Segunda Chance
20 ♛ Ajustando-se à Família P. II ♛
Notas iniciais
Dois Dias Depois...
Chego do trabalho um pouco mais cedo do que o normal. O dia na empresa hoje foi realmente cansativo, eu tive cerca de cinco reuniões, algumas aquisições, contratos novos, mas no fim eu consegui organizar tudo e sair mais cedo. Tudo que eu preciso agora é de uma boa noite de descanso.
As portas do elevador se abrem e eu passo pelo hall pegando as correspondências na mesinha, empurro as portas duplas e vejo a sala em total silêncio, apenas a babá eletrônica repousando no criado-mudo. Melissa deve estar dormindo, e, as meninas ainda não chegaram, é claro.
—Srta. Steele, olá. —Gail diz entrando na sala, com uma bandeja trazendo uma xícara de chá.
—Olá, Gail, obrigada. —Murmuro pegando a xícara. —E o Sr. Grey?
—Ainda não chegou, senhora.
—Ok, obrigada, se eu precisar de algo eu chamo.
—Com licença.
Gail me deixa sozinha e some pelo corredor que leva em direção a ala dos empregados. Caminho até o sofá e me sento na pontinha. Abro minha bolsa e pego os documentos de Melissa, os novos. Sorrio ao ver seu nome, com meu nome e de Christian juntos. Ah, não tem sensação melhor.
O telefone começa a tocar, ao lado da babá, e logo Melissa está chamando. Suspiro e atendo o telefone.
—Quem é?
—Anastásia. —Ouço alguém chamar meu nome, uma mulher talvez. —Anastásia Steele?
—Sim, quem é? —Pergunto, mas a ligação falha e logo cai. Não deve ser nada importante. Coloco o telefone no lugar e vou atender minha Monstrinha. Melissa está em pé no berço, ela sorri e estica os bracinhos. —Oi, querida.
—Oi. —Ela fala sorrindo. Pego sua fraldinha de pano e resolvo ir me deitar um pouco. Não está na sua hora de comer ainda.
Desço as escadas e me surpreendo ao ver Abigail entrando junto com Taylor. Não é a hora de chegar ainda, e depois da aula ela tem francês.
—Oi. —Digo, mas ela passa por mim bufando e corre pelas escadas. Encaro Taylor sem entender e ele encolhe os ombros. —O que houve com ela?
—Srta. Steele, ela... —Taylor suspira e parece envergonhado a falar.
—O que foi, Taylor? —Pergunto preocupada.
—A diretora da escola ligou, pedindo para ir busca-la, ela tomou uma suspensão de duas semanas por quebrar o nariz de um colega, e talvez eles vão querer indenização. Eu tentei falar com ela, mas ela praticamente gritou e pediu que eu não me intrometesse. Eu sinto muito Srta. Steele. —Taylor sussurra e eu o encaro ainda sem entender se estamos falando de Abigail.
—Me desculpe. —Sussurro confusa. —Eu... eu vou falar com ela, você pode...
—Claro. —Taylor se aproxima e pega Melissa que sorri para ele e me dá tchau. Semicerro os olhos e suspiro.
—Traíra. —Murmuro e ela ri. Deixo Taylor e Melissa e vou atrás de Aby. A porta do quarto está fechada, e ela não abre quando bato. —Querida, vamos lá. Nós precisamos conversar.
—Não. Não precisamos. Vá embora, Anastásia. —Abigail grita de dentro do quarto.
—Não, eu não vou sair, anda, abra. —Sussurro calmamente.
Isso é tão estranho. Eu acho que entenderia se Gabriela batesse em alguém no colégio, agora Aby? Meu Deus, ela é a menina mais calma e paciente que eu já conheci, eu não posso entender isso. Ela adora Taylor, ela sempre pede ajudar nos deveres de artes e geometria, e ele a trata como uma filha. Eu não consigo compreender sua reação tão... raivosa contra ele. Talvez eu tenha deixado algo faltar, eu não sei. As últimas semanas foram agitadas sobre a guarda de Melissa, e agora eu tenho um casamento em um mês. Eu não... eu não sei o que eu fiz. Nós duas ainda sentamos e conversamos todas as noites.
—Vá embora, por favor, eu quero ficar sozinha. —Abigail pede, mas eu não me movo.
