Segunda Chance
8 ♛ Amor, Plena Confusão ♛
Notas iniciais
Sinto uma leve corrente de tremor atravessar meu corpo, pequenos solavancos pelo frio começam a se desencadear, até mesmo meu queixo treme, minhas mãos soam, e eu já não sei se é pelo frio. Grace coloca a mão sobre a boca, e tira, depois põe de novo e eu posso ver suas lágrimas. Mia abaixa a cabeça parecendo estar envergonhada... e ele... ele está parado. As mãos pendendo aos lados do corpo. A cabeça jogado um pouco para a esquerda. Seu olhar confuso está cinza escuro, seus lábios estão em uma linha dura. O casaco preto pinga assim como a mexa de cabelo que lhe cobre a testa.
Encaro-o... por segundos, minutos... então ele dá um passo, um longo passo cambaleante e para! Então ele começa a andar, vagarosamente, passos pesados como se houvesse um peso gigante em suas costas, e ela para! Cinco, ou quatro centímetros a minha frente.
Fecho meus olhos. Temendo-o. Minhas lágrimas caem com receio, contornando o tremor em meu queixo. Então sinto sua mão segurar firmemente meu rosto, e começar a moldá-lo. E eu o sinto há anos atrás, durante os três dias que conversamos, os braços, os beijos, a noite em que concebemos Clarissa. Eu posso sentir tudo isso em seu toque, então eu estou presa na segurança dos seus braços. Uma cadeia, uma cadeira boa que não me faz temer.
O medo está aqui. Depois de cinco anos ele está aqui, na minha frente. Seu abraço parece mostrar que ele não me odeia. Eu o sinto aqui, dentro de mim. Sua pele e roupas, frias e molhadas parecem me aquecer de uma forma estranha e muito bem-vinda.
—Anastásia. —Ele sussurra no meu ouvido com a voz roupa e insegura.
—Christian. —Sussurro contra seu peito.
Ele me empurra levemente, segurando meu rosto firmemente com as mãos, então sorri, sorri e seus lábios tocam a minha testa.
—Você está viva. —Ele fala dando um sorriso caloroso e eu ouço Grace e Mia suspirarem aliviadas.
—Acho que sim. —Murmuro secando minhas lágrimas. —E você está molhado.
—Sim, eu estava em Nova Iorque, mas decidi voltar mais cedo, eu queria ver a Lis e a chuva... ah... você está viva!
—Mamãe? Papai?
Viramos ao mesmo tempo e nos deparamos com Clarissa. Ela nos olha curiosa, com as mãozinhas envoltas no próprio corpo, os olhos com algumas lágrimas. Ela sorri encolhendo os ombros.
—Papai? Você não está bravo? —Clarissa pergunta temerosa. Christian me olha e sorri.
—Não. Nenhum pouco. —Christian diz dando um sorriso caloroso e Clarissa sorri.
—Eu acho que vocês têm muito a conversar. —Mia diz secando algumas lágrimas. —Lis, que tal ir para a cama?
Clarissa encara Mia e depois Christian, por fim, me olha e suspira balançando a cabeça. Mia passa por nós e segura a mão da menina.
—Você não vai embora, não é mamãe?
—Não. —Sussurro calmamente. Ela sorri e sai da cozinha com Mia. Grace nos olha e sai rapidamente apenas dando um leve apertão no ombro de Christian.
Quando estamos a sós realmente, eu me afasto um pouco, encaro por alguns minutos em um silêncio tortuoso, e ele faz o mesmo. Seus olhos parecem dizer tantas coisas, mas seus lábios se quer mexem. Faz anos, e aqui estamos novamente! Frente a frente. Almas confusas que se desconhecem e se conhecem ao mesmo tempo, e isso soa tão confuso quanto asas de beija-flor no coração.
Por reflexo vejo sua mão se mover, numa tentativa de me tocar. Em vão! Afasto-me e caminho até a copa sentando-me em um dos bancos.
—Eu já sabia. —Ela sussurra virando-se lentamente. —Há três dias.
