Segredos de Sangue
12 Entre Segredos e Mentiras
Notas iniciais

Ada após a fuga da Universidade Ivy, se viu perdida sem saber que rumo tomar. Sabia que tinha que sair dali, pois a cidade já estava morta e não havia mais motivos para estar presa nesse inferno. Havia certa frustração lhe corroendo por dentro, afinal ela teve em suas mãos provas que poderiam destruir Simmons e expor toda a verdade sobre Raccoon City.
Infelizmente, o blackout na universidade acabou com as chances de ter o arquivo para si. Ainda havia uma nova questão lhe perturbando a mente:
Quem estava lhe dando essas informações e por qual motivo? Qual interesse esse alguém teria? Uma vingança pessoal que também era dirigida a ela? Talvez, um fantasma do passado que vem para acertar as contas?
Um bip em seu bolso a tira de seus devaneios. Na tela de seu PDA aparece a imagem de Derek.
"Olha só pra você, ainda está viva. Tenho que dizer que seus olhos são assustadores."
"Chega de jogos! O que você quer?"
"Quero você na Catedral de Tall Oaks. Tem um presentinho te esperando lá. Estou lhe enviando as coordenadas." Em seguida a voz para e a imagem desaparece.
"Mais jogos!" Ela resmunga. Repentinamente, Ada sentiu uma dor latejante na cabeça, uma dor que vai aumentando e se tornando mais intensa e incessante.
"Para!" Ela grita de agonia caindo de joelhos no chão, a dor só piora. Seu cérebro pulsa frenético e forte, como se fosse explodir. Ada segura sua cabeça com as mãos trêmulas, mas nada pode aplacar a dor. Ela cai no chão se contorcendo e quando a dor torna-se insuportável, seus olhos vão se fechando e tudo vai ficando escuro.
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"Eu tô com medo, Li." Diz sua irmã com olhos assustados.
"Vai ficar tudo bem, Mei. Eu quero que você feche os olhos... Lembra daquela música que a mamãe cantava pra nós... Aquela do Dragão Vermelho?" Li a gêmea mais velha começou a cantarolar baixinha a canção, enquanto lá fora se ouvia os gritos de agonia, medo e fúria porque sua casa estava sendo atacada.
Li sabia que tinha que manter a pequena Mei segura. Ela era a gêmea mais velha e se sentia responsável.
"Cante a canção bem baixinho e com os olhos fechados. Só abra quando eu voltar." Ela diz entre os sussurros.
"Li não vá! Não me deixe sozinha." Mei lhe súplica.
"Eu volto logo. Eu prometo!" No entanto, Li não conseguiu cumprir a sua promessa. Ela nunca mais voltou...
Ada desperta desorientada ainda perturbada com seus sonhos e precisa de um tempo para se localizar. Ela olha para o lugar e aos poucos vai reconhecendo onde está. Ainda meio tonta se levanta e vai recolhendo suas armas. Os gemidos ecoam pelos becos escuros, a destruição também está presente ali junto à calamidade das ruas.
"Vamos lá... Você consegue!" Ela diz a si mesma voltando a seguir o seu caminho, deixando de lado seus temores.
Foi durante seu trajeto que ela se deparou com uma cena que nunca iria sair da sua mente. Uma criança vagava sozinha em meio a uma horda de zumbis. Sem hesitar ela corre em sua velocidade sobre-humana, enquanto várias flechas são disparadas por sua balestra na direção do predador, ao mesmo tempo em que ela agarra o corpo frágil e trêmulo em seus braços e com a sua Hookshot voa para longe dali. Ela pousa delicadamente no topo do prédio onde está um grupo de sobreviventes no andar de baixo, ainda lutando por suas vidas. A criança continua segura em seus braços.
"Você está bem?" A menina tem um olhar assustado e confuso. Talvez, com medo das coisas que viu até aqui, ou dos olhos carmesins de Ada. "Ei, você não precisa ter medo. Eu juro que não vou te machucar." Ela lhe dá um sorriso gentil que é retribuído por um sorriso tímido da criança até ser interrompido.
"Leon, cuidado!" Um grito desesperado lhe chama atenção.
"Eu preciso ajudá-los. Mas, eu prometo que vou voltar." A criança a abraça mais apertado.
