Segunda Chance
21 ♛ Ajustando-se à Família P. III ♛
Notas iniciais
Anastásia Steele
Já está quase na hora do almoço, eu estou arrumando as meninas, por algum motivo eu estou ansiosa por isso. Já faz cerca de duas horas que eu comecei a arrumar minhas filhas, eu quero elas lindas hoje, para ele ver o quanto ele foi idiota, e tudo que ele está perdendo se rejeitá-las novamente.
Acho que eu estou muito nervosa, e as três perceberam isso. Melissa está chatinha, e não quis me deixar arrumar seus cabelos. Gabriela já não fica muito confortável perto do meu pai, por tudo que presenciou quando eles se conheceram. Ela até me deixou arrumá-la, mas sua carinha de Christian Grey Bravo, não está para brincadeira.
E Clarissa... bem, ela está calada, acho que analisando tudo.
—Eu tenho que usar isso? —Clarissa pergunta mexendo no laço no cabelo.
—Sim, só hoje, querida. —Sussurro tentando me manter calma enquanto arrumo os cabelos de Melissa contra o gosto dela. —Mel, fique quieta, eu preciso te arrumar.
—Nã! —Ela diz brava e começa a discutir comigo. Respiro fundo e a encaro semicerrando os olhos.
—Eu vou tirar sua chupeta. —Murmuro e ela se cala. —Ótimo.
—Eu não quelo isso! —Gabriela diz puxando a barra do vestido. —É feio.
—Meu amor, é só hoje.
—Ele nem gosta de nós. —Clarissa diz me pegando de surpresa. Sinto meus olhos encherem de lágrimas. Coloco Melissa no cercadinho e respiro. —Ok, vocês têm razão. Vistam-se como quiserem.
Saio do quarto e caminho até chegar na escada, sento-me no primeiro degrau e desabo em lágrimas. Eu... eu estou sendo tão idiota. Elas são apenas crianças, foram rejeitadas pelo próprio avô, e agora eu simplesmente quero torná-las perfeitas porque ele está vindo aqui. Elas não são perfeitas, aos meus olhos sim, são tudo para mim, mas elas são crianças, tem defeito, se sujam fácil, recusam legumes, se desarrumam, odeiam laços..., mas ainda assim elas são os meus bebês, e não precisam da aprovação de ninguém.
Sinto a mãozinha de Clarissa no meu ombro e sorrio. Coloco minha mão sobre a sua e me viro sorrindo para ela. Minha filha se senta ao meu lado e segura firmemente minha mão.
—Mamãe, sabe... nós não vamos ficar triste se o vovô fugir de novo. —Clarissa sussurra sorrindo. —Nós entendemos que ele está com medo, que você está com medo. E, nós não queremos laços, vestidos, nem nada disso. Nós só queremos que você seja feliz. Não importa se formos aprovadas ou não.
—Sabe de uma coisa? —Sussurro secando suas lágrimas. —Eu não preciso que vocês sejam aprovadas, por ninguém, nunca. Porque eu amo vocês, com toda força. Eu amo nossa vida, amo estar com vocês. E eu te amo, gatinha.
—Eu também te amo, mamãe. —Clarissa se levanta e me abraça, sorrio quando ela arranca o laço do cabelo e joga longe.
—Vem, vamos colocar uma roupa confortável.
—Ah, ótimo. Esse vestido pinica meu bumbum. —Clarissa diz me fazendo gargalhar.
Ah, como é bom ter uma filha tão maravilhosa.
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As meninas estão mais calmas agora, até eu estou. Elas escolheram suas próprias roupas, e eu estou apaixonada por isso. Clarissa está usando calça jeans, blusa de manga e meias coloridas. Seus cabelos estão soltos em ondas e ela está simplesmente linda. Gabriela está com um tutu, meia-calça colorida, camisa branca e asas de borboleta. E Melissa está só de pijaminha. Elas estão lindas assim, do jeitinho que são e querem ser.
