– Se Vossa Alteza me prometer explicar toda essa situação e rever a atual condição em que meu pai se encontra então sim, podemos acabar com a informalidade. — eu respondi atordoada.

Que cafajeste! Ele prende meu pai diante de uma acusação sem cabimento e espere que eu esqueça tudo e tenha "uma conversa informal" com ele? HÁ HÁ !

– Não seja tão obstinada, senhorita. Um paciente de seu pai veio ao meu castelo relatar que, após ter cumprido a punição de 15 chibatadas, procurou o seu pai em busca de tratamento e apresentou provas de que seu pai havia usado magia negra para a cura de suas feridas e essa informação foi confirmadas por outras diversas testemunhas.

– Mas isso não é verdade. Que tipos de provas ele apresentou?

– Desculpe, Katherine, mas não posso lhe transmitir essa informação. Existe uma lei a ser seguida, ninguém, fora eu e o chefe da cavalaria real, pode ter acesso a fundo nos casos de crime no reino, e eu como Rei devo segui-lá.

– Mas como eu posso defende-lo se eu não conheço as provas a serem contestadas?

– Desculpe, mas não há nada que eu possa fazer. A pratica de magia é um crime grave e existem evidencias fortes contra seu pai.

Não. NÃO! Isso não pode estar acontecendo! Meu pai acusado de pratica de bruxaria com fortes evidencias contra ele? Isso é impossível! Minha cabeça girava em busca de uma solução, tinha de haver alguma saída...

– Por favor, deve haver algo que eu possa fazer, qualquer coisa, para que essas acusações sejam retiradas e meu pai possa ir para casa. Por favor! Eu farei qualquer coisa!

– Há um serviço disponível, porém não é adequado para uma dama. Existe um criminoso que há muito tempo tentamos captura-lo, mas ele sempre encontra uma forma de escapar.

– Mas eu, diferente das outras damas, sei me defender e, modéstia a parte, muito bem. Alem do que, serei sua arma perfeita, ele está esperando por um guarda seu, não por uma dama com eu.

– Então façamos um trato, você o traz aqui e eu liberto seu pai, porém ele deve prometer que nunca mais praticará a medicina.

– Apenas me dê as informações de que preciso. — respondi com um imenso sorriso brincado em meus lábios.

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E aqui estou eu, em cima de meu cavalo, indo em direção a outro reino, em busca de homem para trocar pela liberdade de meu pai. Devo admitir que o tal criminoso não parecia ser tão perigoso assim. O Rei me mostrou uma foto sua e me deu algumas dicas de onde poderia encontrá-lo. Seu nome era Johnny , ele aparentava ser um camponês normal e não um fugitivo do reino. Possuía um cabelo preto, que contrastava com sua pele branca e seus olhos verdes, ele era bonito. Ele morou em um povoado ao lado do meu por pouco tempo, até que cometeu um crime, do qual o Rei não tinha permissão de falar a respeito, e desde então vem sendo procurado.

Eu passei por vários povoados a sua procura sem ter nem ao menos uma dica sobre seu paradeiro. Eu perguntava as pessoas se ela haviam visto o meu irmão, Johnny, e lhes dava suas características, mas ninguém o havia visto.

Já estava perto do anoitecer, isso significava que eu passaria a noite no próximo povoado. Segui em direção a uma espécie de bar, que se encontrava em péssimo estado de conservação, com a intenção de pedir informações sobre um lugar para passar a noite.

Eu desci do meu cavalo e o amarrei em um pedaço de Madeira que parecia servir para isso e segui em direção a porta do bar. Ao ser aberta, a porta me revelou a imagem do homem que desejava encontrar.

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Eu estava reunido com o líder de nosso exercito e logo deveria partir. Eu nunca passava muito tempo em uma cidade, já que era procurado por diversos reinos. Nós estávamos fazendo planos sobre qual seria o nosso próximo movimento.

Miguel era o líder de nosso exercito que havia sido criado com o objetivo de derrubar o atual rei, Felipe V, e fundar uma democracia em nosso reino. Éramos formados essencialmente pelo povo e possuíamos o apoio de alguns burgueses, que nós forneciam armas e alimentos. Estávamos prontos para iniciar uma batalha, possuíamos tudo o que era necessário, agora só precisávamos traçar nossas estratégias.

Foi naquela noite que tomei conhecimento de que o rei havia enviado uma moça para me capturar. Aquilo me fez rir, o Rei estava mesmo desesperado, usando todos os tipos de recursos para me capturar, até mesmo uma dama! Ela com certeza era muito corajosa e aparentava ter um bom motivo para me procurar sozinha, ou talvez fosse apenas muito tola.