"Não, por favor! Eles...eles também prometeram e... não voltaram." Os olhinhos azuis tão familiares e perturbadores se encheram de lágrimas, causando uma pequena pontada no coração de Ada.
"Eu tenho que ir." Sua voz saiu mais dura do que ela queria, porém não havia tempo a perder.
Arrodeado de zumbis estava um Leon ofegante e parecendo atordoado. Ele não tem escapatória a não ser enfrentá-los, mas os mortos-vivos eram muitos.
Como um borrão Ada foi matando os que bloqueavam o caminho e os reduzindo a pedaços de carnes podres e sangue.
"Bonitão, você tá ficando enferrujado." Houve uma troca de olhar entre eles e pela expressão de Leon, ela poderia dizer que ele estava aliviado ao vê-la salvando o sua bunda.
"Vamos! Para o andar de cima." Eles ouviram os chamados de dentro da loja. Depois de todo o tumulto e desespero, os sobreviventes se abrigaram no terceiro andar da loja, onde possuía um sistema de segurança que ainda não havia sido danificado. Por enquanto eles estariam a salvo até que chegasse o resgate.
Enquanto isso, Ally e Roxton haviam conseguido vários remédios e kits de primeiro socorros na farmácia perto dali, e outras coisas úteis. Tudo o que pudesse ser de grande ajuda eles trouxeram como precaução. Foi também Ally com seus conhecimentos médicos que cuidou de Ark que agora dormia tranquilo num sofá. Em seu joelho fora feito um torniquete a fim de parar o sangramento. Só que o estado dele ainda era preocupante, pois havia perdido muito sangue durante o trajeto.
"Bob, avisou que conseguiu um ônibus pra nos tirar daqui. Podemos nos abrigar na Catedral." Disse Jimmy o dono da loja.
Leon e Roxton escutavam toda a conversa dos outros sobreviventes e pensando que muitos deles, provavelmente, nem chegarão ao seu destino. Muitos irão morrer pelo caminho, mas Kennedy não iria desencorajá-los, porque no fim, a única certeza que se tem (além da morte) é a esperança.
Seus olhos se fixam na criança que conversa timidamente com Ally. Amber tem 8 anos e se perdera do seu irmão mais velho quando fugiam da cidade. "Vá e não olhe pra trás. Não tenha medo, vai ficar tudo bem. Eu prometo!" Foram as últimas palavras do seu irmão.
"Ela é um anjo?" Amber pergunta curiosa.
"Eu acho que não. Por quê?" Ally diz divertida.
"Porque anjos podem voar, como ela." A menina faz um gesto na direção de Ada. "Bem, eu acho que ela tá mais pra uma heroína. Pois ela tem uma arma especial." Ally lhe diz em sussurros como se fosse um segredo. A pequena continuou tagarelando. Ada ouvia toda a conversa com um sorriso discreto nos lábios, ao menos a inocência ainda permanecia intacta.
Seus olhos logo se cruzam com os azuis de Leon que tinha um olhar indecifrável. Segundos depois, os dois se encontram na cobertura do prédio. E do topo se podia ver todo o estrago que pairava sobre a cidade, que lembrava muito uma Raccoon City virada num pandemônio.
"Agora você tem praticamente uma fã especial." Leon diz num tom carinhoso que quase a fazia se lembrar do (Seu) Leon de anos atrás. Obviamente, que a calmaria não duraria por muito tempo.
Eles estavam lado a lado assistindo a cidade em ruínas. Havia decisões difíceis a serem tomadas, mas que eram necessárias. Olhando para ela, Leon percebeu a tensão em seus traços delicados que pareciam não ter mudado nada com o tempo. Como se o tempo tivesse parado para Ada Wong que permanecia jovem, linda e extremamente fatal, ainda mais com seus olhos carmesins assustadores e, igualmente, hipnotizantes.
"Qual é o plano? Nós temos um plano?" Ele diz hesitante, preocupado com o silêncio dela.
"A questão é que eu posso ajudar até certo ponto. Mas preciso que você me escute, atentamente. Não dá para salvar todo mundo. Muitos irão morrer pelo caminho."
