Segredos e Mentiras
9 Recebida
John retornou pouco tempo depois. Eu nem tive chance de arrancar alguma informação de seu amigo, que agora eu sabia que se chamava Miguel. Ele apenas ria de minha insistência e dizia que John o mataria se ele dissesse alguma coisa.
– Acho que já passam de duas horas, deveríamos seguir viagem logo. — disse John ao meu ouvido, de repente ao meu lado. Tomei um susto, arrancando risadas do grupo de homens. — Bom, foi um prazer revê-Los, cavalheiros. Espero encontra-Los novamente em breve. O mesmo para você, Lily. — disse ele, mais alto agora.
Os homens responderam a John com um aceno. Ele pegou minha mão e me dirigiu porta a fora.
– Foi um prazer conhece-Los. Tchau, Lily.- eu disse, acenando.
Logo estávamos montados em nossos cavalos seguindo viagem. Eu estava um pouco chateada por não ter conseguido nenhuma informação de Miguel, então decidi interrogar meu companheiro de viagem .
– John, posso te fazer uma pergunta?
– Depende.
Eu o ignorei.
– Você tem irmãos?
– Não.
– Onde estão seus pais?
– Eles estão mortos.
Ops.. Pergunta errada!
– Sinto muito. — eu disse, ardendo de curiosidade para saber como, mas não o perguntei, seria indelicado de minha parte.
Ele riu vendo a expressão de curiosidade em meu rosto.
– Eles foram mortos nas primeiras manifestações contra a posse do Rei Felipe ao trono. Eu também participei, mas consegui sobreviver.
– É por isso que o Rei está atras de você?
– Também.
– E qual o outro motivo?
– Próxima pergunta.
Suspirei. Já havíamos atravessado a fronteira dos reinos e estávamos próximo de outro povoado agora, eu já podia ver algumas casas ao longe. Eu tinha que aproveitar enquanto John estava sendo sincero comigo.
– Então você foi criado no mesmo reino que eu?
– Sim.
– Então por que eu tive de atravessar um reino inteiro e metade de outro para lhe encontrar?
– Por que eu e todos aqueles homens que você viu hoje na hospedagem, tivemos de fugir para não sermos pegos.
Nós já haviamos chegado na aldeia, então eu sabia que não ia durar muito agora.
– Eles também lutaram contra a posse do Rei? — eu perguntei, a ansiedade mal disfarçada em minha voz. Ele me olhou de lado, desconfiado pelo meu tom de voz.
–Sim.
– E quando foi que...
– Katherine! — eu fui interrompida por a voz de uma mulher chamando meu nome.
Eu me virei e vi minha tia Florinda acenando. Com um suspiro, eu desci de meu cavalo e corri em sua direção.
– Oh, querida! Você está tão grande e tão bonita! Sua mãe se orgulharia de vê-la desse jeito! Quanto tempo se passou desde a ultima vez em que nos vimos! Eu soube o que aconteceu com seu pai, eu sinto muito, Kat. Como você está? — disse ela, me dando um longo abraço muito apertado.
– Estou bem, tia. Está tudo bem.
– O que você está fazendo tão longe de casa cavalgando sozinha com ele? — ela disse, apontando na direção de John. Ela o encarou por alguns segundos e seus olhos se arregalaram em reconhecimento.
– Hummmm, é uma longa historia. Você o conhece?
– Não exatamente... Olá, meu nome é Florinda.- disse ela, sorrindo na direção de John.
– Olá, eu sou o Johnny. — disse ele, retribuindo o seu sorriso.
Ela se voltou para mim.
– E onde você pretende passar a noite, querida? Já está perto do anoitecer, você sabe disso.
– Eu não sei..
– Então fique por essa noite aqui, Kat, vocês serão muito bem recebidos. E haverá uma festa hoje! Seu primo Elias finalmente se casou! A missa foi celebrada essa manhã, mas a festa só será realizada a noite. E eu conheço o filho que eu tenho, ele ficará decepcionado se souber que você passou por aqui e não ficou para festejar seu casamento.
Eu olhei para John em duvida.
– É claro que ficaremos! Será uma honra prestigiar o casamento de seu filho. — John respondeu por mim.
– Então vamos até minha casa, vocês precisam de um bom banho antes de irmos. E não se preocupem, a casa esta vazia, todos estão na casa da noiva arrumando os preparativos para a festa.