—Amor, eu não vou, você sabe disse. Eu não sou do tipo de pessoa que invade privacidade de adolescentes. Eu nunca tive que lidar com uma, e eu adoro lidar com você. Eu não quero ter que abrir a porta. —Murmuro e logo ouço a porta destrancar. Ela me encara, olhos vermelhos, nariz rosado. Reviro os olhos e a puxo para meus braços, onde ela desabada em lágrimas. —Está tudo bem, querida, eu estou aqui com você.
—Me desculpa, Ana, eu sou tão idiota.
—Não, você não é. Vem, vamos conversar.
Seguro as mãos de Aby e a levo em direção as escadas, nós descemos, passamos pela sala onde Taylor e Melissa brincam com alguns legos, e vamos em direção a cozinha. Abigail senta em frente ao balcão enquanto eu ponho água para esquentar. Ela fica soluçando baixinho e dando solavancos, até a água para o chá ferver. Pego nossas xicaras favoritas e despejo a água, depois lhe entrego o saquinho com chá.
—Obrigada. —Ela sussurra chorosa e mergulha o saquinho, duas vezes e depois tira. Faço o mesmo, mas apenas fico encarando-a tomar seu chá e me acalmar, então tomo o meu. —Me desculpe, Ana. Eu não queria fazer aquilo.
—Ah, eu aposto que sim. —Murmuro calmamente. —Me conte, o que houve?
—Ele... ele queria ficar comigo. —Ela sussurra apavorada.
—Ficar... beijar? —Pergunto preocupada e ela balança a cabeça. —Ah, meu Deus!
—Eu não quis, ele tentou me agarrar, então eu soquei o nariz dele. —Aby diz dando solavancos. —Eu fiquei apavorada. Eu saí correndo depois, e todos estavam falando de mim. Ele falou coisas horríveis ao meu respeito. Todos estavam me chamando de órfã. Só porque ele é do time. Foi horrível.
—Ah, meu Deus, meu bem, vem aqui. —Abro os braços e Abigail desce de sua cadeira vindo me abraçar. —Não se preocupe, nós vamos dar um jeito. Eu converso com a sua diretora sobre isso.
—Isso não importa, eu não ligo para ela. Todos estão falando mal de mim agora.
—Não, querida. Isso vai passar. —Sussurro enxugando suas lágrimas. —Eles devem estar impressionados que você bateu nele. E outra, a mentira nunca dura muito, você vai ver.
—Você promete? Promete que tudo vai ficar bem? —Aby pergunta olhando no fundo dos meus olhos.
—Claro que eu prometo. Eu sempre vou fazer as coisas ficarem bem para você, é para isso que eu estou aqui.
—Ah, Ana, obrigada. Eu amo você. —Aby sussurra me abraçando. Ela se afasta e enxuga as lágrimas. —Ana, você me acha... feia?
—Ah, é logico que não. —Digo revirando os olhos.
—Mas eu tenho sardas... e meu cabelo é laranja.
—E é isso que te torna especial. O que nós temos de diferente, é o que nos torna lindas.
—Obrigada. Você acha que eu deveria pedir desculpas ao Taylor.
—Ah, eu acho que sim. Você foi um pouquinho rude, e ele adora você.
—Tudo bem, obrigada.
—Olá. —Viro-me e vejo Christian entrando na cozinha com Melissa nos braços. Abigail olha para ele, envergonhada e praticamente corre do seu abraço. —O que eu fiz?
—Ah... longe história. —Sussurro suspirando. Christian se aproxima e dá um beijo nos meus lábios. —Como foi seu dia?
—Cansativo, e o seu? Você saiu mais cedo? —Pergunto pegando Melissa.
—Sim. —Christian murmura afrouxando a gravata. —Eu liguei na empresa e me falaram que você tinha saído, então eu vim para casa. Agora me conte sobre a Aby.
—Ela... quebrou o nariz de um colega.
—Ela fez o que? —Christian pergunta me olhando incrédulo.
—Ele... a assediou, ela bateu nele, e ele saiu falando mal dela para a escola inteira. Ele é do... time. —Murmuro revirando os olhos.
—Mas que filho da mãe! —Christian soca a mesa e Melissa o olha assustada.
—Nã! —Ela grita.
—Desculpe, querida. —Christian sussurra cerrando os punhos. —Eu vou falar com a diretora dela amanhã.
