Segunda Chance

5 ♛ Biscoitos ♛


Notas iniciais
Meninas olá! Desculpem a demora, mas eu não estava em casa, e quando cheguei fui correndo escrever. Espero que gostem. Capítulo de dicado a Ana Pires que favoritou, obg amore ♥ Beijos meninas, boa noite e boa leitura ♥

Christian Grey

Abro meus olhos lentamente sentindo um cheiro diferente de biscoitos. Levanto-me e caminho para o banheiro, percebendo a falta de Clarissa na cama. Que estranho, sempre quando acordo ela ainda está dormindo. Faço minha higiene e vou tomar um banho, depois me troco e saio atrás da minha pequena.

Surpreendo-me ainda mais ao vê-la sentada em cima do balcão decorando biscoitos enquanto Gail tira mais alguns do forno. Aproximo-me e dou um beijo em sua testa.

—Bom dia papai. —Clarissa fala animada.

—Bom dia, gatinha. —Murmuro pegando a xícara da mão de Gail e sento-me. —Você me parece animada.

—Eu estou fazendo biscoitos. —Ela diz com simplicidade.

—Eu percebi. Algum motivo especial? —Pergunto curioso e ela fica séria.

—Por que teria? Eu só queria levar alguns para a vovó. —Lis diz com seu humor de sempre, mas ainda me deixa desconfiado.

—Sei. —Digo calmamente. —Você quer ir para a empresa hoje?

—Não, eu acho que vou na casa da minha amiga. —Ela diz enquanto mela os dedos com cobertura.

—Amiga? Eu não sabia sobre isso.

—Ela é nova... eu a conheci há dois dias.

—Eu conheço os pais dela?

—Não, mas a tia Mia conhece, e ela vai comigo. Não tem problemas, não é?

—Claro que não. Eu fico feliz por isso, só não esqueça da sua aula de balé.

—Está bem. —Falo acariciando seus cabelos e paro ao ver Mia entrando.

—Bom dia. —Mia diz sorridente como sempre.

—Tia Mia. —Clarissa grita animada. —Eu estou fazendo biscoitos para a Gabby.

—Ah, isso é ótimo. —Minha irmã diz beijando Clarissa e depois me dá um beijo.

—Quando ia me falar sobre essa nova amiga?

—Ah, Christian, deixe de ser ranzinza. É apenas uma amiga do parque. —Mia fala revirando os olhos. —A Lis adorou a menina.

—E quem são os pais dela?

—Ela tem mãe.

—Mãe? Pelo amor de Deus!

—Ei, você é pai solteiro!

—Eu sei, não falo por isso, e sim porque não acredito que um pai pode abandonar um filho. —Falo suspirando. —Eu preciso ir para a empresa, tenho uma reunião muito importante, não deixe de levá-la para a escola.

—Eu não deixo.

♛ ♛ ♛ ♛

Anastásia Steele

Encaro Kate e acabo rindo.

—Gabriela, saia de frente da porta. —Falo outra vez e ela me olha cruzando os braços.

—Lis! —Gabriela diz firme.

—Ela ainda tem aula hoje. Só virá mais tarde. —Kate diz e Gabriela fica ainda mais frustrada. —Quer me ajudar a trocar o Pietro?

—Sim. —Ela fala revirando os olhos e sai andando para o quarto.

—Eu já volto. —Kate diz rindo e vai atrás de Gabriela.

Ajeito-me no sofá e acabo olhando para a porta com um sorriso bobo. Eu também estou ansiosa para ver Clarissa. Ontem foi um pouco agitado e nós não podemos conversar; então eu estou muito ansiosa para vê-la, saber mais sobre ela. Pego meu celular e começo a ver alguns e-mails que Kate me mandou sobre ideias para a Editora/Estúdio.

Estou tão distraída que me assusto quando o celular começa a tocar. Encaro o número desconhecido sem entender. Esse celular é novo, assim como o número. Como alguém pode estar me ligando? Somente Kate tem.

—Alô. —Atendo desconfiada com o coração um pouco acelerado.

—Eu vou te achar. —A voz de Mabel do outro lado faz meu coração acelerar.

—O que?

—Eu vou te achar, e você vai ver que nunca deveria ter sumido.

