Segredos de Sangue

15 Sombras do Passado Parte 1


Notas iniciais
LolitaFireproof obrigado pela recomendação me fez uma autora muito feliz. Nesse capítulo vamos explorar um flashback que terá fortes revelações e descobrir como Leon e Ada romperam a sua relação, antes dos eventos de RE6.



Agosto de 2006


Depois de uma conversa franca e direta com Claire, que havia descoberto seu caso secreto com a espiã, Leon decidiu tomar algumas medidas extremas que ele sabia que poderiam ser definitivos.

Ou seria o fim de sua relação secreta com Ada, ou lhe daria a chance de dar um novo passo ao lado dela. Mas, de alguma forma, as coisas não poderiam permanecer do mesmo jeito. Não quando havia tantas coisas em risco que poderiam colocar tanto ele quanto Ada numa situação perigosa e sem escapatória.

Enquanto a sua jovem espiã fatal e sexy ainda dormia serenamente, Leon decidira preparar um saboroso jantar. Ele tinha planos para essa noite ao lado de Ada. Planos que iriam atravessar alguns limites impostos por ela, porém nada o faria mudar de ideia.

Leon retornou para o quarto com o plano montado e, mesmo se sentindo inseguro, resolveu que não iria voltar atrás.

Leon se viu encurralado pela sedução da linda mulher e seu corpo delicado e cheio de curvas pecaminosas que não conseguia parar de tocar. Naquele quarto ele fez amor com ela tão lento, pois ninguém tinha pressa que acabasse. Nos braços um do outro eles encontravam um refúgio somente deles. Um refúgio que fora destruído quando o casal foi forçado a confrontar a realidade.

"Eu te amo, Ada Wong!" Sem vacilar Leon se declarou. Para ele não era apenas luxúria, ou paixão o que eles sentiam enquanto seus corpos se entrelaçavam se tornando um, era também um sentimento avassalador que criou raízes.

"Eu te amo!" E isso ecoou pela mente da espiã.

Ada se sentiu como um passarinho encurralado entre seus braços. Ela sentiu medo, insegurança e, ao mesmo tempo, tão furiosa. Tão furiosa por ele ter quebrado sua regra. Tão furiosa porque suas palavras haviam penetrado tão, profundamente, suas barreiras e mexido com seus sentimentos, deixando-a desconcertada.

"Ei, fique comigo! Não fuja!" Leon tentou prendê-la em seus braços decidido a não perdê-la assim.

O homem estava cansado desse jogo. Cansado de sempre tê-la pela metade quando ele estava ali se entregando por completo.

“Ada, olha pra mim! Não dá mais para continuar desse jeito... Eu quero mais do que simples finais de semanas, ou dias aleatórios. Eu quero você aqui do meu lado com mais do que apenas minha amante.” Ele disse com um olhar determinado em seu belo rosto.

“Não era esse o nosso plano. Você aceitou as minhas regras. E você com sua estupidez está quebrando elas!” Ela disse conseguindo se desvencilhar de seus braços e se vestindo, apressadamente, sem conseguir encarar os olhos azuis aflitos.

“Eu estou cansado de continuar me escondendo...” Ela não deixou que Leon continuasse. Ela se sentia furiosa, confusa, com ódio de si mesma e com tanta raiva do seu amante por ter quebrado com suas regras.

“Você quer uma vida normal? Quer parar de se esconder? Simples... você pode arranjar qualquer outra mulher. Alguém como aquela irmã do Redfield... com quem você poderia ter uma vida medíocre e chata.” Para Leon ouvir o tom tão arrogante e duro dela havia o deixado magoado.

"Droga, você estragou tudo. Você quebrou a regra." Ela disse rindo friamente. "Tão ingênuo e estúpido!" E com essas palavras, Ada Wong fugiu, desesperadamente. E sem perceber quem havia estragado tudo, quem fora ingênua e estúpida da historia havia sido ela.

Consequentemente, na pressa de fugir de Leon, Ada havia esquecido o seu celular.

