Felizmente, John havia tomado o cuidado de colocar um armário contra a porta, possivelmente cogitando uma situação como essa. Os guardas haviam se concentrado na parte da frente da casa, onde tentavam derrubar a porta, enquanto nós buscávamos por uma saída.

John encontrou uma janela suficientemente grande no lado oposto da casa. Ele conseguiu abri-lá depois de algumas tentativas e nós conseguimos sair.

Haviam apenas dois guardas na parte de trás da casa. Assim que nos viram, os guardas saltaram em direção a John. Nenhum deles pareceu sequer perceber a minha presença. John acertou um soco na face do primeiro guarda e logo depois conseguiu acertar um chute no estômago do guarda número dois. Mesmo em desvantagem de número, John parecia ser capaz de lidar com os dois homens. Porém, a qualquer momento outros guardas podiam aparecer e precisávamos sair daquele lugar o mais rápido possível. Então me posicionei, tentando encontrar o momento certo para entrar na luta e imobilizar um dos homens. Foi quando eu senti um forte puxão em meus cabelos, me jogando contra o tronco de uma arvore e fazendo com que eu batesse forte a cabeça. Minha cabeça girava, mesmo assim pude localizar a imagem de um terceiro guarda que havia passado por despercebido até então. Ele puxou uma espada e a levantou vindo em minha direção, na intenção enfia-lá no espaço entre meus olhos, mas eu consegui me desviar a tempo do seu golpe mortal, caindo de bruços no chão. Eu virei, tentando localizar a imagem do guarda número três, mas a única coisa que eu consegui ver foi a sua espada enfiada no tronco da árvore até sentir seu próximo golpe. Ele passou seu braço pelo meu pescoço, me roubando todo o ar. Eu mal conseguia me mover, minha cabeça doía e meus pulmões estavam prestes a explodir. Foi quando eu consegui mexer um de meus braços e enfiar, com toda a minha força, meu cotovelo no espaço entre as costelas do guarda número três. Ele me libertou e eu cai em seus pés, lutando para encher o máximo possível meus pulmões com o ar. John apareceu logo depois, dando um soco na face do guarda número três que caiu desacordado ao meu lado. Olhei a distância, os outros dois guardas também estavam ao chão desacordados.

– Consegue andar? — John me perguntou.

Eu somente consegui balançar a cabeça em negativa. John pausou para se abaixar e me pegar no colo. Eu gemi quando o movimento fez minha cabeça doer ainda mais. Ele seguiu em direção a densa floresta até estarmos em um lugar seguro, longe da visão dos guardas.

Ele me abaixou e me colocou sentada, apoiada no tronco de uma arvore.

– Acho que teremos de passar a noite aqui. — disse John. — Não sei por quanto tempo eles continuaram sua busca e aqui eles jamais nos encontrarão, estamos totalmente ocultos pelas arvores. Alem do que, você não parece em condições de andar a cavalo.

Eu gemi ao imaginar a dor que aquilo me causaria. Embora ainda sentisse uma forte dor na cabeça, a tontura havia passado e agora eu podia pensar claramente. John colocou a mão sob meu queixo e moveu minha cabeça, de modo que pudesse analisar meus ferimentos.

– Eu sinto muito. — disse ele.

– Não foi sua culpa. — respondi com uma voz rouca.

– Sim, foi! Essa violência não era para você e sim para mim, você apenas foi pega no fogo cruzado e acabou se machucando. Eu sinto muitíssimo não ter sido capaz de evitar que isso acontecesse. Existe alguma coisa que eu possa fazer para me redimir ?

– Comece me contando a verdade. Quem você realmente é, Johnny? Se é que esse é seu nome verdadeiro.

John enrugou o nariz. Eu mais uma vez havia tocado no assunto do qual ele não gostava falar.

– Eu não quero falar sobre isso agora.

– E quando você pretende me falar então? Porque eu quase fui morta essa noite, acho que eu tenho o direito de saber em que situação eu estou realmente envolvida.

–A sua atual situação é que você está com um inchaço no lado direito de sua cabeça, com hematomas distribuídos por todo o pescoço e alguns pontos de dor. Acho que você deveria descansar.

Suspirei. Estava realmente cansada.

– Não pense que essa discussão está terminada. Cedo ou tarde eu vou descobrir a verdade sobre você. — eu disse.

John riu.

– Eu sei que você não vai desistir até obter as respostas de que você precisa e no momento certo eu as darei. Agora apoie sua cabeça em mim e descanse, amanhã será outro longo dia de viagem.

Eu fiz o que ele me disse, me deitei no chão, apoiei minha cabeça em seu colo e fechei meus olhos enquanto sentia suas mãos acariciando o meu cabelo. Era apenas uma questão de tempo até que eu caísse em sono profundo.