"Eu sei disse." Ele diz sentindo a frustração lhe corroer por dentro. "O que você sugere? Que eu abandono essas pessoas e os meus parceiros, como você abandonou o seu?" Ada percebeu o sarcasmo em cada palavra dita por ele. Ela se sentia confusa com a sua declaração... Até se lembrar do "porquê".
"Leon, muitas aqui já estão infectados. Tentar salvá-los só vai adiar o inevitável."
"Então, nós decidimos quem morre e quem vive?" Leon solta um suspiro cansado. "E mais uma vez eu quase acreditei que você se importava. Que aquela versão de Ada Wong que encontrei na Eslava Oriental não era você."
E não era! Ada pensa em dizer, mas decide guarda pra si. A tensão entre eles cresce ainda mais intensa. Seus olhos se desafiavam entre si.
"Aquela Ada foi capaz não apenas de me deixar para morrer naquele lugar, mas também de abandonar seu próprio parceiro... Como é mesmo o nome dele? Daryl!" Ele diz irônico.
De repente Leon vai relembrando aqueles momentos terríveis:
"Ada, não!" Alguns flashes vão repassando em sua mente. E sua última lembrança foi do sorriso de escárnio da espiã, antes das portas do elevador se fecharem deixando-o preso com Daryl, Buddy e duas armas biológicas muito furiosas.
Eles só haviam conseguido fugir dali graças às habilidades de espião de Daryl, com a ajudinha dos lickers controlados por Buddy e, claro, com as habilidades de combate de Leon.
Quando as lembranças daquele dia vão embora, Leon novamente se vê confrontando Ada.
"É melhor você seguir o seu caminho. Eu não preciso de você, afinal, eu sou um sobrevivente. Eu também sei que não posso salvar a todos, mas continuarei tentando." Leon estava prestes a seguir para dentro do prédio, quando é parado por Ada que segura firme em seu braço, decidida a não deixá-lo ir.
"Você que saber um segredo meu?" Ela diz olhando fundo em seus olhos.
"Um segredo, ou mais uma mentira?" Aqueles olhos carmesins pareciam tão sinceros e cheios de familiaridade que o aqueciam. Eram tão diferentes dos olhos de mel gélidos e indiferentes que encontrara há um ano no Leste Europeu. Aquela Ada Wong de um ano atrás parecia uma completa desconhecida, como se fosse outra pessoa.
Ada podia possuir tantas versões de si mesma, porém havia aquela que parecia pertencer somente a ele. Entretanto, havia algo que sempre seria imutável: Aquela espiã sedutora e fatal sempre seria digna de desconfiança por tantos segredos e mentiras.
"Você tinha razão... Aquela primeira vez que você me encontrou em seu apartamento, completamente, desarmada... Eu estava... fugindo do Wesker."
"O quê?" Leon estava perplexo com aquela revelação.
"Eu trai Wesker quando não matei você na Espanha e quando não entreguei a Las Plagas a ele." Ela criou coragem para se explicar. "Então, para se vingar, Wesker me transformou em sua cobaia."
"Isso é horrível." Leon tinha uma expressão de choque e um olhar que Ada achava ser de pena.
"Não precisa me olhar assim!" Ela não sabia o que era pior ter o olhar dele de medo, ou o olhar dele de pena. "Eu tô bem. Assim como você... sou uma sobrevivente com algumas habilidades especiais."
"Que tipo de habilidade?"
"Minha principal habilidade é rastrear infectados, por isso os meus olhos são vermelhos. Quer dizer, ás vezes, se me sentir ameaçada... eles também podem ficar assim, mas por pouco tempo."
"Espera! Isso é muita informação. Me explica isso direito."
"A maioria daqueles sobreviventes lá embaixo... estão infectados e vão morrer de um jeito, ou de outro." Ela foi curta e grossa. "Só há cinco pessoas que não foram infectadas aqui."
"Quem?" Leon descobriu que Roxton, Ally, Jimmy, a menina e ele próprio eram os únicos não infectados. Por outro lado o seu amigo Ark Thompson estava em um nível alto de infecção. Onde o organismo está lutando para repelir o vírus, só que no fim o tornará ainda mais forte. O que resultará em inimigos mais resistentes.
Leon ficou em silêncio tentando processar tudo o que a espiã lhe disse, até que são interrompidos por um chamado de Hunnigan que lhes dá novas informações importantes e os força a montar um plano de emergência.
