– Katherine! Vamos, acorde! Acorde! — disse John me sacudindo levemente.

Quando eu abri meus olhos percebi que eu estava aconchegada em seu peito. Me sentei sobressaltada, olhando pasma para o seu rosto. Não estava acostumada a ter um contato físico como esse com outro homem que não fosse meu pai.

– O que foi? — perguntou John arqueando levemente a sobrancelha.

Não sabia como responder àquela pergunta sem me sentir uma idiota. Resolvi mudar de assunto.

– Por que você me acordou tão cedo?

– Não é cedo, já são quase dez da manhã e nós precisamos chegar ao próximo povoado antes do meio-dia.

– Por que? -perguntei desconfiada.

– Por que se quisermos atravessar a fronteira dos reinos ainda hoje é o que deve ser feito.

Ele tinha razão, então pus me de pé com dificuldade. Minha cabeça já não doía tanto e o inchaço havia diminuído, agora só algumas partes de meu corpo estavam doloridas. Quando encontrei os olhos de John ele estava me observando.

– Como se sente?

– Bem melhor do que eu imaginei que estaria. — eu disse, passando o dedo nos meus cabelos, tentando controlar os nós que haviam se formado.

– Pensei que havia dito que sabia se defender.

– E eu sei! — disse chateada. — É um pouco difícil tentar se defender quando você é pega de surpresa e está sendo atacada pelas costas.

Ele riu.

– Isso é verdade. Mas você devia ter mais atenção para que coisas como essa não se repitam.

– Onde os guardas estão, a propósito?

– Não sei, eles continuaram a sua busca por mim até metade da noite e depois desistiram e foram embora.

– E por que eles estão lhe procurando, para começo de historia?

– Será que nós não podemos ter uma conversa decente sem que você traga o assunto a tona?

– Será que você pode responder minha pergunta?

– Se você realmente quer atravessar a fronteira que separa os reinos ainda hoje então você não vai querer ter essa discussão de novo. Eu vou lhe contar, porém no momento certo, o que não se aplica ao agora.

Eu sabia que não conseguiria arrancar a verdade dele, mas não custava tentar. O que eu realmente precisava era de um plano para descobrir a verdade. Suspirei derrotada e abri a minha bolsa, procurando pelo resto de comida que ali havia e a dividindo para mim e John. Nós comemos e logo depois montamos em nossos cavalos para seguir viagem.

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Nós chegamos ao povoados um pouco antes do meio-dia. Foi uma viagem longa, as dores no meu corpo tornaram muito difícil cavalgar. Nós fizemos varias pausas durante um trajeto, onde John esperava pacientemente enquanto eu esticava meus membros doloridos. Algumas vezes, ele me ajudava a descer do cavalo, me carregava e me colocava sob a sombra da arvore mais próxima, me oferecendo água e massageando os hematomas em minha pele. Ele claramente se sentia culpado pelo que havia me acontecido, a todo momento se desculpando...

– Eu não sei você, mas eu estou faminto. — disse John, me arrancando de meus pensamentos.

– Hmmmm.. Eu só preciso de um banho.

– E o que você acha de fazermos uma pequena parada naquela hospedagem? — disse, apontando para um casebre a frente. — Não acho que atrapalhariam nossos planos de chegar ao nosso reino ainda hoje. E eu pago, não se preocupe. -Ele deu um sorriso torto em minha direção.

– Ok, mas não vamos permanecer lá por muito tempo.

Nós seguimos em direção a pequena hospedagem, onde amarramos os nossos cavalos e seguimos em direção a porta. Assim que entramos na hospedagens meus olhos se focalizaram no homem que estavam com John na primeira noite. Ele estavam conversando com um grupo de homens até que percebeu a nossa chegada. O que ele estava fazendo aqui? Nossos olhos se encontraram rapidamente, até que se desviaram e se focalizaram em John.

Minha visão oscilava entre o rosto de John e o do homem. Eu vi quando fez um sinal com a cabeça, quase que imperceptível, sendo repetido pelo homem. Eu estava prestes a perguntar a John o que estava acontecendo quando minha visão foi tomada por uma pequena velhinha.