—Clarissa? —Pergunto e ele balança a cabeça, ainda parado no mesmo lugar. —Ela te contou?
—Ela não teria como não contar. A professora da escola de balé me ligou, dizendo que ela não estava frequentando as aulas. Então eu a chamei para conversar, e ela acabou contou.
—Por que você só veio agora, então? Você sabia que eu estava aqui?
—Eu nem imaginava. Eu não vim porque eu estava apavorado. —Christian se aproxima e senta à minha frente, apenas o balcão nos separando. —Eu ainda consigo me lembrar da última vez que te vi, naquela escola. Então eu passei os nove meses seguintes te procurando, mas não havia nada sobre você. Eu cheguei um dia do trabalho, e lá estava ela, enrolada em uma mantinha nos braços da Mabel. E ela me disse que você havia morrido...
—Eu não morri.
—Eu vejo. —Christian diz com um olhar triste. —Me conte.
Suspiro pensadamente. Encaro-o por alguns segundos silenciosos. Nossa conversa então se inicia, todos os detalhes da minha prisão, o nascimento de Gabriela, minha fuga. Tudo. Tudo isso está sendo posto para fora novamente, e na pessoa que eu mais confiei. As horas se passam e passam, e eu vejo o sol invadir a cozinha pelas janelas enquanto conversamos sobre tudo. Christian também é muito aberto, e me conta tudo que sentiu, todas as incertezas sobre cuidar de Clarissa, e como tudo funcionou com a ajuda de Mia, Grace, Elliot e seu pai.
Depois de horas de conversa, nós passamos minutos nos encarando. Sem trocar palavras, apenas digerindo tudo que ouvimos um do outro. Coisas dolorosas, momentos bons, fases difíceis. Tudo está aqui, nos rondando nesse momento.
—Eu... sei que nós temos uma filha. —Sussurro torcendo meus dedos.
—Sim.
—Mas... nada será como antes. —Digo encolhendo os ombros nervosamente.
—Sim. —Christian diz sorrindo. —Nós somos dois estranhos, não é mesmo?
—Sim. —Falo soltando um riso abafado. —Eu só quero que você não tire a minha filha de mim.
—Eu não o farei. —Ele diz calmamente e sorri. —Você pode ficar com ela sempre que quiser, e quando ela quiser. Eu não vou interferir, ela precisa de você.
—Obrigada. —Sussurro encolhendo os ombros.
—Amigos, então? —Christian estende sua mão e eu sorri apertando-a.
—Amigos. —Digo calmamente, no mesmo momento que o seu aperto firme me faz ter uma leve corrente elétrica percorrendo todo meu corpo.
—Ah, vocês ainda estão aqui?! —Grace diz entrando na cozinha e soltamos nossas mãos rapidamente. —Christian, você precisa de um banho.
—Preciso mesmo. —Christian diz. —Eu só vou dar um beijo na minha filha antes. Com licença.
Sorrio para Christian e ele devolve o sorriso, depois dá um beijo em Grace e sai da cozinha. Grace se senta rapidamente e logo Mia está aqui, as duas começam a fazer perguntas e eu vou respondendo tudo, até que ouvimos Kate gritar, e imaginamos o porquê. Corremos para a sala e não conseguimos segurar o riso ao vê-la toda sem graça em pé e Elliot sentando no meio das mantas com uma cara péssima de confusão.
—Você estava me agarrando. —Kate diz pegando Pietro.
—Uh... isso vai ser interessantes. —Mia sussurra no meu ouvido.
—Você também estava toda enrolada em mim! —Elliot diz se levantando. —Pare de ser louca, ninguém precisa de uma histérica as oito da manhã.
—Nem de um louco que saia te agarrando! —Kate grita assustando Pietro que começa a chorar.
—Está vendo? Agora ele está chorando.
—Faça ele parar então! Você não é ótimo nisso?
—Está bem! —Elliot grita e pega Pietro saindo da sala com ele.