"Olá, minha pequena borboleta. Sentiu minha falta?" E de repente Leon resolveu atender e acabou ouvindo a voz asquerosa de Wesker. “Graças a você eu estarei matando dois coelhinhos insolentes com uma cajadada só.” E aquilo ficou na sua mente, o fazendo lembrar que Ada Wong tinha o poder de manipulá-lo ao ponto de torná-lo cego.

Ele passou horas bebendo uísque, se lamentando pelo que perdeu e brigando consigo mesmo por ter se deixado levar por aquela maldita mulher. Para Leon no final Ada acabara de se tornar seu maior arrependimento. E tudo só piorou horas mais tarde quando acordou de ressaca com o barulho do seu telefone.

Era uma ligação urgente de Claire muito aflita dando a notícia de que seu irmão e Jill caíram numa armadilha arquiteta por Albert Wesker. Chris ficou muito ferido e só não morreu porque Valentine se sacrificou para salvá-lo.

Depois de ouvir o desabafo desesperado de Claire, Leon sentiu tanta raiva e culpa.

"Graças a você eu estarei matando dois coelhinhos insolentes com uma cajadada só.” E as palavras de Wesker voltaram a lhe atormentar.


***/ /***


Exatamente quatro meses depois, Jill Valentine havia sido dada oficialmente como morta, um enterro simbólico fora feito em sua homenagem já que o corpo nunca fora encontrado. Claire, Sherry, Barry e Rebecca Chambers (também um dos sobreviventes da Mansão Spencer) compareceram para prestar condolências a Chris e a BSAA que havia perdido um de seus membros fundadores. Todos ali estavam em completa tristeza, mas ninguém se comparava a dor e desolação de Redfield.

Para Leon estar ali no meio de todos sabendo a verdade por trás da suposta morte de Jill era terrível. Ele se sentia culpado de alguma forma mesmo que, indiretamente, por todo o ocorrido. Na sua mente Kennedy realmente acreditava que Ada e Wesker eram amantes e parceiros de crime. E agora o homem começou a achar que a espiã só manteve sua relação secreta com o agente americano por interesse próprio, como uma fachada a fim de obter informações confidencias do governo dos EUA, ou da própria BSAA.

Leon continuou apenas distante preso em seus pensamentos, desejando que ele pudesse confrontar a Ada Wong sem imaginar que ela estava por ali, nas sombras observando tudo de longe, com um sentimento de culpa e medo, ao passo que também ansiava por reencontrar seu agente.

Depois desses últimos meses de rompimento, Ada se viu ainda ansiando por vê-lo. Ela nunca imaginou que se viria tão insegura, sentido saudades daqueles olhos azuis sinceros e lindos que ela aprendeu a amar. Um amor que sabia que era arriscado. Um amor que poderia salvá-la dela mesma, ou destruí-la de vez. Um amor que fez a burrice de rejeitar e agora seria um de seus maiores arrependimentos.

“Amor!” Uma palavra que Ada Wong achou que não caberia em seu vocabulário, uma palavra que ela achou que nunca mais existiria dentro de si, pois há muito tempo havia enterrado esse sentimento quando se tornara espiã.

Aliás, Ada Wong foi forjada na frieza e manipulação de sentimentos e era isso que a fazia tão implacável em suas missões. Entretanto, conhecer Leon acabou mudando tudo. Agora ela estava aqui com medo de perdê-lo definitivamente.

“Será que por Leon valeria a pena se deixar dominar pelo amor?!” A espiã se questionava o tempo todo.

Ela continuou observando seu agente de longe, vendo sua postura abatida. Seu coração se agitou ao vê-lo conversar com Trent. Ela nem sabia o porquê vê-los juntos mexeu consigo.

Logo, a irmã mais jovem do soldado da BSAA se juntou a Leon e a jovem mulher nas sombras se sentiu incomodada pela forma tão intima e livre que ambos se encontravam nos braços um do outro. E pela primeira vez, ela se viu com ciúmes. Ciúmes de tudo, desde a forma como ele confiava na ruiva, desde a forma como eles poderiam estar juntos na frente de todos sem temer nada, ou até mesmo como a relação entre a jovem e o agente parecia de pura confiança e cumplicidade.

