço.

—Abigail, tire a mochila do chão. —Anastásia diz com um péssimo humor, e logo entendo. Grace, Mia e Kate estão aqui, as três estão falando no telefone, e imagino que seja coisa do casamento.

—Aby. —Ava diz surgindo do nada. Ela devia estar no banheiro.

—Oi. —Digo sorrindo e lhe abraço. —Onde está o Pietro?

—Saiu com o papai. —Ava diz ajeitando sua saia.

—Entendo. —Murmuro.

—Abigail, pegue a mochila! —Ana insiste e eu logo perco o bom humor. Abaixo-me e tiro minha mochila do chão.

—Ana... nós podemos conversar? —Pergunto me aproximando e ela me encara.

—Querida, não pode ser depois?

—É rápido.

—Abigail, agora não. —Anastásia diz de forma rude e eu dou um passo para trás. —Você pode me contar depois o que aprontou, agora eu realmente tenho que resolver umas coisas sobre o casamento.

—Claro. —Digo sentindo as lágrimas rolarem e ela me olha parecendo arrependida. —Boa sorte com seu casamento.

—Aby. —Ouço Kate chamar, mas ignoro enquanto corro escada acima para o meu quarto.

Jogo a mochila no chão e me jogo na cama puxando Fadinha para os meus braços. Encolho-me sentindo a comporta se abrir. Toda a dor, todo o desespero e falta de atenção saem em forma de lágrimas, rasgando-me por dentro. Fazendo tudo parecer mais duro. Eu... acho que tem razão quando dizem que nada no mundo pode substituir uma mãe. E eu sei que eu nunca vou me sentir da mesma forma que me sentia com ela. Anastásia e Christian nunca preencherão o vazio que sinto pela falta dos meus pais.

—Ei gatinha. —Kate sussurra entrando no quarto. Ela se aproxima e senta ao meu lado. —Como você está?

—Bem. —Murmuro encolhendo-me mais.

—É mesmo? Não parece. —Kate diz enquanto acaricia meu rosto. —Sabe, eu estava pensando... o que você acha de ir passar uns dias comigo?

—O que? —Digo me sentando e encaro Kate se entender.

—Você sabe. Na antiga casa. Comigo o Elliot. Eu sei que nós não somos como a Ana e o Chris, mas você pode ficar bem lá.

—Não. —Digo me levantando. A sensação de traição começa a me invadir.

—Ei, gatinha, não fica assim, é só por uns dias.

—Não. Eu não quero, Kate. Eu não quero ficar com você. Foi a Anastásia, não foi? Ela quer que eu vá!

—Ela só quer o melhor para você. Nós queremos. —Kate tenta explicar, mas a sensação de traição só aumenta.

—Ah, meu Deus! Ela quer que eu vá embora? Por quê? O que eu fiz?

—Aby, ela não sabe como agir. Você... você não fala mais com ela.

—Eu? —Grito sentindo as lágrimas virem mais fortes. —Ela me deixou de lado. Ela não vem mais me ver. Ela não me escuta e acha que sempre estou fazendo algo errado. Ela não se importa mais comigo.

—É isso que você pensa? —A voz de Anastásia ecoa e eu viro vendo-a na porta. Kate suspira e se levanta deixando do quarto, enquanto Anastásia se aproxima e para na minha frente. —Responde. É isso que você pensa? Que eu não me importo com você?

—O que você quer que eu pense? —Pergunto enquanto tento conter as lágrimas. —Você... você simplesmente me deixou de lado.

—Isso não é verdade.

—Não? Por que você acha que eu estou assim, Ana? Você me deixou, qual foi a última vez que você veio me ver? Ou que nós conversamos. —Anastásia abre a boca, mas fecha sem ter o que dizer. —Está vendo? Você... simplesmente não se importa mais! E agora você quer me mandar embora, como se eu fosse algo descartável, mas eu não sou. Você diz que é minha mãe, mas você sempre me coloca em segundo plano. As meninas têm até pulseiras iguais, e o que tenho? Tudo que você e o Christian fazem é gritar comigo e me deixar mais depressiva.

—Aby...

—Só me deixe sozinha. —Peço chorando. —Vá resolver a sua vida, e me deixe sozinha.

—Eu sinto muito. —Ana murmura deixando o quarto.

Caio sentada ao lado da cama e me encolho, sentindo a dor me invadir. Eu acho que Jordan não tinha tanta razão. Falar só parece ter me ferido mais.

