Segredos de Sangue

14 Não Olhe Para Trás


Notas iniciais
Esse capitulo eu decidi inserir Chris ele é fundamental em RE 6 então tinha q ter uma parte especial na trama, assim como AEON e Mei. Eu já havia planejado desde o inicio explorar Chris e seus traumas. Ah, já tava esquecendo as partes em itálico são flashbacks. Então, vamos ao capitulo!!!


Agosto de 2006


Chris e Jill haviam acabado de retornar de mais uma missão com sucesso e passado o fim de semana com a família Burton, Claire e Sherry. Ambos os ex- STARS faziam parte agora da BSAA que combatia o bioterrorismo pelo mundo.

Naquele fim de semana, tudo tinha sido tranquilo e divertido e tão normal. Por um instante, Chris havia vislumbrado um momento de paz e normalidade que lá no fundo ele sentia falta. Ele aproveitou para fazer as pazes com sua irmã, a quem sempre negligenciava, eles conversaram sobre tantas coisas, sobre o Salve Terra, sobre novos sonhos e planos, sobre Sherry que estava decidida a fazer parte da BSAA e nada poderia fazê-la mudar de ideia.

Entretanto, também teve um momentos onde ele pode se vangloriar de mais uma missão concluída com êxito e, claro, do orgulho de ter como companheira Jill do seu lado.

Aquele dia ensolarado de domingo iria ficar marcado em sua vida, como a última vez que Chris sentiu aquela sensação de estar em casa e de normalidade. De sentir como era estar em família sem ter que pensar o tempo todo em missões e mais missões.

Foi também, a sua única chance de se deixar levar por um desejo de ter Jill em seus braços e viver por um instante, a alegria de ganhar essa chance.

"Ambos precisam de um pouco de folga. São muito jovens pra viver apenas em ação, sem um pouco de calmaria. Afinal, todos precisam de um pouco de diversão. E dane- se o resto! Só por um momento... Um momento que você tem que fazer valer a pena." Chris ainda se lembrava das palavras que Claire lhe disse mais cedo naquele dia e, pensando nisso, ele decidiu seguir o conselho da ruiva.

No momento que se encontrava apenas ele e sua parceira, sem pensar em mais nada Chris apenas olhou no fundo dos olhos de Jill que refletia o mesmo desejo que lhe queimava por dentro.

"Eu vou fazer valer a pena." Ele murmurou antes de grudar seus lábios nos dela. Um beijo desesperado e avassalador que ela correspondeu com a mesma intensidade. Eles se beijaram várias e várias vezes ousados e apaixonados. Eles se entregaram de corpo e alma, sem pensar no depois. Nos braços um do outro os parceiros de combate se amaram descontrolados naquele quarto que, por muitas vezes, era sinônimo de frio e solidão, mas que naquele momento estava aquecido pelos seus corpos nus unidos e queimando de prazer. Ambos se libertaram de suas próprias incertezas, temores e perdas.

Ali nos braços um do outro, eram apenas Jill e Chris, dois amantes que estavam satisfazendo um desejo voraz que havia nascido e se desenvolveu em algo mais forte. Um caminho traçado de respeito, admiração mutua e cumplicidade que havia se transformado em um grande amor. Em que momento isso havia acontecido, ninguém saberia dizer.

Foi ali nos braços dela, que Chris havia encontrado sua felicidade. Uma felicidade que fora rompida, abruptamente, dias depois...

A partir de informações obtidas por Trent, Chris e Jill descobrem o paradeiro de Ozwell E. Spencer. Os dois se dirigem à mansão em um local remoto da Europa para prendê-lo e aproveitariam para tentar descobrir informações sobre o paradeiro de Albert Wesker.

O par consegue chegar aos níveis superiores da mansão e encontram o velho Ozwell E. Spencer já morto, jogado no chão ao lado de Albert Wesker. Ali se inicia um confronto violento contra o ex-capitão dos S.T.A.R.S. Contudo, o bioterrorista é quem leva vantagem com seus poderes sobre-humanos e a luta termina, tragicamente quando Valentine para salvar o seu parceiro, desesperada salta sobre Wesker e os dois caem por uma janela direto para um precipício.

Três meses depois, a B.S.A.A decide encerrar as buscas pelo corpo de Jill e a agente foi dada oficialmente como morta. E a dor pela perda só aumentou e transformou totalmente a vida do capitão Redfield. Houve a culpa, o ódio incontrolável por Albert e até por si mesmo por ter falhado em salvar a mulher que ele amava.