Ela continuou nas sombras ouvindo a conversa dos dois e pensando na loucura que estava prestes a fazer, quando sua audição aguçada pegou no ar outra conversa distante, dessa vez, entre Chris e Trent.

“Você precisa continuar lutando. Tem que focar em algo como a justiça. Faça tudo em nome de Jill.”

“Justiça?! A única justiça que eu teria era ter Wesker em minhas mãos, mas até isso Deus me tirou.” Chris ri amargamente, ele não queria ouvir nem se abrir para ninguém, mas Trent parecia ter a habilidade de conseguir fazer o que nem Claire conseguiria — tirar o soldado de seu próprio casulo.

“Você tem que achar um motivo para continuar. Seja por tua irmã, ou pela BSAA, ou por justiça.”

“Quando fecho os meus olhos eu ainda posso vê-la caindo naquele precipício... E eu me odeio por isso. Porque falhei com ela.” Trent se aproxima do homem abatido decidido a revelar algo que iria mudar tudo.

“Olha, essas são minhas filhas e minha mulher.” Trent retira de seu bolso uma foto antiga ainda em preto e branco onde está uma jovem mulher bonito de origem chinesa ao lado de duas meninas gêmeas sorridentes e muito parecidas com a mãe.

"Você tem uma família perfeita." Chris diz tentando não transparecer indiferença.

"Não. Eu tinha... tinha uma família perfeita, mas um dia destruíram a minha família." Chris engoliu em seco ao ver a expressão ponderada de Trent mudar. “Eu perdi minha mulher de uma forma violenta e cruel e quase pensei em desistir de tudo. Então, me lembrei que eu ainda tinha duas filhas que precisavam de mim. Li e Mei, minhas gêmeas sobreviveram e é por elas que vou continuar lutando até o fim. Até fazer justiça.” Trent continuou em tom paternal, sem saber que sua espiã estava à espreita ouvindo tudo.

E foi naquele momento que tudo desmoronou.

“Li e Mei, minhas gêmeas sobreviveram e é por elas que vou continuar lutando até o fim. Até fazer justiça.” Aquelas palavras ficaram retumbando em sua mente. Ela desejava que fosse pura coincidência do destino, mas Ada nunca acreditou no destino, nem em sua sorte.

Li e Mei duas pequenas palavras que podiam dizer muito sobre si e agora também se resumia aos segredos de Trent, o homem que ela aprendeu a admirar e a confiar.

Ada havia acabo de descobrir que o homem que a salvou de Wesker e que tornou-se o seu chefe, era o seu próprio pai.

Tall Oaks, 29 Julho de 2013

Laboratório Subterrâneo da Família


O Agente e a Espiã continuaram a penetrar sobre as instalações secretas da Família que ficava sob a Catedral de Tall Oaks. Uma instalação subterrânea que serve principalmente como ponto de encontro para negociações secretas da Organização, e há muitas passagens secretas e armadilhas para obstruir a entrada de qualquer intruso.

Leon e Ada acabaram por ser vitimas de uma dessas armadilhas. Eles acabaram trancados numa sala onde várias estátuas imergiam das paredes e delas se originavam lasers que se uniram formando uma parede que se movia na direção dos dois. Eles precisavam de uma rota de fuga, mas o problema era que as duas portas que a sala possuía estavam inacessíveis e não havia dutos de ventilação no lugar.

“Merda! O que vamos fazer?” Leon disse já transtornado, olhando fixamente para os olhos carmesim de Ada que tentava ainda se manter inabalável, mesmo que por dentro ela se sentia esgotada e temerosa.

“Daryl, onde está você!” Ada disse entredentes pelo comunicador e de repente um blackout aconteceu. Tudo ficou escuro e silencioso e um ruído pôde ser ouvido, as portas foram destrancadas.

“Você está bem?” Leon disse com um olhar terno que agitou por dentro a jovem mulher diante dele. Ele ainda mantinha suas mãos entrelaçadas com a de Ada. O momento foi interrompido pela voz de Daryl.

“Cheguei na hora certa.” Daryl disse esperando-os do outro lado da sala com um sorriso presunçoso. Leon se sentiu um tanto desconfortável toda vez que via Ada interagindo com o outro espião. Havia algo lhe corroendo por dentro, talvez... ciúmes dela.