O plano consistia em separar o grupo em dois. Quando Bob chegou foi a maior correria. Os zumbis eram muitos e o desespero de todos também. Os sobreviventes que estavam infectados seguiriam de ônibus, enquanto os outros cinco deveriam partir de carro rumo a Catedral.
Todavia, Leon era teimoso e resolveu que iria de ônibus junto com Ada que ficou apreensiva. Eles não tinham tempo para ficar brigando, logo, alguém teve que ceder.
No entanto, antes de partir Leon teve a difícil decisão de acabar com o sofrimento de seu parceiro de longa data, Ark. Não houve tempo para despedidas.
"Pense que ele estará ganhando sua paz. Eu prometo que será rápido e indolor." E assim, Ada segurou por entre suas mãos o rosto quase sem vida de Ark, sugando o resto de energia que seu corpo ainda possuía e, deste modo, acabando com o seu sofrimento.
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Bob dirigia desenfreado pela estrada molhada de chuva que caia sem parar. Quando já estavam perto do seu destino, um zumbi cruzou o caminho e sem pensar Bob decidiu passar por cima, mas acabou perdendo o controle do ônibus que derrapou sobre o asfalto molhado e depois capotou e caiu num barranco.
Leon completamente tonto e desorientado, sentindo seu corpo pesado e dolorido, se levanta tentando se localizar. Ao seu redor tudo o que se via era pânico e destruição, os gritos de agonia e medo se misturavam aos grunhidos dos mortos-vivos e aos sussurros da cidade em ruína. Os mortos se levantavam até de suas sepulturas e vagueavam, ferozmente, pelo cemitério da Catedral, atacando os sobreviventes que tentavam fugir desesperados, ou que já estavam muito debilitados para escapar.
Do ônibus só sobrou os destroços que foram devorados pelo fogo junto ao corpo de Bob que provavelmente já estava morto. Leon se viu cercado pelo desespero, terror e desesperança que pairava ali. Talvez, esse era o seu ponto final. Não havia mais saída, ou chances. Era o fim!
Seus devaneios são interrompidos, pois no meio de todo aquele caos, Roxton apareceu atirando enfurecido e contra-atacando as criaturas que ousavam cruzar o seu caminho, enquanto Ally continuou seu trajeto com Amber e Jimmy, passando por cima de qualquer obstáculo, até conseguir se abrigar na igreja.
"Leon nós temos que continuar. Eles já estão mortos!" Diz Roxton para um Leon desnorteado. Logo, ele percebe um gemido de dor muito familiar que o faz despertar de seu transe.
Ada acabou sendo jogada para fora do ônibus durante o impacto. Eles a encontraram muito ferida com um pedaço de ferro atravessado em seu peito, quase perto do coração. Seus gemidos eram de pura agonia. Ela respirava com dificuldade e estava quase caindo na inconsciência.
"Ada!" Leon murmurou apreensivo, ao ver sua condição. Havia muito sangue e seus traços faciais conforme ele tentava lhe tocar, ficavam tensos mostrando sua dor. "Droga! Precisamos tirá-la daqui." Leon disse a Roxton que se posicionou para lhe dar cobertura. As criaturas estavam à espreita, só esperando para dar o bote.
"Leon!" Ada lhe sussurra. "Você tem que tirar... agora! Eu... eu vou. Vou ficar bem..." Ela lhe diz fracamente olhando para as safiras brilhantes e aflitas de Leon.
"Tudo bem. Então, nós vamos fazer isso juntos. Preciso que você se concentre em mim." Ele diz com ternura. Ada concorda, silenciosamente, pois havia uma grande confiança mutua entre eles. As mãos firmes dele seguram com cuidado o objeto entre as mãos, seus olhos se fixam nos carmesins que agora estavam, curiosamente, se descolorindo e tornando-se castanhos mel.
"1, 2, 3..." Sem vacilar ele puxou o ferro causando uma dor agonizante em Ada que mordeu o lábio, furiosamente, fazendo-o sangrar e seu corpo estremecer. "Tudo bem, tudo bem... Nós conseguimos." Leon diz tentando acalmá-la, ela parecia preste a entrar em estado de choque.