—Ah, eu acho bom, porque senão ela ficará duas semanas em casa.
—Tudo bem, eu ligo para ela mais tarde. Você quer que eu converse coma Aby?
—Não, ela vai querer ficar sozinha, mas você pode ir lá antes dela dormir.
—Tudo bem. Hm... e os preparativos para o tão esperado casamento? —Christian provoca e eu semicerro os olhos.
—Eu vou deixar você lidar com as despesas, querido. —Murmuro sorrindo de forma falsa e ele ri. —A sua mãe disponibilizou a casa, aliás, ela, a Mia e a Kate vão ajudar em tudo. Tem muitas pessoas trabalhando nisso. Tudo que eu tenho que fazer é usar um vestido, entrar na igreja e dizer sim.
—Estou ansioso por isso. —Christian sussurra fazendo todo meu corpo se acender. —Eu vou para o banho agora, e depois resolver umas coisas no escritório, você vai precisar de mim?
—Não, eu só estou esperando as meninas para irmos comprar os vestidos para as suas doces e terríveis filhas.
—Nossas doces, monstrinhas e terríveis, filhas. —Christian diz sorrindo. —Isso soa lindo.
—Soa mesmo. —Murmuro sorrindo. —Te vejo mais tarde, Sr. Grey?
—Sim... futura Sra. Grey. —Christian diz e meu coração dispara. Ele me dá um beijo e sai da cozinha levando Melissa.
Eu sei... tudo parece tão precipitado. Melissa chegou e agora nós temos que nos casar dentro de um mês, é claro que no papel vai ser antes, mas... ter um casamento com festa, essa coisa... parece tão bom. Eu mal posso acreditar que as coisas mudaram tanto. Eu era só uma menina reprimida, presa, e agora eu estou aqui. Com quatro lindas filhas, um futuro marido muito melhor que lindo, em todos os quesitos. Tudo é tão... real. A única coisa que falta são meus pais. Eu queria tanto que eles estivessem presentes nessa data. Seria tão bom.
Ouço a voz animada de Mia e Kate e sorrio, acho que está na hora das compras. Saio da cozinha e corro pulando em cima das duas que estão no sofá, Elliot nos olha e balança a cabeça rindo. Ele está com Pietro, como sempre, mas logo sai da sala e eu acho que foi falar com Christian. Começo a conversar com Mia e Kate sobre alguns preparatórios do casamento. As meninas não levam tempo para chegar. Ava, Clarissa e Gabriela entram feito furacões e logo vem perguntar se vamos comprar os vestidos hoje. Acho que elas estão mais animadas do que eu com esse casamento.
Pego Melissa e Pietro e deixo eles com Mia e Kate, depois vou chamar Aby, ela não está muito animada para ir, mas acabo convencendo-a, já que ela é quem vai entrar com as alianças. Nunca se é grande demais para fazer algo, não é mesmo?
Hoje é o dia é somente das crianças. Então... nós ficamos indo de loja em loja até mais ou menos dez da noite. Provando vestidos, terninhos no Pietro, e depois já vamos marcar com o cabelereiro que vai cuidar delas. No fim, acabamos parando no shopping para comprar algumas coisinhas que as crianças pediram, e agora estamos aqui, numa loja de brinquedos.
Abigail não está animada, e eu a entendo. O seu celular não parou de tocar, mas ela não deu muita atenção. Ela está na porta da loja, olhando para algum lugar. Deixo Kate e Mia com as crianças e vou falar com ela.
—Oi. —Murmuro e ela me olha suspirando. —Você está bem, querida?
—Ah, acho que sim. —Ela diz dando de ombros. —Ana, eu posso ter uma capinha nova?
—Claro que sim. Eu vou só avisar a Kate.
—Ok. —Aby murmura. Volto para perto de Kate e peço para ela ficar de olho nas crianças. Saio com Aby para uma loja de adereços para celular, ela entra e olha tudo em volta, para seus olhos em algumas meninas e suspira.
—Está tudo bem? —Pergunto enquanto andamos olhando as capinhas e outras coisas.
—Sim. —Ela sussurra pegando uma capinha preta e eu estranho seu gesto.
—Preta? —Sussurro e ela me encara.