“E Ally e as crianças estão seguras?” Leon questionou tentando focar em seus objetivos.

“Ah, sim. A Shadows vai cuidar bem deles.” Daryl mordeu a língua ao perceber que tinha falado demais.

“A Shadows?” Leon inquisidor franziu a testa desconfiado.

“Eles estão seguros longe desse inferno, é tudo o que importa.” Ada disse direta trocando olhares com o outro espião. Era nítido que ambos mantinham segredos. Segredos que nunca poderiam ser divididos com Leon, entretanto, havia algo mais que o perturbava.

Era inegável Daryl e Ada tinham uma química forte, ambos pareciam formar uma dupla imbatível e pareciam ter como base a confiança, que mesmo Leon nunca conseguiu ter com a mulher de vermelho. Ele tentou deixar de lado isso, pois o seu objetivo era sobreviver a esse inferno e descobrir os reais culpados de todo esse caos. E, então, os dois ex-amantes iriam, mais uma vez, seguir caminhos opostos.


****/ /****


Eles já haviam passado por um local que lembrava prisões, onde existiam alguns intrusos vagando por ali sem rumo, com seus uniformes sujos de sangue e outras imundices. A espiã conseguiu identificar como meras crianças e jovens que haviam acabado de se tornar zumbis.

“Eles são apenas crianças.” Leon disse extremamente conturbado.

“Eles não são meras crianças! Eles foram criados para serem assassinos cruéis e manipuladores.” Ada disse fria e em questão de segundos, ela foi abrindo caminho, matando um por um com suas flechas mortais sem dar chance das pequenas criaturas famintas os contra-atacar.

Porém foi quando chegaram ao Nível Quatro é que sua mente se encheu de flashes tortuosos.

O Nível Quatro possuía a sala de tortura e cada canto daquele lugar estava coberto de crueldade e lembranças terríveis de um passado que ela pensou que estava enterrado. Sobre o teto estavam cinco corpos enforcados sendo exibidos, diabolicamente, num exemplo brutal de como a Família punia àqueles que os traiam.

De repente um barulho pode ser ouvido, algo de ferro ou aço estava sendo arrastado pelo chão, causando um som estridente e arrepiante ecoando pelos corredores frios.

“O que é isso? Ada você pode vê-lo?” Daryl disse em alerta. Os três se preparam empunhando suas armas.

“Fiquem em silêncio.” Ada sussurra caminhando mais a frente com cautela pelo corredor cheio de rastros de sangue, o barulho foi ficando mais forte. “Ele sabe que estamos aqui.” Mas, antes que pudessem confrontar a criatura, tiros de metralhadoras retumbaram chamando a atenção do novo inimigo.



Helena Harper


Helena fazia parte da comissão de segurança especial do Presidente norte-americano, sua missão era mexer na posição dos seguranças designados para proteção de Adam Benford, enviando um alerta falso de rádio aos serviços secretos e avisando sobre o atentado na Universidade Ivy. Tudo foi muito bem planejado e manipulado para que a verdade sobre o incidente de Raccoon City nunca fosse revelado e, assim, protegendo os projetos da Organização de Derek Simmons ao manter os Estados Unidos como maior poder mundial.

O plano deu certo, o atentando a Tall Oaks foi bem sucedido, ocasionando na morte do Presidente, porém Helena ainda tinha mais uma ultima missão se quisesse ser livre desse inferno. Ela agora tinha como principal alvo o agente norte-americano, que além de ser um sobrevivente hábil de Raccoon City, também era amigo leal e antigo de Adam Benford, o que poderia ser um grande problema para Simmons.

Entretanto, entre sobreviver ao caos em Tall Oaks e ainda caçar o agente Kennedy, as coisas saíram de seu controle e agora Helena se viu há um passo da morte. E foi numa questão de segundos e a lâmina afiada do enorme machado que a criatura empunhava acertou a parede, exatamente, onde segundos antes Harper estava. Ironicamente, ela foi salva justamente por aquele agente da DSO.