"Eu vou ficar bem. Eu só... não posso dormir... Não agora." Ela murmura para si mesma, retomando sua consciência.
"Eu tenho você. Nós vamos sair daqui." Após toda a tensão, Leon usou o próprio colete dela, provisoriamente, para estancar o sangue e depois a cobriu com a jaqueta emprestada por Roxton.
Tudo aqui parecia o fazer recordar de Raccoon City. Até mesmo a jovem espiã sendo carregada e protegida em seus braços, enquanto ele seguia ao lado de Roxton, sempre em alerta e se esquivando dos vários obstáculos que os impediam de chegar até seu abrigo.
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Como poderia ela ter um vírus correndo em suas veias a tornar tão forte e, ao mesmo tempo, deixa-la em outros termos, tão vulnerável? Leon não entendia.
Em meio à horda de zumbis, o trio havia conseguido se abrigar na Catedral de Tall Oaks onde reencontraram Ally e outros sobreviventes. E, entre eles, por sorte estava o irmão mais velho de Amber.
"Então, você pode se regenerar, mas não igual à Sherry?"
"Sim. Vamos dizer que em partes meus poderes são limitados. Pra me regenerar totalmente em preciso dormir." Ada diz ainda meio grogue sua recuperação estava lenta e sua cabeça parecia que ia explodir. Ela temia apagar de novo e demorar para acordar, principalmente, por causa do seu corpo debilitado querer se regenerar. "Há outra forma de me regenerar, mas ela é meio arriscada."
A espiã precisava sugar um pouco de energia de outro corpo, mas por estar muito enfraquecida temia não ter controle suficiente sobre seus poderes. Leon não pensou duas vezes ao aceitar, mesmo com a objeção de Roxton. Não importava os riscos, pois o mais importante era tê-la forte e inteira, pronta para o combate, claro, ao lado dele.
"Pensei que não confiava em mim?" Os dois se entreolham. Leon se senta a seu lado sobre uma mesa usada como uma maca improvisada, eles estavam sozinhos em uma sala no segundo andar.
"Eu não sei quais são seus planos. Aliás, eu nunca sei, porém ambos queremos a mesma coisa... Sair daqui." Leon engole em seco antes de continuar. "Você precisa concluir sua missão e eu preciso voltar... para minha família." Ele diz hesitante, sem lhe olhar nos olhos. Havia certa tensão e algo a mais entre eles, que ambos decidiram ignorar.
Sem mais hesitação, Ada se concentrou decidida a acabar com isso. Tudo foi muito rápido, ela lhe sugou suas forças com desespero incontrolável, enquanto seu corpo se regenerava, célula por célula e só conseguiu parar porque Roxton já estava ali, como um bom guarda atento.
"Para! Você já conseguiu." Ele precisou desvencilha-la, abruptamente, de Leon antes que o agente caísse inconsciente.
"Eu sinto muito." Ada diz conturbada agora com seus olhos retornando ao vermelho carmesim.
"Está tudo bem." Leon diz mortificado e ofegante, tentando acalmar Roxton e a própria Ada que tinha um olhar culpado.
Algum tempo depois, Ada escuta uma conversa entre os dois agentes que acaba mexendo com ela de uma forma avassaladora.
"Acho que há uma faísca entre vocês dois. Vocês já se conheciam não é, Leon?"
"Isso não é da sua conta. Além do mais, eu tenho Angie e o meu filho esperando por mim." Leon diz áspero não lhe dando chance para lhe questionar.
Naquele momento, Ada se sentiu ainda mais vazia. Aquelas palavras nunca iriam sair da sua mente. Leon tinha uma família de verdade, como ele sempre quis. Uma mulher e um filho, coisas que ela nunca poderia lhe dar.
***/ /***
Quando a passagem secreta sob o altar se abriu, houve sussurros arrepiantes, junto com um cheiro estranho. Cada célula do seu corpo gritava em alerta. Ela sentiu o perigo.
"Se afastem!" Foi a única coisa que Ada disse antes que uma criatura horrenda saísse da escuridão, com sua pele pálida e seus braços e pernas longos e finos. Seu corpo é coberto por grandes poros que parecem olhos, ou grandes tumores. E junto com ela veio à névoa.
Uma névoa tóxica que se transformou em caos e mais mortes...