—É bonitinha. —Aby diz com indiferença. Ela olha algo, ou alguém atrás de mim e arregala os olhos, viro-me e vejo um garoto entrar na loja.
Ele é uma gracinha. Cabelos grandes e loiros, olhos azuis, e sorriso de colegial. Acho que eu já o vi na escola de Abigail, não me lembro.
—Ah, meu Deus, vamos embora. —Abigail implora.
—Ok, vamos pagar primeiro. —Sussurro.
—Ei, ruivinha. —O menina chama e eu vejo Abigail ruborizar e o fuzilá-lo. Ele se aproxima sorrindo amplamente. —Essa é sua mãe? Uau.
Sorrio para o menino e balanço a cabeça. Entendi.
—Eu sou Jordan, Sra. Grey. —Jordan fala de forma muito educada e eu sorrio para ele.
—Muito prazer, Jordan. —Digo sorrindo calmamente.
—Eu já falei isso, antes, mas... você e o Sr. Grey tem uma filha muito linda. —Jordan fala com um charme e Aby parece não gostar.
—Nós temos que ir. —Abigail diz me olhando, implorando com os olhos.
—Tudo bem. —Sussurro. —Jordan, foi um prazer.
—Digo o mesmo. —Ele diz e parece chateado por Aby querer sair correndo. —Ei, ruiva. Eu fiquei sabendo o que você fez com o Mike, ele mereceu. Parabéns.
Jordan se vira e vai para perto de alguns meninos. Viro-me para Aby e ela cobre o rosto com as mãos, mas sei que ela está sorrindo. Balanço a cabeça e não digo nada, não até saímos da loja.
—Quem é ele? —Pergunto enquanto andamos pelo shopping.
—Ele é... o capitão do time de futebol. Meu parceiro em pelo menos cinco matérias diferente. Provavelmente o garoto mais popular e inteligente da escola, mas ele é um prepotente. Acha que pode me conquistar com aquele maldito sorrisinho.
—Ele me conquistou. —Provoco e ela me olha brava.
—Eu vou contar ao Christian.
—Conte. —Digo rindo e ela balança a cabeça cedendo e ri. —Ele parece gostar de você.
—Eu não sei, mas agora não importa, nunca importou. Eu não gosto dele, e todos estão falando mal de mim por causa dele.
—Por causa dele? —Pergunto confusa.
—Sim, a metade das garotas da escola querem ficar com ele. —Aby explica. —E, ele fica no meu pé. Elas já implicavam comigo, e agora que eu rejeitei o amiguinho dele, elas vão achar que eu gosto dele. Mas eu odeio esse garoto.
—Ok, revoltada. —Digo rindo. —Entendi. Por que você não dá um gelo nele?
—Gelo?
—Sim, o ignore, só fale o necessário, logo ele sai do seu pé.
—Isso parece uma boa ideia. —Aby diz rindo.
—É sim. —Murmuro revirando os olhos e sorrio, mas logo meu sorrido se desfaz, quando vejo meu pai andando pelo shopping, com meu padrinho. Fecho meus olhos e tenho vontade de sair correndo, mas graças a Aby que corre para abraçar George, eu não posso fazer isso.
—Anastásia. —Papai diz me olhando, mas eu fico apenas em silêncio. Ele parece feliz em me ver, mas eu... eu não sei.
—Olha, eu não quero brigar. —Murmuro tentando me afastar. —Você sabe muito bem o que eu penso em relação a tudo que aconteceu.
—Ana, me desculpe. —Papai sussurra me pegando de surpresa. Encaro-o sem saber o que dizer. —Eu fui um idiota. Eu errei quando te deixei, e errei em voltar e achar que tudo continuaria da mesma forma, mas Annie, eu te amo, você é minha filha.
—Isso não vai mudar as coisas. —Sussurro com os olhos marejados. —Eu não ligo que você tenha me deixado, eu entendi o seu lado. Isso foi o que menos doeu. O que doeu, e dói até hoje, é saber que você rejeitou as minhas filhas, suas netas, sangue do seu sangue.
—Eu sinto, tanto... —Papai sussurro suspirando. —Será que... eu posso conhecê-las? As três?
—Você sabe sobre a Mel? —Pergunto tentando conter as lágrimas.
—Todos sabem. Isso deu uma grande notícia. —Meu padrinho fala.