Kate segue-o com o olhar fuzilando-o, então ela para, nos encara furiosa.
—Do que vocês estão rindo? —Ela grita e até mesmo Grace gargalha.
—Ah, Elliot! —Mia diz me agarrando. —Como você é gentil como meu bebê.
—Ah, Srta. Kavanagh, não foi nada. —Digo abraçando ainda mais Mia.
—Oh, não! Me solte. —Mia diz me empurrando e me puxa de novo. —Não, fique.
—Ah, me solte, seu louco. —Grito rindo.
Kate nos fuzila ainda mais e começa a nos atirar almofadas. Segundos depois ela está sentada no chão, rindo. Grace vai para a cozinha preparar o café, e eu me sento com Kate e Mia em frente ao sofá, e só depois de minutos dou falta das minhas filhas. Quando percebo que o silêncio está muito grande, então Mia diz que elas foram dormir no quarto de Clarissa.
Quando são umas nove horas, Christian passa por nós falando ao telefone. Kate me olha indignada e começa a arrancar respostas. Minutos depois de ter respondido tudo, as meninas vêm a sala com Elliot e Pietro. Elliot fuzila Kate e passa direto com o bebê.
—Ele sabe que aquele é o meu filho? —Kate diz tentando levanta e nós a seguramos.
—Sabe, e ele está te provocando, então fique quieta. —Mia diz e Kate bufa fazendo as meninas rirem.
—Mamãe, a tia Kate está brava. —Clarissa diz rindo e ri ainda mais quando Kate mostra língua para ela.
—Kate, bobinha. —Ava diz e rindo e vai de bom gosto para os braços de Kate que logo se derrete toda.
—Papai! —Clarissa grita e eu sinto meu coração disparar. Encolho-me ao lado de Mia quando minha filha se levanta e corre para os braços de Christian que deve estar atrás do sofá.
—Oi bonequinha. —Ele sussurra. Pego o controle da TV e começo a mudar de canal.
—Mamãe, nós podemos ir? —Gabriela pergunta vindo para o meu colo e se aconchega. —Por favor.
—Ah, claro meu amor. —Sussurro ajeitando seus cabelos de ouro. —Vamos lá trocar de roupa.
Levanto-me com Gabriela no colo e encaro Christian por um breve momento, mas desvio os olhos na primeira oportunidade.
—Eu vou procurar meu filho. —Kate diz se levantando e coloca Ava no colo de Mia.
—Vocês já vão? —Ava e Clarissa perguntam ao mesmo tempo, e não parecem nada felizes.
—Nós precisamos, ainda temos trabalho hoje. —Falo pegando o casaco e as botas de Gabriela.
—Mas vocês não vão tomar café conosco? —Clarissa pergunta descendo do colo de Christian. —Eu não quero que você vá, mamãe, por favor.
—Princesinha, eu tenho que ir trabalhar.
—Mas é sábado. —Clarissa diz triste. —Você deveria ficar conosco.
—Eu não posso, não hoje. —Murmuro acariciando seu rosto, mas ela empurra minha mão e saí correndo.
—Eu vou falar com ela, com licença. —Christian diz saindo da sala no mesmo momento que Elliot entra.
—Meu filho. —Kate diz pegando Pietro. —Maluco.
—Louca! —Elliot exclama e vai em direção a cozinha.
Balanço a cabeça olhando para Mia que ri. Peço licença e saio da sala subindo com Gabriela até o quarto de Mia. Quando estou passando no corredor, consigo ouvir Christian conversando com a nossa filha, mas eu prefiro não me meter. Eu sei que ela quer que eu fique aqui, ao lado do pai dela, mas esse não é meu lugar, essa é a família dela, não a minha.
Entro no quarto de Mia e caminho até a cama onde coloco Gabriela, que parece ter mudado de humor também. Ela está pensativa, e muito quieta, desde que acordou. Abaixo em sua frente e começo a colocar sua meia-calça.
—O que foi, querida? —Pergunto curiosa e ela me encara por alguns segundos, depois suspira.