—Não! —Grito e logo Kate está na sala. Levanto a mão e ela para. —Eu não tenho mais medo de você.

—Você sempre vai ter medo. —Ela murmura e sei que está com seu sorriso medonho no rosto. —Filhinha.

—Eu não sou sua filha. —Falo me levantando e Kate corre para o computador ligando o rastreador. —Eu nunca fui sua filha.

—Você é uma ingrata, e eu vou te achar, e vou acabar com você e sua filha.

—Se você encostar um dedo na minha filha, eu mato você! —Grito e isso parece deixá-la sem falas. —Eu não sou mais aquela garota, e eu não tenho medo de você, e eu juro que eu vou achar você, e você vai sofrer por tudo que nos fez passar.

—Achei ela. —Kate murmura e eu desligo o telefone. —Isso foi muito bom, eu estou orgulhosa.

—Ela não pode me machucar mais. —Sussurro me aproximando de Kate. —Onde ela está?

—Algum lugar no centro de Brasil. —Katherine diz franzindo o cenho. —Eu vou ligar para o meu pai, é melhor você ir ver as crianças.

—Está bem. —Sussurro sentindo minhas mãos tremerem e vou em direção a porta do corredor.

—Ana. —Kate chama e eu me viro. —Eu estou muito orgulhosa.

—Obrigada. —Digo sorrindo e vou para o quarto de Pietro. Entro e vejo Pietro no berço e Gabriela encolhida na cama. —Ei, o que foi?

—Você estava ‘glitando’, mamãe. —Ela sussurra deixando algumas lágrimas caírem.

—Eu sinto muito. —Falo abaixando em sua frente e seguro suas mãos trêmulas. —Está tudo bem agora, ok?

—A ‘bluxa’ não vai mais ‘plender’ a gente?

—Não, nunca mais. —Sussurro puxando-a para meus braços. —Nós vamos ficar bem, ok?

Abraço minha filha tentando confortá-la de alguma forma. Eu estou com medo, não medo de Mabel, é claro que se ela descobriu meu número, ela pode nos achar, mas eu juro, com todas as minhas forças que se ela encostar um dedo na minha filha, o medo ou qualquer outro receio acabará. Ela nunca mais vai nos ferir. Nunca mais.

♛ ♛ ♛ ♛

Olho pra Gabriela que sorri animada e bate palmas ao ouvir a campainha tocar, levanto-me e corro para abrir a porta, deparando-me com Clarissa e Mia do outro lado. Sorrio amplamente e Clarissa faz o mesmo, ela está linda! Usando uniforme do colégio e seus cabelos estão presos em maria-chiquinha.

—Olá. —Mia diz sorrindo.

—Mia, Clarissa, entrem. —Falo dando espaço e as duas entram.

—Lis! —Gabriela grita correndo com os pijamas em mãos e entrega um para Clarissa.

—Oi Gabby. —Clarissa diz sorrindo. —Eu fiz biscoitos para nós.

—Vem! —Gabriela diz puxando-a.

Sorrio e fecho a porta, caminho até o sofá com Mia e nós nos sentamos ao lado de Katherine e Pietro.

—Ah, esse bebezinho é uma graça. —Mia diz sorrindo.

—Todo seu. —Kate fala entregando Pietro para Mia que começa a brincar com ele.

—Ei, o que o seu pai disse? —Pergunto somente agora para Kate.

—Ele disse que iria falar com alguns amigos em Brasil. E que era melhor nós trocarmos seu número.

—Do que vocês estão falando? —Mia pergunta.

—A Mabel ligou para Ana hoje. —Kate diz sem cerimônias.

—O que? Como ela foi capaz? —Mia quase grita, mas se contém. —Onde ela conseguiu seu número?

—Eu não sei. —Encolho meus ombros e me ajeito no sofá olhando minhas filhas dividirem biscoitos. —Eu comprei o celular ontem, não tenho a menor ideia.

—Eu acho que vocês deveriam contratar seguranças. —Sugere Mia.

—Nós já temos.

—Temos? —Pergunto encarando Katherine.

—Mas é claro que sim! —Ela exclama revirando os olhos. —Você acha que vou colocar as nossas vidas e dos nossos filhos em risco?

—Você não me disse sobre isso. E eu nunca os vi.

