Segredos de Família

13 O Cerco Começa a se Fechar


Regina jogou o lençol no chão e colocou as mãos na cabeça, ela foi caminhando para trás até que bateu na parede, olhou para o lado e Rafael estava na porta, com um semblante de vergonha.

— Regina, pelo amor de Deus, não era pra ser assim, eu ia colocar um fim nisso hoje mesmo, não era pra você ter vindo aqui – ele tentou argumentar.

— você tem coragem de tentar se defender? — ela voltou os olhos a cama – e você, não vai falar nada seu filho de uma égua?

— Regina, não era pra ser assim, mas a gente se ama – disse Pedro.

Sim, o amante de Rafael era Pedro, o afilhado de Rafael que os dois criavam desde a morte dos pais dele. Regina começou a chorar.

— como é que vocês tiveram coragem de fazer isso comigo? Eu amei você Rafael, nós estamos juntos a uma vida toda e você Pedro, eu te acolhi na minha casa depois que teus pais morreram e você faz uma cachorrice dessa comigo? Eu vim aqui disposta a quebrar esse quarto todo, dar na sua cara e da sua amante, que eu tinha esperanças que fosse uma estranha, então eu ia brigar você ia me pedir perdão e eu ia te perdoar, mas isso aqui não tem perdão, isso aqui é maldade demais comigo, eu nunca vou te perdoar, eu nunca vou conseguir te perdoar – Regina secou as lágrimas e olhou para Rafael – eu vou para casa agora e vou mandar as empregadas arrumarem tudo o que é de vocês dois, quando estiver tudo pronto eu aviso para que vocês quando podem ir buscar. Dentro da mesma cada que eu vocês não ficam mais um segundo.

Pedro tentou falar alguma coisa, porém quando ele abriu a boca, Regina fez sinal com a mão para que ele se calasse.

— você ainda é pior, pois eu fui uma mãe para você, você fazer isso é o mesmo que ser amante do marido da sua mãe, do seu próprio pai – ela olhou para Rafael novamente – e eu idiota achava q ue você tinha ele como um filho, mas, na verdade, era só mais um caso de canalha que bota a amante dentro de casa – ela foi até Rafael e parou em sua frente – vocês transavam dentro de casa também, na nossa cama?

Rafael não respondeu, ela olhou nos olhos dele e então deu uma bofetada em seu rosto com tanta força que ele recuou alguns passos para o lado. Regina colocou seus óculos novamente e saiu. Quando ela chegou em seu carro, ela sentou-se no banco do motorista e então começou a chorar. Ela chorou e gritou, socou o volante, então respirou fundo, secou as lágrimas e ligou o carro, ela estava indo até o advogado para solicitar os papéis do divórcio.

***

Branca estava intrigada com uma coisa que havia descoberto. Analisando os extratos de suas contas, ela descobriu que havia um hospital especializado em terapias ocupacionais e recuperação para pessoas com problemas motores e deficiências, porém ela nunca havia autorizado nenhum gasto dessa natureza de seus bens, então ela ligou ao hospital e foi informada que havia sido autorizada a internação de sua filha no hospital, mas que nenhuma informação a mais poderia ser passada por telefone.

— eu quero saber que história é essa de filha internada aqui, pois até onde eu sei, todas as filhas do meu marido tem a saúde perfeita! — Branca estava exigindo saber para onde estava indo todo o dinheiro que estava sendo tirando das contas do marido – ele tinha apenas a Catarina e a tal de Paula e ambas tem a saúde perfeita!

— mas dona Branca, eu vou me desculpar novamente mas eu não posso passar informações sobre pacientes, ainda mais se tratando de um menor de idade, o que é o caso – disse a recepcionista.

No exato momento que ela se lembrou de Susana, ela ouviu a voz surgindo de trás dela.

— Carolina – disse Susana – Carolina é a filha do Carlos que está internada aqui.

— além de tudo ainda deu um filho problemático pro Carlos é? — disse Branca, virando-se para Susana – mas não é de se surpreender que Carlos tenha tido um filho defeituoso.

— o que foi que você disse? — Susana ficou chocada com o que acabou de ouvir – se você for mulher pra falar alguma coisa assim da minha filha de novo, eu vou te fazer engolir!