—Mamãe, eu também tenho papai? —Gabriela pergunta tristonha.
—Não meu amor. —Sussurro com pesar. —Você só tem a mamãe.
—Mas a Lis tem papai.
—Sim, ela tem. —Suspiro e me sento ao lado da minha filha.
—Eu não posso ter um papai?
—Filha, não funciona assim. Eu não vou mentir... seu papai era muito mal, e ela foi embora.
—Ele não me amava, mamãe? —Gabriela pergunta soltando algumas lágrimas.
Paro por alguns segundos, apavorada! Deve ser horrível para uma criança de dois anos ouvir que o pai não a ama, e eu sem dúvidas não vou dar esse gostinho aquele maldito. Eu não vou deixar minha filha, meu bebê, chorar por ele, pela sua falta de amor e vergonha na cara. Ele era um monstro, mas tudo o que minha filha será, vai ser construído pelo amor que eu vou dar.
Abaixo-me na frente de Gabriela e seguro suas mãos.
—Aposto que qualquer homem iria adorar ser seu papai. —Sussurro fazendo-a sorrir. —Não fique triste, ok? A mamãe te ama muito, mais que tudo, e nós não precisamos de um papai.
—Eu também te amo, mamãe, minha mamãe. —Ela sussurra me abraçando.
—Meu bebê. —Digo sorrindo e seco suas lágrimas. Continuo a trocar Gabriela enquanto ela canta alguma música que não me lembro o nome, mas é uma das que Kate adora.
—Eu amo essa música. —Viro-me assustada e vejo Christian parado a porta do quarto, com Clarissa ao seu lado. Olho para Gabriela e ela semicerra os olhos encarando o pai da irmã, de forma curiosa. —Você canta muito bem.
—Obrigada. —Gabriela diz de mal gosto.
—No que posso ajudá-lo? —Pergunto me levantando.
—Vá em frente. —Christian diz dando um leve empurrão em Clarissa. Ela se aproxima e me abraça.
—Me desculpe, mamãe, eu só gostei muito de você ter ficado conosco. —Ela diz chorosa. —Você vai vir me visitar?
—Claro que sim, filha! —Exclamo segurando suas mãos. —E você sabe que pode ir lá em casa quando quiser, e dormir lá também.
—Obrigada, mamãe, eu amo você.
—Eu também te amo, gatinha. —Sussurro acariciando seus cabelos. —Agora, se vocês puderem sair, eu tenho que me trocar.
Encaro Christian que leva alguns segundos para se tocar, então balança a cabeça e sai do quarto rapidamente, mas as meninas ficam. Caminho até a porta e a tranco, perguntando-me onde será que Katherine está agora. Começo a me trocar enquanto minhas filhas entram numa conversa muito séria sobre marshmallow, e eu prefiro não me meter.
Coloco meu gorro e meu cachecol, e depois faço o mesmo com Gabriela. Está geando lá fora. Calço minhas botas e as luvas e finalmente saio do quarto com as meninas. Clarissa corre na frente e entra em um dos quartos enquanto Gabriela continua andando comigo.
—Ana. —Kate diz subindo as escadas. —Você já está pronta?
—Ah, sim. E você tem dez minutos, ou vamos nos atrasar.
—Tudo bem. —Ela fala meio confusa e ajeita Pietro em seus braços. —E o Christian?
—O que tem?
—Onde ele está? —Kate pergunta revirando os olhos.
—Como eu vou saber? —Pergunto fazendo careta e ela ri. —E o Elliot?
O sorriso de Kate se transforma em uma cara super mal-humorada, e ela passa por mim feito um furacão indo para o quarto. Jogo para a cabeça para trás gargalhando e desço as escadas com Gabriela. Para a minha surpresa, a sala já está completamente arrumada. Apenas Ava está lá, sentada no sofá enquanto vê desenhos. Deixo Gabriela com ela e vou atrás de Grace me despedir.
Paro na porta envergonhada na porta da cozinha ao vê-la abraçar um homem. Ela sorri e me olha com carinho.