Taylor acabou de avisar de papai está subindo, e acho que meu estomago está revirando um pouco, mas eu estou me mantendo forte. Respiro fundo muitas vezes, mas assim que meu pai entra eu sinto o medo me invadir. Eu só quero que ele se dê bem com as meninas. Só isso.
—Annie, olá. —Papai sussurra sorrindo e seu sorriso é tão bem-vindo e acalentador.
—Pai. —Murmuro afastando a vontade de abraça-lo, apenas lhe oferece um sorriso fraco. Olho para as meninas e elas se aproximam parando ao meu lado, abaixo-me e pego Melissa no colo. Ela olha papai e esconde o rosto envergonhada. —Papai, essas são... Clarissa, Gabriela e Melissa. Meninas, esse é o vovô Ray.
—Olá meninas. —Papai diz sorrindo e estende três pequenas caixas embrulhadas. —É um presente, para vocês.
Clarissa me olha e eu balanço a cabeça, ela se aproxima e para na frente do avô, o encara e depois olha para Gabriela. Minha pequena encolhe os ombros e abraça minhas pernas, mas vai quando a irmã chama. Ambas, cada uma de uma vez, estendem a mão e cumprimentam meu pai com um aperto de mão.
—Elas são... muito educadas. —Papai sussurra e eu sorrio orgulhosa. —E muito parecidas com você, querida Annie. Por favor, meninas, aceitem isso.
—O que é? —Clarissa pergunta pegando a caixa da mão do meu pai.
—Bom, é um bracelete, para cada uma, sua mãe teve um quando era criança.
—É mesmo? —Lis pergunta animada e eu balanço a cabeça lembrando-me do bracelete. Mabel o tirou de mim, mas isso ficou para trás. —Eu posso abrir, mamãe?
—Claro. —Sussurro dando um leve sorriso.
—Vamos, Gabby, pegue o seu. —Clarissa sussurra, mas Gabriela balança a cabeça.
—Pode colocar em cima da mesinha, papai. —Sussurro. —Eu coloco nelas depois.
—Tudo bem. —Papai sussurra e coloca as outras duas caixinhas na mesa.
Sorrio ao ver Clarissa correr até o sofá e abrir a caixinha, revelando um bracelete de ouro branco. Ela levanta para me mostrar e posso ver “Pequena Princesa P.I” gravada no bracelete. Balanço a cabeça sorrindo.
—Tem a parte dois e três. —Papai fala encolhendo os ombros e eu balanço a cabeça.
—Srta. Steele. —Gail diz entrando na sala. —Eu estou saindo com Taylor para as compras, você ficará bem?
—Sim, Gail, pode ir tranquila. —Murmuro dando-lhe um sorriso. Ela balança a cabeça e sai com Taylor. —Bom... vamos almoçar?
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Já estamos na metade do almoço. Papai está indo muito bem. Ele está contando histórias sobre coisas que eu fazia quando era criança. Clarissa parece gostar bastante, Gabriela não disse muitas coisas, apenas deu um sorriso ou outro para ele. Mel está dispersa, mas parece gostar de papai, ela está sorrindo para ele. Confesso que estou muito tranquila com tudo isso, eu tive tanto medo que eles não se dessem bem, e agora... agora ele está aqui sendo tão gentil.
Suspiro e apenas os observo, mas tenho que sair quando o telefone toca.
—Alô. —Sussurro ao atender.
—Olá, Srta. Steele? —Diz uma voz do outro lado, e eu acho que conheço.
—Sim, quem é? —Pergunto.
—Olá, me desculpe o incomodo, eu sou a diretora do colégio da Abigail.
—Ah, sim, aconteceu algo?
—Sim, ela... ela se meteu em uma briga novamente, e eu preciso dos responsáveis por ela.
—Eu... eu estou indo. —Sussurro preocupada. —Obrigada por avisar. Eu chego logo.
—Eu aguardo.
