Segredos de Sangue

11 Além da Superfície


Notas iniciais
Saindo mais um capítulo. Atendendo ao pedido de TheAngelOfLord, teremos bons momentos aeon. Vamos ao capítulo!!!


Outono de 2005


"Eu não posso prometer que isso vai dar certo. Não haverá dia, ou hora específica e nem datas planejadas. Mas, se você me esperar... eu vou aparecer."

"Eu tenho outra opção?"

"Não. Você pode me ter assim, seguindo as minhas regras, ou... não ter nada. A escolha é sua."

"Eu te quero muito. Já te esperei por tanto tempo, acho que posso esperar mais. Só me diz que vai estar lá, que não vai sumir e eu vou te esperar."



Uma Semana Depois...

Leon chega em seu apartamento após mais um dia de trabalho. Hoje ele está muito feliz porque conseguiu voltar as missões de campo. Chega de ser o guarda-costas do Presidente e de sua família. Chega de ter que aguentar ordens e mais ordens de Simmons e tudo relacionado a segurança blindada na Casa Branca e chega de relatórios diários. Agora ele pode respirar ar puro, sentir uma pontinha de liberdade.

Ele já havia se livrado do coldre e das armas, estava pronto para tirar o colete quando a campainha toca. Ao abrir a porta se depara com uma jovem mulher vestida num sobretudo vermelho e uma bota de cano alto na cor preta. Seus olhos azuis param no rosto de traços delicados, os olhos dela estavam escondidos por atrás de um óculos escuro e os lábios perfeitos pintados num batom vermelho.

"Uau!" Mas a sua surpresa só estava começando.

"Estava com saudades, bonitão?" Leon estava em transe olhando para ELA parada ali na sua porta com um sorriso safado no rosto.

"Seja bem-vinda a minha humilde casa." Ele diz ainda com um olhar chocado. Eles haviam combinado que ELA iria aparecer, mas não havia um dia, nem hora e nem data exata. Sim, Kennedy esperava que sua espiã fosse aparecer, Leon tinha muita expectativa que Ada Wong iria lhe fazer uma visita, mais cedo ou mais tarde, só não imaginava que fosse ser tão rápido.

Ada entra no apartamento avaliando, cuidadosamente, o lugar. Nada parece ter mudado durante esses oito meses. Ela vai andando até a sala com Leon seguindo logo atrás, exatamente o lugar onde eles se amaram pela primeira vez, inconscientemente, a ex-mercenaria da Umbrella morde o lábio de ansiedade só com a lembrança.

"O que te traz aqui, gata selvagem?" Leon lhe sussurra ao pé do ouvido fazendo-a se arrepiar. Ada solta uma gargalha divertida com o apelido enquanto agente a encurrala entre seus braços fortes lhe abraçando por trás e causando uma certa surpresa nela que se sentia muito aquecida só de receber esse pequeno gesto, sua razão aos poucos vai sumindo ao sentir os lábios frios dele deslizar por seu pescoço.

"Eu vou tomar um banho rápido, porque eu tô horrível e..." Leon acaba sendo interrompido pelos lábios dela nos seus. Ele tentava manter o controle, mas Ada estava disposta a fazer todas as loucuras possíveis e impossíveis para tê-lo a sua mercê.

"Silêncio!" Ela murmura entre os beijos se virando de frente para ele. "Você fala demais." Ada lhe empurra sobre o sofá, depois lentamente, vai abrindo os botões do sobretudo e revelando sua pele macia e bem contornada, expondo sua lingerie vermelha com uma meia-calça fina que só contrastava ainda mais com suas belas pernas longas. A roupa desliza vagarosamente por seu corpo até cair no chão. Para Leon a surpresa não poderia ter sido perfeita, tudo sobre o corpo feminino dela e seus traços bem delineados, combinados com aquela roupa íntima e a bota só realça ainda mais sua beleza e sensualidade hipnotizante.

Ada ali daquele jeito, era pura tentação. Seus olhos azuis se encheram de luxúria, ele a queria desesperadamente e o homem tentou tocá-la, infelizmente, a espiã fora mais rápida e se esquivou o fazendo ficar atordoado.

