Segredos de Sangue

16 Sombras do Passado - Parte 2



Leon acabou entrando em uma sala que estava cheio de experimentos e encontrou no meio de alguns arquivos uma fita VHS que lhe deixou muito intrigado.

"FELIZ ANIVERSÁRIO, ADA WONG!" Leon paralisou ao ler aquelas palavras sobre a fita VHS e se perguntando o que continha nela. Ele ficou tenso enquanto a gravação se desenrolava na grande TV diante dele:

"C-VIRUS

EXPERIMENTO 12235

PROJETO ADA..."


O vídeo começa com uma cena perturbadora. Há uma crisálida que lentamente vai eclodindo e, de dentro do casulo surge um corpo humano feminino nu que cai no chão. A jovem mulher parece tão desorientada e, de repente ergue seus olhos, diretamente, para tela da TV como se tivesse olhando, profundamente, para os olhos azuis perplexos de Leon.

O agente ficou chocado ao reconhecer a face dela. E ali naquela cena ela parecia tão fragilizada, com aqueles olhos que pareciam tão cheios de confusão e algo que ele só podia descrever como pânico.

"Agente Kennedy, parece que você encontrou algo muito interessante." Dizia Helena parando ao lado dele. "Uau, ela se parece muito com a Ada Wong." O agente americano não perdeu nenhuma das insinuações maliciosas de Harper. "Não é a toa que você parece tão confuso." Ela disse em tom sarcástico. "Foi por causa da semelhança tão grande entre as duas mulheres que despertou o interesse de Simmons. Bem, ele já tinha tentado outras cobaias, mas nenhuma deu certo. Todas falharam. Menos... ELA. Ela foi a cobaia perfeita para... O PROJETO ADA WONG!"

"Projeto Ada Wong?!" Leon perguntou ainda atônito se lembrando da gravação. Mas, antes que Helena pudesse lhe dar mais revelações, eles foram interrompidos.

"Mas, o que é isso?!" Logo Daryl decidiu também se fazer presente, parecendo tão atordoado quanto Leon. "Ada você tem que ver isso." Relutantemente, a espiã decidiu se juntar a eles e acabou de cara com a mesma gravação.

A jovem do outro lado da tela da TV era tão semelhante a ela. Ada podia reconhecer os detalhes tão íntimos e familiares entre as duas como os seus traços faciais, embora o olhar da outra jovem fosse cheio de fragilidade e um pouco de inocência, algo que definitivamente era o oposto da espiã sedutora e fatal.

De repente a espiã sentiu um aperto no coração, uma dor, uma melancolia tão grande. Por algum momento, Ada se perdeu em lembranças do passado, da infância no interior da China ao lado de sua família, ao lado da sua pequena irmã gêmea. Sua mente se viu cheia de avassaladores flashbacks de uma vida interrompida de forma tão brutal.

No entanto, ela sacudiu a cabeça, trancando as suas lembranças na parte mais profunda de sua mente. E, logo, a sua melancolia deu lugar a um ódio mortal ao reconhecer o homem por trás daqueles experimentos bizarros.

Já no finalzinho da gravação, Ada reconheceu a mão de Simmons usando o anel que era o símbolo da FAMILIA. E a espiã não conseguia parar de pensar nas coisas terríveis que aquele homem havia feito com a sua outra gêmea. Mas havia uma parte muito pior. Aquela gravação não foi deixada por acaso ali, era algo pessoal, algo que só alguém muito ressentido e cheio de vingança deixou guardado ali, esperando, exclusivamente, por ela. E constatar isso, a fez estremecer.

Se Derek C. Simmons foi responsável pela criação do Projeto Ada Wong (cuja a sua própria irmã foi feita de cobaia), então, a gravação que foi deixada ali para a verdadeira Ada Wong encontrar, não parecia ser uma jogada feita pelo chefe de segurança dos Estados Unidos. A gravação era apenas mais um aviso de que algo ainda mais terrível estava por vir.

"Aquele desgraçado! O que ele fez com Ela?" Leon franziu a testa ainda muito confuso com as palavras de Daryl, antes de se voltar para a tela da TV e se dar conta que na mesma gravação havia mais alguém nas sombras observando o tempo todo a sua nova cobaia.