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Anastásia Steele

Saio do quarto de Abigail e paro no corredor, me sentindo um lixo. Como... como eu fui idiota. Eu achei que ela... estivesse apenas fazendo essas coisas para chamar atenção... de certa forma ela estava, mas não era por rebeldia ou coisa do tipo, e sim porque eu fui uma tonta. Ah! Como eu não percebi isso? Como eu pude simplesmente esquecer que ela pode precisar de mim?

Sento-me na escada por minutos, pensando de que forma eu posso pedir desculpas, mas eu fui tão dura que nada será o suficiente. Ela é uma menina tão doce, a mais doce que eu já conheci. E tudo que ela precisava era de um pouco de atenção, enquanto eu até cogitava manda-la para longe, mas ela é a minha filha. Minha Aby, ela precisa de mim.

Fico mais alguns minutos parada, até que uma ideia me surge, desço as escadas e corro até meu quarto. Corro até o criado-mudo e pego algo. Saio do quarto correndo e passo pela sala vendo Mia, Grace e Kate brincarem com as meninas e Floquinho. Subo as escadas e entro no quarto de Aby. Ela está sentada no chão, o rosto repleto de lágrimas. Encaro-a e suspiro me sentindo tão... idiota. Tão... culpada. Como eu pude deixá-la nesse estado?

—Eu sinto muito, Anastásia. —Abigail diz e ela parece tão atordoada e ferida. —Eu não queria causar tantos problemas e...

—Eu sinto muito. —Sussurro e ela me olha confusa. —Eu... eu parei de te visitar todas as noites. Deixei de te chamar para conversar. Eu parei de te ajudar com suas lições de casa, e sempre que você vinha me pedir ajudar eu estava ocupada com as meninas. Eu parei de ir as compras com você, esqueci de te ouvir como sempre fazia. Eu nem sequer te ajudo mais com coisas que você gosta de fazer.

—Ana... —Ela sussurra surpresa.

—Olha, eu... quando eu escolhi ficar com você, foi porque eu sabia como você era. Eu sabia a garota incrível que eu estava colocando na minha vida. Você estava aqui, sozinha todas as noites, enquanto eu ficava lá embaixo com suas irmãs. Eu não vinha mais aqui para nada. Eu nem sei quando foi a última vez que nós conversamos, eu entendo que você não estava sendo rebelde ou coisa do tipo, você só sentia... falta da sua mãe... ou... de alguém para conversar e estivesse te ouvindo. Eu não quero mais brigar, nem que você se sinta assim. Eu não quero que você vá embora, Aby, eu amo você. Nós... ainda podemos ser... amigas?

Abigail balança a cabeça confirmando tudo e eu me sinto tão culpada. Eu a conhecia tanto, não sei como não percebi isso antes. Eu a deixei de lado esquecendo que ela pode ter trinta anos, mas ela ainda vai precisar de mim. Assim como eu preciso dela. Eu... sei que a vida está louca e agitada, mas... o que eu faria sem essa agitação louca?

Aproximo-me e abaixo em sua frente.

—Eu sinto muito. —Sussurro segurando o rosto de Abigail. —Eu fui uma idiota, e você mais ainda.

—O que? —Ela diz rindo surpresa.

—Quando você estiver sentindo minha falta, faça o favor de me avisar, me chamar para conversar. Eu simplesmente não percebi, mas eu não fiz por mal, eu te amo, querida.

—Eu também te amo, Anastásia. —Abigail sussurra.

Sorrio e abraço apertado. Ficamos assim por minutos. Chorando como bobas. Christian chega no meio de tudo, e no fim, acabamos sentando os três para esclarecer algumas coisas. Decidimos criar algumas regras, no fim, se torna uma reunião em família com Clarissa, Gabriela e Mel também.

Decidimos que teremos hora para passar com as meninas, resolver coisas do casamento, do trabalho e até mesmo os passeios, e que nada, nada será mais importante do que as meninas. E isso... é sem dúvidas a melhor decisão que já tomamos, juntos.

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Abigail

Deito-me na cama e abraço Fadinha, atordoada de tanta felicidade. Sorrio bobamente ao me lembrar que tudo isso foi graças a Jordan. Pego meu celular e decido fazer algo, depois, com um sorriso gigante no rosto, eu adormeço, sabendo que daqui pra frente tudo vai melhorar.

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