O sol havia se posto a pouco tempo e estávamos todos concentrados em busca de um plano para quebrar a segurança e conseguir entrar no castelo quando uma bela moça abriu a porta da hospedagem. Ela possuía cabelos meio-ruivo e olhos negros como a noite atras dela. Ela parecia cansada, certamente havia cavalgado por muito tempo até chegar aqui. Seus olhos permaneceram fixados nos meus enquanto eu a examinava. Ela parecia surpresa ao me ver... HÁ! Então foi ela que o Rei enviou para me capturar? Nao pude conter um sorriso. Foi quando ela desviou seus olhos dos meus e caminhou até Joe, que estava atrás do balcão.

–Boa Noite. — disse. — Eu nao sou daqui, estou em uma viagem e devido ao anoitecer, fui obrigada a parar nesse povoado. O senhor se importa de me informar onde posso encontrar um lugar para passar a noite?

– Eu possuo um quarto desocupado aqui, caso a Senhorita esteja interessada.

Ela pareceu franzir o cenho, certamente estava cogitando se essa era a escolha certa a se fazer dado que o lugar estava cheio de homens.

– Desculpe a minha curiosidade, Senhorita — disse Joe — mas posso saber por qual motivo uma mocinha viajaria por essas estradas perigosas sozinha?

– Eu sei me defender, não preciso da ajuda de ninguém, e eu estou indo visitar meus tios que moram a 3 povoados daqui.

– Desculpe a minha intromissão — eu disse -, não pude evitar de ouvir sua conversa, mas o Senhor tem razão, uma moça certamente não deve andar sozinha por essas terras.

Ela virou seus olhos negros para mim, eles se estreitaram um pouco quando focalizaram nos meus.

– Como eu ia dizendo — ela respondeu -, eu sei me defender. A educação que meu pai me deu era diferenciada, ele não me criou mimada como as outras moças do reino, ele me ensinou a me virar sozinha. Aliás, o senhor não disse seu nome.

– Me chamo Johnny. E qual é o nome da Senhorita?

– Me chamo Katherine.

E sorri para ela, sorriso esse que ela não devolveu. Na verdade, ela parecia nervosa, como se não soubesse exatamente o que fazer. Foi quando Miguel me cutucou, dizendo que queria que eu o acompanhasse até lá fora. Eu virei para a Katherine e Joe e lhes disse que voltaria logo.

Segui Miguel em direção a entrada da hospedagem. Quando estávamos só nós dois diante do céu negro, ele se virou e disse:

– É ela, John! Foi ela quem o rei mandou para te capturar.

– Eu percebi isso no momento em que ela entrou por essa porta, Miguel. Ela não me pareceu perigosa, muito menos que tenha alguma pratica nesse ramo de capturar perigosos.

– Mesmo assim, você deve tomar cuidado com ela, John. Nós não sabemos exatamente com o que estamos lidando, ela pode ser o demônio na pele de cordeiro.

– Ela certamente é. Eu não a estou subestimando, requer muita coragem e destreza para atravessar um reino em busca de um criminoso.

– John, por favor, você não pode arriscar tudo agora, não agora que estamos tão próximo de alcançar o nosso objetivo!

Foi quando a ideia me ocorreu. Eu não sei como não pensei nela antes, parecia tão obvia agora!

– E se nós pudermos fazer o Rei provar de seu próprio veneno? — eu disse.

– Do que você está falando?

– Nós podemos usa-lá para ter acesso ao castelo, claro! Eu deixo que ela me capture, ela me leva até o castelo, eu me livro dos guardas e então abro o portão principal do castelo para vocês entrarem.

– John! Você esta louco! Agora entendo por que o rei a mandou, ele deve saber que você nao resiste a uma donzela em perigo, mas essa não é a hora certa de brincar de garoto apaixonado, muito menos com a pessoa certa!

– Ora, não seja ridículo! É exatamente o plano de que precisávamos!

– Mas é um plano falho, John! E se você não conseguir se livrar dos guardas? Você será capturado e levará muita sorte se não for executado na hora. Você é muito valioso para se arriscar dessa forma. E quem nos fornecerá alimentos enquanto você estiver fora?

– Da minha ultima incursão eu consegui alimentos suficiente para manter a população pelo tempo que eu estiver fora, alem do que não há outra opção, temos que nos arriscar pela nossa causa e é exatamente isso que estou fazendo. Essa é a nossa chance, Miguel, nós estamos preparados! A cada cidade eu lhe mando um bilhete avisando quantos dias faltam até chegarmos ao castelo para que arrume o exercito e siga ao castelo o mais rápido possível.

– Eu não sei, John. Não me parece um bom plano.

– Mas é o único que temos. — eu disse, pondo um fim na discussão. A decisão já havia sido tomada.

– John, independente do que aconteça, não confie nessa moça. Estou falando sério, ela pode ser mais perigosa do que aparenta. Se vai cometer essa loucura, então me dê a sua palavra de que você não vai lhe contar sobre o nosso plano. Nós não podemos assumir um risco como esse.

– Você tem a minha palavra. — eu lhe garanti.