Março de 2009


O falecimento de sua parceira foi um estímulo para que Chris se envolvesse ainda mais na luta contra o bioterrorismo. Ele se envolveu em tantas operações que logo acumulou mais missões do que qualquer outro membro da B.S.A.A e passou a viver somente para as missões e nada podia detê-lo.

Todavia, um vislumbre de esperança havia chegado até ele, em 2009.

Foi durante uma missão em Kijuju que conseguiu reencontrá-la viva e sendo controlada por Albert Wesker. Os dois amigos chegaram a travar uma batalha contra o outro, até que Chris consegue destruir o dispositivo que a controlava e, ainda derrotar de vez o bioterrorista. Ao final daquela missão Redfield conseguiu trazê-la de volta para casa esperando que tudo fosse ficar bem.

Entretanto, os traumas estavam lá para marca-los eternamente, fazendo Jill parecer quase insana, capaz de atacar quem ousasse tocá-la. Ela estava tão desorientada, tendo pesadelos constantes com Wesker e quando não era ele, era Chris que lhe perturbava a mente durante esses pesadelos terríveis. Ela temia o seu próprio parceiro de longos anos. Infelizmente, Valentine não confiava mais em seu melhor amigo. Albert havia feito um enorme estrago em sua mente, algo que ficaria marcado para o resto da vida.

E assim, Chris havia perdido sua grande parceira leal e forte, sua base de apoio o deixando solitário.

Isso também causou um efeito negativo em Redfield, que sentia culpa e fugia para missões no intuito de dar tempo a ela e, também, afastar seus próprios demônios. Até que um dia retornou de uma missão e acabou se deparando com outra realidade. Ele havia retornado cheio de saudade e expectativa que, talvez, durante a sua ausência, Jill tivesse sentindo a sua falta e confiasse nele de novo como antes. No entanto, nada disso aconteceu.

Carlos Oliveira, o ex mercenário, também sobrevivente de Raccoon City e que havia ingressado na BSAA a pedido de Trent, estava ali com ela lhe dando pacientemente o seu tempo. E, a partir daquele momento, Chris viu Carlos se inserir pouco a pouco na vida de sua ex-parceira, ganhando sua confiança e sua amizade, que com o tempo, transformou-se em amor.

Já não havia mais espaço na vida dela para Chris. E, no fim, ele sofreu calado, ele lhe desejou felicidades porque no fim, Jill merecia isso, mesmo que não fosse ao seu lado. Tudo o que importava era vê-la sorrindo feliz e segura, mesmo que não fosse em seus braços.

Ele a deixou ir e tomou uma nova decisão: sua vida agora iria se resumir apenas nas missões que iria cumprir sem parar. Chris deu adeus as suas frustrações e planos bobos a fim de focar em lutar contra o terrorismo. Sua família agora era seus soldados e sua casa era o campo de batalha e isso era a sua vida, o que lhe fazia feliz. Uma vida que já não tinha tanto espaço para inserir sua irmã, ou a família que Claire estava construindo com Piers Nivans, o seu cunhado e atual parceiro de guerra. Alguém que só estava aqui ao lado dele nas missões, mais para mantê-lo na linha.

Chris se tornou o capitão da BSAA admirado por seus soldados, obcecado por suas missões e movido por uma promessa: Nunca mais ele iria falhar. Agora ele seria implacável.

Waiyip — Província Chinesa de Lanshiang, Julho de 2013


"Eu não posso continuar fugindo. Eu tenho que encarar a verdade, aceitar a responsabilidade. Essa é a única maneira que eu sempre vou lembrar. A única maneira que eu vou ter a minha vida de volta." Chris diz a Jill no telefone enquanto ele se prepara para voltar à luta, depois de seis meses vagando sem sentido.

Os ex-parceiros de guerra agora haviam seguido caminhos diferentes, Chris como capitão da BSAA continuou determinado a lutar contra o bioterrorismo, custe o que custasse, enquanto Jill se casou com Carlos para viver uma vida pacata e deixar o calor das missões no passado. Embora para a sua surpresa seu marido ainda vinha mantendo segredos dela ao continuar trabalhando clandestinamente para Trent.

"Eu tenho que ir agora." Dizia Chris apressado. "Espero que Oliveira se recupere logo e... se cuida." Jill havia viajado para China ao lado de Piers e Chris para ver seu marido, de lá o casal seria transferidos por um avião particular da BSAA para uma área segura, onde Carlos receberia tratamentos médicos.

Carlos Oliveira que fazia parte também da Shadows e já tinha trabalha lado a lado com Daryl e até Ada Wong, tinha como sua última missão ser o guarda-costas do diplomata da ONU, mas acabou sendo ferido gravemente por um ataque de um J'avo.