— isso mesmo que você ouviu, além de todo o desaforo que é ter que dividir minha herança com um filho bastardo, ainda descubro que é um bastardo defeituoso que vem a sabe lá Deus quantos anos sendo mantido pelo meu dinheiro – assim que Branca terminou a frase, Susana deu uma bofetada em sua cara.

— a próxima vez que falar algo assim da minha filha, não vai ser só uma bofetada! Agora você desaparece daqui ou eu vou chamar a polícia! — Susana estava com ódio no olhar.

— você vai se arrepender disso, pode ter certeza que se quiser continuar aqui vai ter que pagar do seu bolso – Branca ainda estava com a mão no rosto.

— não vai ser problema, pois eu não sou uma dondoca que não sabe nada da vida e não pode ter um trabalho como você, se precisar em pago, pela minha filha, eu vou até o inferno! Agora some daqui, some daqui antes que eu perca a razão e te arraste até na calçada e te jogue lá.

No caminho para casa, Branca começou a pensar que se ela eliminasse pessoas que lutaria pela herança com ela, ela ganharia mais. Desde o momento em que matou Carlos, Branca perdeu cada vez mais a conexão com a realidade. Ela havia se livrado de dois assassinatos e achou que seria assim a vida toda, se ela planejasse, ela conseguiria se livrar de tudo, e já sabia quem seria a próxima vítima.

***

— ficou sabendo do que aconteceu? — disse Paula para a mãe, sentada do outro lado da mesa – sobre a Margot?

— não, o que houve? — respondeu Elizabeth.

— então, ela sofreu um acidente de carro e ficou paraplégica, acredita? E mais, diz que ela fez um barraco com direito a colocar a culpa na Branca e expulsar ela do quarto e proibi-la de entrar no quarto novamente.

— mas isso é ótimo! — disse Elizabeth – agora que Branca perdeu a coisa que ela mais ama no mundo, está na hora de a gente agir, vou pegar os documentos e vou pra cima dela.

**

Catarina abriu a porta e a empregada anunciou que havia uma mulher querendo vê-la. Quando Catarina chegou no escritório, havia uma mulher loira, de uma beleza estonteante.

— boa tarde, posso ajudar? — disse Catarina, não fazendo ideia de quem se tratava.

— vamos direto ao assunto Catarina? — disse ela, virando-se – eu me chamo Verônica e sou a mulher do Paulo.

Catarina ficou calada, esperando para ouvir o que vinha a seguir.

— Paulo me contou a história louca de vocês dois e eu quero saber quais sãos as intenções pra depois de quando acharem a filha de vocês.

— olha Verônica, eu não tenho intenção nenhuma com o Paulo, até porque depois que eu reencontrar a minha filha é que vai começar a maior batalha da minha vida então eu não tenho nem tempo para pensar em Paulo.

— eu entendo toda a situação e como mulher eu posso imaginar a dor que você sente como mãe, mas eu sou uma mulher direta e vou ser direta. Eu e o Paulo estamos em uma época não muito boa, pois eu sei que o relacionamento de vocês acabou da pior maneira possível e por isso tem muita coisa não resolvida entre vocês dois, só que eu amo o Paulo e eu vou lutar por ele. Eu não sou uma mulher baixa e não jogarei baixo, mas eu vou lutar com unhas e dentes pelo meu noivo.

— olha Verônica, como eu disse eu não tenho interesse nenhum no Paulo, a única coisa que eu me importo é minha filha, de resto, se acontecer algo, aconteceu.

— bom, era isso que tinha pra dizer. O que eu puder ajudar na procura pela filha de vocês eu farei, mas a princípio, enquanto mulheres nós somos inimigas.

Verônica, despediu-se, pediu licença, pegou a bolsa que estava em cima da mesa e saiu. Catarina ficou sem reação por alguns minutos. Ela estava indignada com Verônica por ela ter entrado em sua casa dizer essas coisas, mas, ao mesmo tempo, ela sabia que Verônica tinha razão em suas inseguranças e Catarina sabia que faria a mesma coisa se estivesse em seu lugar. Então, o silêncio é quebrando quando o telefone de Catarina tocou e quando ela olhou no identificador, era o número de Paulo.

— alô? — disse ela.

— Catarina, eu achei, eu achei nossa filha!