Segredos e Mentiras
5 Enganada
Nós seguimos a nossa jornada. Estávamos quase na fronteira dos reinos agora e eu já começava a sentir a sensação de conforto por estar próxima de casa.
John se comportou muito bem durante o dia, tão bem que quando estávamos atravessando um antigo povoado e ele manifestou o seu desejo seu desejo de conseguir comida e algumas mudas de roupa enquanto eu tomava banho, eu o deixei ir sem a minha supervisão. Ele teve varias oportunidades de fuga, mas não as concretizou. E foi assim que esse homem de varias faces conquistou a minha confiança.
Eu pouco sabia sobre sua vida, na verdade todas as informações que eu tinha eram as que o rei havia me passado. John era intrigante. O que mais me chamou atenção foi que em todos os povoados pelos quais passamos, as pessoas pareciam conhece-lo e até mesmo gostar dele. Quando eu perguntei-lhe sobre o que ele havia feito para ser tão conhecido e tão adorado, ele não me respondeu, disse que não era algo que eu deveria saber.
Ah, eu queria sim saber, e MUITO! Sua resposta apenas serviu para me deixar mais curiosa. E eu tentei descobrir, perguntando a todas as pessoas que tive oportunidade, mas todos me respondiam que não o conheciam, que era a primeira vez que o via naquele lugar. O que não passava de uma grande mentira! Essas pessoas conheciam sim John, conheciam a sua verdadeira identidade, tinham conhecimento de tudo o que ele estava me escondendo. Essas pessoas, de alguma forma, estavam envolvidas com John em uma espécie de complô, como se ele as tivesse pedido para que não dessem nenhum tipo de informação a seu respeito.
Já estava perto do anoitecer quando encontramos uma pequena casa abandonada. Ela se encontrava em péssimas condições, mas seria um ótimo lugar para passar a noite. John arrombou sua porta e começou a vasculhar a casa em busca da presença de alguém. Eu sabia que ninguém estaria ali, então logo que entrei, encontrei uma velha cadeira perto do que antes deveria ser a lareira e me esparramei sobre ela. A casa ainda continha alguns móveis, porém estavam cobertos de poeira. Ainda assim, o lugar parecia ser estranhamente confortável. Era notável que ninguém visitava esse lugar a muito tempo.
– A casa está vazia e eu não acho que alguém vá se importar se passarmos a noite aqui, esse lugar parece que foi abandonado pelo dono a muito tempo. — disse John.
– Sim, eu também acho que é seguro passarmos a noite aqui, afinal o dia foi muito cansativo e precisamos de uma boa noite de sono.
John acenou e ofereceu-se para preparar o jantar. Eu estava muito cansada então não me opus a sua oferta. Enquanto John cozinhava, eu me dediquei a conhecer o interior da casa. Estava muito escuro agora, mas os reflexos da luz da lua me revelaram uma série de quadros na parede. Havia uma pintura de 5 pessoas, duas mais velhas, que julguei serem o pai e a mãe, e outras mais jovens. Dois dos jovens possuíam os rostos riscados e havia algo escrito embaixo que eu não conseguia entender. Fui até a janela para abrir um pouco mais as cortinas e expor a pintura a luz concentrada da lua, quando percebi, através do vidro, um grupo de soldados se aproximando da casa. Eles seguravam tochas e uma bandeira com um símbolo que claramente não pertencia a guarda real de meu reino. As cores em suas fardas também eram diferentes.
– John, acho que talvez você se devesse em ver isso.
John desviou sua atenção da comida e veio em direção a janela. O que viu não pareceu o agradar nem um pouco.
– Eles descobriram minha localização, estão vindo atrás de mim. Nós temos que sair daqui agora!
– Do que você está falando? Eles tambem estao atras de voce? Quer dizer que você é um foragido também nesse reino?
– Sim, e não há tempo para explicações. Nós temos que sair daqui agora!
Mas já era tarde demais. Vou descrever a atual situação em que nos encontrávamos em poucas palavras: estávamos cercados. A única saída, a única porta, estava bloqueada pela presença dos guardas. John pegou a minha mão e me puxou enquanto movia a cabeça para todos os lados em busca de uma nova saída.
Foi quando pés pesados se chocaram contra a porta.
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