—Por favor, Annie, eu quero me redimir. —Papai implora. Encaro-o por alguns segundos. Segundos longos. Penso em dizer não, até ver Kate e Mia vir em nossa direção, com as minhas filhas, elas me olham de longe e sorriem, e eu percebo como fui tocada pelo amor delas, e eu sei que mais pessoas precisam disso.
—Você tem uma chance. —Sussurro e o vejo sorrir. —Se você estragar tudo, você nunca mais verá elas, ou eu. Entendeu? Vá a minha casa amanhã, você pode almoçar conosco.
—Sim, querida. —Papai murmura e por algum momento me lembro de como éramos felizes, mas afasto o pensamento.
Logo me despeço do meu pai e padrinho, e vou embora com Aby, Kate, Mia e as crianças. Pensando em tudo o que pode acontecer entre meus pais e as meninas, mas eu realmente espero, e torço para que eles entendam que elas não têm nada a ver com problemas do passado. Elas são frutos do meu amor, e mesmo que haja pessoas de má coração envolvidas, há mais amor do que qualquer um pode imaginar.
Muito amor.
♛ ♛ ♛ ♛
No Dia Seguinte...
Christian me contou ontem como conseguiu fazer a diretora de Aby mudar de ideia em relação a suspensão. Ele alegou que o que o menino fez foi assédio, e que isso seria horrível para a imagem e conduta do colégio. No fim, quem acabou se dando mal foi o tal menino.
Clarissa e Gabriela não tem aula hoje, então vou ficar em casa com elas e Melissa, e meu pai virá nos visitar. Christian não gostou muito de saber, mas ele respeitou minha decisão. Só espero ter tomado a decisão certa.
Deixo as mais novas dormindo e decido tomar café com Abigail e Christian. Meu futuro marido está sozinho na mesa quando chego. Beijo-o e sento-me ao seu lado. Passo geleia em uma torrada e levo em direção a boca, mas ela fica parada no ar quando Aby entra na sala. Ela está... diferente. Está usando gorro, short preto, camisa branca com outra por baixo... não parece a menina que adora cores pasteis.
—Não. —Christian diz se levantando. —Nem pense nisso. Você não vai para a escola usando essas roupas.
—O que? Você não pode me impedir de usar a roupa que eu quiser. —Abigail diz ofendida.
—Posso sim. Suba agora e vá trocar de roupa!
—Querido, é só um short. —Digo tentando acalmar Christian.
—Não, não é só um short. Ela pode usar isso para ir para qualquer lugar, mas ela não vai ao colégio com essa roupa.
—Você não é meu pai, Christian! —Aby bate o pé e o encara com raiva.
—Isso não tem nada a ver com o assunto em questão, mocinha. Eu cuido de você, então eu sou sim seu pai, agora eu estou mandando você voltar para aquele quarto e trocar de roupa.
—Eu não vou fazer isso!
—Abigail, já chega. —Digo de forma dura e ela me encara. —Nós te damos muita liberdade, você sabe disso, mas você vai sim trocar de roupa, o Christian tem razão. Você não pode ir vestida assim para o colégio.
—Por que não? Todas as garotas de lá se vestem assim.
—Todas as garotas que se vestem assim, provavelmente não tem pais presentes, e você tem, então vá já trocar de roupa! —Christian diz sem paciência. Aby o fuzila e sai da sala correndo e bufando. —O que aconteceu com ela?
—Eu estou querendo saber também. —Sussurro confusa.
Christian senta, passando as mãos pelos cabelos nervosamente. Não conversamos mais, aliás, não trocamos uma palavra até Abigail descer. Ela está com uma calma jeans agora, blusa cinza e all star branco. Ela não fala comigo ou Christian, apenas senta e come em silêncio, depois dos dois saem e eu fico sozinha, muito confusa com o que acabou de acontecer. Eu juro que não entendo. Eu pensei que ela estava bem, mas eu sei que ela não está. Ela nunca falaria assim conosco. Eu preciso descobrir o que houve.
Suspiro pensadamente e escondo meu rosto entre as mãos. Eu não sei o que vou fazer. Meu casamento é em menos de um mês, meu pai pela primeira vez irá ver suas netas realmente, e agora eu tenho um futuro marido estressado e uma adolescente com algum problema e ela não quer me contar.
Ah, as coisas poderiam ficar piores?

Fale com o autor