Logo, Leon se lembrou que Ada havia sido usada como cobaia de Wesker. E pensar sobre tudo isso fez ele fechar suas mãos em punhos, sentindo uma crescente raiva nascer dentro de si. Seus pensamentos foram interrompidos, por um bip vindos do PDA da espiã.


Além dos Limites de Tall Oaks


Assim como em Raccoon City, o Chefe de Segurança dos Estados Unidos, deu uma nova ordem enviando três naves militares com mísseis para Tall Oaks, com o falso pretexto de parar a contaminação pelo C-Vírus. Na verdade seu principal objetivo, era apagar qualquer prova contra ele e sua Organização. E, principalmente, acabar com qualquer chance de Leon, ou qualquer outra testemunha de sobreviver e trazer a verdade à tona.

Logo, a notícia se espalhou pelo país e Leon Scott Kennedy; o principal agente da DSO e que também foi acusado de ter assassinado o Presidente Adam Benford; agora havia sido dado como morto, junto com milhares de habitantes inocentes da cidade.

Agora as consequências de seus atos, começarão a causar um grande reboliço por todo o território norte-americano até afetar o resto do mundo...

"Meu Deus! O que Simmons fez!" Leon murmurou após recuperar o fôlego, assistindo impotente toda aquela destruição.

"Ele está esterilizando a área." Respondeu Daryl com dificuldade.

"E apagando as evidências." Reafirmou Leon trocando um olhar frustrado com o outro homem.

"Esse era o plano de Derek o tempo todo. Qualquer um que ousa cruzar o seu caminho, ele sempre dá um jeito de destruir. E você era uma ameaça pra ele." Daryl falava também ofegante se sentindo tão cansado. Os dois homens pararam de falar e olharam para Ada. Ela estava mais a frente com os olhos fechados e parecendo muito concentrada em algo específico.

Depois de quase serem soterrados vivos, enfrentar uma versão mutante de Helena, ainda passar por várias armadilhas mortais e quase morrerem afogados nas águas gélidas e traiçoeiras de um rio inóspito, sendo esse mesmo rio o responsável por salvar as suas vidas, pois com a força da correnteza os três únicos sobreviventes, foram arrastados para fora dos limites de Tall Oaks, antes que toda a cidade fosse praticamente apagado do mapa.

Os três estavam tão exaustos, machucados e com suas roupas sujas e molhadas, o que parecia tornar a situação ainda pior. Agora viria o dilema: o que fazer agora que eles perderam o helicóptero que era o passaporte de saída dali, onde também estava a maior parte do armamento e das munições. Eles também não podiam se comunicar com ninguém e estavam praticamente perdidos no meio de uma floresta, além dos limites da cidade que agora estava em ruínas.

"O que vamos fazer?" Ada ouvindo a voz frustrada de Leon, decidiu tomar as rédeas da situação, descobrindo uma possível rota de fuga.

"Eu me lembro desse lugar." Dizia a espiã ao se lembrar do dia em que fugiu da Organização, usando uma trilha no meio da floresta que a levou direto até uma estrada ferroviária. "Eu posso ouvir um trem vindo. Isso quer dizer que estamos perto da ferrovia.

“Pegamos o trem e saltamos na cidade mais próxima." Daryl lembrou que o resto de seus equipamentos estavam na cidade vizinha a alguns quilômetros dali. Era o melhor plano que eles tinham no momento.

"Me sigam e corram o mais rápido que puderem. E não parem por nada!" Ada deu a ordem tentando mascarar qualquer preocupação com os dois homens que, infelizmente, seriam mais lentos do que ela.

Assim como a espiã havia dito, eles correram freneticamente pelo meio da floresta até avistarem o trem que passava imparável. Não havia tempo para descanso. Eles correram além dos seus próprios limites, apenas sendo movidos pela total adrenalina do momento.

Ada habilmente foi a primeira a embarcar num dos vagões do trem, seguido por um Leon quase a ponto de enfartar. Agora só faltava Daryl que estava sentindo suas pernas prestes a perderem a força e uma dificuldade em respirar, seu peito doía devido ao esforço excessivo.

