Segredos e Mentiras
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– Você quer dançar, Ian? — eu disse, piscando meus olhos como uma boba, tentado parecer com aquelas damas frágeis da realeza. John me lançou um olhar suspeito.
– Eu adoraria. — Ian me respondeu.Ele pegou a minha mão e nós seguimos até a pista de dança. Eu fiz uma pequena prece, agradecendo por ainda me lembrar como dançar.– Você esta aqui sozinho? — eu lhe perguntei antes de entrarmos na pista de dança.– Sim.Eu arregalei meus olhos em descrença, o que fez ele rir. Ian havia se tornando um homem muito bonito, era difícil acreditar que ele ainda não tivesse uma companheira. Nós entramos na pista de dança e nossos corpos começaram a se mexer no ritmo da música. Eu temia que John nos interrompesse, então tratei de colocar logo meu plano em prática.– De onde você conhece o John? — eu lhe perguntei.– Eu não o conheço. — disse ele.Eu mais uma vez usei o truque de "faça cara de dama frágil e bobinha", pisquei várias vezes meus olhos e fiz um biquinho.– Ora, não minta para mim. Você pode até não o conhecer realmente, mas você sabe quem ele é, não sabe? Ele mordeu o lábio e desviou os olhos de mim, claramente dando fim a conversa. Ok, eu iria descobrir da forma difícil. Eu tratei de piscar novamente meus olhos, fingindo que sua atitude havia me magoado.– Você pode confiar em mim. — eu lhe disse.– Eu sei. É só que eu dei minha palavra de que jamais falaria sobre isso com ninguém.– Mas eu não sou ninguém. Você sabe que eu jamais diria uma palavra sobre isso.Ele olhou a redor, talvez cogitando se era seguro falar sobre isso ali. Seus olhos pararam em um ponto por alguns segundos, o que me chamou atenção e me fez seguir o seu olhar.EU NÃO POSSO ACREDITAR NO QUE EU ESTOU VENDO! John estava dançando ao nosso lado com uma das meninas que estavam perto dos músicos. Ela era alta, bonita e eles balançavam graciosamente no ritmo da música. Quando seus olhos encontraram com a fúria dos meus, ele levantou a sobrancelha inocentemente. O que estava me segurando ali eram as mãos de Ian na minha cintura, do contrário, eu seria perfeitamente capaz de socar a cara de John sem nenhum arrependimento. "Foco, Katherine, foco!" Eu pensei.Voltei minha atenção a Ian, entrelaçando meus braços em seu pescoço, o puxando para perto, nossos corpos se moldando. Ele tirou a mão de minha cintura e a passou levemente em meu rosto, fazendo o caminho da minha orelha em direção ao meu queixo, enquanto sussurrava em meu ouvido:– Talvez se nós fossemos para um lugar mais vazio...O que aconteceu em seguida foi tão rápido que eu mal consegui acompanhar. John empurrou Ian, me obrigando a tirar meus braços de seu pescoço para que eu não caísse e fazendo Ian cambalear, enquanto John lhe aplicava um soco. Eu fiquei parada, em choque, tentando processar o que havia acontecido. Ian se recuperou e saltou em direção a John, lhe retribuindo o soco. John deu alguns passos para trás, mas se recuperou rapidamente, aplicando um golpe na barriga de Ian dessa vez. Eles giravam trocando golpes enquanto todos olhavam em choque, inclusive eu. Foi Elias quem se recuperou primeiro, chamando mais três homens em seu caminho para separar a briga. Eu me recuperei logo em seguida, correndo em direção a eles.Os homens conseguiram separar a briga com dificuldade. Dois deles seguravam John, enquanto Elias e um outro homem seguravam Ian, tentando acalmá-los. John estava sangrando, mas Ian possuía ferimentos mais graves. Eu segui em direção a John, aplicando-lhe o bufete que eu havia reprimido por tanto tempo. Ele me olhou alarmado.– O que lhe deu na cabeça para agir dessa forma?? — eu gritei para ele. — Ian, eu sinto muito!– Você sente? — John gritou de volta. — Esse salafrário mereceu cada soco. Na verdade, merece ainda mais! — ele lançou um olhar furioso a Ian. Eu quase conseguia ver facas saindo dos olhos de John e indo em direção a Ian enquanto John lutava contra os homens que o estavam segurando.Graças a Deus eu pude ver o rosto preocupado de Tia Florinda em meio a multidão e vindo em nossa direção.– O que está acontecendo aqui? — ela passou os olhos por todas as pessoas que estavam ali. Quando viu que não obteria resposta, seus olhos se voltaram para mim.– Eu não sei bem, Tia. Será que a senhora poderia, por favor, me dar a permissão de levar John até a sua casa?– Claro, querida! Eu não posso acompanhar vocês agora, mas assim que terminar o meu trabalho eu seguirei vocês.– Está tudo bem, Tia. Nós nos encontraremos em casa, então. — eu olhei para John. — Vamos?Os homens ficaram relutantes em libertar John, mas o fizeram. Eu me coloquei ao seu lado, segurando seu braço enquanto seu olhar ainda estava focado em Ian. Mas os olhos de Ian estavam em mim. E enquanto nós passávamos por ele eu me desculpei novamente e o disse que voltaria logo para ajudá-lo com seus ferimentos. Ao meu lado eu senti John ficar tenso. Nós começamos o nosso caminho em direção a casa de tia Florinda, a festa rapidamente recomeçando atras de nós.Nós não trocamos uma palavra até chegarmos.