—Ana. —Grace sussurra e o homem se vira. Ele é muito parecido com Christian, mas há um pouco de Mia e Elliot. —Esse é meu marido Carrick, querido, essa é a mãe da Clarissa.
—Mãe? —Carrick diz surpreso enquanto me estende sua mão.
—Sim. —Sussurro apertando sua mão. —Muito prazer Sr. Grey.
—Só Carrick, por favor, e o prazer é todo meu. —Ele diz dando um breve sorriso.
—Bom, eu só vim me despedir.
—Não vai tomar café conosco? —Grace pergunta.
—Não, eu tenho que trabalhar.
—Mas você vai voltar, não é mesmo?
—Claro. —Murmuro sem ter realmente certeza.
—Que bom, querida. —Grace se aproxima e me abraça, de forma apertada. —Obrigada Ana, por tudo. Você faz minha neta muito mais feliz, e agora eu entendo de onde ela puxou tamanha bondade.
—Obrigada, Grace. —Sussurro soltando-a e começa a me afastar. —Sr. Grey, foi um prazer, adeus.
—Adeus. —Os dois dizem juntos e eu saio rapidamente da cozinha.
É estranho, muito. Aqui. Essa casa, é como se fosse o lar perfeito. Todos se amam e estão sempre sorrindo, ou provocando um ao outro. Quando eu tinha meu pai, era assim, eu me lembro, mas... depois que ele se foi tudo ficou tão escuro. Ter tanto amor por perto é como se eu estivesse sendo trazida de volta para luz, contra a minha vontade. Não que eu não queira ter amo..., mas é tão diferente de tudo que eu tive. Todos que eu amava se foram, agora eu tenho tantas pessoas novas. Kate, Pietro, Mia, minhas filhas. Há Grace que desde que me conheceu só me trata como uma filha, e ela me conheceu há dois dias.
Depois de ver tanto ódio, eu não consigo imaginar o porquê de algumas pessoas não saberem amar enquanto outras só conhecem o amor. Envolvo meus braços ao meu redor, confusa. Isso é tão novo, e eu me sinto tão insegura. Ultimamente tudo que eu faço é dar passos gigantes em nome do amor, enquanto tudo o que está dentro de mim são marcas do que ele deixou. O amor da minha mãe, que se foi junto com ela. O amor do meu pai, que morreu com ele junto da guerra. O amor pela minha primeira filha, que foi tomado de mim, assim como ela. O amor pelo pai dela, que deixou de existir quando ele se foi... eu nem sequer sei que o amei de verdade.
Entro na sala encontro todas aqui. Mia e Elliot está conversando animadamente por algo. Christian está torturando Ava e Clarissa com cócegas. E Gabriela está sentadinha, ao lado de Kate e Pietro que sorri sem parar para as duas. Caminho até o sofá e pego minha bolsa e minha filha.
Dou um beijo em Clarissa e Mia e saio sem dizer mais nada, quando estou arrumando Gabriela no carro vejo Kate se aproximar com Pietro. Ela me olha com uma cara desconfiada, mas não diz nada, apenas coloca o filho na cadeirinha e toma a chave da minha mão.
—Eu dirijo. —Kate diz autoritária.
—Tanto faz. —Digo dando a volta e entro no carro. Coloco o sinto e cruzo os braços.
—Você tem quantos anos? Cinco? —Kate diz me fazendo revirar os olhos. Ela começa a dirigir e eu fico na minha.
—Que vida, confusa! —Exclamo levando minha querida amiga as gargalhadas. Ela para de rir quando um celular começa a tocar, e eu só percebo que é o meu depois do terceiro toque. —Alô?
—Anastásia.
A princípio a voz soa muito estranha, diferente, mas conhecida. É como se eu a tivesse ouvido por tantos anos, e depois nada. Paro confusa. Os segundos são horas. Levo segundos, segundos para reconhecer sua voz, segundos para a primeira lágrima cair, segundos para ter certeza que não é um sonho.
—Papai?
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