Por um instante, Daryl pensou em Mei e no desejo tão intenso que possuía dentro de si, o desejo de poder reencontra-la e salvá-la. Talvez, foi esse pensamento que o impulsionou a continuar sem desistir até que suas mãos conseguissem tocar as de Ada que com a ajuda de Leon, juntos conseguiram puxá-lo para dentro do vagão do trem.

Agora eles teriam algum tempo para retomar o fôlego, antes de planejar o próximo passo...


***/ /***


Quando chegaram na próxima cidade, eles precisaram arrumar uma identidade falsa enquanto se instalavam em um hotel simples, no mesmo lugar onde Daryl já tinha um quarto alugado e onde havia guardado o resto de seus equipamentos de combate.

Daryl seguiu para o seu quarto decidido a tomar um banho, comer alguma coisa rápida e tentar entrar em contato com Trent na China, em busca de qualquer informação importante. Já Ada e Leon tiveram que seguir com o plano de usar novas identidades, fingindo ser um casal de estrangeiros que foram assaltados e resgatados graças a Daryl. E para manter as aparências, agora teriam que compartilhar o mesmo quarto de hotel.

O plano era clichê, mas muito eficaz.

Ao chegar ao respectivo quarto, Ada trocou um rápido olhar com Leon antes de decidir se trancar no banheiro.

Deixado sozinho, Leon aproveitou para arrumar uma nova muda de roupa, enquanto esperava a espiã tomar o seu banho. Ele também estava tão exausto, com dores por todo o corpo. Por sorte o dono do lugar, além de trazer roupas secas e limpas para o "suposto casal" também deixou uma cartela de analgésicos (que veio junto com um kit de primeiro socorros), também foi deixado ali uma bandeja de comida e água fresca. O agente norte-americano engoliu um dos comprimidos, depois se livrou das suas botas, do colete, da camisa molhada e do coldre. Por um instante, ele se distraiu ao ver que o quarto tinha um telefone e decidiu se arriscar ligando para Hunnigan e saber o que estava acontecendo agora. A ligação tinha que ser o mais breve possível.

Logo, as informações que recebeu, obviamente, não eram nada boas... Ele decide, então, se arriscar mais e fazer outra ligação. Dessa vez, tentaria ligar para a casa, onde estaria Angela, provavelmente, desesperada com as novas notícias absurdas.

"Olá... Quem está falando?" Leon escuta a voz dela trêmula do outro lado da linha. "Por favor, diz alguma coisa? Leon, é você?" Mas, ao ouvi-la suplicar baixinho, de repente ele não tem coragem de responder. Isso só complicaria as coisas e, assim, desiste interrompendo a ligação.

Enquanto isso no banheiro, a mulher chinesa se olha no espelho parecendo tão vulnerável. Ela começa a sentir o início de uma dor de cabeça que pode se tornar um grande problema e deixá-la ainda mais fraca. E ela não podia se tornar mais vulnerável. Não agora.

Suas mãos trêmulas começam a abrir os botões de sua blusa, porém param no último botão, quando a dor de cabeça se torna mais aguda e ela não consegue ter o controle do seu próprio corpo. A espiã sabia que se desmaiasse agora, havia uma chance de demorar para acordar. Isso pode levar horas, dias, meses, ou na pior das hipóteses, Ada poderia nunca mais acordar.

Ela se odeia nesse momento, porque Ada Wong antes de tudo, é uma espiã fria e calculista, que nunca deixou ser limitada a meras fraquezas humanas. As dores físicas nunca foram capazes de para-la, suas emoções, sempre ficaram enterrados e dificilmente a fariam derramar lágrimas, ou serem capazes de influenciar as suas decisões. E o medo era um aliado que lhe fazia sempre mais forte, em alerta e nunca frágil.

Entretanto, agora tudo parece ter mudado. Ela já não tem mais o domínio sobre si. O mais estúpido de tudo, é que a espiã sempre achou que morreria em alguma missão, mas nunca imaginou que uma doença maldita, poderia ser a causa futura da sua morte.