"Isso não é divertido. Vem aqui agora!" Ele rugiu frustrado. Ali eles começaram um jogo de gato e rato. Ada era escorregadia como um sabonete, se ele tentasse tocá-la, ela sempre desviaria em um movimento rápido.

"Você me quer? Vem me pegar!" Ela correu para o quarto rindo e o provocando. Ele tentou mais uma vez prendê-la em seu braços e conseguiu, caiu sobre ela no colchão fazendo a cama tremer. Os dois começaram a rir como duas crianças travessas.

"Isso foi muito infantil da sua parte." Ele resmunga pressionando mais seu corpo sobre o dela, Ada acaba por ter seus braços presos pelas mãos grandes de Leon. É, dessa vez... ela se rendeu sem hesitar. Nunca na sua vida se imaginou estar assim, tendo um momento tão normal e até um tanto bobo, mas ao mesmo tempo, era isso que tornava tudo natural e até excitante. Estar com o agente Kennedy a fazia se sentir livre e nada mais importava.

"Bom, eu decidi seguir a sua ordem e usar a porta e, claro, um disfarce. Espero que tenha gostado." Ela diz enlaçando suas pernas no seu quadril.

"Você é mesmo uma caixinha de surpresa. Acho que você tem o dom de me surpreender e me deixar sempre com cara de idiota." Ele diz segurando firme os pulsos dela.

"O idiota mais gostoso que já conheci." Ela lambe os lábios maliciosamente.

Cansado de continuar apenas de provocação, Leon a beija ferozmente. Seus lábios se encontram desesperados, cheio de paixão e luxúria, as línguas se enroscam e duelam entre si, tentando domar um ao outro, mas no fim ambos perdem...ou ganham, pois os sabores e as sensações se tornam um só.

"Estamos numa posição injusta aqui. Você está com muita roupa." Ela lhe sussurra por entre beijos. Pouco a pouco as roupas vão sendo tiradas, deixando-os expostos aos prazeres mais profundos. Ambos querem se entregar aos braços um do outro e fazer cada segundo valer a pena...


Primavera de 2006


Eles se encontravam mais uma vez presos nos braços um do outro motivados pela saudade e uma ânsia incontrolável de se amar.

"Leon!"

"Ada!"

Eles deixam escapar por entre os lábios a cada vez que seus corpos se chocam com mais força e intensidade, com mais desejo e urgência. Ela crava as unhas sobre os ombros largos dele enquanto se movimenta num mesmo compasso e sincronia. Ambos estão chegando ao clímax, mas eles ainda preferem segurar mais um pouco. Ainda querem saborear a sensação de suas peles suadas e arrepiadas unidas de excitação e paixão. Leon olha para ela, e se vê hipnotizado mais uma vez pelo simples detalhe de tê-la ali em seus braços. De ver seu corpo se moldar tão lindamente ao dele. Ou a beleza de sua face corada e dos olhos de âmbar fixos nos seus, ou os cabelos negros selvagens dela caídos sobre os ombros e dos lábios inchados e entreabertos murmurando seu nome.

Tudo é sublime, desde a doçura da pele dela no momento de deleite ao ângulo perfeito que as costas fazem ao arquear o corpo em direção a ele. Tudo valia a pena quando se tem uma joia rara como Ada.

E num último ato eles se entregam ao puro êxtase.

Agora eles se encontram suados, ofegantes e com um sorriso cúmplice estampado em seus rostos.

"Caramba, isso foi..."

"Maravilhoso!" Diz ela o interrompendo, ambos estão deitados lado a lado com as pernas ainda entrelaçadas e cobertas por um lençol. Os dois permanecem se olhando por um tempo num silêncio reconfortante até que o sono pairasse entre eles.

O primeiro que sempre acabava dormindo era Leon e nesse momento Ada aproveitava para ficar apenas o observando dormir, seus dedos passeiam por seus cabelos, seu rosto e peito, decorando cada detalhe dele. Antes de dormir ela sempre lhe beijaria seu ombro onde está a marca do tiro que ele levou por ela e, por fim, Ada pousava sua cabeça ali e deixava o sono a dominar.