Desligo o telefone sem saber o que fazer. Eu não acredito que Abigail se meteu em outra briga. Ela não é esse tipo de garota. E o que eu vou fazer? Eu não posso sair correndo com as meninas para ir buscá-la. Droga! Ela tinha que fazer isso? Eu não consigo entender. Não consigo.
—Annie, está tudo bem? —Papai pergunta quando entro na cozinha.
—Não, eu preciso ir buscar a Aby na escola, ela se meteu em uma briga. Meninas, vamos, vocês precisam se trocar.
—Eu fico com elas. —Papai fala me pegando de surpresa.
—Pai, é melhor não.
—Nós vamos ficar bem, mamãe. —Clarissa sussurra. —O vovô Ray é legal, e hoje é dia da tia Mia vir aqui, ela deve estar chegando. Vá pegar a Aby.
Suspiro pesadamente e encaro as meninas. Eu sei que prometi dar uma chance ao meu pai, mas isso é apavorante. Ele terá uma chance com elas agora, se eu for, mas eu tenho tanto medo.
Olho para Clarissa e depois para o meu pai, suspiro e balanço a cabeça.
—Não saiam de casa, ouviu Raymond? —Digo seriamente e papai balança a cabeça rindo. —Eu volto logo, queridas.
—Pode ir, mamãe. —Clarissa diz dando um levo sorriso.
Dou um beijo nelas e acabo dando um em meu pai também. É estranho. Eu me lembro que normalmente ele beijava a minha testa. Sempre que ele saia ou chegava ele me dava um beijo e dizia o quanto me amava... é tão triste saber que tudo acabou.
Corro até a sala e pego minha chave e celular, e saio às pressas para buscar Abigail.
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Clarissa Grey
Encaro meu avô sem ter muito o que fazer. Mamãe saiu já faz algum tempo, nós terminamos de almoçar, e eu até gostei dele, mas... Gabriela não disse muita coisa, e eu estou preocupada com a minha irmãzinha. Papai me falou que seu o vovô fizesse ela chorar, eu poderia chamar o tio Taylor para dar uma lição nele, eu não sei o que isso significa, mas ele disse para não contar a mamãe.
Estamos na sala agora, vovô não está mais falando muito, ele está respirando alto e colocando a mão sobre o peito de vez em quando. Gabriela está ao meu lado balançando os pés e Melissa está no chão brincando com algumas bonecas.
—Eu pleciso fazer xixi. —Gabriela sussurra em meu ouvido.
—Use o banheiro da mamãe. —Murmuro. —E não se esqueça, de frente para trás.
—Está bem. —Gabriela fala revirando os olhos e desce do sofá.
—Aonde ela foi? —Vovó pergunta ofegante.
—Ao banheiro. —Sussurro encolhendo os ombros. —Vovô, o senhor está bem?
—Sim. —Ela diz, mas não parece ser verdade.
Desço do sofá e pego Mel, coloco-a no sofá e ela cambaleia para o lado, ela está com sono, e começa a fechar os olhinhos logo.
—Você cuida bem delas. —Vovô sussurra ofegante. —Sua mãe também era assim quando criança, adorava cuidar de outras crianças.
—A mamãe é muito boa. —Sussurro sorrindo.
—Sim. —Vovô diz e começa a tossir.
—Vovô, o que o senhor está sentindo? —Pergunto me aproximando.
—Só... um... pouco... de dor. —Ele diz colocando a mão firmemente em cima do peito.
Apavoro-me quando ele começa a puxar o ar com força, sua tosse aumenta um pouco, e eu não acho que seja problema na garganta. Ele... ele está puxando o ar, por isso a tosse. Sua mão está cravada em seu peito e seus olhos estão vermelhos assim como seu rosto.
Tento dar um passo para trás, mas ele cai na minha frente, segurando a barra da minha calça.
—Vovô. —Chamo já chorando. —Vovó fala comigo.