"Nãooooo... Ahhhhhhh!" Quando a dor se torna mais intensa, como se seu cérebro fosse estourar, ela grita e tenta se segurar na pia, já sentindo prestes a perder os sentidos.

"Ada!" Leon bate na porta desesperado ao ouvir os seus gritos agoniados. "Você está bem?! Abra a porta!" A única resposta que ele recebe é outro grito, que o faz decidir arrombar a porta e entrar.

Ele a encontra tremendo caída no chão do banheiro em frente a pia.

"Ada, o que tá acontecendo? Me diz o que eu tenho que fazer?" Então, ele percebe que ela está chorando, parecendo tão vulnerável. E aquela cena faz seu coração se partir.

Ele nunca a viu tão frágil.

Quando Leon a tocou, sentiu-se como se o corpo dela estivesse em chamas. Ada tentava murmurar algo, mas tudo parecia inaudível. Ela parecia prestes a cair na inconsciência e isso não era nada bom. Ele pensou em chamar Daryl, contudo achou que seria inútil. Então, se lembrou dos analgésicos.

Leon rapidamente volta do quarto trazendo um comprimido com um pouco de água, esperando que o analgésico possa aliviar a sua dor. Ele a senta no chão e a ajuda a tomar o remédio e beber a água. Ela ainda parece apática, seus olhos parecem meio vazios. O agente também percebe que a mulher ainda estava vestida com as roupas sujas e molhadas.

Sem hesitar ele liga o chuveiro e decide que a água morna poderia ajudá-la a se recuperar aliviando as dores e o cansaço.

E pensar sobre o seu corpo e ter que despi-la, por um instante, o faz nervoso. Porém, Kennedy decide afastar o pensamento, porque existia coisas mais importantes acontecendo.

"Ada, por favor, fala comigo!" Leon toca o rosto dela, sacode os seus ombros e aperta as suas mãos na tentativa de provocar alguma reação, mas ela ainda demora a reagir. O homem decidi ergue-la do chão e colocá-la sentada ao lado da pia, enquanto termina de abrir o último botão de sua blusa revelando seu tope vermelho, depois retira sua bota e meias e com dificuldade a calça que ainda estava muito molhada e grudenta.

Não passa despercebido que por baixo do uniforme da DSO que ela usava para seu disfarce, se escondia o conjunto de tope e calcinha vermelha. E Leon percebeu que sentiu falta da cor vermelha nela. A cor que combinava com a sua espiã sedutora e fatal. Novamente, empurra o pensamento para longe da sua mente e se concentra em pegá-la em seus braços e leva-la, cuidadosamente, para debaixo da água do chuveiro.

Há shampoo e sabonete que ele tenta usar como pode a fim de ajudá-la. Não é uma tarefa fácil, mas o agente americano faz o que pode, agindo da forma mais gentil possível. Leon passa as mãos, carinhosamente, em seus cabelos negros, até que seus braços descem para serpentear a sua cintura. A ação é quase reconfortante e, ao mesmo tempo, é assustador, sobretudo, porque tê-la tão próximo dele estava começando a mexer com o seu coração e fazer ressurgir velhos sentimentos, que achou que estavam enterrados nas profundezas da sua alma.

No passado, quando Ada decidiu ir embora da sua vida, Leon também decidiu tirá-la de vez do coração. E quando ele conheceu Angela, chegou a acreditar que poderia até que enfim, ser curado do AMOR que um dia sentiu pela sedutora e perigosa dama de vermelho.

No entanto, agora aqui com ela tão perto de novo, sentindo seu corpo delgado e bonito tão colado ao dele, quase como se eles fossem um só. Com a sua espiã aqui em seus braços parecendo tão frágil, de repente, ele sentiu que precisava protegê-la e cuidar dela. E era um desejo tão avassalador que o deixava em pânico.

"Ada, fica comigo." Ele diz trêmulo. "Eu preciso que você, fique comigo!" O homem súplica desesperado e, dessa vez, ela reage afastando a sua cabeça do peito dele e piscando várias vezes, ainda parecendo um pouco aturdida.