"Tudo bem, você também se cuida. E faça-os pagarem!" Jill diz com um tom sombrio do outro lado da linha se referindo a Neo-Umbrella a responsável pelos ataques bioterroristas tanto na Edonia, quanto em Lanshiang.

"E eu os farei. Vou caçar um por um até chegar a Ada Wong." Após se despedirem ele volta a prestar atenção ao seu redor. Ele se encontrava numa base improvisada aos arredores de Waiyip, onde seus soldados se preparavam para entrar em ação.

Era hora de acertar as últimas estratégias, Barry Burton também está ali ajudando a planejar toda a missão. O Alfa Team comandados por Redfield tinha como missão dois objetivos: resgatar os membros da ONU que foram capturados e estavam sendo mantidos como refém por bioterroristas no edifício Ace of Spades e, a partir disso, causar uma grande distração enquanto Sherry Birkin com o Beta Team colocariam o segundo objetivo em ação, cuja missão era se infiltrar nas instalações da Neo-Umbrella e conseguir informações importantes sobre o C-Vírus e, também, resgatar Jake Muller.

Segundo informações secretas, Jake estaria sendo usado como cobaia por meses pela Neo-Umbrella.

"Você está pronta para fazer isso?" Chris pergunta a Sherry enquanto todos já estão em suas posições.

"Bom capitão, você precisa ter mais fé em mim. Assim como todo mundo tem em você." Os dois se entreolham antes de voltar a se concentrar na missão. Alfa Team e Beta seguem para seus objetivos.

Mais a adiante, aproximando-se do Ace of Spades através dos telhados, Chris e sua equipe conseguiram neutralizar a entrada dos infectados. Enquanto isso, Sherry entrava em ação, pronta para resgatar Jake Muller, o filho bastardo de Albert Wesker.

Segundos depois, Chris ao lado de Piers já estavam travando uma batalha complicada com vários J'avos até que eles conseguiram acabar com um por um e conseguiram resgatar os reféns.

"Capitão Redfield, você voltou?" Diz Trent que estava com uma expressão abatida e ao mesmo tempo aliviada por ser resgatado.

"É... tenho umas contas a acertar." Sua voz era sombria e firme fazendo suas palavras soarem afiadas para Piers que sabia exatamente ao que seu capitão se referia.

"Vejo que vocês fizeram um belo estrago." O diplomata diz avaliando todo o lugar cheio de restos mortais.

"Barry está nos esperando em um lugar seguro." Mas, Trent não desejava um lugar seguro. Ele não poderia mais ficar de braços cruzados, depois de saber sobre os planos doentios de Mei.

Trent tinha que fazer uma difícil escolha. Ele não poderia ficar de braços cruzados enquanto suas filhas estariam prestes a se confrontarem.



Catedral de Tall Oaks, Julho de 2013


"Se afastem!" Foi a única coisa que Ada disse antes que uma criatura horrenda saísse da escuridão, com sua pele pálida e seus braços e pernas longos e finos.

Ali estava a Lepotitsa com seu corpo coberto por grandes poros que expelem um gás mortal. Ao inalar o gás, a vítima morre instantaneamente e é reanimado pouco tempo depois como um zumbi. Assim, um por um dos sobreviventes que se abrigavam na Catedral foram sendo exterminados e transformados em mortos-vivos sedentos e descontroláveis.

Ada se deixou levar apenas por seus instintos e suas habilidades sobre humanos. Seu foco era destruir a raiz do problema. Ela e Leon travaram uma luta violenta com a criatura e durante o confronto, seus olhos começaram a ficar desfocados, fazendo a espiã ficar desorientada e abaixar a guarda.

"Ada saia daí!" Ela ouviu a voz desesperada de Leon. A criatura estava vindo para cima dela, Ada preparou a sua arma e começou a atirar, o problema era que havia perdido a sua visão.

A Lepotitsa soltou um grito estridente horripilante e antes que ela chegasse a tocar na espiã um vulto pairou na sua frente a protegendo e recebendo um golpe fatal no seu lugar.

Seu coração parou por um instante... Naquele momento sua mente viajou para os braços de Leon, onde ela se perdeu em velhas memórias...

Ela despertou sentindo lábios macios e molhados percorrer sua pele nua, como se estivesse moldando um desenho traçando o caminho para sua perdição. E ela se perdeu nos braços de Leon, seu agente americano, lindo, doce, forte, divertido e sexy. Aquele que parece conhecer cada pequeno detalhe do seu corpo, que sabe como satisfazê-la como ninguém. Logo, ela se encontrava devolvendo os mesmos beijos e carícias com uma fome incontrolável, enquanto seus corpos nus emaranhados se movem numa mesma intensidade e volúpia até chegarem, enfim, ao ápice do prazer. E, naquele momento, nos braços um do outro, ambos encontravam um refúgio somente deles.