Quando entramos, eu peguei um pano e um pouco de água fria para tratar dos ferimentos de John. Eu acendi um vela e o trouxe para perto da mesa da cozinha, onde ficamos em pé para que eu pudesse ver melhor seus ferimentos. – Eu deveria deixar você sofrer com a dor de seus ferimentos abertos, mas prometi ao Rei que lhe entregaria em perfeito estado. Então, eu agradeceria se você tentasse pensar duas vez antes de começar a agir como um cão raivoso batendo em tudo ao seu redor. Ele riu.– Alias, — eu continuei, lhe lançando um olhar de "isso não tem graça, mocinho" -, com o que você estava na cabeça para se lançar contra o Ian daquele jeito?– E com o que você estava na cabeça para se enrolar nele daquele jeito? — ele disse. Nós trocamos olhares furiosos por um longo tempo, até que eu desviei meus olhos e me concentrei em limpar o sangue em seu rosto. — Você gosta dele? — ele insistiu.Eu o olhei, incrédula.– É claro que não!– Então por que você o estava dando tanta liberdade?Eu não respondi. Desviei meus olhos novamente dos seus e voltei a me concentrar em minha atividade. Ele pôs a mão em meu queixo e levantou meu rosto, para que pudesse olhar em meus olhos.– Quer saber de uma coisa? — eu explodi. — Isso tudo é sua culpa!– Minha culpa?!– Sim, sua culpa! Se você fosse sincero comigo e me dissesse logo a verdade, nada disso teria acontecido.Ele parou um pouco, tentando processar tudo o que eu havia dito.– Então você só estava tentando descobrir a verdade sobre mim? — disse ele se aproximando até nosso corpos ficarem colados. Eu permaneci imóvel enquanto sua mão passava pela base do meu pescoço, chegando ao meu cabelo, onde encheu a sua mão dele e o puxou levemente. Seu rosto estava a centímetros do meu quando ele disse, surrando contra a minha boca:– Você devia ter apenas me perguntado da forma que você perguntou a ele.Ele colocou as mãos na minha cintura e puxou meu corpo ainda mais contra o dele. Ele fechou os olhos enquanto pressionava levemente meus lábios nos seus. Meu coração batia alto o bastante para eu me perguntasse se ele conseguia o ouvir. Ele tentou me beijar suavemente, mas não conseguiu por muito tempo. Depois de alguns instantes, sua boca ficou rude contra a minha e suas mãos se firmaram em minha cintura enquanto sua boca se movia contra a minha com movimentos urgentes. Ele me empurrou até nos chocarmos contra a parede, onde ele me pressionou com força, mas não havia dor, só havia fogo em todo lugar. Minhas mãos agarraram seu cabelo, puxando-o para mim, como se fosse possível ficarmos mais perto. Usando a parede como apoio eu enrolei as pernas em volta de sua cintura. Eu capturei seu lábio inferior com meus dentes e ouvi um som de surpresa nascer no fundo de sua garganta. Eu deslizei minha mão pela sua barriga, sentindo a dureza de seus músculos contra minhas palmas, minhas mãos esmagadas entre nós. Eu estava arfando, mas ele também estava. Permanecemos assim por alguns minutos até ouvirmos leves batidas na porta.
Notas finais
Heeey, gostaram? Comentem ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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