—Lis? —Viro-me apavorada ao ver Gabriela entrando na sala. Ela olha para nosso avô e começa a chorar. —O que houve?
—Gabby, venha aqui. —Ordeno e ela vem correndo. Ajoelho-me e começo a empurra vovô para virá-lo. Minha irmã me ajuda e depois de algum esforço conseguimos. —Ele... ele precisa de um médico.
—O que nós vamos fazer? —Gabriela pergunta chorando.
—Segura a cabeça dele, e... deixa a boca dele aberta. Tenta falar com ele. Eu vou ligar para a vovó Grace.
—Está bem. —Gabriela diz soluçando-a.
Deixo-a com vovô e corro até a cozinha, subo na cadeira e vejo o celular para emergências em cima do balcão. Procuro a foto de vovó e aperto para ligar, ela demora a atender.
—Vovó. —Digo chorando.
—Lis, querida, o que houve? —Vovó pergunta preocupada.
—Nós... nós estávamos com o vovô Ray... —Digo chorando muito e soluçando. —A mamãe saiu, não tem ninguém aqui. Ele caiu vovó, e ele não conseguia respirar... eu não sei o que fazer.
—Querida, eu preciso que você vá até o vovô. Ele pode estar tendo um infarto. Eu preciso que você fale com ele.
—Ele não acorda, vovó.
—Ah, meu Deus! —Vovó sussurra e sei que está preocupada. —Ele estava sentindo algo antes?
—Ele disse que estava com dor no peito, e ele não conseguia respirar.
—Ok, meu bem, a vovó já vai chegar. Fique com ele, ok?
—Ok.
Coloco o celular em cima do balcão e pulo da cadeira, cai de joelhos no chão, e acho que eu me machuquei, mas eu preciso ajudar o vovô agora. Corro de volta para a sala e vejo Gabriela chorando enquanto fala com nosso avô.
—Por favor, vovô, não morre. —Ela está... usando o ‘R’. —Acorda, vovó, acorda.
—Gabby, deixa, eu faço isso. —Corro até eles e seguro a cabeça de vovô.
—Por que ele não acorda? Ele precisa acordar. —Gabriela diz chorando.
—Ele vai ficar bem. Você... você precisa ir para trás do sofá agora, igual quando nós brincamos com o papai, pegue a Mel e fique lá.
—Por quê? O que ele tem, Lis?
—Vá. —Mando e ela vai a contragosto. Minha irmãzinha pega a bebê com dificuldade, mas consegue e vai para trás do sofá com ela.
Fico segurando a cabeça de vovô, cuidando dele, eu estou com medo, mas... eu preciso ser forte. Preciso ajudar ele. Vovó Grace não demora muito, ela chega com muitos homens do hospital, junto com o tio Taylor e a tia Gail. Eu peço para ir com vovô e ela deixa. Eu quero muito cuidar dele. Ele precisa de mim, a mamãe não está aqui agora.
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Anastásia Steele
Eu... estou furiosa. Não acredito que alguém poderia simplesmente resolver mexer com você só porque é diferente. A briga não começou com Abigail. Duas meninas a provocaram, dizendo que ela era esquisita ou algo do tipo, ela ficou na dela, até que as duas resolveram começar a mexer com ela, beliscar, puxar o cabelo. Que se envolveu de verdade foi Jordan, ele discutiu com as meninas e acabou machucando uma delas.
Quando eu cheguei Aby estava apavorada. Toda descabelada e com os olhos vermelhos de chorar. Eu me revoltei com isso. Pela segunda vez ela é provocada e essa maldita diretora quis jogar a culpa nela. É claro que eu falei um monte, na verdade eu quase parti para cima da diretora, até ela entender que o que aconteceu foi falta de disciplina das alunas dela. No fim, as meninas acabaram sendo expulsas, Aby e Jordan pegaram uma semana de suspensão e vão ter que fazer um trabalho juntos para recuperar os dias longes. Eu quero só ver aonde isso vai dar.