"Eu te amo, Ada Wong!" Sem vacilar Leon se declarou. "Eu te amo!" E isso ecoou por sua mente.

"Leon!" Ela desperta de seus devaneios, gritando desesperada ao pensar que fora ele que havia mais uma vez se arriscado para salvá-la.

"Eu estou aqui... Vamos!" Até que ela ouviu a sua voz trêmula lhe sussurrar e sentiu suas mãos frias a puxarem para si em sinal de proteção e ambos caíram no chão, enquanto as vidraças explodiam, seguidos por novos sons potentes e impetuosos retumbando por ali.

Tudo aconteceu muito rápido e a criatura que havia trazido tanto caos e assassinado cruelmente Roxton, fora morta por Daryl que havia feito uma entrada triunfal.

Alguns segundos depois, Ally se encontrava paralisada olhando o corpo morto de Roxton no chão. Ele havia sido brutalmente decapitado pela criatura ao salvar Ada. Foi por um milésimo de segundos e poderia ter sido a espiã ali no lugar do agente da DSO. Naquele momento suas habilidades especiais teriam sido em vão.

"Essa foi por pouco." Daryl diz irônico.

"Isso não é divertido." Ada ainda se sentia sob o efeito da adrenalina e das emoções de minutos atrás. Seu coração insensato ainda estava alvoroçado só de pensar que poderia ter perdido o agente americano de olhos azuis.

"Bom acho que já descobrimos como a cidade foi contaminada." Daryl decide coletar partes da criatura morta para ser analisadas mais tarde pela Shadows.

"Se uma BOW sozinha como esta é capaz de causar um grande caos... Imagina várias delas soltas nos quatro cantos da cidade." Ada diz avaliando os restos do bicho.

"E agora, qual são seus planos?"

"Preciso que você os tire daqui e os leve a algum lugar seguro."

"Sem chance. Minha missão é tirar você daqui. Mas, eles..." Daryl faz um gesto na direção dos sobreviventes que se resumiam a duas crianças, Ally e a Leon que agora se conversavam entre si. "Eles não são problema nosso!"

"Não. Você é a única passagem de saída desse inferno. Eles precisam da sua ajuda. E eu sempre me virei sozinha. Eu sou uma sobrevivente." Ada diz presunçosa. "Você não pode tentar medir forças comigo. Então, vai tira-los daqui."

"Uau, tá agindo igual ao Trent." Ada não gostou da comparação, sua expressão se tornou obscura.

"A questão é, você não seria capaz de abandoná-los aqui." Ada diz focando nas duas crianças inocentes, o irmão mais velho segurava Amber em seu colo, a pequena estava aterrorizada.

Daryl sabia que já tinha perdido a guerra, aquelas duas crianças eram um lembrete para Ada de sua própria historia com Mei.

"Você também vem comigo. Ou eu vou revelar para o seu querido agente seu segredinho sujo." Eles agora se confrontavam cara a cara.

Leon apenas observa de longe toda a interação da dupla, se sentindo conturbado. Havia uma tensão angustiante pairada no ar. Na sua mente se passava muitas coisas. Ele queria apenas se concentrar e sair desse inferno e correr direto para os braços de Angela, mas havia algo lhe corroendo por dentro. Algo que achou que nunca mais pudesse afetá-lo, porém estava ali diante dele de novo.

Por um momento, ele achou que seria tarde demais e que Ada teria recebido o seu fim, mas Roxton repentinamente havia aparecido ali para salva-la. Leon achou que a espiã seria morta assim de forma tão brutal, sem nem uma chance de um adeus. E isso o assustou tanto.

Leon parecia que podia sentir todos os pesos da morte, seja de Roxton, Ark ou dos sobreviventes que morreram aqui, assim como, o medo de falhar novamente com Ada Wong, não importa se ela era de confiança ou não.

Ada era uma parte essencial em sua vida e isso o fazia odiá-la com todas as suas forças. No entanto, por mais que quisesse lutar contra o poder que ela exercia sobre si, mais ele se sentia conectado àquela espiã.

"Olá, minha pequena borboleta. Sentiu minha falta?" E de repente ele se pegou lembrando da voz asquerosa de Wesker assombrando sua mente a anos atrás, fazendo-o lembrar que a espiã sedutora e fatal, sempre será o seu ponto fraco.

Notas finais
No proximo capitulo eu vou continuar exatamente da onde esse parou e teremos mais flashbacks aeon e vcs vão entender como eles romperam sua relação. A fic já ta se encaminhando pra reta final, então, comentem!!!