O Carrasco era o guardião do local usando um pano preto encharcada de sangue sobre sua cabeça que esconde seu rosto, vagava pelos corredores da prisão com seu machado muito grande e de aço ligado com correntes. Apesar de seu tamanho grande e parecer ser muito forte, o bicho era lento o que facilitava o combate contra ele. O problema era que outras criaturas foram despertadas o que fez com que Ada e os outros fugissem sem terminar a luta, pois se continuassem ali iriam acabar perdendo mais tempo.

Eles conseguiram chegar ao elevador que dava acesso direto ao laboratório.

“Por que nos arriscamos por ela?” Ada disse enfurecida com Leon.

Helena se sentiu encurralada e não tinha para onde fugir agora e nem como enfrentar três inimigos por mais habilidosa que fosse. Além do mais a espiã de Derek se sentia estranha, ela sabia que algo estava acontecendo com seu corpo e, pela primeira vez, temeu sua morte.

“Salvei sua vida. Agora eu quero respostas.” Leon disse olhando para Helena.

“Obrigada Leon, mas talvez preferisse a morte.” Helena disse sarcástica se encostando a parede do elevador ainda se sentindo tonta.

“Você sabe o que aconteceu aqui? Você sabe quem é o culpado?” Daryl e Ada apenas continuaram em silencio observando Leon que parecia tomar uma postura mais fria.

“Isso importa?” Helena mudou seu foco para a outra mulher ali. “Você quer respostas, Kennedy? Por que não começa pela senhorita Ada Wong?” Ada ficou tensa com a forma petulante de Harper. Ela sentiu que a mulher sabia muito sobre si o que a fez mais apreensiva.

“Opa, talvez devêssemos pressionar um pouco mais. Um pouco de dor pode ajudar ela a abrir a boca.” Daryl disse provocativo, incitando Ada a machucar a mulher.

“Você quer jogar esse jogo.” Ada disse retirando suas luvas e depois tocando, asperamente, o rosto de Helena que grita ao sentir, rapidamente, suas forças sendo sugadas e sua pele arder como se tivesse queimando em brasa.

“O que você está fazendo?” Leon disse assustado. Embora soubesse que a agente Harper não era confiável, ainda assim, ele sentia que o modo feroz de Ada poderia piorar as coisas.

“Deixe-a. Ela sabe o que faz.” Daryl disse se colocando entre Leon e Ada. A tensão dominou o elevador que tremeu, mas continuou descendo.

Helena entrou em pânico sentindo muita dor e fraqueza. Seus olhos estavam ficando desfocados. Ela não conseguia respirar.

"Para." Ela dizia ofegante. Leon decidiu interferir.

"Helena diga um nome. Quem é o responsável pelo atentado? Vamos, acabe com isso!" Ele já dizia suplicante.

"A Família." Harper diz com sua voz trêmula. Ada se afastou deixando a mulher respirar. E, naquele instante, Helena quase sufocou com seu próprio vômito.

"Ei, Wong... você não é diferente do Simmons. É tão sádica e louca quanto ele." Helena diz, corajosamente, enfrentando uma Ada completamente inexpressiva.

"A Familia?! Espera... mas e a Neo-Umbrella?" Leon diz tentando ajudar a mulher, ao passo que lutava com seu próprio dilema pessoal sobre as ações questionáveis de Ada.

O elevador dominado por conflitos fortes, logo parou chegando ao seu destino.

"Ela sabe. Ela sabe tudo." Helena continuou repetindo olhando fixamente para Ada. "Derek Simmons quer ser o dono do mundo. Ada Wong quer destruí-lo. Nós somos apenas os peões desse jogo. O presidente foi o primeiro a cair." Ela finaliza com o olhar apático.

Subitamente, Ada sentiu uma fúria lhe dominar. Ela queria matar a mulher, no entanto, Leon se tornou um empecilho frustrante.

"Então, esse é o jogo. Ada você sabia disso? Você..." Leon se sentia enojado de tudo. Daryl tentou interferir.

"Você não sabe nada, Leon. Só está cego para achar um culpado e se livrar do problema." Nessa hora Leon perdeu o controle e foi para cima de Daryl pegando todos desprevenidos.