O dia seguinte foi um dia especial, era um sábado ensolarado, os dois despertaram tarde com os raios do sol invadindo o quarto, depois se amaram mais uma vez no banho. Ada havia feito uma grande surpresa para Leon e decidiu passar esse final de semana inteiro em sua companhia, essa não era a primeira vez que a beleza chinesa ficava mais do que o esperado. Ao longo dessa relação, os finais de semana se tornaram constantes. Pelo menos um final de semana ao mês, eles teriam juntos para aproveitar como quisessem.

Além disso, Ada já tinha tudo montado com antecedência, ela só viajava para a América, quando Derek não estava presente em Washington, tudo era bem planejado para não correr riscos e, obviamente, a espiã tinha um cúmplice que a ajudava a dar suas escapadas e a monitorar os passos da Segurança Nacional. Daryl era o seu cão de guarda que tanto lhe dava cobertura na Shadows, quanto espionava o Simmons. Até agora isso tem funcionado muito bem.

"Que delícia!" Ela diz entre as garfadas enquanto ela saboreia as panquecas feitas por ele. Leon sempre iria fazer de tudo para agradá-la e modesta parte ele mandava bem nas panquecas, omeletes e em montar um bom café da manhã completo.

Durante o dia eles passavam jogando conversa fora, assistindo alguma coisa na TV, como por exemplo, um filme de comédia ou de espionagem que Ada só assistia para criticar, olhar os defeitos que "eram muito gritantes". Leon por outro lado achava tudo divertido e, às vezes, entravam numa luta de corpo a corpo que acabava em sexo no carpete da sala. E muito raramente eles saiam do apartamento para algum passeio lá fora, como jantar num restaurante italiano ali perto.

Outras vezes, Leon ligava o rádio em uma música qualquer e a puxava para uma dança que terminava com a Wong o seduzindo novamente.

Os olhos azuis de Leon são sempre intensos. Sua mãe sempre diz: "Que os olhos dizem tudo o que os lábios não conseguem dizer em palavras." Em seus olhos azuis tudo se mostra transparente, sem mentiras ou segredos, e isso é uma de suas principais características. Característica que também lhe faz perceber que a linda mulher em seus braços, por trás de seus olhos enigmáticos, esconde um sentimento profundo que Ada tenta camuflar por outros superficiais. Ele queria chegar além da superfície, descobrir mais sobre ela, desde pequenos detalhes como manias, ou seu prato preferido. Afinal, com certeza a dama de vermelho sabia tudo sobre o agente Kennedy. Talvez, esteja na hora dele também saber mais sobre Ada Wong.

Os dois se encontravam deitados mais uma vez no carpete da sala, Leon está vestido com uma calça de moletom preta, enquanto Ada está com a cabeça pousada em peito nu e vestindo apenas a camisa azul dele que vai até o meio de suas coxas. Kennedy decide que é hora de dar mais um passo arriscado. É hora de ir além, desvendar um pouco mais sobre Ada Wong, mas de uma forma que não a assuste, que não a faça fugir.

"Sabe, gata selvagem..." Ele passa a mão ternamente nos cabelos dela. "Eu gostaria de saber quando você faz aniversário?"

"Por quê?" Ela se remexe levantando os olhos para ele.

"Por que você com certeza sabe o meu. Aliás você sabe tudo sobre mim." Ele revira os olhos.

"Leon Scott Kennedy, 29 anos (quase completo). Filho de Sarah Annie Kennedy e Anthony Kennedy. Nascido em 2 de julho de 1977." Ada diz convencida.

"Viu, eu sabia! Provavelmente, até as minhas contas no banco você sabe." Os dois riem. "Agora é a minha vez... Qual é a sua data?"

"31 de dezembro de 1976. Isto basta?" Ada franze a testa sentindo-se um pouco estranha com essa conversa.

"E seus pais?" Ele sente o corpo dela ficar tenso num silêncio repentino. Ada fecha os olhos, tentando se manter calma, afinal, a pergunta foi simples.

"Eu não me lembro deles." Ela diz hesitante, com uma leve dor no coração. Seus olhos se cruzam com as orbes azuis de Leon que lhe dá um sorriso gentil.