Fecho a porta do carro e viro-me olhando para Abigail, abro minha boca para falar, mas sou interrompida pelo celular.
—Ana. —Grace diz do outro lado.
—Grace, oi. —Falo surpresa. —Eu esqueci de algo?
—Não querida, não tem nada a ver com o casamento.
—E.... o que foi então? —Pergunto preocupada e a ouço suspirar.
—Ana, enquanto você esteve fora, a Clarissa me ligou. Querida, mantenha a calma, mas seu pai teve um infarto.
—O que? —Sinto meu coração disparar e toda a cor sumir do meu rosto.
—Ele... ele está bem agora, foi estabilizado, está tudo bem. Eu só acho melhor você vir para cá, o Christian está vindo com as meninas, e a Clarissa quer muito te ver.
—Ah, meu Deus, Grace, eu estou indo.
—Tudo bem, eu te vejo logo.
—Ok. —Desligo o telefone e coloco a chave na ignição arrancando com o carro.
—O que houve? —Abigail pergunta preocupada.
—Ah, meu Deus... eu... eu sou uma idiota. Eu deixei as meninas com o meu pai. —Digo sentindo as lágrimas descerem. —Ele teve um infarto, e agora... ah.
—Ana, calma. —Aby diz segurando minha mão. —Vai ficar tudo bem. Tenha calma.
—Eu... ah, como eu fui idiota com ele. Eu não posso perdê-lo.
—Isso não vai acontecer. Fica calma.
Respiro fundo algumas vezes até conseguir me acalmar. Grace disse que ele está bem, mas eu preciso vê-lo, preciso ter certeza disso. Eu sei que nós nos afastamos, mas ele ainda é o meu pai. Eu sofri o suficiente quando pensei que ele estava morto, eu não quero mais que ele vá embora. Eu quero ele do meu lado, e eu preciso dele assim.
Chego ao hospital e desço do carro correndo, Aby fica atrás, mas... por hora eu só preciso saber do meu pai. Entro correndo e vejo Grace, ela vem até onde estou e me avisa que está tudo bem. Eu fico mais tranquila, mas mesmo assim preciso ver meu pai. Grace me leve até o decimo andar. Clarissa está na sala de espera, ela corre ao me ver e me abraça começando a chorar desesperadamente.
—Mamãe, me desculpe... eu... eu tive tanto medo. —Clarissa diz entre soluços.
—Está tudo bem, agora. —Digo acalmando-a. —A Grace me contou o que você fez, foi muito corajoso, eu estou orgulhosa de você.
—Eu fiquei com tanto medo, mamãe, mas o vovô está bem agora.
—Está sim, querida. —Sussurro ajeitando seus cabelos. —Grace, nós podemos vê-lo?
—Claro, querida, ele deve estar dormindo ainda, mas logo acorda.
—Tudo bem. —Sussurro.
Entro no quarto onde papai está e simplesmente sinto meu coração em pedaços. Aproximo-me e acaricio seu rosto me sentindo tão culpada. Ah... eu deveria ter aproveitado sua volta, ele errou, mas errar é tão normal. Eu não quero me prender ao passado. Eu quero ele comigo. No meu casamento, na minha vida, na vida das minhas filhas. Ele foi tão bom para elas hoje.
—Annie. —Papai sussurra.
—Oi, pai. —Seguro sua mão tentando conter as lágrimas.
—Sua filha... ela... ela é uma ótima menina, todas são, Annie. Eu fui idiota, me perdoe. —Papai sussurra com a voz fraca.
—Ah, papai, é claro que eu te perdoo. Eu estou aqui. Tudo vai ficar bem.
—Sim... Clarissa. —Papai chama e Clarissa se aproxima. Ajudo-a a subir na cama e ela segura as mãos de papai. —Você... é uma ótima garota. Igualzinha à sua mãe. Muito obrigada por me salvar.