Leon tentou extravasar a sua ira sobre o agente da Shadows, só parando quando Ada o puxou para longe do outro homem e isso só piorou a situação, porque seu agente de olhos azuis lhe deu um olhar cheio de escárnio. Daryl também se encontrava enfurecido querendo uma revange, mas Ada o parou.

"A pior parte era que eu estava prestes a confiar em você. Mais uma vez, como tantas outras. E mais uma vez, tudo o que você faz é me manipular." Leon saiu desnorteado pelos corredores sendo seguido por uma Ada tão furiosa quanto ele.

"Então, mais uma vez você prefere o caminho mais fácil. Jogar toda a responsabilidade do seu fracasso sobre mim."

"O quê?" Leon parou seu trajeto para confrontar o olhar carmesim feroz e impetuoso de Ada.

"Você nunca confiou em mim. Você faz tudo parecer como se eu tivesse te traído de novo, quando na verdade eu nunca lhe prometi lealdade, ou fidelidade. Embora você se ache traído, nunca houve real traição, porque nunca fomos amigos, ou um casal de verdade. Ainda assim, estou aqui te mantendo vivo... Para você voltar pra sua família e... sua futura esposa." Leon ficou remoendo as palavras dela sem perder contato visual. Havia tantos sentimentos conflituosos pairando sobre ele. Havia tantas incertezas e exaustão de tudo.

Valeria a pena continuar lutando pela verdade, quando tudo ao seu redor esta contaminado por mentiras dentro de um jogo por poder e controle?

"Então, Leon vai me perguntar se eu também sou amante de Derek como fui de Wesker? Vai me perguntar se eu matei o Presidente?" Ada disse se aproximando perigosamente dele. "Se eu sou tão digna de desconfiança, se você acredita que sou uma ameaça, ou um monstro como aquela agente da DSO disse, porque não me mata? Porque não coloca um fim nisso tudo? Aposto que os Estados Unidos estariam gratos a você. Ou você ainda pode me entregar para o governo americano e ganhar sua condecoração e limpar seu nome." Leon se afastou, covardemente, lhe dando as costas, fazendo a espiã grunhir de frustração.

"Adam era mais do que o Presidente dos Estados Unidos, ele era meu amigo, um homem honrado que iria expor a verdade sobre tudo, desde o incidente sobre Raccoon City." Leon disse perdido nas ultimas palavras de Benford.

"Quem mais sabia disso?" Ada disse estreitando os olhos e mantendo uma postura firme.

"Derek Clifford Simmons... chefe de segurança dos Estados Unidos." Leon disse sentido como se carregasse todo o peso do mundo.

"E no fim não somos diferentes Leon." Ele se voltou para a linda mulher olhando fundo em seus olhos carmesins. "No fim trabalhamos para monstros que sempre quiseram controlar o mundo. Porém, eu sempre soube a quem eu servia... Enquanto você esteve vivendo uma ilusão."

Leon pensando em cada palavra impiedosa da espiã percebeu que não havia honra em servir os Estados Unidos. Quando a verdade viesse à tona, o mundo iria se voltar contra eles. Os Americanos seriam vistos como os vilões.

"Então, Leon Scott Kennedy será tão digno de confiança quanto Ada Wong." Ada disse destilando ironia.

"Ada, Leon." Daryl interrompeu o confronto entre os dois chamando atenção de ambos para si. Ele trouxe consigo Helena. "Existe uma cura para o C-Vírus."

"O quê?" Ada e Leon questionaram em uníssono.

"Segundo nossa amiga aqui... A cura está na China."

"Como podemos confiar nela?" Disse o agente americano. Daryl hesitante decidiu jogar limpo com Leon, mesmo que Ada o odiasse.

"Porque se chegarmos a cura... Nós conseguiremos chegar até... a Mei."

E de repente, Ada percebeu que estava na hora de parar de fugir do seu passado e enfrentá-lo.

Continua...

Notas finais
Ada descobriu que o chefe dela era o seu próprio pai. O que vcs estão achando desse casos de família? Estão ansiosos para ver o reencontro entre as irmãs? Será que Leon e Ada vão conseguir se entender?