Leon continuou perguntando coisas banais, tentando ser paciente com ela, sem invadir sua vida. Tudo o que ele quer é dividir mais que apenas sua cama, ou ter uma coisa só física com ela. Pois, por mais que eles tentem negar, Leon e Ada são mais do que apenas dois amantes. Essa relação não pode só se resumir a sexo.

"Mas porque esse interesse todo?" Ela diz carrancuda.

"Curiosidade. Eu só quero te conhecer mais, saber quais seus gostos ou manias, seus medos e inseguranças. Sabe coisas que é comum as pessoas dividir umas com as outras." Ainda hesitante Ada decidiu entrar no jogo.

"Eu gosto de laranja. E você qual sua fruta predileta?"

"Eu gosto um pouco de tudo, especialmente, morangos."

E assim eles continuaram, ora um perguntando, ora o outro respondendo.

"Eu gosto de comida chinesa, italiana e da culinária sofisticada francesa. Afinal, eu sou uma espiã internacional que já viajou por tantos lugares. Gosto de sofisticação."

"Ah, bom saber. Vou parar com as panquecas." Leon, diz fingindo-se de ofendido.

"Não. Por favor! Eu amo suas panquecas." Ada súplica lhe distribuindo beijos por seu peitoral. "É sua vez?"

"Minha comida favorita é as que me lembram de casa. Eu amo comida caseira e de tudo que for fácil e prático. Dona Sarah faz cada prato mais delicioso que o outro. Você precisa conhecê-la."

"Eu iria adorar conhecê-la." Foi uma resposta automática que Ada sem pensar deixou escapar, provocando um sorriso genuíno em Leon.

"Ela também ficaria feliz em te conhecer. Aliás, minha mãe sabe sobre nós. Foi ela quem me motivou a se jogar nessa relação maluca sem pensar nas consequências." Por essa Ada não esperava. Suas palavras a surpreenderam lhe cansando um nervosismo incontrolável.

"Por que sua mãe faria isso?" Ela se sentou e desviou o olhar. "Como você disse: É uma relação maluca e..."

"Minha mãe diz que só se vive uma vez a vida, portanto não devemos viver com arrependimentos. Não devemos desperdiçá-la. Eu não queria que você fosse meu maior arrependimento, então, decidi correr os riscos." Ele se sentou e a puxou para seus braços. Foi inevitável os olhos se encontrarem.

"Isso foi muito arriscado. Você não deveria ter dito a ela. Era para ser o nosso segredo." Ada tentou discutir, porém Leon tratou de mudar o assunto.

"Você gosta de flores?" Ele lhe sussurrou ao pé do ouvido.

"Não." Ela disse relutante e um pouco aborrecida.

"Por quê?!"

"Lembranças ruins. Aliás, flores também estão presentes em velórios e enterros." Havia um tom sombrio e frio em sua voz. Leon percebeu isso e decidiu tornar as coisa mais leve, ele não queria afastá-la.

"Vamos esquecer isso." Ele lhe deu um beijo demorado, fazendo sua raiva, instantaneamente, sumir. "Que tal você me contar qual sua cor predileta? Ei, espera... essa eu já sei." Leon diz seguro de si fazendo ela rir debochada. "Vermelho, certo?"

"Sim, eu amo vermelho, porém há uma outra cor que tem sido minha predileta nos últimos tempos."

"Qual?!"

"O Azul. Mas, não é qualquer Azul." Ada troca um olhar intenso com ele. "Tem que ser um azul especial... da cor... dos seus olhos." Leon se sentia o cara mais sortudo, ou miserável do momento. Foi a primeira vez que ela disse algo quase perto de uma declaração romântica.

"Uh, isso foi tão piegas!" Ele diz provocativo fazendo os dois rirem.

"É, isso foi horrível." Ada diz fingindo nojo. "Tudo bem, sua vez."

"Eu gosto do azul, porém... tenho preferido o preto básico. E, por fim, mas não menos importante... o Vermelho. Por causa de um certo Alguém." Ele enfatiza.

"Nossa! Então, temos muito em comum."

"Essa é a prova que somos o par perfeito. Agora, qual é o seu maior medo?" Leon fica ansioso a espera da resposta. Por um instante houve o silêncio.

"Meu maior medo é... do futuro. Porque ele é cheio de incertezas." Havia uma certa melancolia em suas palavras.