Ele consegue perceber que os olhos dela estão lacrimejados e suas lágrimas se misturam a água morna do chuveiro. E eles se olham tão intensamente. Surpreendentemente, Leon se sente hipnotizado ao vislumbrar aqueles pequenos olhos vermelhos carmesins se transformarem, novamente, em seus lindos castanhos normais. Nessa troca de olhares há tanta fragilidade, mágoa e muito medo, mas também há ainda muita paixão que ambos não podem negar.

"Ada, fica comigo." As palavras se repetiram em sua mente a fazendo lembrar de outro momento, onde essas mesmas palavras foram ditas e ela o rejeitou. Só que dessa vez, Ada decidiu fazer diferente. Ela estava cansada de continuar rejeitando Leon e os seus próprios sentimentos.

Ela estava cansada de rejeitar o próprio amor que sentia por aquele homem de lindos olhos azuis.

Sem hesitar a espiã decide ser ousada e dar o primeiro passo, fechando o espaço entre eles e chocando os seus lábios sobre os dele. Demora um segundo para Leon reagir, mas quando reage, seu beijo se torna mais desesperado e faminto. De repente o agente a pega de volta em seus braços, fazendo-a entrelaçar suas pernas em torno de seu quadril enquanto tropeça para a frente até as costas de Ada estar contra a parede e depois volta a beijá-la, possessivamente. Isso ainda não é suficiente para aplacar a saudade que seus corpos sentiam um do outro.

Entretanto, uma vozinha irritante começa a murmurar na cabeça de Leon que aquilo era errado e o rosto de Angela começa a surgir em seus pensamentos o lembrando que sua noiva grávida estava lhe esperando em casa, então, não era justo se deixar levar por um desejo repentino por aquela espiã que, logo, iria sumir da sua vida de novo. Ela já havia o abandonado outras vezes.

"Não, eu não posso fazer isso." Todavia, houve um breve silêncio, onde só se podia ouvir o barulho da água do chuveiro e das suas respirações ofegantes e, talvez, até do pulsar dos seus corações. Leon levantou a cabeça a fim de olhar para ela, enquanto suas mãos frias seguravam delicadamente suas costas. E olhando para aqueles olhos azuis tão gentis, Ada nunca poderia se sentir, assim, tão segura e amada.

Apesar daqueles azuis demonstrarem tanto carinho, também havia algo diferente. Tudo entre eles era diferente agora, porque a realidade era um tanto cruel. Afinal, o agente norte-americano e a espiã chinesa já não eram mais os jovens amantes apaixonados que podiam manter uma relação secreta e perigosa como no passado. O tempo passou e seus caminhos os levaram para lados ainda mais opostos, os levando cada vez mais para longe um do outro.

"Leon, eu..." Naquele momento, Ada queria que Leon ficasse para sempre consigo. Dessa vez, era ela quem desejava, desesperadamente, que ele ficasse ao seu lado. "Vamos fugir para longe desse caos!" A espiã queria abandonar a missão, esquecer do C-vírus, de Derek e de Mei.

"Eu quero... ficar com você e recomeçar!" Ela queria ser egoísta o suficiente para fugir com Leon o mais longe possível desse inferno. Ada não queria continuar sendo a espiã fatal e solitária.

"Eu... Eu não posso." Ele repetiu começando a se afastar dela. E a pior parte é que ele tinha razão. "Eu... Eu..." Leon mordeu o lábio nervoso, sabendo que tomar aquela decisão e dizer aquelas palavras, só iria tornar tudo ainda mais difícil entre eles. "Eu sinto muito!" Havia tristeza em suas palavras. "Eu nunca vou me arrepender do que eu senti e ainda sinto por você. Mas, agora é tarde demais para nós dois." E, então, o homem saiu do banheiro deixando-a sozinha, se sentindo completamente vazia.

A espiã se perguntou se foi assim que ele se sentiu quando ela o rejeitou. E o gosto amargo da rejeição era terrível. Talvez, Ada Wong merecesse isso. Merecia perder a sua única chance de felicidade.

{Continua...}

Notas finais
Obviamente, esse momento no banheiro de hotel ainda vai render consequências entre Aeon. Bjus e até a próxima!