Eu sorri para ela e nós seguimos até a sua casa.
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Como meu cabelo havia ficado tão cheio de nós? Eu não sabia, só sei que levou um bom tempo até que eu conseguisse passar os dedos da raiz até as pontas, sem intromissões no caminho. Eu estava quase pronta, faltava apenas vestir o belo vestido que Tia Florinda havia conseguido para mim. Ele era branco com alguns detalhes em pedra e em tecido na cor preta. Ele se ajustava delicadamente nas curvas de meu corpo e era tão lindo! Ela também ofereceu umas roupas de Elias para John que as recebeu de bom grado. Toda vez que os olhos de Tia Florinda se voltavam para John eles brilhavam em um misto de gratidão e emoção. Eu ansiava por um momento a sós com ela, eu sabia que ela respoderia a todas as minhas perguntas. Mas John parecia ter feito de Não-deixe-Katherine-sozinha-com-Tia-Florinda a sua missão do dia. Eu me movia, ele se movia junto. Eu tenho quase certeza absoluta de que ele está me esperando na porta do quarto. Arght, era tão frustrante ser a única pessoa no mundo que não sabia a identidade de John! Mas eu tenho um plano e vou colocá-lo em ação hoje a noite. Haverá muitas pessoas na festa e de um jeito ou de outro eu vou descobrir. Eu vesti rapidamente meu vestido, fiz os últimos ajustes e segui porta a fora.
Eu estava certa. John estava me esperando encostado despreocupadamente na parede do corredor. Quando me viu, seus olhos se arregalaram um pouco, o que me causou uma estranha onda de prazer.
– Você está linda. — ele me disse, pegando minha mão com muita delicadeza e beijando-a, me fazendo corar.
John estava muito bonito, ele havia feito e barba e penteado seus cabelos. As roupas que Tia Florinda haviam lhe emprestado couberam com perfeição, realçando o seu físico impecável.
– Oh, querida! — disse Tia Florinda, aparecendo no fim do corredor. — Você está tão linda! Todos vão desejar dançar com você hoje! Venha, venha! Já está hora de irmos. Daqui a pouco a festa irá começar!
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Todo o povoado se encontrava na festa e, assim como eu suspeitei, a maioria das pessoas conheciam John. Não seria muito difícil descobrir a verdade, isso se eu conseguisse me livrar de John, que me seguia como uma sombra. Tia Florinda tinha se despedido de nós a pouco, dizendo que havia alguns preparativos para a noite de núpcias do casal que ela precisava fazer, o que me deixou em um humor miserável, porque eu não descobriria a verdade por ela.
– Você tem certeza de que não quer dançar? — John me perguntou.
– Não, mas você deveria convidar uma daquelas garotas que estão perto dos músicos. Desde o momento em que chegamos aqui que elas não tiraram os olhos de você.
– Não, obrigado. Eu prefiro dançar com você, mas já que você não está disposta, então há outras maneiras de se divertir em uma festa. Apenas me avise quando quiser dançar. — disse ele, com um sorriso torto surgindo em seus lábios.
Uma estranha onda de calor atravessou o meu corpo. Ele era tão, tão lindo... Mas o que diabos estava acontecendo comigo hoje? Eu não podia perder meu foco, não agora. Eu precisava descobrir a verdade sobre John.
– Katherine? — disse uma voz masculina.
Eu me virei, meus olhos se encontraram com os do homem que havia me chamado. Esse homem na verdade era Ian, o amigo de infância de Elias, que quando criança havia se interessado por mim, e agora, olhando em seus olhos, percebi que esse interesse havia resistido a passagem do tempo.
– Ian! É tão bom revê-lo! — eu disse, lhe abraçando.
– Também é tão bom te rever, Katherine! Devo dizer que o tempo lhe fez muito bem, você está linda.
– Obrigada. O mesmo serve para você. — respondi, corando.
John raspou a garganta ao meu lado.
– Ah, que indelicadeza a minha! Ian, esse é o meu amigo John. — eu disse, apontando com a mão na direção de John.
Eu assisti com um ar triunfante os olhos de Ian se arregalarem em reconhecimento ao encontrarem os de John. Esse era meu plano B, eu ia arrancar a verdade de Ian, nem que eu tivesse que seduzi-lo para isso. E que Santo Antônio me ajudasse.
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