A verdade é que além da superfície, existia um grande amor recíproco, mas que ELA iria relutar em admitir. Seu maior medo era amar ele, incondicionalmente, sabendo que no fundo Ada Wong nunca iria pertencer ao futuro de Leon Scott Kennedy...




Tall Oaks, 2013 — 22:15.


"Desgraçado! A culpa foi sua." Harper rosna irada apontando a arma na cabeça de Leon que está ajoelhado no chão. "É o fim da linha pra você." Ela estava pronta para apertar o gatilho, E o agente da DSO mesmo com o coração acelerado continua a olhar firme para a mulher com olhos lunáticos.

Mil coisas se passam em sua cabeça... Isso não poderia ser o seu fim. Morrer assim, como um terrorista, traidor de seu país. País este que ele já lutou várias vezes em seu nome, que já lhe tirou o direito de liberdade como cidadão americano quando sem saída o Policial Novato foi obrigado a se tornar um Agente Secreto. País este que já lhe tirou o direito de estar com sua família tendo uma vida comum e, por fim, que lhe impede de ver seu filho nascer e vê-lo crescer e se tornar um bom homem.

Isso tudo é injusto e cruel! Ele pensa.

"Harper, abaixe essa arma, agora!" Thompson diz autoritário.

"A missão foi bem clara. Ele é o culpado, matou o Presidente e é um traidor. Devemos matá-lo agora e concluir a missão."

"Eu disse para você abaixar a merda desta arma! Eu sou o líder aqui. Eu dou as ordens!" Thompson afasta a arma, rispidamente, do rosto de Leon e confronta Harper. A mulher permanece com a arma na mão, não desiste e nem se rende, ela muda seu foco para Ark.

"Que saber, essa missão é suicídio." Ela vai se afastando, cautelosamente. "Estar aqui com vocês é perda de tempo. Vocês todos vão morrer aqui, mas não vão me arrastar junto." De repente ela atira bem no joelho de Thompson que caiu no chão rugindo de dor.

Tudo é muito repentino, Harper tenta fugir, mas é perseguida por Roxton, um dos agentes sobreviventes. Ele atira na direção dela, mas ela consegue desviar e se esconder por trás de alguns entulhos em um beco.

"Harper, você está louca. É melhor você se entregar. Nós somos parceiros." De repente vários passos seguidos por gemidos medonhos ecoam pelo lugar. Leon e a jovem Ally, também da DSO, tentam estancar o sangue, a bala ainda está alojada na perna, mas não há tempo de retirá-la. Thompson tenta aguentar firme a dor que está latejando, ele sente como se o osso tivesse explodido. O PDA de Leon toca, há uma troca de olhar entre Ark e ele.

"Leon, pode atender." Diz o homem ferido.

"Hunnigan. A coisa tá complicada aqui." Há barulhos de tiros e vozes alteradas próximos dali. Leon tenta se concentrar na conversa.

"Leon, não consegui rastrear o Endereço IP do celular dela. Provavelmente, a Watson se infiltrou entre os agentes, ou alguém dos nossos a colocou lá. Mesmo porque não há cadastro dela em nossos arquivos." Leon escuta tudo, atentamente, sabendo que era obvio que aquela espiã que já foi a sua amante, sempre conseguiu fugir sem deixar rastros.

"Hunnigan esquece isso. Precisamos de sua ajuda, o Ark está ferido. Preciso que rastreie um hospital mais próximo e uma outra rota que nos tire daqui em segurança." Roxton reaparece agitado ao lado de Leon.

"Eles estão vindo e é um grupo grande." Rapidamente, o grupo de zumbis vai se espalhando e os encurralando. Leon é obrigado a interromper a ligação.

"E Harper?" Questiona Ally.

"A vadia fugiu." Roxton diz entre dentes.

"Esqueçam isso." Leon diz se concentrando em seu novo objetivo. Eles também tem que fugir.

"Para os esgotos!" Leon diz tenso. Os quatro sobreviventes sem hesitar fogem pelos esgotos.