Seis Meses Antes...
Em Algum Lugar na Europa Oriental.
"Atenção! Na BSAA, nossa missão é livrar o mundo do bioterrorismo. E a única forma de conseguirmos isso, é nos unindo. Ninguém é dispensável. Pode ser que todos vocês estejam prontos para morrer pela causa. Mas, a minha missão é manter todos vivos. Ninguém fica para trás. Não no meu turno. Entendido?" Ele diz com uma postura de capitão.
Até que uma misteriosa mulher entrasse em seu caminho...
"Esse é o C-vírus. É como a guerrilha o chama." Diz uma voz aveludada.
"Quem é você?"
"Trabalho aqui. Meu nome é Ada Wong. Eu era uma refém."
"O que você sabe sobre o C-vírus?"
"Sei que esse vírus está criando os J'avos." Diz a mulher misteriosa de traços orientais. "E a Neo-Umbrella é a organização por trás da guerrilha."
Ela não era confiável. Ele sentia isso, seus instintos naturais diziam para ficar de olho nela. No fundo ele sabia que ela era familiar. Seu nome e seu rosto não eram estranhos, mas naquele momento Chris estava muito focado em sua missão e fora cego demais.
"Finn, onde está a mulher?" Piers diz irado, enquanto os soldados ficam tensos.
"Ela estava aqui há um segundo!" Finn, o soldado novato fica nervoso, pois era sua missão ficar de olho nela.
E no meio de toda aquela tensão e confusão dos soldados, como um borrão tudo aconteceu. Eles foram encurralados.
"Obrigado pela escolta. Fiquem com isso para se lembrarem de mim." E então, ela lança uma bomba com várias agulhas contendo o C-vírus e, assim, infectando toda a sua equipe.
Tudo foi tão rápido e mortal. Era tarde demais. O capitão Chris Redfield havia falhado, miseravelmente, em sua missão.
As lembranças foram lhe corroendo por dentro, deixando uma faísca de culpa e fúria. Uma culpa que, até então, era inexplicável.
O capitão da BSAA sofria de amnésia pós-traumática. Seis meses depois e o ex-S.T.A.R.S estava irreconhecível. E na esperança de fazer com que a culpa de algo que ele não se lembrava desaparecesse, Chris se tornou um bêbado violento e passou a frequentar um bar que se localizava na Europa Oriental, onde foi apelidado de "Cão Vadio" devido ao seu comportamento.
"Então, Cão Vadio... É assim que eles te chamam agora, não é?" A pequena mulher de postura firme diz tentando quebrar a tensão. Em outra circunstância, ele teria rido com ela, quando eles eram ainda parceiros de guerra.
"Você deveria estar em casa com o seu marido lhe esperando." Havia um tom amargo em suas palavras.
"Chris, mesmo que eu esteja aposentada da BSAA, eu ainda continuo sua amiga. Sempre disposta a lhe puxar a orelha quando você sai da linha." Os dois sorriem cúmplice.
Há três dias ela e Piers haviam o encontrado bêbado em um bar e foi quase uma tarefa difícil fazê-lo confiar neles.
"Você tem que voltar para casa, para Claire e seu sobrinho. Eles precisam de você." Ela lhe aperta a mão em sinal de apoio, porém ele se afasta.
"Ela vai ficar bem e ela tem o Piers. Ela precisa é dele lá, ao seu lado como marido e pai."
"Ela também precisa do irmão que tem negligenciado sua família."
"Jill, eu tenho um dever a cumprir. Eu devo isso aos meus soldados. Os culpados precisam ser punidos. Ada Wong vai pagar por cada vida que ela destruiu." Chris diz decidido.
Agora que as lembranças veio à tona tudo o que ele podia sentir era um desejo implacável por justiça.
Waiyip — Província Chinesa de Lanshiang
Ele havia sido sequestrado junto com os outros diplomatas da ONU pelos rebeldes mutantes, denominados J'avos. Claro, ele sabia que a Neo-Umbrella estava por trás dos atentados bioterroristas. Mas, o que ele não imaginava era ficar cara a cara com ELA e seus olhos gélidos.
"Mei?" Ele exclama numa mistura de surpresa, ansiedade e medo.
"Olá, papai!"
Continua...
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