—Eu te amo, vovô. Obrigada por não nos deixar. —Clarissa diz chorando e abraça papai que parece emocionado com tudo.
—Ana. —Grace chama e eu me viro. —O Christian e as meninas estão aí.
—Eu já volto. —Sussurro para papai e Clarissa. Saio do quarto e vejo Christian com Abigail, Gabriela e Melissa. Corro até Christian e ele me abraça.
—Como você está, querida? —Pergunta ajeitando meus cabelos.
—Bem... —Olho para Gabriela e vejo que ela está com a pulseira que papai deu. Abaixo-me em sua frente e seguro sua mão. —Como você está?
—Bem mamãe. Onde está o vovô?
—Ele está lá dentro, você quer vê-lo? —Pergunto e ela balança a cabeça.
—Mamãe, leve as meninas para ver o Ray. —Christian pede e Grace balança a cabeça. Ela pega Melissa do colo de Aby e entra com todas no quarto. Christian me conduz até um dos bancos e senta ao meu lado. —Por que você não me contou sobre o que houve com a Aby?
—Eu... não sei. Aconteceu muito rápido. Eu não tive tempo.
—Você deveria ter me ligado, eu poderia ter ido ao colégio com você. —Christian sussurra chateada.
—Eu sei, sinto muito. Eu estava preocupada. —Digo tentando me manter mais calma.
—Certo, e você... você deixou a Aby sozinha lá embaixo.
—Ah, por Deus, Christian. —Enterro meu rosto entre as mãos e suspiro. —Meu pai acabou de sofrer um infarto. Nós podemos discutir isso em casa. Eu errei, pensei que ela estava vindo comigo. Eu estava completamente desesperada.
—Ok. Ok. Me desculpe.
Ficamos conversando mais um pouco. E eu conto sobre o ocorrido com Abigail. Depois disso nós vamos ver papai. Gabriela e Clarissa estão sentadas na cama com ele, conversando sobre as pulseiras. Grace está com Melissa e Abigail está sentada no sofá com uma cara não muito feliz.
O resto da noite ficamos com papai, depois vamos embora para ele descansar. As menores estão dormindo quando chegamos, então apenas as levamos para a cama e chamamos Abigail para conversar.
—O que foi? —Abigail pergunta sentando-se no sofá e eu noto que ela pintou as unhas de preto.
—Bem... eu queria pedir desculpas. —Sussurro e ela me olha sem entender. —Eu não deveria ter te deixado sozinha, eu só estava...
—Preocupada com o seu pai, tudo bem. —Abigail diz me cortando. —Tudo bem, Ana. Eu não sou a Clarissa, eu entendo as coisas.
—Aby... —Christian sussurra. —Não precisa disso.
—Christian, tudo bem. Eu só quero dormir. Eu posso?
—Você precisa nos contar o que está havendo. —Sussurro preocupada.
—Nada, eu só quero ir me deitar. —Ela diz se esquivando do assunto.
—É mesmo? E grita com o seu pai hoje de manhã por roupas que você nem gosta de usar, não foi nada?
—Olha só, eu entendo que vocês cuidam de mim, mas pare de dizer que são meus pais. —Abigail diz começando a chorar. —Meu pai está preso agora, e você Christian, não é meu pai. Eu sinto muito por hoje de manhã, ok? Eu me arrependi, mas se vocês me dão licença, eu só quero dormir um pouco.
Abigail se levanta e sai da sala batendo os pés. Ela sobe as escadas correndo e eu me sinto a pior pessoa do mundo. Eu não sei aonde estou... errando. Eu sei que ela tem algo, mas ela simplesmente não fala comigo. Eu queria que ela se comunicasse comigo, mas... isso não está acontecendo.
—Tudo bem, querida. —Christian sussurra me abraçando. —Nós... nós vamos resolver isso.
—Ah, Christian. —Sussurro me aconchegando em seus braços.
Eu espero... realmente espero que sim.
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