***/ /***


Os esgotos dão acesso às linhas do metrô. Pelas paredes as sombras vão se aproximando, e os sons de grunhidos vão ecoando pelo local. Ali se reinicia uma nova batalha de sobrevivência. A única saída deles é seguir em frente, derrubando quantos zumbis pudessem e continuar sem parar. Os quatros estão bem equipados e organizados, sempre andando cautelosos e atentos. Cada um vai dando cobertura ao outro.

Roxton carregava no ombro Ark que por estar ferido seria uma presa fácil, além de atrasá-los mais. Assim pelo menos eles podiam ser mais rápidos. Enquanto, Leon e Ally foram derrubando os inimigos e abrindo caminho.

Depois de vários minutos vagando pelo metrô, os quatro conseguiram voltar as ruas da cidade, bem no centro onde o caos explodia por todos os cantos. Nenhum lugar era seguro.

Leon se sentia atordoado com tudo aquilo. Realmente era como estar de volta em Raccoon City. Ali tinham casas e prédios pegando fogo, carros correndo sem rumo pelas ruas até se chocar com outros carros. Pessoas desesperadas tentavam fugir dali, se misturando em meio ao caos com os mortos vivos que agora se multiplicavam cada vez mais.

Leon e os outros três agentes da DSO conseguem chegar a um beco escuro e isolado. Agora seu novo objetivo era chegar há quatro quadras dali, onde teria uma farmácia e um hospital mais a frente. Hunnigan havia lhes dado as coordenadas. O problema é que havia muitos inimigos bloqueando o caminho.


Após alguns minutos, Eles haviam conseguido se abrigar em um armazém junto com mais um grupo de sobreviventes, entre eles Jimmy o dono da loja. Contudo, o lugar não era tão seguro, pois as criaturas lá de fora continuavam a tentar invadir usando as janelas. Todos haviam se organizados tentando impedir que os zumbis entrassem. A questão é que as munições, logo, não seriam suficientes e eles acabariam sem saída.

Lá fora havia uma cena ainda mais apavorante, pois entre a horda de zumbis, vagueia uma menina chorando abraçada a um ursinho de pelúcia. Os zumbis ficam atiçados ao perceberem a sua mais nova presa. Nesse momento, Leon e o policial a seu lado congelaram, eles tinham uma visão geral da rua que a garotinha estava ficando encurralada.

O policial atira sem parar nos zumbis que a rodeiam, enquanto Leon por instinto corre rumo a menina na esperança de conseguir salvá-la, só que um zumbi que havia sofrido uma mutação (muito semelhante ao licker) é mais rápido e salta na direção da criança. Tudo foi como um borrão, num segundo a garota estava ali toda indefesa e no outro ela desaparece. Apenas o zumbi mutado é deixado para trás com o corpo perfurado por várias flechas.

"Ada!" Leon deixou que escapasse por entre seus lábios ao vislumbrar a espiã voando para o topo do prédio.

"Leon, cuidado!" Alguém grita em alerta. Um zumbi comum saltou sobre Leon o derrubando no chão. A criatura era ainda mais forte e voraz. O agente passou a lutar, urgentemente, tentando se desvencilhar da criatura que se contorcia sobre ele, tentando mordê-lo.

Leon podia ouvir os outros atirando e gritando, junto com os gemidos dos mortos-vivos. Seus companheiros não poderiam ajudá-lo. Ele, então, enlaça sua perna no corpo do zumbi e com um braço mantêm empurrando-o enquanto com a outra mão empunha uma faca direto no pescoço do bicho e o esfaqueia várias vezes, até conseguir matá-lo.

Sua respiração é irregular, ainda ofegante e desnorteado Kennedy se levanta. Mais zumbis vão surgindo diante dele e o encurralando. Porém, a espiã vem sorrateira e, num piscar de olhos, vai derrubando os inimigos com movimentos sobre-humanos, certeiros e fatais.

Naquele instante, Ada era incrível tanto quanto era assustadora.

"Bonitão, você tá ficando enferrujado." Ele não pode impedir o sorriso de alívio que se formou em seus lábios ao ouvir a voz dela.

E mais uma vez, Leon se viu em dívida com ela. Mais uma vez, Ada Wong inesperadamente salvou a sua vida.

Notas finais
Por enquanto é isso. No próximo tem mais. Bjus!!!