Segredos e Mentiras
4 Preparada
Mas de repente ele apareceu novamente na porta. O homem que o havia acompanhado não estava junto, John estava sozinho. Me virei de frente para O atendente novamente e joguei meu cabelo por cima do ombro na tentativa de esconder o sorriso que surgiu em meus lábios."Ele está fazendo tudo ser tão fácil." Pensei enquanto remexia no liquido do copo em minha frente.
Sorri, não pude evitar. Ele parecia estar colaborando, mesmo sem saber os planos que eu tinha para ele.
Era essa a minha chance! Peguei minha mochila no chão e tratei de deixar a corda em um local de fácil acesso enquanto me despedia do atendente. John me levou até o fim do corredor, avisando que aquele era meu quarto. Eu parei para analisar o que estava de frente para mim enquanto sentia os olhos de John em meu rosto. O quarto não era tão pequeno como imaginei e era bem aconchegante e conservado, diferente do local onde o bar funcionava. Olhei para John, ele certamente estava esperando que eu o respondesse.
John não respondeu, apenas atravessou o espaço entre nós com um passo e entrelaçou seus dedos em meus cabelos, puxando a minha boca para a dele. Nossos corpos se moldaram automaticamente, eu mal conseguia respirar. Eu arfei enquanto ele me levava para dentro do quarto, tateando loucamente em busca da ponta da corda. Quando eu a encontrei, com uma mão eu puxei as mãos de John, uma por uma, as posicionando sobre a minha barriga, depois ágil, porém precisa, eu fechei o nó em volta de suas mãos. Ele se afastou e olhou para mim atordoado.
– Me desculpe, mas você tem que vir comigo.
– O que? — John disse, parecendo confuso.
– O Rei Felipe me mandou até aqui para lhe prender e lhe levar até o castelo.
– Eu deveria saber... Mas não se preocupe, prometo me comportar, eu só quero que você me responda uma pergunta..
– Não há tempo para isso. — eu lhe interrompi. — Temos que ir embora!
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Seguimos viagem naquela noite mesmo, com nossos cavalos amarrados um no outro. Eu tinha pressa de chegar logo ao Castelo, ansiava por ver meu pai de novo. John tentou algumas vezes puxar assunto, me perguntando o motivo pelo qual eu estava fazendo aquilo. Eu não estava com vontade de conversar, principalmente sobre isso. Meus nervos estavam em pedaços. Eu me sentia culpada por estar fazendo aquilo com John, temerosa de que ele também fosse inocente, ao mesmo tempo em que eu desejava mais do que tudo a liberdade de meu pai, o que estava acima de meus valores. Então, quando John percebeu que eu não iria responder suas perguntas, seguimos em silencio pela floresta em busca de um lugar seguro para passarmos a noite. John avistou uma pequena clareira, onde decidimos que seria o suficiente para passarmos a noite.
– Vamos, eu vou amarrar suas mãos em uma árvore. — eu disse, tentando encontrar os olhos de John através da luz fraca da lua.
– Eu não vou fugir, não precisa me amarrar.
– Falou o criminoso que passou anos como fugitivo. Eu não me sentiria confortável com você desamarrado perambulando pela noite, não conseguiria dormir. Já que você quer cooperar, apenas me deixe amarrá-lo sem mais resistência para que possamos ter uma noite em paz, afinal, amanhã a viagem será longa.
– Tudo bem, já que você insiste, donzela. — disse John em um tão brincalhão.
As vezes eu tinha a impressão de que John estava se divertindo com essa situação toda. Não o conseguia entender e estava cansada demais para pensar sobre isso. Dessa forma, amarrei-o na árvore, acendi a fogueira e me deitei no chão na posição que julguei ser a mais confortável possível.
– Boa Noite, minha donzela, tenha bons sonhos. — John sussurou quando minhas pálpebras já estavam fechadas e eu estava me perdendo na escuridão.
Acordei com um estranho cheiro de comida. Abri meus olhos atordoada com a figura de John desamarrado na minha frente assando um lagarto em uma pequena fogueira.
– O que você pensa que está fazendo?? Quem lhe desamarrou??? — eu gritei para ele, jogando meus braços para cima enquanto tentava encontrar a maldita corda.
– Eu mesmo. Você amarrou a corda muito apertada, estava prendendo meu sangue, não estava conseguindo dormir, então me desamarrei. — disse abrindo um enorme sorriso.
– Você está tentando ser engraçado??
Eu estava tendo um chilique, mas não me importava. O fato de John estar ali, despreocupado, fritando aquele maldito lagarto com um imenso sorriso na cara me deixava ainda mais nervosa.
– Ora, Kat, não seja tão difícil!Eu já disse que não vou fugir, você tem a minha palavra!
Kat?????
– Como se a palavra de um criminoso valesse alguma coisa.
Ele mudou de expressão, seu rosto agora expõe toda a raiva contida. Ele olhou desafiadoramente para mim enquanto falava:
– Eu não sou um criminoso.
– Então por que o rei me mandou atras de você?
– Por que você está aqui?
– Seus ovos estão queimando. — eu disse, na esperança de desviar a sua atenção sobre o assunto.
Suspirei, talvez me sentisse melhor se contasse logo a verdade a John.
– Eu estou aqui por causa do meu pai.
– Como?
– Eu lhe capturei para entregá-lo ao Rei em troca da liberdade de meu pai, que foi preso acusado de um crime que não cometeu.
John riu. Eu olhei para ele perplexa. Como ele poderia achar graça em uma situação como essa? Eu me levantei e segui até ficarmos frente a frente. Eu levei minha mão em direção a seu rosto, não consegui resistir ao impulso de quebrar seu nariz em mil pedacinhos tingidos de sangue. John interceptou facilmente minha mão, segurando firme meu pulso enquanto falava:
– Me desculpe! Eu não estava rindo do fato de seu pai ter sido preso, eu sinto muito quanto a isso e farei o que eu puder para tirá-lo das masmorras, mesmo que isso signifique que eu seja mandando para lá, pois eu reconheço o seu esforço e sua coragem de atravessar um reino sozinha por uma causa tão nobre. Eu ri por que eu jamais imaginei que esse seria o real motivo pelo qual você está fazendo isso e eu não costumo ser surpreendido dessa maneira. Agora, por favor, será que poderíamos comer o lagarto e seguir nossa viagem?
– Ok. Mas se você falar qualquer coisa durante todo o dia eu vou lhe amarrar de cabeça para baixo na arvore mais próxima e lhe deixar a mercê de sua sorte.
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