—Exatamente, se você não vê, ninguém vê. —Kate fala calmamente.

Fecho meus olhos e jogo a cabeça para trás suspirando pesadamente. Isso ainda está tão confuso, há tantas coisas que eu não sei e deveria saber. A morte dos meus pais. Clarissa ter chegado a Christian. Por que Mabel quis mandá-la para ele? Isso está tão confuso. Eu me sinto tão impotente por não poder fazer nada.

—Ana, não se preocupe. Tudo vai ficar bem. —Mia fala segurando minha mão e eu abro meus olhos.

—Eu estou confiando nisso. —Sussurro apertando sua mãe suavemente.

—Mãe? —Dou minha total atenção para Gabriela, mas fico surpresa ao ver que foi Clarissa que chamou. Sorrio para ela e a encaro. —Você quer biscoitos?

—Eu adoraria. —Sussurro ainda boba e ela se levanta trazendo alguns biscoitos no saquinho.

—Aqui. —Ela diz me entregando um com cobertura rosa.

—Parece muito gosto. —Digo acariciando seu rosto e ela fecha os olhos inclinando mais o rosto. —Obrigada, querida.

—Tia Kate, você também quer um?

—Eu adoraria, Lis. —Kate diz sorrindo e ela entrega o biscoito para Kate.

—E você tia Mia? —Clarissa diz sorrindo e Mia faz careta para ela que solta uma gargalhada linda.

—Você me fez comer muitos biscoitos, e não vou nem conseguir provar o cardápio hoje. —Mia diz e Clarissa encolhe os ombros ainda rindo e vai brincar com Gabriela.

—Ela é tão linda. —Sussurro admirada com a minha filha.

—É sim, e agora eu sei de quem ela puxou. —Mia murmura sorrindo.

—Obrigada. —Digo calmamente e pelo resto do dia, conversando com Mia e Kate, dando muitas risadas, consigo esquecer de Mabel e todo o resto.

Quando são mais ou menos cinco horas, Mia recebe uma ligação de Christian, claro que eu fico apavorada, e até saio de perto enquanto eles conversam. Minutos depois Mia avisa que Christian terá que trabalha até mais tarde e que Grace (avó de Clarissa) está de plantão no hospital, e fora os três, ela não fica com ninguém. Então ela sugere que eu fique com a minha filha até ela sair do Bistrô.

—Mas, e se o Christian chegar mais cedo? —Pergunto nervosa.

—Ana, eu não posso levá-la comigo, eu não poderia olhá-la. —Mia diz. —Ele vai ligar quando chegar, e a Kate pode atendê-lo.

—Sim. —Kate diz se aproximando. —Ana, não vai ser nada demais. Eu posso falar que a Gabby é minha filha.

—Claro, porque vocês são muito parecidas. —Murmuro nervosa e Kate ri.

—Vai ficar tudo bem. —Mia afirma. —Sua filha vai adorar, não é Lis.

—Sim. —Ela diz dando pulinhos. —Por favor, me deixa ficar.

—Claro que eu deixo. —Digo sem cerimônias. —Como eu poderia te dizer não.

—O papai deveria pensar da mesma forma. —Ela fala e nós começamos a rir.

—Olha, Lis. —Mia diz abaixando na frente da sobrinha. —Nós vamos ligar para o papai, e falar que você vai ficar aqui na casa da tia Kate, você fala com ele e diz que está tudo bem, e que ele pode vir te pegar mais tarde, mas não diga sobre a mamãe, ok?

—Ok, tia Mia. —Clarissa fala calmamente.

Mia liga novamente para Christian e começa a conversar com ele que parece gritar, mas logo se acalma, então ela entrega o celular para Clarissa.

—Papai? —Ela diz calmamente depois revira os olhos. —Eu vou ficar bem. Pai! Não, eu gosto da tia Kate, ela vai cuidar de mim até você chegar. Tudo bem. Tudo bem. Tchau, eu também amo você.

Clarissa sorri e entrega o celular para Mia que fala mais um pouco com Christian e depois desliga.

—Olha, eu tenho que ir agora. —Ela diz pegando sua bolsa. —Gatinha, se comporte.

—Eu vou me comportar. —Clarissa diz revirando os olhos. —Tchau tia Mia.

—Tchau. —Mia diz beijando sua testa. —Ana, Kate, obrigada, vocês são as melhores. Até amanhã.

—Até. —Dizemos juntas.

Kate acompanha Mia até a porta e eu vou pegar Gabriela – que já está dormindo no sofá – para colocá-la em sua cama. Clarissa me segue até o quarto da irmã e me observa beijá-la e cobri-la. Encaro minha outra menina e ela sorri sentando ao lado da irmã e deposita um beijo em sua testa.

—Eu queria que você me colocasse na cama também. —Ela diz, mas parece se arrepender logo.

—Ei, tudo bem. —Sussurro pegando-a no colo e saio do quarto com ela. —Eu posso fazer isso sempre que você quiser.

—Mas e o papai?

—Bem. —Entro na sala e sento no sofá com ela ainda em meus braços. —Ele vai ter que saber uma hora ou outra.

—Eu queria que você morasse conosco.

—É mesmo? Eu acho que isso não daria certo. Seu pai e eu não somos... casados ou algo do tipo.

—Mas vocês poderiam ser.

—Acho que não. —Digo rindo e deito Clarissa em meus braços. —Mas você pode me ver todos os dias, e ficar quanto tempo quiser.

—E quando você começar a trabalhar?

—Você ainda vai poder ir me ver no meu emprego, e vir aqui ver a Gabby. Vocês são irmãs.

—Mamãe, o papai também é pai da Gabby?

—Não. —Murmuro desconfortável.

—Quem é ele.

—Ela não tem pai. —Digo acariciando seus cabelos.

—Então eu acho que o papai ficaria feliz em tê-la como filha.

—Aposto que sim. —Falo soltando um riso abafado. —Você quer ir deitar um pouco?

—Nós podemos tomar sorvete antes?

—Claro que sim.

Levanto-me e vou para o balcão com Clarissa, coloco-a sentada e pego o sorvete e taças na cozinha. Sirvo-nos e começamos a tomar enquanto conversamos sobre escola, balé e outras coisas, e assim a noite se vai, de forma perfeita e encantadora.

Por volta das onze, a campainha toca me fazendo acordar. Clarissa e Gabby resmungam, mas somente Gabriela acorda.

—Ana. —Katherine diz entrando no quarto. —O Christian está lá na sala.

—O que? —Digo me levantando rapidamente.

—Ele veio pegar a Clarissa.

Gabriela desce correndo da cama e eu sinto o medo me tomar, tento correr atrás dela, mas paro encostada na parede ao lado da porta quando a vejo entrar na sala.

—Olá. —Ouço Christian diz, mas ela não responde. —Você deve ser amiga da Lis.

Kate logo aparece no corredor com Clarissa, agora acordada. Ela corre e me abraça por alguns segundos e depois vai para a sala com Kate.

—Papai, oi. —Clarissa diz com sono.

—Oi querida. —Ouço Christian dizer e posso notar todo o carinho em sua voz. —Como foi ficar aqui?

—Legal. —Clarissa diz.

—Srta. Kavanagh, eu estou impressionada. —Christian diz calmamente. —Eu nunca imaginaria que sua filha e a minha fossem amigas.

—Acontece. —Kate diz calmamente. —Sua filha é um amor, e muito comportada.

—Obrigada... sua filha é... linda. —Ele diz e eu sorrio. —Ela parece com...

—Com? —Kate pergunta após ele ter ficado em silêncio.

—É melhor eu ir.

—Como quiser.

Dou um passo para o lado e posso ver Christian encarar Gabriela quando pega Clarissa no colo e sua mochila nas mãos. Viro-me rapidamente quando ele se vira.

—Tem amis alguém aqui?

—Não Sr. Grey, eu sou mãe solteira. —Kate diz calmamente.

—Claro, claro. —Ele murmura e segundos depois ouço a porta fechar.

Entro na sala com a mão sobre o peito e Katherine ri passando por mim.

—Boa noite, Steele! —Ela grita.

—Boa noite! —Grito de volta e encaro Gabriela. —Para cama, mocinha.

—Para cama. —Ela repete e saí correndo.

Reviro meus olhos e vou para o meu quarto.

Grande dia!

Notas finais